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Chaux pour falsifier les couleurs (7, 9, 5)

incertum, quasi-reticulatum, et reticulatum)

3. Calx chez Vitruve

3.2. Que se passe-t-il dans la fosse d’extinction ? Les réactions chimiques d’après Vitruve d’après Vitruve

3.4.2. Chaux pour falsifier les couleurs (7, 9, 5)

148

Cfr. Idem, p. 143.

149

Cfr.ALMEIDA, Políbio F.A. Valente de, op. cit., nota 88, p. 362.

150

Cfr. DIAS, Jorge, Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa, Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1960, p.8.

Parte do entendimento da cultura e do ser português está directamente relacionado com o carácter essencialmente expansivo, determinado em parte por uma situação geográfica que lhe conferiu a missão de estreitar os lanços entre continentes e os homens151.

Descobrir a essência do ser português é enfatizar os momentos-chave da História e perceber as suas implicâncias ao nível socioeconómico.152 Para nos apercebermos verdadeiramente do valor da cultura portuguesa numa lógica mundial, será imprescindível pensar no valor que o período dos Descobrimentos teve na nossa História. A verdade é que, independentemente dos propósitos que levaram o povo português a sair de Lisboa em frágeis embarcações para destinos incertos, essa realidade colocou Portugal no mapa económico e comercial do mundo trazendo os proveitos inerentes do capitalismo mas com uma rentabilidade quase que escondida, isto é, a imagem que desde cedo, o país começou a edificar.

Neste capítulo, o Soft Power não tem de ser obrigatoriamente traduzido pela acção material de um Estado ou por políticas rígidas que visem atingir determinados objectivos concretos. Falamos de factores inatos cuja manipulação só servirá para agilizar e levar a serem cumpridos certos comportamentos.

Ainda hoje, o português é uma das línguas mais faladas no mundo, só ultrapassada pelo Mandarim, Inglês e Espanhol e a sua herança religiosa, cultural e arquitectónica por todo o mundo são traduções de marcas culturais que perduraram durante séculos e que ainda hoje são o cartão-de-visita de um país que tarda em aproveitar essas mais-valias.

Mas nem só do património que o tempo deixou perdurar, vive Portugal. Todo o ambiente de estabilidade democrática e política garantido ao longo dos anos, aliado a um clima temperado e solarengo, tornaram-se ao longo dos anos capazes de transmitir nos círculos mais mediáticos, uma imagem atractiva e capaz de fomentar as mais diversas promoções.

Partir da identidade nacional é um exercício complexo e passível de ser facilmente um erro mas será imprescindível alcançarmos algumas das características mais vulgares do povo português que, por razões geográficas, religiosas e socioeconómicas, desenvolveram traços comuns que servem para explicar muito do modus operandi político da actualidade.

Pacifista, sorridente, versátil, pode ser algumas das qualidades mais vezes apontadas aos portugueses numa clara alusão a um modo de viver muito focado na paz de espírito e na importância dada ao bem-estar. Na óptica do grande pensador da cultura portuguesa, o Professor Jorge Dias, a personalidade base do português é traçada pela humanidade, sensibilidade, amor e bondade sem que o leve a ser fraco, com uma forte componente religiosa que o incentiva “à crença no milagre e nas soluções milagrosas”153.

151

Cfr. Idem, p. 10.

152

Cfr. POOLE, Ross, Nation and Identity, London Routledge, London, 1999, p. 24. Ross Poole considera a propósito dos fenómenos sociais que o nacionalismo nasce com a motivação generalizada que estes introduzem na sociedade, atraindo o envolvimento de toda a população e podendo ser aproveitado pelo estado que em última instância, instrumentaliza essa euforia generalizada.

153

Cfr. DIAS, Jorge, op.cit., nota 150, p. 15. O reconhecido antropólogo compartilha a ideia de que “percorrendo a História, podemos facilmente verificar como estas características apontadas se repetem em diferentes épocas, explicando certas acções e demonstrando a constância de alguns elementos fundamentais da cultura portuguesa”.

Rui Miguel Rebelo Alves

A consciência de pertença a um determinado país exprime-se pela ideia que os portugueses são de Portugal e os restantes são estrangeiros. Para este processo de categorização será imprescindível destacarmos as guerras contra Castela desenvolvidas no século XIV e XV nos reinados de D. Fernando e D. João I que por terem trazido para o seio do interior português, soldados de diversas nacionalidades, conseguiram estabelecer com esse facto, a diferença entre os portugueses e os estrangeiros.

Pouca gente em Portugal discute a velha dicotomia de ser ou não português. O seu papel enquanto Estado-Nação efectivo, legitimado e com o consentimento de um povo, escapa assim à heteronímia de Fernando Pessoa do “problema” de identidade e do velho “ser ou não ser”. A identidade está solidificada, forte e bem definida num conceito bem articulado pelo historiador e politólogo António Costa Pinto. O ser português é moldado por duas singularidade distintas: fronteiras e Estado154, enuncia o mesmo académico. A primeira aparece relacionada ao facto de as fronteiras serem estáveis desde a Idade Média e o território ser muito pouco questionado pela ausência de recentes invasões de peso. O facto de ter tido o seu território inviolável em duas Guerras Mundiais serviu para que o orgulho nacional se fosse afastando de cenários de união nacional e onde a solidariedade do país fosse um factor determinante. Ao contrário da maior parte dos países que estiveram envolvidos em conflitos com rivais crónicos e muitas vezes vindos de diversos locais, “os portugueses nunca se afirmaram sobre o ser afirmativamente contra outra coisa”. A falta de divisões territoriais também não afectou o território continental português o que “dispensou” lutas pela recuperação de território na mainland portuguesa. O estereótipo de sociedade “pacífica, com fracas clivagens sociais, de radicalismo político ou nacional” é portanto, assente nas fatalidades históricas revelando uma correlação entre o passado comum dos portugueses e as suas características comuns.

A produção criada por poetas, escritores e filósofos155 esteve claramente associada às instituições mais populares, criando uma ligação à História e è condição de português e que ainda hoje permanece. Eça de Queiroz, um dos maiores escritores portugueses de sempre, captou no século XIX o doce sentimento de “estar quieto entre os choupais, a ver correr as águas meigas, pensando em coisas saudosas”. Fernando Pessoa foi mais longe na sua análise do povo português, considerando-o mais “um exército do que uma nação de gente com existências individuais”. Povo de brandos costumes como é vulgarmente dito, a nossa condição de nação fortaleza e a falta de conflitos bélicos recentes levou-nos a uma estabilidade psicológica comum que fazem do pacifismo uma característica fundamental do povo português.

O que muitos consideram como pacifismo para alguns pensadores, como José Gil, que desenvolveu obra sobre a história da cultura portuguesa, a sociedade foi classificada como sendo inoperante onde existe “medo de agir, falta de participação política e falta de confiança”. A crise actual e a relativa paz social que se vive em Portugal podem ser reflexo disso mesmo. A falta de hábitos reivindicativos e a pouca cultura política dos cidadãos são uma “almofada de conforto” para muitos políticos. Tome-se como exemplo a Grécia que, no espaço de um ano, realizou mais de oito greves gerais paralisando

154

Cfr. PINTO, António Costa, in “O que é ser português?”, in 100 Anos 100 Marcas, Revista Sábado, nº 338, Lisboa, 2010, p. 12.

155

amiúde o país e fazendo constantes manifestações num contexto socioeconómico similar ao português.

Se transportamos esta característica cultural para o âmbito económico, poderíamos dizer que o “efeito de habituação” se encaixa perfeitamente na sociedade portuguesa. Como exemplo, atentemos no nível de fiscalidade e reparemos que é um dos mais altos da Europa, sem que existam grandes convulsões sociais ao longo dos tempos. Este dado é, contudo, estritamente económico e tem em consideração a natural ineficiência dos recursos o que por si só já reflectiria outras características muito mais condenáveis.

Em suma, podemos considerar que o pacifismo naturalmente português tem derivado num certo conformismo venenoso para o espírito empreendedor que se quer numa sociedade globalizada e competitiva como esta em que vivemos. Contudo Portugal é um povo e uma nação sem problemas de identidade enquanto comunidade definida por uma relação consistente segundo 3 linhas de força que provêm desde a sua origem e definidas pelo Professor Jorge Borges de Macedo156:

• Solo exíguo e essencialmente marítimo; • Língua comum;

• Passado político longamente partilhado.

Em suma, os problemas de identidade colocados a Portugal nunca forma os mesmos que a História colocou a outros povos já que:

• Nunca houve uma ocupação de forma duradoura;

• Nunca se sofreu uma contestação do ser moral ou político de carácter sério;

• Não se tem, no português, próprios elementos antagónicos ou disparidades que de nós mesmo nos dividam.

A crise de identidade só surge quando o futuro sobre o qual apoiamos o nosso projecto vital, se apresenta mais impreciso ou se perde, o que se traduz numa nítida correlação com a actual crise que parecemos viver actualmente. Seguindo o pensamento de Oliveira Martins157, o nosso destino é um autêntico enigma.