Considerando a construção do conhecimento no ensino de geografia, faz-se necessário escolher temas geradores que estejam amplamente condizentes com a realidade social e espacial do lugar em que vive o aluno. Conforme, Pontuschka et al., (2009), o tema gerador apresenta condições favoráveis ao encontro dos conteúdos disciplinares com o senso comum e torna o conhecimento ainda mais elaborado. Dessa forma, escolhemos o tema gerador Clima e Cidadania Planetária, que nos aspectos que lhes são pertinentes, é amplamente favorável à promoção da educação ambiental no ensino de geografia, mais especificamente no 7º ano do ensino fundamental.
Ao refletir acerca da abordagem do tema clima no ensino de geografia, percebemos a inevitável interrelação que se estabelece entre os aspectos naturais e sociais. Fugir a essa percepção seria desprezar as reais possibilidades de se compreender a riqueza de nuanças que compõem os conteúdos currículares da geografia.
No cotidiano da sala de aula, é bastante comum que o professor utilize o livro didático de geografia como a principal referência no processo de ensino-aprendizagem. Nessa referida prática tradicional na educação, o aluno é considerado um mero receptor dos conteúdos, ou seja, recebe as informações que lhes são repassadas pelo professor, limitando-se a um conhecimento descritivo e mnemônico, sem reflexões ou questionamentos para reproduzi-las nas atividades avaliativas, como os exercícios, provas, testes, entre outros. Conforme Pontuschka (2009, p. 342-343):
O livro didático de Geografia não pode apresentar-se como um conjunto de informações sem nexos ou correlações [...] ele pode não contribuir para uma produção de um conhecimento que ajude o aluno a enriquecer sua visão de mundo mediante estudos geográficos.
Pelo exposto, sabemos que a aula de geografia que submete o aluno aos ditames do livro didático, nem sempre corresponde às necessidades que o aprendiz apresenta no dia a dia da escola, pois ensinar não é só transmitir conteúdos que devem ser assimilados pelos alunos, mas deve-se ocupar da formação integral dos sujeitos no processo de ensino-aprendizagem.
Na abordagem dos conteúdos de geografia no ensino fundamental, os fatores naturais como clima, solo, relevo, vegetação e rochas, são perspicazes à compreensão do aluno, quando se pretende aprofundar nas análises físico-naturais do espaço geográfico. Dessa forma, Morais (2013) afirma que as temáticas físico-naturais são importantes para a formação do aluno, desde que as problemáticas estejam relacionadas ao seu cotidiano. Porém, é importante que na promoção da educação ambiental no ensino de geografia seja superada a visão naturalista de ambiente, na medida em que ele passa a ser concebido a partir da estreita relação entre os aspectos naturais e humanos.
Nessa perspectiva, ressalta-se que o clima corresponde a um fenômeno natural, mas em suas abordagens revela-se amplamente integrado aos aspectos sociais, políticos e econômicos, e, por essa razão, aos “olhos” da geografia é possível identificar a diversidade de nuanças que a abordagem do tema clima abarca.
Nessa discussão, é preciso afirmar que a abordagem do tema clima no ensino de geografia tem possibilitado ao aluno uma compreensão muitas vezes generalizada, sem estebelecer as relações com o lugar do educando. Partindo dessa percepção, daremos um maior enfoque ao clima semiárido, com predomínio no Nordeste brasileiro, que entre suas peculiaridades apresenta a seca como o fenômeno mais marcante da região. Em conformidade com Medeiros Filho; Souza (1984), a seca do Nordeste é tão antiga quanto o descobrimento do Brasil e apesar de ser um fenômeno ligado ao clima, também marcou profundamente a sociedade que vive nessa região.
Pelo exposto, sabemos que a região do clima semiárido brasileiro se caracteriza pela aridez do clima, com insuficiência e distribuição irregular das chuvas, com médias anuais entre 268 e 800 mm, além das temperaturas elevadas e a forte taxa de evaporação, que acabam levando à desperenização generalizada dos rios, riachos e córregos endógenos (SILVA, 2003).
Por vezes, a forte influência dos aspectos naturais na região Nordeste é responsável pelo fenômeno da seca, entre os principais está o El Niño. De acordo com Mendonça e Danni- Oliveira (2007, p.189):
O El Niño é um fenômeno oceânico caracterizado pelo aquecimento incomum das águas superficiais nas porções central e leste do oceano pacífico, nas proximidades da América do Sul, mas particularmente na costa do Peru. As correntes de águas quentes que ali circulam, em geral, na direção sul no início do verão, somente recebem o nome de El Niño quando a nomalia térmica atinge proporções elevadas (1º C) ou muito elevadas (de 4º C a 6º C) acima da média térmica, que é de 23º C.
Diante do exposto, mesmo caracterizando-se um fenômeno periódico, o El Niño provoca secas de diversas intensidades na região Nordeste, principalmente, se entre os meses de janeiro a abril, os índices pluviométricos forem abaixo do normal. De acordo com o que Silva (2000, p. 61) diz “[...] estas condições sinóticas, quando atingem o Nordeste, provocam longos períodos de seca com agravamento das condições sociais tanto nos grandes centros urbanos, como no interior”. Portanto, o conjunto de fatores hidrológicos e sociais acaba recebendo influência direta do clima semiárido regional. Ao referir-se a esse tipo de clima, Ab‟Saber (2003, p. 85) diz: “muito quente e sazonalmente seco, que projeta derivadas radicais para o mundo das águas, o mundo orgânico das caatingas e o mundo socioeconômico dos viventes dos sertões”.
Nessa discussão, podemos afirmar que o fenômeno natural da seca não é o único responsável pelas péssimas condições de vida da maioria da população que vive na região do semiárido. Conforme Medeiros Filho; Souza (1984, p. 14) “[...] é necessário também que se analise a estrutura econômica, social e política do próprio Nordeste a fim de se compreender, em profundidade, quem realmente sofre as condições das secas”. Nessa discussão, podemos afirmar que o agravamento da seca no Nordeste está relacionado à fragilidade de uma estrutura rural profundamente desigual, sendo as principais vítimas das secas os pequenos proprietários de terras. Para estes, as políticas de combate aos efeitos das secas serviram ao
staus quo, ou seja, mantê-los na mesma situação de pobreza.
Nos dias atuais, já existem condições para enfrentar os períodos prolongados de estiagem, em que o desenvolvimento de tecnologias, já foi parcialmente implantados no semiárido. Segundo Medeiros Filho; Souza (1984), apesar de mudar as técnicas de enfrentamento aos efeitos da seca, os maiores favorecidos continuaram a ser os líderes
políticos da região, tornando os camponeses impotentes para mudar esta realidade sociopolítica. Em conformidade com essa realidade, surge a expressão “indústria da seca”11.
Parce não haver dúvida de que a seca se destaca mais como um problema histórico e social, do que um índice pluviométrico abaixo do normal. A falta de ética e a responsabilidade dos governantes, foram determinantes para o baixo nível de desenvolvimento social e econômico do domínio climático do semiárido brasileiro. Nessa reflexão, é importante afirmar que “[...] os líderes políticos da região não se esforçam para mudar essa situação de maneira definitiva, porque estas políticas de combate às secas sempre vieram ao encontro de seus interesses” (MEDEIROS FILHO; SOUZA, 1984, p.15).
Em conformidade com o exposto, é preciso afirmar que as atividades econômicas desenvolvidas na sub-região do Sertão, como a agropecuária intensiva e a prática do desmatamento são atividades intensamente impactantes ao meio ambiente, com forte ligação ao intenso processo de desertificação12. Muitas espécies endêmicas da vegetação caatinga fazem parte da lista de exploração, principalmente no uso da lenha como fonte energética. Conforme Alves (2015, p. 233) “[...] a biomassa natural explorada no Rio Grande do Norte possui a lenha como principal fonte natural que, desde as primeiras fases da colonização, é uma prática comum em áreas em exploração e ocupação”. Nesse caso, diante da falta da cobertura vegetal, se acentuam os casos de assoreamento dos recursos hídricos pela perda das matas ciliares, há impactos na temperatura e umidade do ar, além do lento processo de recuperação do bioma caatinga.
Nesssa discussão, é importante afirmar que o semiárido brasileiro apresenta potencial para o desenvolvimento socioeconômico, mas tem apontado questões preocupantes em decorrência da origem dos impactos ambientais nessa região. Associados a essa realidade, Silva (2003) afirma que os problemas do Nordeste estão diretamente relacionados ao aumento da miséria nos períodos prolongados de seca, mas historicamente pela concentração fundiária e a utilização dos recursos naturais, que têm marcado profundamente a realidade das pessoas
11 “Em todas as secas do Nordeste surgiu este tipo de “indústria”, cuja matéria-prima é a apropriação indébita
dos dinheiros públicos enviados para socorrer os famintos, ou o tráfego de influência em benefício dos detentores do poder ou ainda a montagem de um sistema de exploração em cima de uma população exaurida nos seus parcos recursos” (MEDEIROS FILHO; SOUZA, 1984, p. 90).
12 “O processo de desertificação que tem contribuído consideravelmente para o empobrecimento do Estado se dá
exclusivamente na região do Seridó. É um fenômeno de ordem mundial que afeta as regiões áridas, semiáridas e sub-úmidas secas, que têm nas variações climáticas e nas atividades humanas os fatores principais do seu desencadeamento. São diversos fatores que demarcam as características desse fenômeno, tais como: irregularidade do regime pluviométrico, solos rasos, ventos secos e amplo fotoperiodismo e a interferência humana mediante suas ações nas queimadas da cobertura vegetal, cultivo excessivo, uso inadequado do solo, criação do gado extensiva, sobrepastoreio, irrigação inadequada, desmatamento para múltiplos fins, explosão demográfica e mineração” (QUEIROZ, 2002, p. 60).
que dependem desse lugar para sobreviver. Nessa discussão, é necessário afirmar que a concentração fundiária eleva a condição de miséria de grande parte da população que vive na região do semiárido. Conforme , Otomar de Carvalho:
Assim, a estrutura agrária constitui uma das fontes básicas do atraso no Nordeste Semiárido, em virtude de sua forte concentração nas mãos de um pequeno grupo de proprietários de terra, impedindo sua utilização econômica e social por quem queira e necessite fazer uso produtivo – os inúmeros pequenos proprietários rurais (CARVALHO, 1988, p. 140).
Pelo exposto, os recursos encaminhados para solucionar os problemas sociais do semiárido não priorizaram os pequenos agricultores, pois estes, são os que mais sofrem nos longos períodos de estiagem. Portanto, a forma como as políticas de desenvolvimento da região do semiárido foram conduzidas, levaram à exclusão social e aos elevados índices de pobreza.
Ao se enfatizarem as políticas de combate à seca, importa destacar a relação perfeita com o paradigma antropocêntrico13. Diante disso, a modernidade afirmará o domínio humano sobre a natureza. Gonçalves (2014, p. 33) afirma que “[...] é com Descartes, todavia, que essa oposição homem-natureza, espírito-matéria, sujeito-objeto se tornará mais completa, constituindo-se no centro do pensamento moderno e contemporâneo”. Nessa reflexão, é a partir de Descartes e a descoberta do método científico, que influenciará decisivamente o mundo moderno. A partir do domínio do método científico, o homem torna os mistérios da natureza acessível, fazendo-se senhor e possuidor da mesma, utilizando-a para os fins que desejar. Segundo Capra (2012, p. 51), “[...] o objetivo da ciência passou a ser aquele conhecimento que pode ser usado para dominar e controlar a natureza e, hoje, ciência e tecnologia buscam, sobretudo, fins antiecológicos”.
Na perspectiva do pensamento moderno, em que a natureza passou a ser um objeto dominado e possuído, o combate à seca representa um modelo que expressa bem essa realidade. Conforme Silva (2003, p. 373), “[...] a sua finalidade é domar a natureza, a seca, os efeitos da seca”. Nesse contexto, sabemos que a “indústria da seca” era utilizada para fins capitalistas, ou seja, a obtenção de lucro, que sob a condição miserável da grande maioria, estava uma pequena elite privilegiada.
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“O antropocentrismo, isto é, o homem passa a ser visto como o centro do mundo, o sujeito em oposição ao objeto, à natureza. O homem instrumentalizado pelo método científico, pode penetrar os mistérios da natureza e, assim, tornar-se „senhor e possuidor da natureza‟” (GONÇALVES, 2014, p. 33, grifo do autor).
Diante dos modelos que configuram o paradigma da modernidade, as políticas de combate à seca se tornaram frustrantes. O combate aos efeitos da seca foi ineficiente e o Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Nordeste (GTDN) alertava que as medidas de curto e longo prazo não contribuíram para modificar os dados do problema. Diante disso, sabemos que, nos dias atuais, o semiárido apresenta uma estrutura rural profundamente desigual, com a imensa maioria da população dependente das políticas públicas sociais14, que são enviadas pelo governo federal. Portanto, é preciso afirmar que a destinação de políticas de combate à seca, principalmente para os menos favorecidos, são recursos historicamente utilizados para fins eleitoreiros (MEDEIROS FILHO; SOUZA, 1984).
Conforme já exposto anteriormente, é com bastante frequência, que tem sido discutido acerca da elaboração dos livros didáticos e a concepção de conteúdos que por eles foram adotados. Partindo dessas discussões, o professor de geografia tem utilizado o livro didático como um mero guia para suas aulas, prendendo-se às amarras de um ensino, árido, classificatório e distante da própria realidade dos alunos (KAERCHER, 2000). Nessa reflexão, questiona-se o que está sendo ensinado e qual é a importância desse conteúdo para a vida prática e a compreensão da realidade de vida do educando.
Em consonância com essa realidade, é preciso repensar a abordagem dos conteúdos de geografia numa perspectiva inovadora, que no âmbito do 7º ano do ensino fundamental sejam priorizados as relações éticas, respeitosas, inclusivas e solidárias entre as pessoas e dessas com o planeta. Em conformidade com isso, surge o tema gerador Clima e Cidadania Planetária. Conforme Gutiérrez; Prado (2002, p. 22) “Cidadania Planetária é uma expressão que abarca um conjunto de princípios, valores, atitudes e comportamentos e demonstra uma nova percepção da Terra como uma nova comunidade”. Essa percepção mostra que a Terra apresenta condições de abrigar a diversidade, na medida que há possibilidade de pensar num equilíbrio e sustentabilidade dos recursos que a natureza dispõe. Dessa forma, é preciso afirmar que o planeta Terra encontra-se em estado de alerta, que a humanidade ainda não é capaz de pensar e agir de maneira responsável diante dos limitados recursos naturais e nos desequilíbrios ambientais que, nesse caso, são os países mais ricos e desenvolvidos do mundo os principais agentes desse processo.
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“[...] essas políticas afetam a situação social dos indivíduos, famílias e grupos sociais, induzindo melhorias na qualidade de vida da população e, ao mesmo tempo, dadas suas dimensões, alteram a economia e a autonomia de um país, o meio ambiente e o próprio patamar de democracia alcançado, tornando-se um elemento fundamental para o processo de desenvolvimento nacional [...] sendo composta por um conjunto de programas e ações do Estado que se concretizam na garantia da oferta de bens e serviços, nas tranferências de renda e regulação de elementos do mercado” (CASTRO, 2012, p. 1012 – 1014).
Diante da crise ambiental decorrente do modelo de desenvolvimento econômico capitalista15, é urgente acelerar o processo de construção de um novo paradigma. O objetivo desse paradigma implica o equilíbrio ético e responsável do ser humano consigo mesmo e com o planeta, mais ainda, com o cosmo (GADOTTI, 2005).
Nessa discussão, surge uma nova ética global, que corresponde a uma dimensão holística e capaz de promover novas atitudes e comportamentos das pessoas entre si e delas com o planeta Terra. Um dos trechos constituídos na Carta de Belgrado (apud DIAS, 2004, p. 102), na Conferência da Ex-Ioguslávia em 1975, fez a seguinte discussão sobre necessidade da ética global:
Uma ética que promova atitudes e comportamentos para os indivíduos e sociedades, que sejam consonantes com o lugar da humanidade dentro da biosfera; que reconheça e responda, com sensibilidade, às complexas e dinâmicas relações entre a humanidade e a natureza e entre os povos.
Pelo exposto, destaca-se a relação dinâmica e complexa da sociedade e da natureza a partir de uma perspectiva ética. Partindo dessa reflexão, Gutiérrez e Prado (2002) afirma que a sociedade exerce um papel fundamental nas questões ambientais, que perpassam pelas obrigações éticas que nos vinculam tanto à sociedade, como à natureza.
Assim, podemos afirmar que ética traduz essa dimensão, que se estabelece a partir da estreita relação que existe entre os seres humanos e o planeta Terra. Nosso planeta é um sistema vivo, que a todo instante procura equilibrar-se e manter as condições de clima nos padrões geossitêmicos e reponsável pela manutenção da diversidade de espécies que habita-o. Conforme Capra (2006, p. 53) “[...] nenhum organismo individual pode existir isoladamente”. Nessa discussão, é necessária numa concepção de mundo interligada e interdependente, em que nenhum problema pode ser isolado, mas compreendido em totalidade. Nessa visão, o novo paradigma denominado holístico16 ou ecológico, não dissocia o ser humano da natureza, mas a ela se integra numa mesma escala de relevância (CAPRA, 1996).
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“[...] um modelo de de desenvolvimento [...] em que o crescimento econômico se daria através da concentração de renda nas mãos de um setor minoritário de alto poder aquisitivo [...] e da diminuição significativa dos salários mais baixos (capaz de permitir o aumento da taxa média de lucro, de concentrar os investimentos e de centralizar os capitais), bem como através da ampliação dos mercados externos e de „uma política de claro comprometimento com os Estados Unidos e de aceitação aberta do papel fundamental do capital estrangeiro‟ no desenvolvimento econômico do país” (SANTOS, 1995, p. 68, grifo do autor)
16 “A filosofia holística se fundamenta nas recentes descobertas da física quântica, que demonstrou essa
intimidade de tudo com tudo, embora isso já tenha sido enunciado pela dialética do século XX. O que a física de hoje está mostrando é que a visão atomista de um mundo desconectado, não se sustenta mais” (GADOTTI, 2000, p. 78).
Evidenciamos, portanto, que a noção de ética é ainda mais consistente dentro do tecido complexo que é o social. Em conformidade com Gutiérrez; Prado (2002, p. 100) “[...] a partir da convivência social, da convivência fundada nas ações com o outro como legítimo outro, é que a ética surge e tem sentido”. Sabemos que, nos dias atuais, as interrelações entre as pessoas precisam ser verdadeiras, em que a solidariedade, o respeito, o amor e o cuidado17 não venham apenas cumprir com padrões socialmente estabelecidas. Sob essa ótica, é importante repensar a vida em totalidade, o forte elo estabelecido entre a humanidade e o planeta, dos sentimentos de pertença e amor à natureza. Em consonância com o exposto, a promoção da educação ambiental no ensino de geografia tende a possibilitar uma aprendizagem significativa para os alunos, tendo em vista “[...] que promove a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida cotidiana” (GUTIÉRREZ; PRADO, 2002, p. 24).