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1.5 Approximations pour le pouvoir thermo´ electrique

1.5.3 Approximation DC sans prolongement analytique

Com a inscrição, em 2014, do género Cante Alentejano na Lista do Patrimó- nio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO, surge uma nova situa- ção para as outras práticas musicais no Alentejo, como é o caso dos géneros “repentistas”. No caso do Cante ao Baldão, este assiste a um novo momento de interrogações e impasses. Os cantadores10 referem que, neste momento, as instituições só apoiam e dão relevo ao Cante Alentejano, e as outras práticas apenas aparecem em espaços muito isolados, quase sem público. Os Encontros de Baldão raramente existem: apenas permanece o projecto de Encontros de Baldão da Associação para o Desenvolvimento de Amoreiras-Gare e o Encon- tro de Despique e Baldão na Feira de Castro Verde, mas ambos sem o relevo e a diversidade de públicos de anos anteriores.

Ao longo dos últimos anos, surgiram progressivamente projectos indivi- duais de cantadores jovens, que saíram do contexto tradicional, e que tentam entrar no universo dos espectáculos de cariz mais comercial para fazer car- reira e vida profissional, tendo como fonte de inspiração estética uma dada tradição musical. Alguns destes cantautores adaptam melodias ou textos tradicionais, criam novos textos ou músicas, experimentam conciliar instru- mentos tradicionais das práticas musicais alentejanas com outros externos às práticas e passam a “fazer estrada”, como nos anos de 1970 e 1980 acontecia, só que com ferramentas bastante diferentes. Com a utilização dos novos re- cursos da Internet, criam as suas próprias empresas e rapidamente contactam estúdios de gravação, instituições e empresas de espectáculos que os colocam no meio comercial. Ocorrem espectáculos onde são misturados diferentes práticas e géneros, como repertório a solo de viola campaniça, modas cam- paniças, Cante ao Baldão, Cante Alentejano, sendo introduzidos sintetiza- dores, baterias, instrumentos tradicionais de outras regiões (portuguesas ou do mundo), instrumentos de orquestra clássica, e diferentes músicos com experiências e formações muito diversificadas, que apenas se juntam para os espectáculos ou gravações. Resultam assim espectáculos híbridos, com alinhamentos totalmente imprevisíveis e onde a noção de contexto social e cultural surge esvaziada. Autarquias, patrocinadores, entidades governamen- tais ou locais e empresas comerciais promovem e pagam estes espectáculos.

Ética, estética e comércio parecem estar de “mãos dadas” no universo actual da tradição do Alentejo.

5. Conclusões

O momento actual representa um diálogo entre a reinvenção de uma tra- dição, com as suas ferramentas de construção de elementos imaginários, e a reprodução estereotipada de recursos que constroem o quotidiano das suas práticas.

Trata-se de um diálogo que providencia uma variedade de interpretações e de olhares e, tal como reflecte a metáfora de Bruno Nettl11 acerca do “elefante na sala” da Etnomusicologia, os dados estão presentes, só que nem sempre os queremos ou conseguimos ver. Importa fazer um exercício de focalização da atenção no óbvio: as culturas musicais são fenómenos dinâmicos, não são dinossauros embalsamados e passíveis de ser conservados nos museus. As culturas musicais vivem num universo social, geográfico, político, familiar; não são apenas produtos mas processos de vida e, por tal, as entidades polí- ticas responsáveis, patrocinadores de espectáculos, académicos, estudiosos e detentores das tradições devem manter um alerta consciente para que se pro- movam espaços onde, de uma forma contextualizada, se continue a aprender a cantar, mas também a (con)viver com afecto com o património oral.

Fontes

Entrevista a António José Bernardo, Aldeia das Amoreiras, 2 de Abril de 1996. Entrevista a Antero Silva, Amoreiras-Gare, 5 de Julho de 2015.

Entrevista a José Guerreiro, Amoreiras-Gare, 5 de Julho de 2015.

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Alentejo, visibilidade