PRESCRIPTION DE LA MEDIATION
2. illustrations d’expérimentations
2.1. La Chambre commerciale de la Cour d’appel de Lyon.
Apagou, em detrimento das ordens legais, o título de dívida que existia contra nós; e o suprimiu, pregando-o na cruz, na qual despojou os Principados e as Autoridades, expondo-os em espetáculo em face do mundo, levando-os em cortejo triunfal (Col 2, 14-15).
265 Cf. NORTH, Robert. Violence and the Bible: the Girard connection. Catholic biblical Quarterly, Washington,
vol. 47, n. 1, pp. 1-27, 1985.
266 Cf. LOHFINK, Norbert. The Unmasking of violence in Israel. Theology Digest, Saint Louis, vol. 27, n. 2, pp.
O termo não é abundante na literatura paulina, mas na carta aos Tessalonicenses e na carta aos Efésios há uma alusão ao tema 267.
Pois o mistério da impiedade já está agindo, só é necessário que seja afastado aquele que ainda o retém! Então, aparecerá o ímpio, aquele que o Senhor destruirá com o sopro de sua boca e o suprimirá pela manifestação de sua Vinda (2 Ts 2, 7-8).
No contexto de catequese sobre a parusia, o Apóstolo acrescenta uma dimensão apocalíptica. O “mistério da impiedade” já está agindo no momento presente. Um poder impreciso, denominado Ímpio, o Ser Perdido, o Adversário, o Insolente contra tudo o que lembra Deus ou é objeto de adoração, até o ponto de sentar-se pessoalmente no templo de Deus, querendo passar por Deus. A história do mundo será fechada com a vinda gloriosa de Cristo, vitorioso contra as forças satânicas do anticristo 268.
O “mistério da impiedade” indica a presença real na história humana das forças diabólicas do mal. Satanás age nas relações humanas de maneira escondida. Estamos no âmbito dos símbolos apocalípticos, haverá um desencadeamento das forças maciças do mal na última hora da história. Nesta cena, Satanás realizará prodígios para seduzir os homens e conduzi-los à perdição. Mas Satanás terá sucesso apenas com aqueles que se negarem a aceitar a Verdade de Cristo. O texto mostra o “prazer da mentira”; Satanás gosta daquilo que é contrário ao Evangelho, seduz com eficácia as pessoas, levando-as à perdição 269.
Revesti-vos das armaduras de Deus, para poderdes resistir às insídias do diabo. Pois o nosso combate não é contra o sangue nem contra a carne, mas contra os Principados, contra as Autoridades, contra os Dominadores deste mundo de trevas, contra os Espíritos do Mal, que povoam as regiões celestiais (Ef 6, 12-13).
A opinião de muitos exegetas é de que a Carta aos Efésios não é da autoria de Paulo, mas foi atribuída a ele por um discípulo muito fiel ao seu pensamento que escreveu bem depois, por volta do ano 90 do primeiro século. Acham ainda que se trate de uma carta circular dirigida a todas as igrejas da Ásia Menor, visto que as cartas aos Colossenses, aos Filipenses e a Filemon, apresentam-se como escritas na prisão. Porém, o estilo impessoal, a ponto de considerar os efésios desconhecidos (Ef 1, 15; 4, 21) é muito estranho para quem passou três anos no meio deles (At 19, 1-20, 1). No contexto da nossa pesquisa, não podemos
267 Para um estudo geral e sintético do apóstolo Paulo indicamos: MESTERS, Carlos. Paulo Apóstolo: um
trabalhador que anuncia o Evangelho. 10. ed. São Paulo: Paulus, 2008.
268 Cf. ALISON, James. O tema da justificação em Romanos e Gálatas: por uma nova hermenêutica dos textos
paulinos. Perspectiva Teológica, Belo Horizonte, vol. 22, n. 56, pp. 221-233, 1990.
269 Cf. BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. As Cartas de Paulo. Vol. I. São Paulo:
aprofundar essas questões exegéticas, interessa-nos mostrar que no Corpus Paulinum aparece o tema do diabo 270.
Trata-se de uma exortação da confiança na grande potência do Senhor ressuscitado: essa é a garantia da vitória na luta contra as forças do mal. Essas forças malignas que já foram derrotadas por Cristo, ainda ameaçam dominar o mundo. A expressão “esferas celestes” aparece cinco vezes em Efésios, sua origem remonta-se à cosmologia bíblica e judaica com reinterpretações cristãs e o senhorio de Cristo abarca também essas “potências”. Contra essas forças, o cristão deve lutar revestindo-se da armadura de Deus, pois indicam um aspecto idolátrico, divinizado, atrás do qual se esconde a potência da mentira e da morte, que no judaísmo e no cristianismo é chamada de Satanás ou de diabo. Apoiando-se em Cristo, vencedor de todas as formas de mentira e de morte, devem opor-se ao mistério do mal escondido nas relações interpessoais desde a origem do mundo.
O autor fala do dia decisivo do combate, que precederá a vitória final. Ele não coincide com uma data ou época determinada. Estende-se a vitória de Cristo na ressurreição até a sua segunda vinda, e a realização definitiva do Reino de Deus no mundo. Neste tempo, chamado tempo do Espírito Santo ou tempo da Igreja, os cristãos, apoiados em Cristo, devem resistir e ficar firmes diante do poder do diabo. Usando a catequese batismal, exorta os cristãos a se revestirem do homem novo para resistir aos ataques do adversário 271.
Girard interpreta as “Potências e Principados” na linha do mecanismo violento. Quando Paulo afirma que não foi o próprio Deus, mas um de seus anjos que promulgou a lei judaica, ele quer dizer que essa lei participa ainda dessas potências. Antes do acontecimento Cristo, essas “potências dos céus” são apresentadas como forças positivas que mantêm a ordem e impedem os homens de se autodestruir enquanto esperam o verdadeiro Deus.
A tese girardiana considera que essas potências enraízam-se no assassinato fundador. Os Evangelhos anunciam incessantemente que o Cristo irá triunfar sobre essas potências dessacralizando-as. Jesus trava uma batalha decisiva contra elas. Quando elas acreditam triunfar, na cruz, pelo caminho da violência e do sacrifício, na realidade, são vencidas pelo poder do amor divino. Há, em Paulo, uma verdadeira doutrina da vitória brilhante de Cristo no aparente fracasso da cruz. Nela acontece o triunfo do Filho de Deus sobre as potências.
270 Cf. BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. As Cartas de Paulo. Vol. I. São Paulo:
Loyola, 2002. p. 123.
Para Orígenes, como para Paulo, a humanidade antes do Cristo estava submetida ao jugo de potências maléficas. Os deuses pagãos e o sagrado são assimilados a anjos maus que ainda dominam as nações. O Cristo aparece no mundo para lutar contra essas “potências” e esses “principados”. Seu próprio nascimento já é nefasto para o domínio dessas potências sobre as sociedades humanas 272.
Quando Jesus nasceu [...] as potências enfraqueceram, sua magia tendo sido refutadas e sua operação dissolvida 273.
O Apóstolo liga as potestades a Satanás. Na ótica girardiana, aquilo que Paulo chama de “Principados e Potestades” é exatamente o mecanismo do bode expiatório. Está no mesmo contexto do texto de João sobre o “Príncipe deste mundo e pai da mentira” (Jo 8, 44). “Nenhum dos príncipes deste mundo conheceu essa sabedoria, pois se a tivessem conhecido,
não teriam crucificado o Senhor da Glória” (1 Cor 2, 8). As potestades deste mundo pensavam estar sufocando para sempre a Palavra da Verdade; elas acreditavam ter triunfado uma vez mais com o método usado desde o início do mundo que fundou religiões míticas, à custa do descarrego da violência humana sobre vítimas inocentes. Mas o poder da luz se manifestou sobre as trevas do mecanismo vitimário.
Longe de proferir ameaças com relação ao que quer que seja, o Cristo apenas enuncia as consequências dessa reviravolta. Os deuses da violência estão desacreditados; a máquina está quebrada, a expulsão não vai mais funcionar. Os assassinos do Cristo agiram em vão, ou melhor, eles agiram de maneira fecunda por terem ajudado o Cristo a inscrever a verdade objetiva da violência no texto evangélico; e essa verdade, mesmo desconhecida e escarnecida, vai percorrer lentamente seu caminho, desagregando todas as coisas como veneno insidioso 274.