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Chapitre II : Analyse comparative de la réalisation des ODD sélectionnés dans les

A. Algérie

A narrativa, no capítulo 2, centra-se na redação de um novo script de um filme erótico a ser produzido pela Magnífica Cinematográfica. Manolo encomenda o roteiro a Vicente, que obteve êxito na liberação do filme A devassa da estudante na censura. A partir daí o censor passa a exercer uma jornada tripla, na qual desempenha simultaneamente as funções de censor, de roteirista e ainda de marido exemplar no cotidiano familiar, funções essas que começam a se mesclar e sobrepor. O novo roteiro, escrito por Vicente, faz menção à relação extraconjugal que ele tivera com sua cunhada no passado. Dora e o irmão, Dario, planejam a realização de um assalto à Magnífica, visando o dinheiro obtido com os lucros do filme A

devassa da estudante.  Tematização

O capítulo 2 retoma os temas centrais da série, apresentando novas oposições temáticas: sensualismo vs recato, pornografia vs decência, licitude vs ilicitude, mentira vs

verdade, fidelidade vs infidelidade, honestidade vs desonestidade. Os temas relacionados à

ditadura e à censura são assim articulados com aqueles aliados à produção fílmica alternativa e ao relacionamento amoroso entre Vicente e Dora.

Esses eixos temáticos opositivos são conformados na narrativa a partir da atualização estratégica dos demais dispositivos discursivos e expressivos.

 Figurativização

As oposições temáticas destacadas são figurativizadas na narrativa a partir de dois pontos de vista, sobre os setores profissionais abordados na trama: de um lado, mais uma vez, a figura da censura, através dos censores e dos filmes censurados, apresentados recorrentemente em ambientes escuros e claustrofóbicos; e, de outro, a figura dos cineastas, com ênfase na informalidade do setor artístico do período, em suas reuniões e confraternizações em bares e contando com a presença de mulheres bonitas e sensuais.

 Actorialização

Os três protagonistas centrais – Vicente, o ex-contador, e atual censor e roteirista, Dora, atriz e Manolo, o produtor cinematográfico –, já apresentados em capítulo anterior, fazem parte desse segmento da trama, que dá destaque aos seus relacionamentos pessoais e profissionais com outros personagens.

Alguns dos atores coadjuvantes ganham maior destaque e aprofundamento, tais como: Ângela, a cunhada falecida, que atormentava e seduzia Vicente, enquanto era violentada pelo

padrasto, o Gen. Sotto; George Larsen, o proprietário intransigente da Magnífica

Cinematográfica, que não possui conhecimento a respeito da produção fílmica; Dario, o

irmão de Dora, preso por golpes financeiros, que já sai do cárcere planejando novos crimes; e Isabel, a mulher oprimida pela família e infeliz no casamento com Vicente.

A estratégia expressiva empregada na construção visual dos personagens mais uma vez recorrem a estereótipos na construção individual. No que concerne à caracterização dos atores, Ângela é representada como uma adolescente provocante cujo figurino escolar, maquiagem e penteado angelical contrapõem-se a sua sensualidade; Isabel, a esposa de Vicente, é configurada como uma dona de casa recatada, usando roupas longas e abotoadas, em cores frias; Dario, o irmão de Dora, é apresentado com trajes de andarilho, cabelos desgrenhados e óculos de grau, numa estética hippie.

Figura 22 – Flashback de memória de Vicente sobre a cunhada Ângela

Fonte: Printscreen HBO, gravação realizada pela autora.

 Temporalização

A narrativa do capítulo 2 opera com quatro temporalidades distintas: o tempo presente, ano de 1973, e o tempo do filme A devassa da estudante, apresentado em fragmentos no interior da trama; e o tempo passado, desenvolvido em dois momentos, sob a forma de

flashbacks de lembranças de Vicente, em 1968, através da representação de embates entre

militares e civis, quando o censor é preso por engano e, em data indefinida, representado pelas recordações do censor sobre Ângela, utilizadas como gatilhos para a redação do novo roteiro.

A estratégia expressiva utilizada para a diferenciação dessas temporalidades está ligada à diferença cromática entre as fotografias televisuais, oscilando entre colorida para o tempo presente, preto e branco para o tempo passado e envelhecida, com efeitos de película, para o tempo do filme.

Figura 23 – Cena do filme A devassa da estudante, produzido no interior da narrativa da série

Fonte: Printscreen HBO, gravação realizada pela autora.

Figura 24 – Flashback da memória de Vicente, de momento em que fora preso por militares

 Espacialização

A narrativa, ao convocar as diferentes temporalidades, recorre a distintos espaços para materializá-las. Alguns espaços se repetem, tais como: o espaço interno da Magnífica

Cinematográfica, o Departamento de Censura Federal e a casa de Vicente e Isabel.

Além desses, a trama movimenta-se entre outros três ambientes distintos:

Cenário 14: Sala de cinema, apresentada como um ambiente público, contendo cadeiras uma grande tela exibindo o filme A devassa da estudante.

Cenário 15: Bar na Rua do Triunfo, configurado como um espaço escuro, boêmio e popular, frequentado pelos personagens da produtora.

Cenário 16: Centro da cidade de São Paulo, apresentado por meio da visualização de ruas movimentadas, prédios e carros da década de 70, tais como Fuscas, Gordinis e Kombis.

A narrativa recorre a índices de verídicção na configuração estratégica desses cenários, com ênfase em objetos, figurinos, arquitetura e locações, que introduzem o telespectador no contexto espaço-temporal, da cena cultural alternativa da cidade de São Paulo, dos anos 1970.

Figura 25 – Cenário 16, ambiente urbano da cidade de São Paulo. Fonte: printscreen HBO, gravação realizada pela autora

 Tonalização

O capítulo 2 tem como foco principal a apresentação da vivência na produtora

Magnífica Cinematográfica, articulada às rotinas das filmagens e ao embate entre filmar e

exibir.

A combinatória tonal que perpassa a narrativa é presidida por um tom de dinamismo vs

mesmice, que alia, erotismo vs recatamento, e indagação vs resposta. Os valores relacionados

ao passado dos protagonistas, responsáveis pelos tons como violência vs tranquilidade e

angústia vs calma, vão caindo por terra a medida que as mazelas dos protagonistas começam

a ser desmascaradas.