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Communication non verbale : approches et concepts

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I. REVUE DE LA LITTERATURE

1. Imitation et développement : aspects généraux

1.5. Les fonctions de l’imitation

1.5.2. Imitation et communication non verbale

1.5.2.1. Communication non verbale : approches et concepts

O período pós-Segunda Grande Guerra, a partir de 1945 até final da década de 1980, foi caracterizado pela disputa do poder hegemônico entre dois modelos de vida social, cultural, de sistema político, econômico e principalmente de pensamento ideológico: o capitalismo e o comunismo - hoje chamado de socialismo real. Este processo desencadeou uma divisão bilateral do mundo entre as duas grandes potências que emergiram do conflito: Os Estados Unidos (EUA) e a então União Soviética (URSS). A correlação de forças que marcou esse momento da história foi chamada de Guerra Fria.

“A peculiaridade da Guerra Fria era a de que, em termos objetivos, não existia perigo iminente de guerra mundial. Mais que isso: apesar da retórica apocalíptica de ambos os lados, mas sobretudo do lado americano, os governos das duas superpotências aceitaram a distribuição global de forças no fim da Segunda Guerra Mundial, que equivalia a um equilíbrio de poder desigual, mas não contestado em sua essência. A URSS controlava uma parte do globo, ou sobre ela exercia predominante influência – a zona ocupada pelo Exército Vermelho e/ou outras Forças Armadas comunistas no término da guerra – não tentava amplia-la com o uso de força militar. Os EUA exerciam controle e predominância sobre o resto do mundo capitalista, além do hemisfério norte e oceanos, assumindo o que restava da velha hegemonia imperial das antigas potências coloniais. Em troca, não intervinha na zona aceita de hegemonia soviética”. (HOBSBAWN, Eric J, 1995, p. 224)

Nesse início da “Guerra Silenciosa”, quando começaram novos trabalhos por uma conformação de princípios e valores éticos baseados no respeito aos direitos humanos, marcaram presença no cenário a ascensão do tema da informação e comunicação como objeto de investigação científica nas mais variadas áreas do conhecimento; e o processo de industrialização e valoração tecnológica dos meios massivos de comunicação. A explosão da cultura de massa, denominada pela teoria crítica da comunicação de indústria cultural, é garantida pela difusão dos bens simbólicos, produzidos nos centros industriais do ocidente. Conjuntamente ressurgiu, agora com uma dimensão além de política e ideológica, econômica, o clamor pela liberdade de informação. O projeto do livre fluxo de informação, free flow, criticado por ser uma doutrina, “[...] maneira de denominar o substrato teórico que inspirou, acompanhou e justificou a progressiva intervenção norte-americana no mundo do pós-guerra nos domínios da cultura, da informação e da propaganda.” (GIFREU, 1986, p.26-27, tradução nossa), foi ratificado nos primeiros discursos da UNESCO.

As resoluções, na década de 1940, foram centradas na livre circulação do pensamento, designado como idéias e informação a serem transmitidas pelos meios massivos de comunicação, chamados na resolução de 1946 de “meios de informação de massa” (UNESCO, 1946, p.168, tradução nossa), com destaque para o cinema e o rádio. No entanto, mesmo ainda de forma bem incipiente, os textos já traziam preocupações com os conteúdos discriminatórios, relacionados às culturas não ocidentais, como atestou o delegado da Índia, ao referir-se ao cinema norte-americano como um instrumento de deformação da verdade sobre as populações do extremo-oriente (UNESCO, 1946, p.168, tradução nossa)28. Com mais veemência, começou o debate sobre os obstáculos que se opunham a livre circulação da informação, o acesso aos meios de comunicação e/ou meios de informação para as massas.

INTERCÂMBIO DE PESSOAS E DIFUSÃO DO PENSAMENTO29 Estudar [...] as travas que impedem o intercâmbio de pessoas entre nações e dentro de uma mesma nação e que obstaculizam a livre circulação de idéias entre os povos. Atenção especial se dará aquelas travas que são causadas pela escassez ou falta dos meios de comunicação, dificuldades de câmbio monetário e leis restritivas existentes nos Estados Membros;

[...]A UNESCO continuará e intensificará seus esforços para eliminar os obstáculos que se opõem a livre circulação de idéias por meio da palavra ou por imagem. (UNESCO, 1947, p.13, tradução nossa)

[...] fomentará o abastecimento e distribuição de matérias primas (especialmente de papel para periódicos e livros ), de equipamento (especialmente de aparelhos receptores de rádio e de aparelhos de projeção a preços reduzidos), e favorecerá a formação profissional visando a reconstrução e o desenvolvimento dos meios de informação para as massas do mundo todo; (UNESCO, 1949, p.34, tradução nossa)30

Os esforços estavam voltados para possibilitar, via distribuição de equipamentos de recepção, que as informações produzidas nos grandes centros industriais, já detentores das tecnologias e dos profissionais, chegassem, sem restrições de nenhuma ordem, nas periferias. A eliminação de obstáculos à liberdade de informação, difusão do pensamento através da informação destinada às massas, estava na ordem do dia, mas numa perspectiva verticalizadora, de fluxo unilateral. E mesmo quando registrou seus objetivos de reconstruir e desenvolver os meios de informação “para as massas do mundo todo”, através do favorecimento da formação profissional, a UNESCO não chegou a contra-argumentar a

28

Ata da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – primeira reunião, Paris, 1946 – resoluções.

29

Ata da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – segunda reunião, México, 1947 – volume II – resoluções.

30

Ata da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – quarta reunião, Paris, 1949 – resoluções.

centralização na produção da informação e dos bens culturais. Importante destacar que referências explícitas ao meio televisão só apareceram nas resoluções a partir da Conferência Geral de 1952. Até então, explicitamente, os documentos faziam referência a meios impressos, ao rádio e ao cinema. A palavra comunicação só apareceu na expressão “meios de comunicação”, reforçando a visão instrumental e ainda longe dos futuros debates sobre o direito à comunicação, a partir de 1974. Josep Gifreu (1986, p.34, tradução nossa) faz uma dura crítica à UNESCO, ao analisar este período do debate internacional da comunicação:

Desde o ponto de vista da comunicação internacional, parece evidente que um dos primeiros e principais feitos encomendados a UNESCO pelo sistema mundial das Nações Unidas foi a promoção da livre circulação da informação. Definida a liberdade de informação básica como liberdade de circulação, a UNESCO estava disposta, desde os primeiros anos, a estudar o estado dos circuitos de comunicação no mundo, e a operar no sentido de oferecer ao sistema mundial instrumentos de conhecimento e ação nesse âmbito, perfeitamente de acordo com os interesses gerais de controle dos centros metropolitanos sobre as periferias emergentes.

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