• Aucun résultat trouvé

IV. CONCLUSION DE LA PARTIE THEORIQUE : SIG, Analyse systémique,

3. Système socio-économique de la région Ancash

3.5. Commentaire sur les données socio-économiques

Nessa segunda etapa da pesquisa foram aplicadas duas situações iniciais de produção de textos, envolvendo dois gêneros diferentes (relato pessoal e carta de reclamação), em duas turmas do 5º ano, de duas professoras selecionadas para as observações. Essas atividades foram aplicadas na semana seguinte à entrevista e reservamos dias diferentes para cada um desses momentos.

Resolvemos propor a escrita de gêneros de ordens diferentes (argumentar e narrar), pois entendíamos que a paragrafação poderia seguir critérios de organização

diferentes. Era a nossa intenção analisar se as crianças conseguiam perceber isso no momento em que fossem paragrafar seus textos. Assim, com essa etapa, desejamos coletar informações sobre as capacidades de paragrafação dos estudantes.

Escolhemos o gênero carta de reclamação porque, em estudo anterior (SILVA E LEAL, 2007), pudemos analisar as características desse gênero em detalhes e também as habilidades das crianças em paragrafarem cartas de reclamação. Assim, teríamos uma melhor condição para analisar os textos dos alunos.

Já o gênero relato pessoal foi escolhido por considerarmos um gênero com o qual as crianças têm um maior contato na escola, o que poderia significar uma maior familiaridade. Também optamos pelo relato pessoal, porque acreditávamos que havia um maior número de estudos que pudessem subsidiar a nossa análise dos textos dos alunos, uma vez que os gêneros textuais predominantemente narrativos costumam ser investigados na linguística.

Marcamos, então, com as docentes, os dias para que a situação inicial acontecesse nas turmas. Vale ressaltar que todos os alunos participaram das atividades, porém, analisamos apenas os textos daqueles que se enquadravam nos seguintes critérios: 1) ter a idade esperada para cursar o 5º ano de escolaridade, ou seja, crianças entre 10 a 11 anos; 2) ter escrito o texto de forma legível; 3) ter atendido ao comando das atividades solicitadas, produzindo os gêneros solicitados e 4) não ter faltado a produção inicial e final do mesmo gênero textual. Ressaltamos que focalizamos em duas turmas para possibilitar uma análise mais minuciosa dos dados.

Essa etapa da pesquisa foi de fundamental importância para investigarmos as capacidades dos alunos em relação à habilidade de dividir um texto em blocos. A partir dela pudemos verificar os conhecimentos iniciais dos alunos e, posteriormente, traçamos um paralelo com o desempenho dos alunos na fase final da pesquisa. Também analisamos as contribuições que as situações didáticas exploradas pelos professores proporcionaram para a apropriação da paragrafação pelos alunos.

O planejamento dessa situação de produção inicial foi feita por nós pesquisadores, mas o professor da turma conduziu a aplicação a seu modo. Na elaboração da situação inicial, tomamos como base a abordagem teórica defendida por Dolz e Schneuwly (2004), na qual advogam a necessidade de se promover, na escola, atividades de produção de textos mais próximas do real, semelhantes as que ocorrem fora do universo dessa instituição.

Os estudiosos ressaltam a importância de se apresentar de forma explícita e clara a situação comunicativa. Seguindo, portanto, suas orientações, procuramos apresentar um problema de comunicação bem definido, para que os alunos compreendessem, da melhor forma, como deviam agir diante da tarefa: indicamos o gênero discursivo a ser produzido, a quem se dirigiria a produção e quem participaria da situação. Também proporcionamos momentos em que os alunos pudessem ativar seus conhecimentos prévios sobre o gênero a ser escrito, assim como sobre o tema. Abaixo apresentamos o planejamento das situações iniciais de produção de texto:

Em relação à Situação Inicial de produção de texto 1, os alunos produziram uma carta de reclamação para a diretora da escola. As etapas previstas foram:

1) Conversa inicial: O que é uma reclamação? Como a gente faz reclamações

(carta, telefone...)? Como é uma carta de reclamação?

2) Leitura de uma carta de reclamação falando sobre os buracos no asfalto de um bairro de Recife (ver anexo 1);

3) Conversa sobre o texto lido, explorando questões de interpretação do texto e fazendo os alunos identificarem e discutirem os problemas que aquela comunidade estava enfrentando, bem como os argumentos levantados para justificar a relevância daquela reclamação;

4) Conversa sobre os problemas da escola: a professora pergunta se os alunos gostam da escola na qual estudam. Após as respostas, questionar: “há algo que vocês

não gostam na escola? Vocês acham que a escola tem algum problema que está prejudicando vocês, seus pais ou os funcionários da escola?”. Depois dos comentários,

propor como seria interessante e importante, para a melhoria da escola, se estas reclamações fossem levadas até o(a) diretor(a) da escola, assim ele(a) tomaria conhecimento dos problemas que atingem a todos e poderia tomar providências. Nesse momento, indagar aos alunos: qual a melhor forma de levar tudo isso até o (a diretor

(a)? Qual o texto que mais serve para nos comunicarmos quando a pessoa que vai ler não está presente?” Fazer com que eles sintam a necessidade de escrever cartas de

reclamações individuais. Para tanto, relembrar a carta de uma comunidade, lida no início das atividades, que mostra sua insatisfação através da escrita;

5) Produção individual do texto: escrita de uma carta para o(a) diretor(a) da escola, reclamando dos problemas que afetam a escola.

Na Situação Inicial de produção de texto 2, o gênero produzido foi o relato pessoal. Essa atividade foi realizada em quatro etapas:

1) Momento de conversa inicial para estimular os relatos: Vocês já passaram por

algum momento especial na vida? Já vivenciaram alguma situação engraçada? Já fizeram alguma travessura ou vivenciaram alguma aventura legal? Produção de relatos

orais pelos alunos;

2) Leitura de dois relatos pessoais: o de um menino que passou por uma situação engraçada e o de uma menina que vivenciou uma experiência bem legal, de alegria; (ver anexos 2 e 3);

3) Conversa sobre os textos lidos e sobre o tema dos textos;

4) Produção individual de um relato pessoal, no qual os alunos vão relatar alguma travessura que aprontaram na escola ou em casa; ou o dia em que ganharam um presente pelo qual esperaram por muito tempo; alguma aventura vivida em um passeio. Esses relatos seriam expostos em um mural, na escola, para que todos os demais alunos lessem, conhecessem as experiências relatadas e quisessem também compartilhar suas histórias pessoais.

Como orientação mais específica de análise de textos de alunos, tomamos como ponto de apoio, a metodologia construída por Dolz, Gagnon e Decândio (2010) para a análise de produções escritas baseada na proposta de Schneuwly (1988), uma vez que essa permitiria depreender as capacidades e as dificuldades dos alunos.

Nessa metodologia de análise, os autores orientam que, primeiro, deve-se relacionar o texto produzido aos objetivos de aprendizagem esperados para quem o produziu e depois a reconstrução da consigna de produção, ou seja, a identificação de toda a tarefa de produção proposta para o aluno.

Somente após esses movimentos, o texto em si passa a ser objeto minucioso de análise, no qual será avaliados “a representação do modelo do gênero textual mobilizado; a adaptação à situação de comunicação; o respeito à estrutura convencional do gênero; a planificação e a organização em partes; o emprego das unidades linguísticas pertinentes e a textualização” (DOLZ, GAGNON E DECÂNDIO, 2010, p. 57).

Salientamos, no entanto, que o foco central da nossa análise foi a capacidade dos alunos em paragrafar. Assim, observamos nos textos produzidos os seguintes aspectos: 1) se o texto era dividido em parágrafos, e, em caso positivo, em quantos; 2) o tipo de marcação paragráfica utilizado; e 3) as estratégias utilizadas para a organização dos parágrafos.