por massas de feldspato rosa, compreendendo microcimio e albita, com nódulos centimétricos de pirita (SE II.6.4), nos quais ocorrem inclusões de ouro.
3.4 - MOBILIDADE DE ELEMENTOS
A seguir serão apresentados os resultados do estudo de mobilidade de elementos em rocha obtidos para pares representativos do hidrotermalismo atuante em Serrinha. Os valores de fator de volume obtidos para a alteração do Granito Matupá são próximos de 1 (tabela 3.2), o que representa transformação a volume constante.
A tabela 3.2 mostra as perdas e ganhos de cada elemento, em relação ao seu teor na rocha menos transformada. Para as amostras SE II. 1.2, SE II. 1.3 e SE II. 1.4, observa-se que alguns elementos que mostraram ser imóveis, considerando-se apenas as duas rochas extremas (par SE II. 1.2 - SE II. 1.4), foram móveis ao longo do processo.
3.4.1 - Elementos maiores
A análise de diagramas de perdas e ganhos de elementos maiores é imprescindível para uma melhor compreensão de processos hidrotermais, na medida em que as variações de concentrações dos elementos maiores refletem diretamente as reações mineralógicas ocorridas. Os diferentes tipos de transformação metassomática a que foi submetido o Granito Matupá, cloritização, sericitização, piritização, albitização, microclinização e carbonatação, foram evidenciados pelo estudo de mobilidade de elementos. Entretanto, tendo em vista a complexidade das transformações ocorridas, a interpretação dos diagramas de perdas e ganhos é por vezes difícil.
Pares SE П.1.2 - SE 11.13, SE 11.13 - SE II.1.4 e SE II.1.2 - SE II.1.4
Os diagramas de perdas e ganhos obtidos para as amostras da cata II. 1 revelam que houve pouca mobilidade de SiO2 e ТiO2 ao longo do processo de alteração do Granito Matupá
Capítulo III-Alteração hidrotermal 110
Figura 3.7- Diagrama de valores de perdas e ganhos de elementos para o par SE II 1.2 - SE II 1.3, calculados pelo método de Gresens (1967).
Figura 3.8 - Diagrama de valores de perdas e ganhos de elementos para o par SE II 1.3 - SE II 1.4, calculados pelo método de Gresens (1967).
A primeira fase da alteração (SE II.1.2 - SE II.1.3) resultou em aumento de A12O3 superior a 20%, menor na segunda fase (SE II. 1.3 - SE II. 1.4), quando o A12O3 foi praticamente imóvel. No processo global (par SE II. 1.2 - SE II. 1.4), o incremento em A12O3 foi de 16%.
MgO, MnO, FeO e Fe2O3 foram incorporados ao granito em grande quantidade durante o primeiro estágio de alteração, resultando na cloritização e sericitização observadas em SE II. 1.3 (tabela 3.2 e figura 3.7). Na passagem de SE II. 1.3 para SE II. 1.4, quando houve importante piritização e predomínio de cloritização sobre sericitização, continuou a haver significativo aporte de MgO, MnO e FeO (tabela 3.2 e figura 3.8).
Figura 3.9 - Diagrama de valores de perdas e ganhos de elementos para o par SE II 1.2 - SE II 1.4, calculados pelo método de Gresens (1967).
Capítulo III - Alteração hidrotermal 111
Figura 3.10 - Diagrama de valores de perdas e ganhos de elementos para o par SE II 4.4A - SE II 4.4D, calculados pelo método de Gresens (1967).
A diminuição de CaO e Na2O e o aumento de K2O na passagem do granito para a amostra SE II. 1.3 refletem a destruição do plagioelásio e expressiva sericitização. Na transformação de SE II. 1.3 para SE II. 1.4, o aumento de CaO pode relacionar-se à presença de epidoto associado às massas de clorita. A diminuição de K2O deve-se ao predomínio de clorita sobre sericita em SE II. 1.4. O aumento de K2O na primeira fase do processo seguido da diminuição resultou em comportamento de imobilidade aparente do K2O, ao serem considerados apenas os extremos inicial e final (par SE II. 1.2 - SE II. 1.4) (tabela 3.2 e figura 3.9). Em oposição ao comportamento do K2O, o P2O5 foi inicialmente retirado do sistema e posteriormente adicionado, fazendo com que o balanço final da alteração resultasse em comportamento praticamente imóvel para o P2O5 (figuras 3.7 a 3.9).
Par SEII.4.4A-SEII.4.4D
No diagrama de perdas e ganhos obtido para o par SE II.4.4A - SE II.4.4D, todos os elementos maiores apresentaram-se móveis, com exceção do Na2O. Houve diminuição de SiO2, A12O3, MnO, MgO, CaO, K2O e P2O5 (tabela 3.2 e figura 3.10). A desestabilização do plagioelásio primário relaciona-se ao decréscimo de CaO e a diminuição da sílica resultou na menor quantidade de quartzo em SE II.4.4D. A diminuição da quantidade de mica branca e da clorita formada a partir de biotita primária resultaram da saída de А12O3, MnO, MgO e K2O.
Apesar disto, o Na2O aumentou em relação à amostra SE II.4.4A, resultando na albitização da
rocha. O aumento em FeO, Fe2O3 e P.F. está diretamente ligado à piritização e oxidação do Granito Matupá, tendo em vista os valores de P.F. representarem em sua grande parte teores de S em rocha.
Capítulo III - Alteração hidrotermal 112
Figura 3.11 - Diagrama de valores de perdas e ganhos de elementos para o par SE II 6.2 - SE II.6.7, calculados pelo método de Gresens (1967).
Figura 3.12 - Diagrama de valores de perdas e ganhos de elementos para o par SE I 4.3.2 - SE 14.3.1, calculados pelo método de Gresens (1967).
Pares SE II.6.2 - SE II.6.1 e SE II.6.3 - SE II.6.1, SE П.6.1 - SE II.6.4 e SE IL6.3 - SE II.6.4
Na passagem de SE II.6.2 para SE II.6.1, SiO2, TiO2, A12O3, MnO e K2O foram
praticamente imóveis, enquanto Fe2O3, MgO e CaO foram adicionados ao sistema e Na2O retirado (figura 3.11). Houve aumento de P.F., refletindo o fato de SE II.6.1 ser mais rica em mica e pirita que SE II.6.2.
Considerando-se o par SE II.6.3 - SE II.6.1 (tabela 3.2), A1203, MgO, CaO e K20 ficaram praticamente imóveis; Na2O foi acrescido ao sistema em pequena quantidade, resultando em albitização da rocha inicial; SiO2, TiO2 foram adicionados ao sistema em menos de 30%; Fe2O3, FeO e MnO apresentaram elevada mobilidade, tendo Fe2O3 sido adicionado ao sistema e FeO e MnO dele retirado. Houve diminuição de P.F., refletindo a diminuição na quantidade de mica branca.
Os pares SE II.6.1 - SE II.6.4 e SE II.6.3 - SE II.6.4 têm padrões semelhantes de perdas e ganhos de elementos maiores, ressaltando o fato de SE II.6.4 ser muito enriquecida em pirita. Em ambos pares houve perda de SiO2, A12O3, MgO, CaO, K2O e P2O5 e aumento de Fe2O3, FeO, P.F. e Au. O pequeno ganho de Na2O no par SE II.6.3 - SE II.6.4 relaciona-se à albitização associada à piritização do granito, existentes em SEU 6.4. Os valores de P.F. correspondem quase totalmente aos teores de S em rocha (tabela 3.2).
Par SE 1.4.3,2-SE 1.4.3.1
A transformação de SE 1.4.3.2, um fácies de granito já hidrotermalizado, contendo calcita, para SE 1.4.3.1, pobre em calcita e rica em pirita, resultou no aumento de FeO, P.F. e Na2O e diminuição de CaO, MgO, K2O, refletindo a variação mineralógica ocorrida. SiO2 foi imóvel, enquanto houve pequeno decréscimo de А12O3 (tabela 3.2 e figura 3.12).
Capítulo III - Alteração hidrotermal 113
3.4.2 - Elementos menores
Th, Ta, Nb, Y, Hf e Zr
Em razão de o Zr ter sido escolhido como elemento imóvel durante a alteração do Granito Matupá, sempre que possível associado a outros elementos cujo comportamento esperado seria também de imobilidade, os diagramas de perdas e ganhos resultaram em Zr imóvel ou praticamente imóvel.
Considerando-se os pares SE II. 1.2 - SE II. 1.3, SE II. 1.3 - SE II. 1.4 e SE II. 1.2 - SE II.1.4, o Nb foi praticamente imóvel na primeira etapa da alteração hidrotermal (- 4%), enquanto o Hf foi retirado do sistema (- 22%). Ambos elementos foram incorporados à amostra SE II. 1.4, considerando-se o par SE II. 1.3 - SE II. 1.4 (24% e 49%, respectivamente), mas tiveram um comportamento de quase imobilidade, ao ser considerado apenas o par SE II. 1.2 - SE II. 1.4. Ta e Th foram retirados em pequena quantidade durante a passagem do Granito Matupá para o fácies rico em sericita, respectivamente -14 e -22%, e adicionados em grande quantidade no estágio final da alteração, resultando em um padrão final de ganho de Ta e Th. O Y foi retirado do Granito Matupá na primeira etapa de sua alteração na cata II. 1 e posteriormente incorparado. Analisando-se apenas os dois extremos, o balanço de massa foi de perda de 20% de Y (tabela 3.2 e figuras 3.7 a 3.9).
Na transformação de SE II.4.4A para SE II.4.4D, admitindo-se o Zr como elemento menos móvel, os demais elementos comportaram-se de maneira móvel, havendo ganho de Ta e Hf e perda de Y e Th (tabela 3.2 e figura 3.10). Para o par SE II.6.2 - SE II.6.1, houve quase imobilidade de Zr e Th. Hf, Ta e Nb foram adicionados ao sistema e o Y dele retirado (tabela 3.2 e figura 3.11). Considerando-se o par SE II.6.3 - SE II.6.1 (tabela 3.2), Ta, Nb, Hf e Zr foram praticamente imóveis, enquanto Th e Y saíram do sistema. Houve perda de Y para o par SE II.6.3 - SE II.6.4 e um pequeno ganho para o par SE II.6.1 - SE II.6.4 (tabela 3.2).
Zn, Rb, Ba e Sr
Os elementos Zn, Rb, Ba e Sr apresentaram mobilidade nos diversos tipos de alteração hidrotermal existentes em Serrinha.
No metassomatismo do Granito Matupá na cata II.1, houve incremento em Zn na primeira fase de alteração, o que reflete a presença de esfalerita na amostra SE II. 1.3 e Zn na
Capitulo III- Alteração hidrotermal 114