(realçando o uso do DDT) devido à sua capacidade de penetrar na cadeia alimentar e acumular-se nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do Homem. A juntar a estes factos, a comunidade mundial assistia a mais uma catástrofe ambiental, com o desastre de 119 000 toneladas de petróleo derramadas pelo navio Torrey Canyon, ao longo da costa norte da França e sua consequência sobre a flora e a fauna marinhas.
Neste contexto, o Homem era, diariamente, confrontado com uma realidade que tentava omitir e que se resume ao reconhecimento “que as modificações do sistema terrestre são, em larga escala, de origem antropológica” (Veyret and Pech, 1993: 31). Apesar do despertar lento para as questões ambientais, pode afirmar-se que estas questões eram uma preocupação quase exclusiva do mundo ocidental. Nos países em vias de desenvolvimento, a emergência da questão ambiental era vista como um luxo do Ocidente e nos países comunistas a força destruidora da industrialização impunha-se a qualquer forma de sensibilização e consciencialização para com os danos gerados pela indústria, na natureza.
Os alicerces do ambientalismo moderno são lançados no início da década de 70. Como explica Hannigan (2006: 1), a designação “Dia da Terra 70”, tantas vezes mencionada, ficou consagrada nos anais da história como representando a “estreia do movimento do ambiente moderno. O que torna mais distinto e simbólica a designação do “Dia da Terra” é, no entanto, a sua pretensão de querer ser o 1 º dia do novo ambientalismo, uma interpretação que foi amplamente adotada pelos média americanos, proporcionando, assim, um reconhecimento instantâneo e generalizado da questão ambiental”.
Foi, pois, na década de 70 que a era ecológica começou e com esta o despertar da Humanidade para os graves problemas do ambiente. Segundo Jacobi (2000: 4) a sociedade despertou, mais propriamente, para a sua “crise” [ecológica], convertendo-se num processo social na medida em que os impactos de agressões ao meio ambiente repercutem de forma interdependente à escala planetária. A consciência ambiental aumenta e com isto cresce a perceção da noção de risco e o entendimento de que as transformações em curso se convertem em ameaças cada vez mais preocupantes”. Nesse sentido, “a crise do modelo de desenvolvimento” (...) constitui-se como “uma força motriz, na medida em que se desenvolve na opinião pública a tomada de consciência da devastação ambiental” (idem, 9).
No entanto, era uma época mergulhada numa certa turbulência social, com uma diversidade de acontecimentos que tornavam desfavorável qualquer tipo de iniciativa de caráter ambiental. As sequelas da Guerra Fria, conflito político-ideológico entre os Estados Unidos da América (EUA), defensores do capitalismo, e a União Soviética (URSS), defensora do socialismo, fazia com que o mundo temesse um novo conflito mundial, por se tratar de duas potências com grande arsenal de armas nucleares. Aliado a este facto, a sociedade confronta-se com o problema da colonização,
processo que ainda não tinha chegado ao fim. Na África do Sul, o apartheid ainda vigorava e o Muro de Berlim continuava a ser um ponto sensível de desunião social e política.
Neste contexto histórico, e apesar de tanta controvérsia, o mundo científico não parava e, patrocinado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Cambridge, era publicado o livro “Man's Impact on the Global Environment” que mencionava, pela primeira vez, o aquecimento global (ver SCEP, 1970). Esta investigação atribuía a responsabilidade pela ameaça à camada de ozono, e consequente problema do “buraco do ozono”, a uma vasta frota de aviões supersónicos que vulgarmente passavam pela baixa estratosfera. No entanto, esta teoria nunca se confirmou na prática.
Em 1972, a comunidade internacional, confrontada com um crescente agudizar dos impactos ambientais e com o “agitar” social, viria a promover um encontro para discutir os problemas gerados pelo modelo de desenvolvimento adotado. Estas preocupações foram abordadas na CNUMAH, vulgarmente designada Conferência de Estocolmo, que teve lugar entre 5 a 16 de junho desse mesmo ano. Este evento constitui-se como um importante marco ambiental, não só pelo facto da elevada representatividade (estiveram presentes delegações de 113 países), mas, igualmente, por ter contribuído para o conciliar de diferentes pontos de vista, extremamente divergentes, entre os países ricos e países pobres em várias matérias, uma das quais de caráter ambiental. Todavia, o sucesso desta conferência não foi partilhado por muitos. Segundo Long (2000: 11), a Declaração de Estocolmo teve a “particularidade de criar - os princípios - que no seu conjunto formaram leis internacionais mas apenas intencionais, sem aplicação prática” , isto é, elaborou-se apenas um conjunto de orientações para questões ambientais internacionais que, supostamente, poderiam não ser aplicadas. Desta Conferência, realça-se, ainda, a criação de um organismo internacional, a UNEP, com o objetivo de “fornecer liderança e incentivar a parceria com a preocupação do ambiente através de aconselhamento, informando, e permitindo as nações e povos melhorar a sua qualidade de vida sem comprometer com isso as gerações futuras” (UNEP, s.d.)
É neste enquadramento espácio-temporal que reside a importância de se abordar a sociologia face ao seu contributo entre as ciências sociais, remetendo, mais concretamente, para a institucionalização da sociologia ambiental É claro que o processo de institucionalização da sociologia ambiental, no âmbito da sociologia, não foi homogéneo. Ele é resultado de vários fatores que se conjugaram, por um lado os acontecimentos políticos e culturais, da época, e por outro o fervilhar do próprio desenvolvimento intelectual em que se distinguiram "escolas" ou dinâmicos centros de ensino, constituídos por alguns professores ou, ocasionalmente, por apenas um sociólogo, que lidaram com a questão ambiental e que se dedicaram ao debate e pesquisa, centrando os seus interesses no estudo das relações sociais/ambientais. Neste âmbito, verificou- se uma mudança drástica no clima cultural e universitário em várias partes do Mundo, incluindo os