• Aucun résultat trouvé

Os componentes adulto e regenerante mostraram-se muito semelhantes floristicamente (0,40 e 0,57 pelos Índices de Jaccard e Sorensen, respectivamente), com 65 espécies em comum. Mais de dois terços das espécies regenerantes também ocorreram entre os adultos. Por outro lado, um pouco mais da metade das espécies presentes no componente adulto não foram amostradas entre os regenerantes. Logo, espera-se alterações florísticas pronunciadas na área a longo prazo, com prováveis mudanças fisionômicas associadas, sobretudo pela extinção local de sua espécie emergente típica, Araucaria angustifolia.

Confrontando o presente levantamento com um remanescente da mesma formação em Campos do Jordão, SP (SOUZA, 2008), nota-se reduzida afinidade florística entre as áreas (0,08 e 0,15 pelos Índices de Jaccard e Sorensen, respectivamente; considerando as espécies amostradas em ambos os componentes), com apenas 18 espécies em comum. Ainda que consideremos somente as espécies identificadas no nível específico, os valores acima apresentados não se alteram. Analisando apenas o componente adulto, os mesmos índices mostram-se ainda mais inferiores (0,05 e 0,10; idem ao anterior), ainda que se considere apenas as espécies identificadas no nível específico (0,06 e 0,11; idem ao anterior); com apenas 10 espécies em comum. O mesmo ocorre para o componente regenerante (0,06 e 0,11 para todas as espécies e 0,06 e 0,12 para aquelas somente identificadas no nível específico; idem ao anterior); com apenas 8 espécies em comum. A baixa similaridade florística observada pode ser explicada pela disjunção natural entre as áreas (distantes cerca de 390km em linha reta, 22°41´30´´S 45°27´52´´W), haja visto que esta formação passa a ser naturalmente fragmentada a partir do sul do estado de São Paulo, ocorrendo novamente nas elevadas altitudes da Serra do Mar e da Mantiqueira. Além disso, o fragmento de Itaberá sofre influência de outras formações florestais próximas, o que descaracteriza-o floristicamente como um remanescente típico de Floresta Ombrófila Mista, conforme abordagem posterior. Outro fator seria as distintas condições de paisagem, sobretudo no

      que se refere à extensão de área contínua protegida, dado seus reflexos na flora citados anteriormente.

A Estação Ecológica de Itaberá assemelha-se mais a um remanescente de Floresta Ombrófila Mista mais próximo, já nas encostas da Serra de Paranapiacaba (distante cerca de 70km em linha reta, 24°28´S 49°01´W), também avaliado por Souza (2008), em regeneração há 120 anos, no município de Barra do Chapéu, SP. Considerando ambos os componentes, nota-se certa afinidade florística entre as áreas (0,20 e 0,34; idem ao anterior), com 53 espécies em comum. No entanto, estas não podem ser consideradas semelhantes floristicamente, ainda que se considere somente as espécies identificadas no nível específico (0,22 e 0,37; idem ao anterior). O mesmo ocorre ao avaliar somente o componente adulto (0,21 e 0,35 para todas as espécies e 0,23 e 0,37 para aquelas somente identificadas no nível específico; idem ao anterior), com 45 espécies em comum. A maior semelhança florística foi constatada entre os regenerantes (0,27 e 0,43 considerando todas as espécies e 0,31 e 0,48 considerando somente aquelas identificadas no nível específico), com 36 espécies em comum. Logo, os componentes regenerantes das duas áreas são semelhantes floristicamente, segundo o Índice de Jaccard para a primeira abordagem e segundo ambos os índices para a última. Sendo assim, é esperado o aumento da similaridade entre os componentes adultos das duas áreas a longo prazo.

- Análise de Agrupamento

A matriz resultante da compilação das listagens florísticas resultou em 1095 espécies, refletindo a heterogeneidade florística entre as 53 áreas consideradas. As espécies mais freqüentes da Floresta Ombrófila Mista foram: Araucaria angustifolia (100%), Campomanesia xanthocarpa (90%), Casearia decandra (90%), Ocotea puberula (75%), Jacaranda puberula (75%), Allophylus edulis (75%), Matayba elaeagnoides (75%), Rapanea umbellata (75%), Sapium glandulatum (70%), Sebastiania commersoniana (70%), Ilex paraguariensis (70%), Ocotea pulchella (70%), Vernonia discolor (65%), Styrax leprosus (65%), Ilex theezans (60%), Prunus myrtifolia (60%), Cedrela fissilis (60%), Clethra scabra (55%) e Schinus terebentifolius (50%). Destas, apenas A.angustifolia é tida como exclusiva da Floresta com Araucária (STEHMANN, 2009), embora C. xanthocarpa, S.commersoniana e S.leprosus tenham sido amostradas apenas nesta formação. Jarenkow e Budke (2009), em sua revisão sobre

padrões flóristicos nesta formação, também ressaltam a alta freqüência (acima de 80%, considerando 38 levantamentos) destas espécies, exceto O.puberula, J.puberula, O.pulchella, I.theezans e C.scabra.

Considerando as 4 áreas de Floresta Ombrófila Mista em São Paulo, nota-se que estas compartilham apenas nove espécies: Araucaria angustifolia, Cabralea canjerana, Casearia decandra, Guatteria australis, Myrcia fallax, Ocotea bicolor, Rapanea umbellata, Rudgea jasminoides e Solanum swartzianum. Entre estas, constata-se que C.canjerana, C.decandra, G.australis, M.fallax e R.umbellata também ocorreram em 50% ou mais das áreas avaliadas de Floresta Ombrófila Densa no mesmo estado. M.fallax também obteve o mesmo destaque entre as Florestas Estacionais Semideciduais paulistas, demonstrando sua ampla distribuição geográfica.

O índice de diversidade de Shannon (H´) para a Floresta Ombrófila Mista variou consideravelmente, desde 2,2 até 4,12 (este trabalho); embora hajam diferenças metodológicas entre os levantamentos considerados, inclusive sem estimação deste índice em alguns deles, dificultando as comparações.

Observando o dendrograma obtido a partir da Análise de Agrupamento (FIGURA 7), observa-se a formação de quatro grandes grupos, com o isolamento de um levantamento em Ubatuba (SANCHEZ, 1999). O primeiro grupo reúne a maioria dos levantamentos realizados na Floresta Ombrófila Densa paulista (Serra do Mar e Serra de Paranapiacaba). Nota-se que as áreas de Sete Barras, São Miguel Arcanjo e Capão Bonito apresentaram maior afinidade florística, possivelmente devido à proximidade geográfica entre elas, formando um sub-grupo mais coeso. As espécies mais freqüentes neste grupo foram Cabralea canjerana, Alchornea triplinervia, Guapira opposita, Casearia sylvestris, Casearia decandra, Tapirira guianensis, Annona neosericea, Maytenus robusta, Endlicheria paniculata, Sorocea bonplandii, Myrcia fallax e Amaioua intermedia, todas ocorrendo em pelo menos metade das áreas consideradas.

O segundo grande grupo reúne as áreas de Floresta Ombrófila Mista do sul do Brasil e de Campos do Jordão, SP. Nota-se a segregação dos dois levantamentos em território paulista dentro do grupo, provavelmente refletindo o efeito da desconectividade geográfica natural desta formação. As espécies indicadoras deste subgrupo foram Ilex taubertiana, Baccharis oreophila, Piptocarpha macropoda, Ocotea bicolor, Ocotea glaziovi, Persea willdenovii, Calyptranthes lucida, Symplocos

      falcata e Rudgea jasminoides. Jarenkow e Budke (2009) ressaltam que estas áreas apresentam muitas espécies típicas de ambientes altomontanos, sobretudo melastomatáceas dos gêneros Miconia e Tibouchina, acentuando a dissimilaridade intra- grupo. No entanto, não foi amostrado nenhuma espécie do segundo gênero nas duas áreas consideradas.

O terceiro grupo compõe três levantamento realizados em Ribeirão Grande,SP, na Floresta Ombrófila Densa sobre a Serra de Paranapiacaba. Nota-se que este grupo apresentou baixa afinidade florística com áreas próximas, como os levantamentos de São Miguel Arcanjo, Capão Bonito e Sete Barras (Grupo 1), evidenciando a heterogeneidade florística regional. As espécies mais freqüentes neste grupo foram Schinus terebentifolius, Rapanea ferruginea, Campomanesia guaviroba, Myrcia fallax e Phithecellobium diversifolium.

O quarto grupo engloba os levantamentos realizados em Floresta Estacional Semidecidual (São Carlos, Campinas, Gália) e Floresta Estacional Decidual (Piracicaba). Estas áreas apresentaram baixa similaridade florística com Florestas Semideciduais mais ao sul; portanto sem influência considerável na vegetação da Estação Ecológica de Itaberá. As espécies indicadoras deste grupo foram Aspidosperma polyneuron, Myroxylon peruiferum, Ceiba speciosa e Metrodorea nigra.

O presente estudo foi agrupado no primeiro grande grupo, apresentando baixa afinidade florística com trechos de Floresta Ombrófila Mista do sul do Brasil e de Campos do Jordão, SP. A vegetação da Estação Ecológica de Itaberá apresentou maior semelhança com um trecho de Floresta Estacional Semidecidual em São Roque, SP (LEITE e RODRIGUES, 2008), apesar da maior distância (aproximadamente 210km em linha reta) em relação ao trecho de Floresta Ombrófila Mista de Barra do Chapéu e à Floresta Estacional de Itatinga (distante cerca de 100km em linha reta, localizada no mesmo compartimento geomorfológico de Itaberá, a Zona do Paranapanema). Estas quatro áreas se agruparam formando um subgrupo, ainda que com baixa similaridade entre si, distinguindo-se dos demais levantamentos da Floresta Ombrófila Densa paulista. Desta forma, percebe-se a maior influência das formações florestais vizinhas nas áreas de Floresta Ombrófila Mista do sul de São Paulo, já que estas mostraram-se isoladas dos demais trechos desta formação, refletindo suas localizações ecotonais. A classificação da Estação Ecológica de Itaberá como Floresta Ombrófila Mista sustenta-

se mais no aspecto fisionômico (ocorrência de A.angustifolia) do que em sua composição florística propriamente dita, como argumentado em tópico vindouro. Este comportamento parece ser de amplitude regional, pois foi observado também por Souza (2008) em Barra do Chapéu, SP.