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6 Architectural Issues

Dans le document Proceedings of the Linux Symposium (Page 173-177)

Os testes de Inteligência, assim intitulados, caracterizam-se como instrumentos psicológicos. Para a utilização destes instrumentos é imprescindíveis o conhecimento de técnicas aprendidas na graduação em Psicologia, na disciplina Técnicas de Exame Psicológico, e somente o profissional com formação em Psicologia poderá utilizá-las. Tal exclusividade é garantida pela Lei Federal 4.119 (Custódio, 1995).

Estes instrumentos podem oferecer subsídios tanto altamente benéficos, quanto maléficos, dependendo da forma como são manipulados. Os profissionais que os utilizam devem ter conhecimento, não só do manuseio, mas para qual clientela se destina, o que pretende investigar e, finalmente, como interpretar os resultados encontrados (Anastasi & Urbina, 2000).

O histórico mostra que os testes psicológicos no passado, tradicionalmente, eram utilizados para medir as diferenças existentes entre as pessoas ou as reações da mesma pessoa em diferentes contextos. Um dos vários estímulos que desencadeou o desenvolvimento e estudo sistemático destes instrumentos foi a identificação dos indivíduos que apresentavam retardo mental e, ainda hoje, os testes psicológicos são utilizados para o diagnóstico e prognóstico desta clientela. Cabe aqui ressaltar que os testes psicológicos utilizados numa avaliação neuropsicológica mostram-se, significativamente eficientes com pacientes que apresentam disfunções, deficiências e lesões cerebrais, no sentido de avaliar as funções cognitivas, levantando indicadores das funções que estão mais preservadas e as que estão mais prejudicadas, facilitando, assim, a organização de um trabalho de reabilitação no sentido de melhorar o desempenho global e qualidade de vida (Antunha, 1998; Garrido, 1990; Lefèvre, 1989).

A origem dos testes de inteligências tem seus pilares alicerçados na psicometria. Pode- se dizer que estava ligada a duas correntes surgidas paralelamente, porém de formas distintas, mas demonstrando os mesmos objetivos: o de avaliar as aptidões humanas. As correntes eram: a psicologia de orientação empirista e a psicologia mentalista de Binet, na França. Nessa época, o maior destaque, para os que utilizavam processos mentais, estava concentrado nos trabalhos de Binet e Simon (1905, 1908 e 1911). Os empiricistas em destaque eram Galton (1883), Sperman (1904) entre outros, que faziam uso de processos comportamentais, especificamente, os sensoriais (Pasqualli, 1999; Anastasi & Urbina, 2000).

Os psicólogos experimentais (empiricistas) relegavam a mensuração das diferenças individuais. O foco de interesse era a sistematização com descrições generalizadas do

comportamento humano, ou seja, as uniformidades. As diferenças observadas eram relegadas a um segundo plano, mas vistas como um mal necessário que interferia na aplicabilidade das generalizações. Desta maneira, quando um sujeito manifestava comportamento diferente do outro em situações idênticas, computava-se como erro. Assim, a variabilidade (erro) individual encontrada fazia as generalizações aproximadas em vez de exatas. Estes trabalhos eram realizados em laboratórios, tendo como modelo, o fundado por Wundt, em Leipzig (1879). (Anastasi & Urbina, 2000).

Os mentores da psicologia experimental mostravam forte influência, principalmente, de duas áreas de conhecimento: a fisiologia e a física. A maioria dos trabalhos desenvolvidos em laboratórios investigava a sensibilidade aos estímulos visuais e auditivos, entre outros estímulos sensoriais. Havia uma preocupação em marcar o tempo de reação para a realização das tarefas solicitadas. Cabe ressaltar que o movimento de organização dos testes psicológicos foi fortemente influenciado por esta corrente, pois destacava a necessidade de um rigor e controle das condições em que eram realizados, observando os sujeitos em condições altamente padronizadas. Tal padronização associada à sistematização dos procedimentos utilizados é, atualmente, uma das ferramentas consideradas nos testes psicológicos. Portanto, como se pode observar, os estudos dos fenômenos sensoriais serviram de tripé para a elaboração e organização dos primeiros testes psicológicos (Anastasi & Urbina, 2000).

Neste mesmo universo de estudo, surge Binet, utilizando um outro padrão de avaliação mediante instrumentos voltados para o exame das funções cognitivas. Embora seu trabalho tenha originado a organização do primeiro teste de inteligência, com grande repercussão e adesão de muitos países, não foi ele o responsável pela origem e o desenvolvimento da psicometria, pois seu instrumento usava a descrição dos processos psicológicos atrelados ao desenvolvimento infantil escalonado por faixas etárias, não priorizando a quantificação nos moldes da época. Como se viu, a psicometria era específica de orientação da psicologia empirista (Pasqualli, 1999).

Binet foi um forte opositor da psicologia de orientação empirista. Em seus artigos, criticava a maioria dos testes existentes, achava-os excessivamente sensoriais e focalizados, geralmente, em domínios muito específicos. Ele justificava que para a mensuração das funções mais complexas, não havia necessidade de tão grande precisão, já que as diferenças individuais existem em maior proporção nessas funções. Afirmava ainda, que os testes sensoriais, embora permitissem mais precisão, não demonstravam relações significativas com as funções intelectuais. E, os testes que eram usados para investigar conteúdos intelectuais, avaliavam habilidades demasiadamente específicas, como somente memorizar, calcular, entre

outras; defendia que deveriam servir para mensurar funções mais amplas como memória, imaginação, atenção, compreensão entre outras. (Anastasi & Urbina, 2000; Pasqualli, 1999; Zazzo, 1978).

Binet prevenia os psicólogos contra os abusos das estatísticas e correlações muitas vezes infundadas. Afirmava que os resultados de um teste precisavam ser analisados, comentados, situados num contexto para serem interpretados. Com esta proposta, elaborou e enumerou uma lista bem variada de testes, que considerava satisfatória para avaliar as funções cognitivas, como memória, imaginação, atenção, compreensão, julgamento, apreciação estética entre outras. A partir desta visão, percebe-se o porquê do interesse e grande sucesso nas áreas: acadêmica e saúde. Binet abriu as portas para o entendimento do desenvolvimento mental que definia como uma aquisição progressiva de mecanismos intelectuais de base, comuns a todas as crianças. Dizia que seu teste (Binet-Simon) somente trazia informações sobre o funcionamento da capacidade investigada e de forma individualizada. Classificava-o como sendo para avaliar a maturidade, uma técnica para pontuar um nível e velocidade de desenvolvimento. (Anastasi & Urbina, 2000; Zazzo, 1978)

Os pensamentos de Binet, a respeito da construção de um instrumento psicológico e sua visão do que deve ser avaliado num ser humano, levaram-no ao desenvolvimento das famosas escalas Binet de Inteligência.

A forma da construção dos testes de Binet-Simon (1942 e 1929), dando destaque mais a fatores cognitivos que sensoriais, foi bem aceita nos anos que sucederam, em especial aos Estados Unidos, com a tradução, adaptação e revisão realizada por Terman (1916), desencadeando, assim, a era dos testes. Terman incluiu, nesta adaptação, a introdução do Q.I. (Quociente de Inteligência) (Anastasi & Urbina, 2000; Pasqualli, 1999; Van Kock, 1977).

Depois deste período e com o surgimento da Primeira Guerra Mundial, os testes se popularizaram. A pedido das Forças Armadas, foram desenvolvidas várias baterias (Army, Alpha e Army Beta) de testes para o recrutamento de soldados, com a introdução, também, de testes voltados para uma aplicação coletiva. Quando a guerra acaba, os testes passaram a ser alvo de interesse de outras fontes: indústrias, que passaram a utilizar estes recursos de forma bastante usual ( Anastasi, 1977; Van Kock, 1974; Pasqualli, 1999).

Na área de investigação das aptidões, o destaque foi os trabalhos de Thrustone (1938- 1941), com o uso da análise fatorial. Sua bateria “Primary Mental Abilities” serviu de parâmetro para muitas outras baterias, como por exemplo, o WISC, WAIS entre outras. Porém, a escala Wechsler também sofreu uma influência maciça das escalas de Binet (Anastasi & Urbina, 2000; Pasqualli, 1999; Van Kock, 1974).

Os testes psicológicos, como vimos ao longo da trajetória histórica viabilizou e aprimorou técnicas de investigação que foram incorporados em várias áreas de estudos da psicologia. Para a psicologia clínica é fundamental, segundo Custódio (1995), a avaliação psicológica com o devido mapeamento da hipótese diagnóstica mediante instrumentos psicológicos. Estes colocam em evidência sinais que são manifestados pela observação do comportamento do sujeito diante do estímulo, desencadeado pelo material padronizado.

Um bom instrumento de avaliação é assim reconhecido pelos critérios estatísticos, como a padronização, precisão e validade (Ancona-Lopes, 1987).

A padronização está diretamente relacionada à uniformidade de procedimento, para a aplicação e pontuação de um teste. Os parâmetros-controles são as normas (desempenho normal ou médio). O manejo estatístico e a adaptação do conteúdo das questões devem estar de acordo com a realidade sócio-cultural da amostra estudada (Anastasi & Urbina, 2000). Um ponto importante a destacar deste processo é que o teste deve sofrer nova padronização, quando for utilizado com grupos diferentes daquele para o qual foi organizado (Van Kolck, 1974).

Precisão ou fidedignidade é a consistência dos resultados obtidos pelas mesmas pessoas, quando retestadas com um mesmo instrumento, ou com uma forma similar dele. (Anastasi & Urbina, 2000; Ancona-Lopez, 1987).

Validade constitui a verificação direta do que um teste se propôs a medir, podendo, inclusive, ser comparado com outros testes investigadores do mesmo fenômeno. O teste deve ser condizente com o desempenho da vida real do examinando e ter sensibilidade, ou seja, ser capaz de discriminar, entre outros elementos, aquele a que se propôs (Anastasi & Urbina, 2000; Pasquali, 1998; Van Kolck, 1974).

Além disso, a escolha do instrumento de avaliação deverá levar em conta os objetivos da aplicação e suas condições, bem como o perfil do indivíduo a ser avaliado. Numa avaliação neuropsicológica, o psicólogo deve conhecer, não só a técnica, mas também a dinâmica do funcionamento cerebral, quais funções o teste irá investigar, quais resultados serão normais e quais poderão ser interpretados como patológicos; por isso, a compreensão teórica deverá ter a experiência prática como aliada. Todos estes requisitos serão fundamentais para as conclusões do exame e seus desdobramentos (Antunha, 2002; Andrade, 2002).

Sobre o processo de avaliação cabe destacar que este desencadeia, por parte do examinando, uma certa ansiedade, um desconforto gerado pela situação de se sentir “testado”. O examinador deverá estar atento às informações subjacentes (implícitas) que nem sempre estarão expostas, pois a situação deixa à mostra o mais íntimo da personalidade e a essência

do intelecto. Portanto, a situação de teste requer do profissional compreensão para facilitar este momento por meio de um adequado estabelecimento do rapport, criando um ambiente acolhedor e agradável durante todo processo de avaliação (Ocampo, 1981).

A seguir é abordada a trajetória histórica da Escala Wechsler de inteligência para crianças (WISC) e os estudos e pesquisas no campo da neuropsicologia, pela importância da utilização deste instrumento na avaliação de crianças com Distrofia Muscular de Duchenne, neste trabalho.

1.1.2.2 Aspectos clínicos e neuropsicológicos gerais dos subtestes da Escala

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