4.10 S´ election spectrale et compression d’impulsions attosecondes
4.10.3 Le compresseur plasma
O que é afinal um profissional reflexivo? De acordo com o filósofo americano John Dewey (1993), a reflexão é uma “forma especializada de pensar”, envolve uma investigação ativa, persistente e rigorosa. Alarcão (1996) refere que “ser-se reflexivo é ter a capacidade de utilizar o pensamento como atribuidor de sentido” (p.175). Neste seguimento de ideias, importa mencionar que o “conceito de professor reflexivo” surgiu nos EUA como reação à conceção tecnocrática do professor, ou seja, o professor que simplesmente aplica o currículo. São vários os autores que defendem a reflexão nas práticas educativas, embora usem diferentes terminologias, ou seja, “pensamento reflexivo” (Dewey), “ensino reflexivo” (Zeichner), “aprendizagem reflexiva” (Fosnot), “praticantes reflexivos” (Schön) e “práticas reflexivas” (Jaworski), surgem normalmente todos associados à investigação sobre as práticas dos professores (citado por Alarcão,1996).
Cada vez mais pretende-se que este profissional aprofunde a sua prática, e que contribuía para um melhoramento na sua profissão. Neste contexto e de acordo com Alarcão (1996), “Educar para a autonomia implica fazer um ensino reflexivo que, por sua vez, se baseia numa postura reflexiva do próprio professor” (p.187).
No âmbito educativo, a prática e a reflexão assumem uma correlação muito relevante, atendendo a que a prática educativa acarreta inúmeros problemas para resolver, questões para responder e muitas incertezas que são necessárias refletir. É nesta ordem de ideias que os profissionais devem investigar e refletir para reestruturar as suas práticas pedagógicas, de forma a proporcionar um desenvolvimento de qualidade. Não podemos esquecer que o
desenvolvimento profissional implica uma formação contínua, com intuito de aprimorar a prática do seu dia a dia. Neste sentido, o profissional reflexivo nunca se deve acomodar com a sua prática, procura o seu aprimoramento. A educação reflexiva é uma ação fundamental ao percurso educativo de qualquer profissional. De acordo com Zeichner (1993), os conceitos “prático reflexivo” e “ensino reflexivo” tornaram-se fundamentais na reforma do ensino e da formação de professores, ou seja, a questão da reflexividade passou a fazer parte da reforma educativa. Esta passou a ser encarada como essencial para um ensino de qualidade. E é esta capacidade que o profissional educativo tem de refletir, sobre a sua prática que emerge essa qualidade.
As mudanças na sociedade são cada vez mais exigentes daí que o profissional não possa se acomodar, as exigências da sociedade assim o exigem. A constante procura pela atualização e reformulação da prática educativa, deve visar a melhoria das aprendizagens do aprendiz. É com o exercício da atividade reflexiva sobre a sua práxis, e de uma dinâmica construtivista que o profissional de educação atingirá uma melhoria da qualidade nas práticas educativas.
No seguimento, do que já foi referido e para uma melhoria na qualidade das práticas educativas é indispensável efetuar uma reflexão crítica, pois para solucionar os seus problemas é fundamental a prática reflexiva.
Na educação, a prática reflexiva é um processo que deve acontecer antes/durante/após a ação, e é sobre todos estes passos que o profissional de educação traça novos caminhos e soluções para a sua ação futura (Zeichner,1993,p.20).
Na análise da própria ação, o docente não deverá apenas ter em consideração a sua prática diária, mas também os contextos na qual a desenvolve, de forma a traçar soluções contextualizadas, uma vez que na “prática do ensino reflexivo, a atenção do professor está tanto virada para dentro, para a sua própria prática, como para fora, para as condições sociais nas quais se situa essa prática” (Ibidem, p.25). De acordo com este autor, a prática do ensino reflexivo é também um compromisso com a prática social, ou seja, pretende construir uma aprendizagem que apoie os professores e seu crescimento para um ensino de qualidade. A reflexividade não desempenha apenas um importante papel na adequação da ação nos seus contextos, mas também na produção de conhecimento sobre o ensino e as reformas educativas, atendendo a uma constante reflexão sobre todo seu trabalho e as suas experiências.
A reflexão é um ato de pensar e analisar a ação desenvolvida, neste seguimento de ideias podemos afirmar que é crucial que este ato de refletir, seja uma constante no percurso
do profissional educativo. São as reflexões e as interrogações sistemáticas sobre a prática que conduzem, a uma metamorfose da ação com vista a um progresso no conhecimento das competências a nível da educação.
Infante, Silva e Alarcão (1996) refere que a reflexão sobre a prática acontece como uma estratégia para a aquisição do saber profissional, e com esta abordagem permite uma integração entre a teoria e a prática, desafiando a reconsideração dos saberes científicos.
Neste contexto, a reflexão é usada como instrumento de mediação da ação, na qual se usa o conhecimento como forma de auxiliar os professores a apreender e a transformar a prática. Importa então referir que, o pensamento reflexivo é capaz de criar e transformar os contextos educativos. Este ensino reflexivo demanda uma permanente autoanálise por parte do profissional educativo, o que implica “abertura do espírito”, estudo rigoroso e uma consciência social. O profissional reflexivo será então aquele que procura um equilíbrio entre a ação e o pensamento, esta prática implica uma reflexão sobre a sua experiência, crenças e valores (Carlos & Sousa, 2012). Ainda, e para responder as questões colocadas por Alarcão (1996), considera-se que é tempo de ser reflexivo, ser reflexivo é essencial e desejável. Mas, tudo isto é essencial em prole de uma educação inovadora e de qualidade. No entanto, não podemos esquecer que, as metodologias de formação reflexiva a nível dos alunos e dos professores têm de ser gradual e ter em consideração “ à maturidade dos sujeitos envolvidos” (Alarcão,1996, p.187).
Em relação ao profissional como investigador é fundamental mencionar o pedagogo inglês Stenhouse (1926), pois para este autor é essencial utilizar a investigação como recurso didático. Este foi o pioneiro em defender que o ensino eficaz esta baseado numa pesquisa da ação realizada. O profissional da educação deve usar diversas estratégias para garantir melhorias na aprendizagem. Estes devem ser capazes de criar o seu próprio currículo, adequado a sua realidade. Este pedagogo sustentava a “figura do professor-pesquisador”, a “expressão pesquisa-ação”, ou seja, pesquisar sobre o que se faz e como melhorar essa ação (citado por Marangon, 2011). Não se pode deixar de referir que, de forma direta e indireta este tema tem sido abordado por vários autores com Perrenoud (1993;1999), Nóvoa (1991; 1992 a; 1992b), Zeichner, 1993;1997;1998), esta questão do “professor-pesquisador” tem sido muito debatida nos últimos tempos, principalmente depois do trabalho pioneiro de Stenhouse (1975) sobre o “Desenvolvimento do currículo”. Ainda, importa afirmar que “ser professor-investigador implica desenvolver competências para investigar na, sobre e para a ação educativa e para partilhar resultados e processos com os outros, nomeadamente com os
colegas” (Alarcão, 1996, p. 26). É então crucial que, a partir da reflexão e do questionamento o professor progrida no sentido de investigar o seu contexto e a sua ação, para que, consequentemente se traduza num efetivo aumento da qualidade na educação. Atualmente cada vez mais é visível o surgimento de profissionais de educação que procuram soluções para os seus problemas da sua prática pedagógica. E de acordo com Alarcão (1996) há uma responsabilidade, uma vontade de progressão na sua profissão, por uma melhor qualidade de educação. Contudo, não basta boas intenções, é preciso saber como se pode ser mais reflexivo, para se ser mais autónomo, responsável e crítico.
Ainda Alarcão (1996) refere que os profissionais estão conscientes das dificuldades em encontrar estratégias para promover atitudes e capacidades de reflexão. É neste sentido, que tem surgido na ribalta educativa o conceito de “aluno autónomo”, para que um profissional de educação seja reflexivo, é necessário também fomentar a autonomia no aprendiz.