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1.3 Physique du soudage ` a l’arc

1.3.3 Champ de temp´erature en soudage

Os profissionais da escola, tanto gestores quanto professores, parecem acreditar no potencial transformador da educação. No potencial de afetar os alunos, a comunidade em que vivem, no sentido de trazer mais consciência e empoderamento.De acordo com o coordenador e a supervisora, que estão há mais tempo na escola do que os demais, a escola era muito conhecida por tamanha a violência que lá ocorria. E essa era uma preocupação dos gestores. Como afirma Júlia,

10.J: (…) a escola (...) precisa ser um ambiente acolhedor e não hostil. Porque a partir do momento que você é hostilizado, é humilhado, é discriminado dentro do ambiente escolar, sofre algum tipo de violência, você não se sente confortável pra estudar, você não consegue se manter no foco (...) pra poder aprender (...). O sofrimento psíquico impede que a gente prossiga (...) nossas ações necessárias, né, estudar, trabalhar de uma maneira saudável.

O professor Pedro também comentou como acredita que o sofrimento psíquico interfere na aprendizagem dos alunos. Ele critica a visão de que o aluno deixa de ser “problema” da escola quando sai de lá e volta para sua casa, conforme acreditam aqueles que julgam ser o aluno um “problema” da sua família. Ele chama atenção para importância da relação professor- aluno no sentido dos professores terem a sensibilidade de perceber de onde vem seus alunos, e que possíveis desafios eles enfrentam com suas famílias. Pois, para ele, nenhum estudante conseguirá ter uma aprendizagem de qualidade se estiver com um alto nível de sofrimento psíquico.

Para a supervisora pedagógica, também é importante estabelecer relações mais horizontais do que verticais na escola, e estimular um olhar mais sensível em relação ao outro. Ela e o coordenador expressam o desejo que os alunos sejam multiplicadores dos conhecimentos aprendidos no contexto escolar, que eles não só vejam o sentido do que é estudado, mas que possam também usar estes conhecimentos para transformar suas realidades.

Isso vai ao encontro do que Pedro falou em relação à importância de ter relações mais humanas entre professores e alunos, desenvolver um trabalho na escola que faça sentido na vida dos alunos. Que este trabalho não fique restrito à sala de aula, indo além do semestre ou ano letivo. Pedro, inclusive, citou como considera importante reconhecer o protagonismo dos alunos, explorar e escutar seus interesses pessoais, o que eles consideram importante, como um caminho para encontrarem sentido no que estão discutindo em sala de aula.

Simone compartilhou que gosta de encontrar um ponto de identificação com os estudantes, e disse ser importante deixar claro que ela também foi uma jovem que cresceu, e ainda vive, na periferia, que é uma mulher negra, e, portanto, compartilha a mesma realidade dos alunos. Simone usa desta identificação como um meio para se conectar com os alunos e também conectá-los com os temas do projeto. Nesse sentido, Isa comentou:

66.I: (...) a partir do momento em que eles se percebem (...) como protagonistas do espaço escolar (...) da própria história, da sociedade, fica até mais fácil compreender, estudar os conceitos (...). Porque não fica uma coisa distanciada da realidade deles. Então, percebemos que para os educadores existem elementos muito importantes que compões suas concepções sobre educação, como: protagonismo e autonomia dos alunos, abordar temas de maneira que faça sentido para eles, possibilidade de transformação (efeito multiplicador). Outro elemento significativo ressaltado nas entrevistas foi a importância de falar sobre a diversidade, de percebê-la como riqueza, promovendo o respeito e a inclusão entre os alunos. Este é um elemento fundamental que permeia o projeto, tanto em sua criação como em sua manutenção.

Para os profissionais entrevistados, trabalhar os temas da diversidade não é um mero detalhe, mas algo fundamental que deve estar presente no dia a dia da escola de diferentes formas. Nos discursos, nas conversas informais, nos trabalhos, nos murais, nos eventos. Mas não é algo que deva ser apenas restrito a eventos ou datas comemorativas. Como afirma Isa:

20.I: (…) muitas escolas trabalham pra diversidade, mas deixam muito pras datas comemorativas, né. Aí fica aquele currículo festivo. Currículo folclórico. (...) só tem o dia de culminância (...) da consciência negra, ou do dia do índio, ou do dia internacional da mulher. Aqui a gente tenta trabalhar todas essas temáticas de gênero, racial e inclusão durante todo [ênfase] o ano letivo. Se houver um evento cultural, digamos assim, vai ser, é um resultado de um processo que foi maior, não algo feito em uma semana de forma estereotipada e folclorizada como costuma acontecer. Um aspecto bastante ressaltado em relação ao projeto X, é que, de forma geral,

18.J: a gente tenta reforçar sempre que o projeto não tem o intuito de trabalhar questões individuais, nem de religiosidade, nem de sexualidade. A gente não vai interferir de maneira alguma nas questões pessoais, né. (...) a gente quer (...) ensinar que é possível você viver em harmonia, você viver com respeito, você viver de maneira acolhedora, inclusiva. É o que a gente tem trabalhado.

Os profissionais destacam que esse projeto, que aborda os temas da diversidade étnico- racial, de gênero e sexual, não pretende “66.C: incentivar ninguém a absolutamente nada” como disse Cezar. Seu principal intuito é promover o respeito entre as pessoas na escola, com

a esperança de que esse respeito também reverbere na comunidade, ultrapassando os muros da escola. Nesse sentido, Simone afirma:

52.S: De início a frase vai parecer bem simplista (...) só que nesse momento tem um sig-ni-fi-ca-do (...) importantíssimo. Nossas. Vidas. Valem. Muito. (pausa) A vida desses meninos de periferia. (...) O que eu quero falar pra eles e o que eu quero que eles entendam é o seguinte: (pausa) vocês valem muito, ainda que vocês não ouçam isso, ou em casa, ou na escola, ou na rua, vocês são muito importantes. E isso nesse momento agora (...) há 3 dias da eleição, vale muito dizer que a vida desses meninos é importante e que tem que ser cuidada. (pausa) Principalmente porque a gente tá vivendo dias de cão, né. De muita intolerância. De muito preconceito. E de um grupo político ai que tá vindo exatamente pra a-ca-bar com essa parcela da população. Pra acabar com (...) todo tipo de direito que a gente tenha ou teve ou que poderia ter. A única participante que se distanciou um pouco dos entrevistados em relação às concepções sobre educação foi Katia. Ela se referiu, algumas vezes, ao uso da autoridade (autoritarismo, em nossa interpretação) para lidar com a falta de motivação e disciplina dos alunos. Por exemplo, “K.126: Você simplesmente vai mandar ele ficar quieto, ou tirar da sala, ou dar um aviso por quê? Porque tá atrapalhando a sala de aula”. O que difere dos outros educadores, que dizem acreditar em uma relação mais horizontal e dialógica com os alunos.

Além disso, Katia mostrou entender a nota como principal motivador dos alunos. Apesar disso, afirmou: “K.80: Eu achei até (...) que não ia sair nada [ênfase], quando eles começaram a apresentar o trabalho e eu vi gente chorando (...) na apresentação dos colegas, eu fiquei assim… de cara, fiquei de cara.” e “K. 84: Eles melhoraram o comportamento comigo na sala de aula, parece que criou (...) um vínculo bom, sabe?” O que mostra como a participante refletia ativamente durante a entrevista, e talvez, tenha começado a se dar conta e associar a melhora do comportamento dos alunos ao vínculo construído.