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Éduquer à la microéconomie

Dans le document L' effectuation en action (Page 183-186)

concretas na política mundial: “se por um lado parece ter trazido [o conceito de desenvolvimento sustentável] uma nova esperança no tratamento das questões ambientais, gerando algum consenso quanto à interdependência entre desenvolvimento económico e qualidade de vida, por outro pode reduzir a clara expressão dos conflitos que persistem entre os atuais objetivos e modelos de desenvolvimento e a premência da proteção do ambiente, adiando a necessária reestruturação de políticas e estratégias atuais” (Fidélis, 2001b: 26). Ora, acrescenta-se que, ainda hoje, persistem divergências na forma de encarar a definição do paradigma, tão difundido pelo Relatório de Bruntland. Verifica-se o uso de terminologias alternativas que, apesar de expressarem idênticas preocupações entre questões sociais e ambientais, são ainda hoje utilizadas. Assim, as organizações governamentais e do setor privado acham conveniente adotar o termo “desenvolvimento sustentável”, enquanto fontes académicas e ONGs usam o termo “sustentabilidade” em contextos similares. Esta destrinça no uso da terminologia deve-se à preocupação, por parte das ONGs ambientalistas e académicas, que o desenvolvimento é visto como “sinónimo de crescimento e, portanto, que o desenvolvimento sustentável significa amenizar, mas não é bastante desafiador levando a um crescimento económico continuado. Nesta perspetiva, "sustentabilidade" o termo preferido centra a atenção onde ela deve ser colocada, sobre a capacidade dos seres humanos para continuar a viver dentro de restrições ambientais” (Robison, 2004: 370). Neste contexto, os autores Hopwood, Mellor e O´Brien (2005) acrescentam o conceito de “solução moralmente falida” para abordar esta dualidade terminológica. Segundo os autores, a “ambiguidade de Bruntland permite ao mercado de negócios e aos governos ser a favor do termo sustentabilidade pois, tal, permite, não alterar o principal curso [ideológico], usando-se Bruntland para promover o rápido crescimento que justifique o crescimento económico” (...) Desta forma, o capitalismo avança para “satisfazer o crescimento económico beneficiando, eventualmente, toda a sociedade” (Hopwood, 2005: 3) e, supostamente, dando cumprimento à sua visão de “sustentabilidade”.

Já para Robison (2004), a sustentabilidade “não deve ser concebida como um conceito único, ou mesmo como um conjunto consistente de conceitos. Pelo contrário, é mais útil pensa-lo como abordagem ou processo baseado no pensamento da comunidade e que indica que precisamos integrar as questões ambientais, sociais e económicas a longo prazo” (Robison, 2004: 381). Concluindo, o conceito de desenvolvimento sustentável, saído do pós-Brundtland, deu origem a um sentimento de descontentamento social causado pelo pluralismo com que a conceptualização do conceito era interpretada, sendo considerado como um “conceito normativo inerente sujeito a contestação, confusão e incerteza” (Sneddon et al., 2006: 260). Como reconhecem Sneddon, Howarth e Norgaard (2006: 259), o período que procedeu o advento do referido documento, foi marcado “por um ritmo acelerado da aplicação do conceito principal de DS que, decorrente do abuso e banalização do mesmo, promoveu o risco de fazer diluir outras prescrições mais radicais que reforçam a sustentabilidade”. Contudo, e como acrescentam os mesmos autores, apesar da pluralidade de interpretações, o poder do conceito “reside na sua propensão para fornecer uma

base comum para discussão entre uma vasta gama de atores para o desenvolvimento e ambientalistas que estão frequentemente em desacordo” (idem, ibidem). De acordo com Robinson (2004), muitas das divisões que caraterizaram os debates pós-Brundtland sobre desenvolvimento sustentável são rastreáveis ao próprio relatório em si, o qual, ao nível das políticas ambientais e do desenvolvimento e sua persecução, contém reformas que tanta ênfase deram ao reforço dos mecanismos de desenvolvimento humano como, de forma mais radical, contêm explicitamente uma vinculação aos aspetos da pobreza e da sustentabilidade ecológica (ver Robinson, 2004). Segundo Escobar (1996: 53-54), o Relatório Brundtland e muito do discurso sobre desenvolvimento sustentável “não é mais do que um conto que um mundo (moderno) desencantado diz a respeito de sua triste condição”. Afere-se das suas palavras que eram necessárias mudanças radicais nas ideias e nas instituições que lidam com o desenvolvimento sustentável e, ao mesmo tempo, manter em aberto a possibilidade de que uma verdadeira reforma das instituições era possível, a fim de se efetivarem as mudanças desejadas. A vontade de efetuar essas mudanças, baseado no paradigma do desenvolvimento sustentável, deu origem a diferentes perspetivas de operacionalizar o próprio conceito em resultado da pluralidade de ideologias e epistemologias que o concebiam (esta matéria será posteriormente abordada).

Atualmente, e como refere Sneddon et al. (2006: 253), o DS continua a orientar-se por três grandes objetivos, emanados de “O Nosso Futuro Comum” e que preconizam “a melhoria do bem- estar humano, na distribuição mais equitativa e vantajosa do uso de recursos através e dentro das sociedades e de um desenvolvimento que garante a integridade ecológica a uma escala intergeracional”. O mais recente debate em matéria de desenvolvimento sustentável associa o mencionado conceito ao de governança. Como refere Schmidt e Guerra (2010: 106-107), “governança e desenvolvimento sustentável são, muito frequentemente, vistos como filhos da mesma família e parte da mesma história (I) com características comuns e potenciais conexos e interdependentes”. Desta forma, o conceito de DS encontra-se indissociavelmente ligado ao de governança até porque, como referem alguns autores, como, por exemplo Zeijl-rozema et al. (2007), é impossível que o desenvolvimento sustentável se “venha a impor sem a prévia implementação de processos de governança participativa” (idem, 108).

b) Democracia e Participação

Tanto o termo “desenvolvimento sustentável” como o termo “gestão ambiental”, segundo Redclift, (1995: 23), “transformaram-se em “buzz-word3” nos círculos de decisão politica, mas a discussão em torno desses termos (também) dá pouca atenção à forma como as pessoas (I) participam na gestão dos seus recursos e, através da sua participação, como ajudam a transformar as práticas de gestão ambiental”. Da interpretação das palavras do autor, subentende-se que, após a

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Termo que se refere à situação de um conjunto de expressões que, ao serem interminavelmente repetidas acabam por ser consideradas disparatadas ou absurdas e gerar alguma confusão.

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