versam esta pesquisa, a Folha de S.Paulo mencionou, no período de 1º de março a 28 de agosto de 2016, o MBL e o Vem pra Rua em pelo menos quatro notícias, com abordagens sobre a participação nos atos públicos, pressão à classe política e origem da renda destes grupos. Também houve referência a outros grupos pró-impeachment como Revoltados On- line. No noticiário sobre as alas anti-impeachment, Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo foram citados em três ocasiões. Outros movimentos ligados a eles também receberam menção como O Levante da Juventude e Comitê PróDemocracia. Nota-se, então, que este jornal
26 Em São Paulo, “de acordo com a Lei 14.072 de 18 de outubro de 2005, regulamentada pelo Decreto 46.942,
para realização de eventos e obras nas vias públicas é preciso fazer uma Solicitação para Autorização de Eventos – SAE”, junto à prefeitura. Os pedidos devem ser feitos entre 45 e 10 dias úteis de antecedência do evento. Não é cobrada taxa para eventos de caráter: “religioso; político-partidário; social, quando promovido por entidade declarada de utilidade pública, conforme legislação em vigor; manifestações públicas, por meio de passeatas, desfiles ou concentrações populares que tragam uma expressão pública de opinião sobre determinado fato; manifestações de caráter cívico de notório reconhecimento social”. (AUTORIZAÇÃO de eventos. Portal Prefeitura de SP, s.p., s.d.) Disponível em: <http://www.capital.sp.gov.br/cidadao/transportes/autorizacao-de- eventos>. Acesso em: 04 ago.2018).
prezou por apresentar ao seu leitor certa pluralidade de fontes, com identificação dos protagonistas, diferentemente do observado em O Globo.
Os protagonistas das reportagens são os “movimentos”, “manifestantes” e “público” pró e contra o impeachment e/ou outras referências correlacionadas nessa linha, ou seja, a Folha de S.Paulo não rotulou os grupos por suas posições ideológicas com adjetivos que os enquadrassem em alas de defesa ou repúdio ao governo Dilma. Nas reportagens relacionadas às atividades anti-impeachment foram citadas diversas organizações, entidades e/ou partidos, como CUT, MST, MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), UNE, Juventude do PT, MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), entre outros.
As lideranças dos movimentos foram as principais fontes usadas pela redação do Grupo Folha: Rogério Chequer (Vem pra Rua), Kim Kataguiri (MBL e então colunista da Folha de S.Paulo), Rui Falcão (Presidente Nacional do PT), Guilherme Boulos (MTST e então colunista da Folha de S.Paulo). Lula e Dilma também foram fontes em atos públicos pró-governo, assim como intelectuais, artistas e políticos em atos contra o governo interino de Michel Temer – Caetano Veloso, Jean Wyllis e Marcelo Freixo (PSOL). De modo geral, o noticiário foi crítico, com tendência a manter o equilíbrio na transmissão da informação.
A Folha de S.Paulo publicou 24 notícias sobre atos públicos contra o impeachment de Dilma Rousseff e 11 a favor do impeachment, com teor equilibrado/factual/objetivo e/ou crítico/desfavorável aos grupos e manifestantes protagonistas dessas pautas. Além destas matérias, houve a publicação de outras reportagens que não abordaram diretamente as manifestações, como as pesquisas do instituto Datafolha.
Entre as reportagens de teor equilibrado e objetivo, com apresentação de relatos sobre número de participantes nos eventos, descrição das manifestações ou atos públicos, citações de fontes, estão: Temer sabe que o que estão fazendo é golpe, diz Lula” e “Dilma diz não permitir mancha na democracia” (2 de abril de 2016); “Muro dividirá atos pró e contra governo” (11 de abril de 2016); “Grupos anti-impeachment planejam primeiro de maio histórico” (19 de abril de 2016); “Caetano canta Odeio Você e plateia responde Temer (21 de maio de 2016); e “Parada LGBT de São Paulo em faixas e gritos de Fora Temer”.
Com relação às reportagens desfavoráveis às manifestações contra o impeachment publicadas pela Folha de S.Paulo, temos: “MST invade afiliada da Globo em Goiânia” (9 de março de 2016); “Manifestantes a favor de Dilma fecham avenida Paulista em SP”, “Militantes agridem jornalistas em Brasília” e “O Levante picha diretório do PMDB em SP” (13 de maio de 2016). Nesses noticiários, os textos e as fotografias do jornal são de tom
crítico e de “agressividade” aos atos organizados pelos grupos de apoio ao governo Dilma. Observamos a mesma postura no que se refere a ações a favor do impeachment, como “Grupos anti-Dilma farão protestos no fim de agosto” (27 de julho de 2016) com tendência neutra; e “Movimentos antigoverno não divulgam receita”, “Grupos ressaltam que não recebem dinheiro público” (3 de abril de 2016), com teor crítico e desfavorável.
Notamos também a influência dos grupos (pró e contra) “virtuais” na agenda pública por meio de reportagens como “Deputados se dizem pressionados por sites pró e contra impeachment” e “Muro dividirá atos pró e contra o governo” (11 de abril de 2016), esta última informa que Vem pra Rua instalou “mapa do impeachment” com os parlamentares separados por seções a favor, contra ou indeciso. Aqui, notamos a influência das estratégias de comunicação de grupos articulados e organizados nos ambientes virtuais na elaboração das pautas da grande mídia.
A Folha de S.Paulo busca traçar o perfil dos manifestantes a favor e contra o governo por meio da divulgação de pesquisa do instituto Datafolha como “Em atos pró e contra Dilma, ‘coxinhas’ são grupo majoritário (2 de abril de 2016), em que o jornal apresenta certa semelhança entre os perfis socioeconômicos dos manifestantes, sendo a principal distinção a posição política. Em outra reportagem a pesquisa aponta “Público de atos a favor e contra Dilma rejeita Temer” (19 de abril de 2016).
De modo geral, a Folha de S.Paulo apresentou um noticiário diverso e crítico com relação ao tema das manifestações públicas relacionadas ao impeachment de Dilma Rousseff. Porém, não deixou de fazer “recortes” no noticiário sob os interesses e os pontos de vista particulares enquanto uma empresa de comunicação jornalística.
4.2.3. Os vestígios das ações de comunicação dos grupos “virtuais” na grande mídia