6. Annexes
6.3 Annexe 3 : Stratégie de recherche documentaire
A maioria das pesquisas que analisam as mudanças organizacionais tem sido realizada de forma a-histórica e a-processual (PETTIGREW, 1985). Child e Smith (1987) afirmam que os modelos baseados na Teoria Contingencial, por exemplo, são estáticos ao delinearem condições desejáveis ou ajustes entre organização e ambiente. Esse modelo de pesquisa consegue explicar pouco mais que associações positivistas estabelecidas entre dimensões estruturais e fatores situacionais (CHILD, 1972).
As relações positivistas de causa-efeito são insuficientes para explicar os fenômenos sociais, como é o caso da adaptação estratégica das organizações. Segundo Giddens (1979), a explicação desses fenômenos deve considerar o contexto tanto interno quanto externo na qual de desenvolve o processo. As relações de causa-efeito entre variáveis não consideram esse contexto, específico para cada organização, assumindo relações universais e constantes no tempo.
No estudo da adaptação estratégica deve-se considerar, também, os fatores subjetivos, tais como os processos políticos e culturais que envolvem as relações de caráter humano e social, e as percepções dos indivíduos acerca do contexto no qual se desenvolvem as mudanças. Apesar de mais complexa, a pesquisa qualitativa deve ser utilizada como alternativa à pesquisa quantitativa no estudo das ciências sociais, visto que se utiliza de uma abordagem interpretativa para o estudo dos fenômenos e não uma abordagem racional, que coleta dados numéricos relativos a variáveis envolvidas no fenômeno e analisa-os estaticamente, abstraindo-os do contexto e do processo com o qual foram produzidos. A tentativa de utilizar essa abordagem para estudar fenômenos sociais, de explicar as atitudes, crenças e o comportamento das pessoas através de teorias probabilísticas, de criar modelos comportamentais positivistas, é uma distorção da realidade (SEYMOUR et. al., 1995).
Na metodologia quantitativa, o conhecimento é produzido formalmente e rigorosamente. Porém, é incapaz de identificar as sutilezas das situações de pesquisa (THIOLLENT, 1992). Por outro lado, a pesquisa qualitativa parte de questões amplas, que vão de definindo na medida em que a pesquisa se desenvolve. Envolve dados descritivos, através de processos interativos, pelo contato do pesquisador com a situação estudada.
Merrian (1998) considera a pesquisa qualitativa um conceito guarda-chuva, que abrange diversas formas de investigação que ajudam a compreender e descrever o significado dos fenômenos sociais com a menor ruptura possível do ambiente natural. Roesch (1999), diz que a tradição qualitativa parte da perspectiva de que o mundo e a realidade não são objetivos e exteriores ao homem, mas socialmente construídos e recebem um significado a partir do homem. A abordagem qualitativa utiliza-se de técnicas interpretativas que buscam descrever, decodificar, traduzir e dar significados aos fenômenos ocorridos naturalmente no mundo social (VAN MANNEN, 1979).
Para Bogdan e Taylor (1984) a pesquisa qualitativa produz dados descritivos, palavras expressadas pelas pessoas e seu comportamento observável. Para esses autores, as pesquisa qualitativa é indutiva, voltada para as pessoas e grupos em seu ambiente natural, de forma holística, procurando compreender as pessoas levando em consideração seus quadros de referência. Classificam ainda essa pesquisa como artesanal, pois seus métodos não têm sido tão refinados e padronizados como as outras abordagens de pesquisa.
A pesquisa qualitativa não é um processo linear, realizado passo-a-passo. Nela, a coleta e a análise de dados constituem atividades simultâneas. A análise tem início com a primeira entrevista, com a primeira observação, com o primeiro documento lido. Compreensões emergentes, intuições e hipóteses tentativas dirigem a próxima fase da coleta de dados, a qual, por seu turno, indica o refinamento ou reformulação de questões, e assim por diante. É um processo interativo que permite ao investigador produzir descobertas confiáveis (MERRIAN, 1998).
Triviños (1987) define investigação qualitativa como uma investigação etnográfica. A etnografia baseia suas conclusões nas descrições do real cultural, para então extrair os significados que têm para as pessoas que pertencem a essa realidade, obrigando tanto os sujeitos como o investigador a uma participação ativa no ambiente em que compartilham modos culturais. A pesquisa qualitativa permite que um fenômeno seja mais bem compreendido em seu contexto específico, pois o investigador está inserido e envolvido na vida da comunidade, que é seu objeto de estudo.
Triviños (1987) caracteriza a pesquisa qualitativa por meio de dois traços fundamentais: primeiro, sua tendência definida de natureza desreificadora dos fenômenos, do conhecimento e do ser humano; segundo, a rejeição da neutralidade do saber científico. Mason (1996) acrescenta, ainda, outras particularidades, quais sejam: baseia-se em métodos de geração de dados flexíveis e sensíveis ao contexto social, baseia-se em métodos de análise e explanação, que envolvem compreensões de complexidade, detalhe e contexto; e procura produzir compreensões, com base em dados contextuais e detalhados, com grande ênfase nas formas holísticas de análise e explanação.
O trabalho, neste caso, não é orientado por uma hipótese levantada a priori, pois a realidade de uma pesquisa qualitativa é complexa e não completamente conhecida. Como coloca Martignago (1998) a pesquisa qualitativa exige estruturação mínima, pois como a realidade é múltipla, socialmente construída em uma determinada situação, não se pode apreender seu significado se, de modo arbitrário e precoce, a aprisionarmos em dimensões e categorias.
Considerando os propósitos desta pesquisa, a proposta deste trabalho é realizar um estudo descritivo, uma vez que a intenção é apresentar os fatos e os fenômenos na realidade estudada, descobrindo as características dos fenômenos tais como são (RICHARDSON, 1985), analisando os episódios ao longo do tempo, relacionando-os com seus antecedentes, ou outros eventos, para adquirirem forma e significado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa em um ambiente específico. Dessa maneira, a metodologia proposta opõe-se aos estudos que consideram os eventos de forma episódica e dissociados do contexto em que ocorrem, pois desenvolve um estudo longitudinal e histórico-biográfico da mudança (KIMBERLY, 1976; SALAMA, 1992).