1.3 De la supersolidité à la plasticité
1.3.1 Une anomalie de rotation
Na busca pelo entendimento da percepção dos residentes e sua relação com o turismo, diversos autores buscam identificar variáveis e construir modelos que permitam explicar a influência destas variáveis no comportamento dos residentes. O primeiro modelo que encontramos na literatura é o Irridex de DOXEY (1975 apud GETZ, 1994; LANKFORD e HOWARD, 1994; BRUNT e COURTNEY, 1999; MASON e CHEYNE, 2000). Esse modelo sugere que a comunidade passa por uma série de reações à medida em que a indústria do
11 definição disponível em <http://www.world-tourism.org/sustainable/top/concepts.htm>. Acesso em 5 dez.
turismo vai se desenvolvendo na região. Assim, a euforia inicial é seguida pela apatia, irritação e, eventualmente, antagonismo. Existe uma ligação entre esta sucessão de reações e o modelo de ciclo de vida da destinação turística de BUTLER (1980 apud GETZ, 1994; LANKFORD e HOWARD, 1994; AKIS, PERISTIANIS, WARNER, 1996; COOPER et al. 2003), que identifica uma série de fases na evolução de um destino turístico (exploração, envolvimento, desenvolvimento, consolidação, estagnação e declínio ou rejuvenescimento). Estes estágios são implicitamente acompanhados pelo crescimento de efeitos adversos na comunidade local, sugerindo que esta vai se tornando menos favorável ao turismo à medida que este atinge características do turismo de massa.
Os modelos de DOXEY e BUTLER sugerem que a mudança de atitude dos residentes ao turismo é algo que acontece com o passar do tempo. Contudo, os estudos de GETZ (1994) e JOHNSON, SNEPENGER e AKIS (1994), apesar de confirmarem o aumento da negatividade nos estágios mais avançados de turismo, identificam a existência de outras variáveis importantes na influência dos comportamentos dos residentes. Neste momento, os pesquisadores buscam, intensamente, identificar as variáveis e buscar entender a relação entre estas e as atitudes dos residentes. A seguir estão demonstradas as principais contribuições:
a) Dependência econômica do turismo - JOHNSON, SNEPENGER e AKIS (1994) relatam a existência de ligação entre a atitude em relação ao turismo e o estado da economia local. PIZAM, MILMAN e KING (1994) identificam a existência de maior propensão ao apoio da atividade turística entre os membros da comunidade que são empregados da indústria ou realizam atividades que atendem aos turistas.
b) Distribuição dos benefícios econômicos – A forma de distribuição dos benefícios econômicos na comunidade – buscando atingir os seus “reais” membros - foi uma variável identificada no estudo de GETZ (1994)
c) Gênero – a relação entre apoio ao turismo e o gênero foi testada por HARVEY, HUNT E HARRIS JR.(1995) que não verificaram nenhuma diferença no apoio dado ao turismo por integrantes dos dois sexos.
d) Proporção de turistas – refere-se à proporção do número de turistas em relação ao número de residentes, fornecendo uma indicação da intensidade do fluxo dos turistas.
Aqui também está sendo considerada a questão da sazonalidade, uma vez que os impactos tornam-se mais visíveis na alta temporada - através de elevado número de pessoas na localidade, congestionamentos, lixo, aumento de preços, entre outros.(MADRIGAL, 1995)
e) Tempo de residência na comunidade – LANKFORD, 1994; MADRIGAL, 1995.
f) Distância entre a residência e o centro turístico – WALL (1996) identifica que quanto maior a exposição do residente , maior as suas reservas em relação ao turismo. A variação na atitude em relação ao turista, pelas populações residentes, é afetada pelo tipo de turista que visita estas áreas. Mais especificamente, o grau de diferença existente entre as populações locais e visitantes, em termos raciais, cultural, e nível socioeconômico terão um grande impacto nas reações locais.
g) Nível de contato com os turistas – SMITH, 1989; LANKFORD, 1994; AKIS, PERITIANIS e WARNER, 1996.
h) Habilidade percebida de influenciar o planejamento do turismo - LANKFORD, 1994
i) Tamanho da comunidade – CAPENERHUST (1994, citado em MASON e CHEYNE, 2000) sugere que comunidades menores são mais propensas a ter uma reação mais forte ao desenvolvimento do turismo, uma vez que este é mais visível para elas. Esta afirmação é comprovada no trabalho de LOWSON, WILLIAMS E COSSENS (1998).
Com esta profusão de variáveis não tardaram a surgir modelos e equações sofisticadas procurando a melhor forma de relacioná-las e de explicar as mudanças de atitude dos residentes(LINDBERG, DELLAERT, RASSING, 1999). Já em 1994, LANKFORD e HOWARD conceberam uma proposta para a associação de uma série de variáveis sociodemográficas – tempo de residência, dependência econômica do turismo, distância entre a residência e o centro turístico, nível de participação do residente no processo de decisão, local de nascimento, nível de conhecimento sobre o turismo, nível de contato com turistas, características demográficas, impacto percebido nas recreações externas e taxa de crescimento da comunidade.
FAULKNER e TIDESWELL (1997) avançam buscando separar estas variáveis em dimensões intrínsecas e extrínsecas, compondo um referencial de análise que tem como objetivo evitar problemas advindos dos impactos do turismo. A Ilustração 1 demonstra as variáveis consideradas no estudo e como estas impactam as reações dos residentes em relação ao turismo.
Ilustração 1- Fatores que afetam a atitude dos residentes em relação ao turismo
Fonte: FAULKNER e TIDESWELL (1997)
De uma maneira geral todos os estudos mencionados acima tinham como racional a idéia de que com o desenvolvimento do turismo os impactos aumentariam, o que tornaria os moradores menos favoráveis à atividade. Contudo, AP (1992) faz uma contribuição baseada na teoria da troca social, cuja essência é o entendimento de que a relação entre os residentes e os visitantes é uma troca entre custos e benefícios. O resultado – que consiste na atitude positiva ou negativa em relação ao turismo – depende do resultado final desta relação. Nesse sentido, é interessante considerar a afirmação de TOSUN (2002), que indica que a maioria das conclusões sobre a percepção dos impactos advindos do desenvolvimento do turismo mostram que os residentes percebem o impacto econômico como positivo enquanto o sócio-cultural, legal e ambiental, em muitos casos, são vistos como negativos e em alguns casos, como neutros. Isso explica os resultados obtidos por LINDBERG e JOHNSON (1997), que
demonstram que o ganho econômico advindo do turismo tem melhor poder de prever o comportamento dos residentes do que a percepção dos impactos negativos.
RYAN e MONTGOMERY (1994) desafiam a crença presente em grande parte dos estudos – como é o caso do modelo de Doxey (Irridex) e Butler (Ciclo de Vida do Destino Turístico) - que pressupõem uma certa homogeneidade e unicidade nas reações da comunidade – categorizando os residentes de acordo com a sua atitude em relação ao turismo. Essa idéia tem sido a base para outros autores (JOPPE, 1996; SNAITH e HALEY, 1999; MASON e CHEYNE, 2000; WILLIAMS e LAWSON, 2001; JUROWSKI e GURSOY, 2004) que têm buscado evidências empíricas.
Pressupor que as comunidades não terão problemas com relação ao turismo pode ser uma visão romântica (TAYLOR, 1995). Contudo, mediante o mapeamento e entendimento dos principais pontos de conflito, podem surgir soluções. A seguir serão identificadas as principais questões relativas à participação da comunidade no desenvolvimento do turismo, que, como vimos, é condição fundamental para que se garanta a eqüidade intra-geracional da sustentabilidade.