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clairvoyance frugale dans les trois cas

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interesse. Por um lado, os países defensores do “crescimento zero” (designação herdada do Relatório “Os Limites ao Crescimento”), basicamente representantes dos países industrializados, e por outro, os defensores do “crescimento a qualquer custo”, representantes dos países não industrializados (ver Berry, 1972; 17; Oliveira, 2012: 9; Cetem, s.d.).

Neste contexto, a Conferência de Estocolmo realizou-se num ambiente envolto em alguma polémica com constantes trocas de argumentos, entre as partes, o que fez sobressair as dificuldades da comunidade internacional em delinear um modelo estratégico de desenvolvimento, coerente e aceite por todos. É até, de alguma maneira, compreensível que os participantes na Conferência de Estocolmo, alertados por este estudo [Relatório “Os Limites ao Crescimento], viessem a defender o “crescimento zero”, pondo em causa o desenvolvimento económico para salvaguardar a qualidade de vida dos cidadãos e evitar as catástrofes naturais que se iam somando. Sendo uma posição bastante radical, esta não deixa de ser uma resposta às preocupações de um relatório que referia que, insistindo-se num sistema económico tão agressivo para o ambiente, o “resultado mais provável será um súbito e incontrolável declínio tanto da população como da capacidade industrial" (Meadows et al., 1972: 40-41). Nesta linha de pensamento, o relatório alertava, ainda, “para a preocupação com as principais tendências do ecossistema mundial, extraídas de um modelo global articulado em cinco parâmetros: industrialização acelerada, forte crescimento populacional, insuficiência crescente da produção de alimentos, esgotamento dos recursos naturais não renováveis e degradação irreversível do meio ambiente” (Nova, 2002: 3). Como refere Eggert (1992: 57), não é que “muitos defensores do ambiente não percebam os benefícios da tecnologia, do progresso e do crescimento económico mas as suas atenções estão direcionadas para diferentes preocupações” que não passam, no momento, pela “erradicação da pobreza ou pelo beneficio pelas viagens áreas a alta velocidade” (U) mas sim na “grandeza da floresta e no seu valor de suporte como geradora de oxigénio, como reguladora climática e como habitat para plantas e vida selvagem” (idem, 58), razões que explicam a defesa intransigente da preservação da natureza. Se existe forma de exprimir esta postura, tal pode ser resumido no comentário de White, (1977: 36): “Eu me sentiria mais otimista sobre um futuro brilhante para o homem, se este passasse menos tempo provando que pode enganar a natureza e mais tempo saboreando sua doçura e respeitando a sua antiguidade".

No entanto, os países mais pobres, com necessidade de se desenvolverem economicamente, não aceitavam esta “teoria”, pondo em causa os respetivos estudos e obsessivamente e apelando à continuidade de um sistema económico que se caracterizava pelo seu caráter demolidor, tanto a nível social como ambiental. Este sistema económico, designado capitalismo, associado ao fenómeno crescente da globalização, contribuía para alargar a economia de mercado para uma fase cada vez mais gravosa em relação ao equilíbrio da biosfera. Como refere Rodrigues (2006: 19), “O valor de uso dos produtos tornou-se presa de interesses financeiros dominantes. O oligopolismo, ou seja, o capital financeiro sobrepôs-se à lógica de investimentos produtivos. A

geopolítica do capital transnacionalizado impôs modelos sociais/militares e tecnológicos mundializados. E a generalização da tecnologia produziu um antagonismo crescente em relação à biosfera. Esse antagonismo crescente revela-se essencialmente pelo facto de que este modelo tecnológico funciona como uma predação exterminadora dos bens planetários criando simultaneamente resíduos superiores à reciclagem de que dispõe a biosfera”. Assiste-se, no decorrer da década de 70, a uma tentativa de parar este modelo económico vigente, sendo que o seu avanço agravava outros antagonismos e recolocava o Homem na senda da “não consciencialização” para os problemas ambientais. Tal facto é relatado por Rodrigues (2006: 20- 21), que revela que, neste período, “crescia o fosso entre grupos cada vez mais reduzidos, detentor dos meios de dominação, produção e alienação e o resto da sociedade que por sua vez, se decompõe em grupos sociais, uns integrados e outros excluídos (I) Por outro lado, ocorrem antagonismos também entre os próprios detentores do capital porque a concentração e a concorrência inerentes ao modelo acentua as rivalidades em torno da conquista do poder dominante. A concentração faz-se através do aniquilamento dos mais fracos que têm de se sujeitar a essa geo-estratégia de concentração e de darwinismo social. O processo colonial e neo- colonial instaurou-se pelo sistema tecnológico e pelos novos dispositivos territoriais, elementos fortes que facilitaram a “pilhagem” e produziram a catástrofe das populações nativas”. Talvez, assim, se compreenda o porquê de tão abrupto fosso económico e social entre o Norte e o Sul, com os países localizados geograficamente a sul do equador a apresentarem, em geral, níveis de desenvolvimento muito inferiores aos dos países do Norte. Os defensores do crescimento económico questionavam-se porque é que os “ambientalistas e outros defensores do anti- crescimento não percebem que a tecnologia e o crescimento económico estão conquistar a natureza para benefício da humanidade” (Eggert, 1992: 57). Para o referido autor, os defensores do crescimento, a qualquer custo, acreditam na surpreendente capacidade de adaptação dos seres humanos e de outras espécies que provaram, ao fim de milhares de anos, serem capazes de garantir adaptações para a sua sobrevivência. Aliás, o mesmo acrescenta que, neste sentido, os defensores do pró-crescimento acreditam que, se os recursos naturais se esgotarem, o Homem tem a capacidade de os substituir ou de criar sistemas de alta tecnologia capazes de os conseguir reproduzir. Neste contexto, Eggert, 1992, designa esta crença de “otimismo tecnológico”. Esta visão é partilhada por Ellis, (1974: 11), naturalista com um extrema sensibilidade para as questões económicas e ambientais, que escreveu num artigo intitulado “A mãe natureza nem sempre tem razão” que considerava que, se o “homem quase literalmente fez a vaca, (...), o peru gordo e a bela rosa (...) e se ele errou nesse entusiasmo e poluiu as suas matérias-primas e os seus recursos, ele ainda fez o mundo extraordinariamente melhor”.

Neste enquadramento histórico, a década de 70 ficou conhecida como um marco na história da humanidade, não só pelo despertar social para os graves desequilíbrios da natureza, mas também pelo reconhecimento dos elevados custos sociais e ambientais provocados pela demora da humanidade em aceitar a sua origem.

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