Atualmente, a bovinocultura de leite enfrenta uma forte competição, por isso, se exige do produtor rural uma melhor adequação ao mercado, em termos de preço, qualidade do produto, assim como no uso da mão-de-obra e da terra. Em virtude da complexidade desses aspectos, a atividade leiteira acaba se tornando de fundamental importância. Todos os fatores que determinam a produção mais rentável, como o gerenciamento de todo o processo produtivo, o uso intensivo da área para a produção, a eficiência reprodutiva, e a adequação do genótipo ao ambiente, são questões cruciais que devem ser analisadas para o sucesso desta atividade (CARNEIRO et al., 2010).
Assim, principal característica de uma vaca leiteira é a produção de leite. Por isso, é essencial para um gestor rural ficar atento nos fatores ligados a está produção, sendo eles:
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Conhecer a produção de cada vaca durante sua vida útil; Selecionar os animais de maior produção e descartar com segurança os piores animais do rebanho; Promover a secagem das vacas 60 dias antes do parto ou por baixa produção, segundo os critérios estipulados para o rebanho; Selecionar as filhas das melhores vacas para permanecerem no rebanho, promovendo o melhoramento genético dos animais; Conhecer quais são realmente as melhores vacas do rebanho, ou seja, aquelas que apresentam longo período de lactação e elevada persistência de produção; Verificar ao longo de um determinado período de tempo a evolução da produtividade do rebanho; Agregar valor ao rebanho, comercializando os tourinhos, filhos das melhores vacas (CARNEIRO JUNIOR; ANDRADE, 2008, p.1).
Além disso, a Embrapa (2005) destaca a importância das etapas do processo de produção de leite, pois para obter um leite saudável é necessário desenvolve-las de maneira correta. De acordo com a Embrapa (2005) as etapas do processo produtivo leiteiro, são:
- Aquisição e recebimento de insumos: é neste momento que o gestor faz o controle dos insumos adquiridos. Os insumos são os alimentos, rações, desinfetantes, medicamentos veterinários e outros produtos utilizados na produção leiteira (EMBRAPA, 2005).
- Manejo alimentar: consiste em realizar o manejo de pastagens e forragens. Nesta etapa se aplica os inseticidas, herbicidas e outros produtos químicos nas pastagens, ou seja, são produtos utilizados para controle de pragas e doenças (EMBRAPA, 2005).
- Ensilagem: é uma forma de conservação de forragem por fermentação sem a presença de ar, onde o produto obtido é chamado de silagem (EMBRAPA, 2005).
- Armazenamento dos alimentos: consiste em armazenar todos os alimentos do rebanho leiteiro, pois os alimentos precisam estar protegidos de contaminações, as quais podem ocorrer devido à presença de umidade, de diferentes animais e de produtos químicos. Esta etapa é muito importante, pois se o rebanho consumir alimentos contaminados, o leite ordenhado poderá conter resíduos que podem afetar a saúde do consumidor (EMBRAPA, 2005).
- Manejo sanitário: refere-se aos cuidados sanitários com o rebanho leiteiro, através da aplicação de antibióticos, carrapaticidas, vermífugos, entre outros produtos. O manejo sanitário realizado de forma correta evita perigos à saúde do ser humano, além de garantir a saúde e produtividade do rebanho (EMBRAPA, 2005).
- Ordenha: é onde se identifica e separa o leite próprio para consumo do leite que deverá ser descartado. Nesta etapa os animais que estão em tratamento veterinário e os animais com mastite clínica são separados das outras matrizes leiteiras. Assim, antes de iniciar a ordenha das matrizes, se realiza o teste CMT (California Mastitis Test) que deve ser realizado, periodicamente, em todas as matrizes que estão em lactação, para identificar as vacas ou as tetas com mastite clínica. Ele permite a identificação imediata da doença. Nesta
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condição, o leite encontra-se alterado, com grumos ou com pus, não servindo para consumo. A vaca que foi detectada com a doença é separada dos demais rebanhos, e fica em tratamento para cura da doença (EMBRAPA, 2005).
- Refrigeração e estocagem do leite: após a ordenha, o leite é encaminhado para o refrigerador, onde é armazenamento na temperatura adequada. A refrigeração em tanque de imersão: é utilizado para o leite obtido na segunda ordenha. Ele deve ser armazenado até no máximo três horas após o término da ordenha. O leite deve estar à temperatura igual ou inferior a 7 °C. E a refrigeração em tanque de expansão: a temperatura do leite deverá ser igual ou inferior a 4 °C até, no máximo, três horas após o término da ordenha (EMBRAPA, 2005).
- Higiene das instalações e equipamentos: a limpeza das instalações, dos equipamentos e dos utensílios de ordenha deve ser realizada logo após a ordenha, para que não haja contaminação do leite com microrganismos do ambiente. A saúde e os hábitos higiênicos dos produtores são prioritários para obtenção de um leite com qualidade, e devem ser observados diariamente (EMBRAPA, 2005).
- Transporte: o transporte é a última etapa para que o leite chegue à indústria de processamento. Então após o manejo e refrigeração, o leite é encaminhado para as indústrias responsáveis (EMBRAPA, 2005).
Ainda, Verza (2012) complementa que para que o processo produtivo leiteiro seja eficaz o gestor rural precisa planejar os alimentos das vacas suficientes para o ano todo, para que assim se evita que a produção e a composição do leite sejam prejudicadas em algumas épocas do ano. Outro aspecto importante para a produção de leite é as instalações, elas devem estar bem alinhadas e organizadas, pois facilita o manuseio com os animais e diminui os riscos de contaminação de doenças na produção e nas pessoas.
Para Verza (2012, p. 36) as finalidades das instalações em um processo produtivo leiteiro são “ordenha adequada, o armazenamento, a contenção dos animais, os tratamentos sanitários, a proteção dos animais contra ação de fatores climáticos, sempre procurando a simplificação na escolha do sistema para que haja facilidade na execução das operações e no manejo”. Ainda, o autor conclui que os recursos disponíveis, a quantidade de produção e o tamanho do negócio são elementos que muitas vezes limitam o desenvolvimento de outro sistema de produção.
Carneiro et al. (2010) também apresentam alguns fatores que estão envolvidos com o processo produtivo leiteiro, sendo eles, o monitoramento do rebanho, que é realizado através do controle reprodutivo, este controle começa com a escrituração zootécnica baseada num
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eficiente sistema de identificação individual dos animais do plantel; também deve-se realizar os exames reprodutivos, estes permitem selecionar os animais que estão aptos à reprodução; outro fator, se refere aos exames sanitários, é necessário avaliar a saúde geral de todo o rebanho, assim como as doenças reprodutivas específicas que podem efetivamente comprometer a gestação, pois as vacas produtoras de leite que apresentarem alguma doença, devem ser descartadas ou ser tratadas separadamente do rebanho, para que não prejudique toda a produção.
É importante avaliar a condição corporal do animal, que consiste em monitorar o estado nutricional das vacas, este é um dos fatores mais importante que deve ser analisado nas vacas leiteiras; o manejo alimentar também deve ser analisado, pois os animais devem ter uma nutrição adequada; e, por fim, o manejo ambiental, que trata do conforto animal, este fator interfere não só na produção de leite, mas também na reprodução. O autor, ainda, reforça que para obter bons retornos nesta atividade é indispensável gerenciar todo o processo produtivo leiteiro (CARNEIRO et al., 2010).
Em concordância, Schmitt et al. (2016) expõe que para obter um processo produtivo eficiente na atividade leiteira é necessário focar em alguns aspectos como: controle e planejamento pecuário; medidas preventivas ao invés de corretivas; criação de vacas que são boas reprodutoras; melhoramento genético; ter atenção com a saúde do animal, cuidados com doenças, enfermidades dos animais, controle dos riscos em toda a cadeia alimentar, garantindo a oferta de alimentos com qualidade e o bem estar do animal; tecnologia apropriada à atividade e nutrição animal adequada. Isso exige do gestor que se tenha um controle contínuo, uma vez que a cada ciclo de produção as atividades administrativas são diferentes, pois surgem novas doenças, novos tratamentos e novos métodos, para prevenção de doenças, além dos aspectos climáticos que em alguns casos são iguais de um ciclo para o outro (SCHMITT et al., 2016).
Todos esses fatores interferem no desenvolvimento da atividade leiteira. Por isso, os produtores de leite precisam buscar sempre melhorar o processo produtivo, e com isso, há a necessidade em investimentos na alimentação do animal, e investir sempre em cuidados com o bem estar do animal.