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Chapitre 3 Méthode formelle d’identification et de gestion des risques

3.4 Avantages et limites de la méthode

Na disciplina de Língua Portuguesa, a produção de textos jornalísticos se centraliza na linguagem verbal, sendo a notícia o seu grande filão. Esta constatação encontra sustentação na ideia de Ciro Marcondes Filho – para o autor, a utilidade deste gênero está em extrair somente o fato específico que a originou com disposição múltipla aos meios (impresso, TV, rádio e internet).

Quanto à recepção das informações noticiadas, inserida com frequência no discurso e ação pedagógicos, o estudioso alerta para o jogo psicológico que ela desencadeia uma mistura de alívio e preocupação, imperceptíveis na maioria dos casos. E explica (1986:14): “não as notícias isoladamente, via de regra, mas o conjunto delas, o noticiário como um todo, ou mesmo a programação noticiosa jogam com este duplo caráter da notícia. Trata-se da dialética da atemorização e da tranquilização, que compõe o fato noticioso”.

“A reportagem é um gênero que, geralmente, consegue levantar debates em sala de aula, por exemplo, o julgamento de Lindemberg Fernandes Alves, em fevereiro de 2012, pela morte do caso da jovem Eloá. Amplamente divulgado na mídia, o assunto tomou conta da sala, em várias aulas estudamos a estrutura do texto, depois eles chegaram a fazer gravações

em vídeo e realizaram a apresentação em formato de telejornal. Depois do debate, ainda pensei em colocar orações coordenadas ou subordinadas, mas não dava, era o fim. Onde eu trabalho não tem data show – se tivesse seria ótimo, afinal, os meios nos ajudam muito. Por exemplo, tem um professor que possui data show e nos empresta. Então, houve uma aula na qual mostrei uns vídeos sobre as figuras de linguagem – procurei e baixei na internet e levei meu notebook. Na sala, eles ficaram maravilhados e me entenderam rapidamente.” (Escola 3: Docente B - idade: 34 anos, 10 anos de magistério, 8º ano)

Durante esta entrevista, a professora fez muitas colocações reivindicatórias, motivadas pelas carências materiais que afirmou existir em sua escola. A unidade escolar em que leciona é compartilhada, ou seja, o prédio é da rede estadual, que possui Ensino Médio (períodos manhã e noite) e o município fica com o Ensino Fundamental (manhã e tarde), mantendo-o com seus recursos e funcionários.

“Quando a apostila chegou, no primeiro bimestre, percebi que tratava de textos jornalísticos – pensei, em seguida, sobre como despertar o interesse por estes gêneros sem que a aula ficasse desinteressante, então, tive que pesquisar mais. Conversei com outros professores de Língua Portuguesa e com o professor de informática da escola para pensarmos em um projeto sobre o gênero jornalístico. Foi quando chegamos à ideia de um portal na web para que estes alunos produzissem notícias. A princípio, fiquei um pouco temerosa, mas bastou falar a eles que iriam aprender a produzir uma notícia e, sobretudo, que outros alunos da escola iriam ler a publicação que ficaram muito interessados. Então, o projeto começou a ganhar forma, iniciamos com o gênero notícia nas aulas de Língua Portuguesa dos 8º e 9° anos (7ª e 8ª séries) e, depois, nas duas aulas de informática semanais, os alunos redigiam a notícia e aprendiam a postá-la no site da escola, elaborado pelo professor de informática. Ou seja, assim que estudavam a estrutura do gênero, no caso, a notícia, eles a redigiam na sala de informática e me enviavam por e-mail. Éramos quatro professores da área envolvidos nesse projeto, cada um responsável pela correção dos textos de seus alunos. O impressionante foi quando um aluno escreveu uma notícia e ficou muito ansioso pela publicação desse material no portal. Na época, o professor de informática, morava no bairro e o jovem foi até a casa dele cobrar a postagem do texto no site.” (Escola 6: Docente A - idade: 38 anos, 5 anos de magistério, 9º ano)

“O editorial foi o gênero mais difícil dos jornalísticos para o trabalho em sala. Para eles entenderem o que é um editorial, durante várias aulas levei jornais impressos para manuseio. Explicava a localização do texto e comentava acerca da responsabilidade da pessoa que o escrevia, bem como sobre sua função perante os leitores. Comentei também que sua função, geralmente, é uma crítica a alguma situação, um fato. Em seguida, após o trabalho com este gênero, entender os outros textos jornalísticos acabou sendo mais fácil para as atividades em sala com os alunos.” (Escola 6: Docente B - idade: 45 anos, 08 anos de magistério, 8º ano)

“Em minha opinião, o importante ao trabalhar com os textos comunicacionais é o seguinte: o aluno, quando produz um texto sem objetivo, não tem o seu interesse despertado. Agora, se ele, por exemplo, aprender gêneros, como: notícia, entrevista e/ou anúncio publicitário, com a intenção de produzi-los para a comunidade escolar, aí ele se identifica com a função social e enxerga nestas mensagens muita utilidade. Este processo é muito interessante, afinal, eles assumem também, por meio da produção destes, o seu papel na sociedade. E isto faz deles um cidadão, na acepção da palavra.” (Escola 1: Docente B - idade: 36 anos, 17 anos de magistério, 8º ano)

“Eu trabalhei com anúncios publicitários priorizando a questão ideológica, os elementos persuasivos, os jogos de sedução propostos. Para tanto, utilizei a estratégia inicial com impressos, por meio de revistas e os orientei até a procura na internet de anúncios das grandes agências, mas centralizei as buscas, sobretudo, nas propagandas comerciais da televisão. Não adianta negar, pois este meio atrai muito os jovens, então, depois do estudo da estrutura, função textual, os alunos, por si só, acabam pesquisando em outros meios. No caso da TV, depois da pesquisa, alguns gravaram até vídeos caseiros e colocaram no YouTube Analisamos muitas propagandas e mantivemos o enfoque na linguagem publicitária, as características textuais e abordamos também as questões do consumo.” (Escola 7 : Docente A - idade: 39 anos, 17 anos de magistério, 9º ano)

“A publicidade é sedutora aos alunos, sobretudo aqueles comerciais que veiculam na TV aberta. A partir da proposta curricular da área com este gênero, no 9º ano o 2º bimestre é dedicado a ele, resolvi trazer mais recursos do audiovisual em minhas aulas por conta disto. Afinal, mesmo que a mensagem da propaganda esteja impressa é necessário estudar a leitura de imagens e os recursos desde cores, símbolos, formas e ainda orientar sua leitura, pois os

alunos já estão no último ano do Ensino Fundamental. Eu acredito que não adianta apresentar outras temáticas, pois as propagandas relacionadas ao esporte e marcas são preferenciais desta faixa etária, sem contar os modelitos dos atores das telenovelas e questões envolvendo relacionamentos amorosos. Com a intenção de usar estes textos, propus trabalhos em grupos, cada um analisou determinada propaganda com uma temática eleita pela sala: no caso, comerciais sobre marca e esporte; com o tema em mãos os alunos divididos analisaram as mensagens nos vários meios de comunicação. Um verdadeiro exercício de leitura dos conteúdos implícitos, os quais o adolescente, na maioria das vezes, não consegue perceber, e aproveitei para mostrar a importância da constituição dos sentidos por meio das linguagens não verbais.” (Escola 6: Docente C - idade: 36 anos, 17 anos de magistério, 8º ano)

Os gêneros reportagem, entrevista e crônica estão na lista de preferências dos textos midiáticos utilizados pelos professores.

Sobre o uso do impresso, os educadores ratificam as orientações propostas pela pesquisadora Maria Alice Faria quanto à inserção de uma série de atividades com o jornal, desde a inicial manipulação a outras atividades, atitudes comuns nas ações escolares, justificadas pela necessidade de manejo do material concretamente.

O telejornalismo também é um parâmetro audiovisual em sala e as (tele) novelas figuram como geradoras de modismos, gírias e entretenimento com este público de alunos.

Os entrevistados, em sua maioria, abordam em suas aulas temáticas assuntos apresentados em programas televisivos não houve, entretanto, relatos de educadores quanto aos recursos ideológicos persuasivos do jornal nas atividades em sala.

Ao tratarmos da televisão, independentemente do gênero, ela assume no ambiente educacional um caráter normativo, ainda que implícito, como exposto por Rosa Maria Bueno Fischer (2002) em O dispositivo pedagógico da mídia: modos de educar e na (e pela) TV, que nomeia este mecanismo de “dispositivo pedagógico da mídia”.

Fischer trata da linguagem que nomeia como stricto sensu da mídia, particularmente da TV, do conceito de televisibilidade, com base em Beatriz Sarlo, a qual seleciona um grupo de categorias:

A autorreferência (o modo como a TV fala de si mesma através de diferentes produtos); a repetição (imagens e estruturas que retornam, propiciando tranquilidade, prazer e identificação); o aval de especialistas (para legitimação das verdades narradas); a informação didática (colocando o espectador na posição de quem deve ser cotidianamente ser ensinado); a

opção por um vocabulário facilitado, traduzido, especialmente quando relacionado a termos técnicos etc. (FISCHER, 2002:156).

Percebemos que o telejornalismo e a telenovela, como já anunciado, são determinantes nos assuntos da disciplina de Língua Portuguesa e direcionadores de pesquisas na web pelos alunos. Assim, por mais adeptos que sejam às tecnologias digitais, os jovens ainda são pautados pelo conteúdo da TV na busca por informações e lazer. Inclusive, estes profissionais da educação ratificam esta constatação até nas escolhas de textos impressos, pelos quais optam em larga escala.

Os formatos jornalísticos televisivos são estudados em termos estruturais e, neste contexto, tornam-se motivadores de debates, comentários e outras ações orais e escritas.

Eugênio Bucci e Maria Rita Kehl, em Videologias (2004:41) discorrem sobre a natureza da televisão contemporânea:

Os programas de ficção cada vez mais buscam sustentar-se em argumentos da realidade (tanto que, no Brasil, a telenovela é tanto mais presente quanto mais consegue propor uma síntese do imaginário social); quanto aos programas de telejornalismo, estes precisam se adequar a uma narrativa mais ou menos melodramática (o andamento dos telejornais busca capturar o telespectador pelo desejo e pela emoção). Ou seja, ficção e realidade se invertem na (estética da) nova ordem.

Outro aspecto observado é a suposta neutralidade destes noticiários, como discorre Bucci: “a ilusão do discurso jornalístico é descrever a realidade sem nela interferir” (2004:30).

Contrariando a observação de Bucci, o discurso dos professores não apresentou relatos sobre verificações de caráter crítico quanto às manipulações implícitas. Em compensação, os docentes descrevem com grande frequência estas ações no trabalho com os gêneros publicitários, os quais são utilizados de forma a desenvolver análises aprofundadas sobre consumo e manipulação ideológica.

Para Eliana Nagamini (2000), a publicidade constrói seus discursos através do universo iconográfico, resgata aspectos do individual no coletivo. Analisar os mecanismos de sua construção discursiva é importante para a compreensão dos valores e comportamentos aceitos pela sociedade e enraizados em nossa cultura. Na visão da autora (2000:76):

A publicidade, no entanto, é mais do que um mecanismo de estratégia de venda; ela é um reflexo da sociedade na medida em que espelha valores sociais e reconstrói arquétipos que estão no imaginário de todos. Precisa ser construída a partir de recursos sonoros/visuais/linguísticos capazes de tornar a mensagem atraente e memorável.

Na ação didática com o uso desses gêneros, os educadores se posicionaram de forma a serem mediadores destes trabalhos com apontamentos críticos acerca destes textos com os alunos. Ainda neste eixo temático, Gilles Lipovetsky defende que o desejo não é derivado da manipulação publicitária, pois o consumidor não é enganado, mas encantado por ela, “ ela não consegue fazer com que se deseje o indesejável” (2000:7).

O estudioso vai contra a corrente apocalíptica, entretanto, quando fala de consumidores refere-se a adultos. Quer dizer, na verdade, se refletirmos que os adolescentes ainda estão formando sua identidade, a partir dos valores transmitidos, perceberemos o porquê dos docentes citarem, várias vezes, a importância de direcionarem as atividades dos adolescentes com as mensagens publicitárias por conta das características dos recursos imagéticos e mensagens implícitas. Diante destas constatações, verificamos os reais motivos da opção dos professores por determinados gêneros em detrimento de outros, tópico a ser tratado logo a seguir.