Analisando a economia regional percebe-se que ela possui uma ampla abordagem para fenômenos espaciais que incluem geografia, planejamento, arquitetura, ciência política e assim por diante. É evidente que nesse contexto as questões ambientais encontram um nicho natural (NIJKAMP, 1999). Como apresentado na seção anterior a atividade humana concentrada – firmas e famílias – tem efeitos severos sobre a qualidade do meio ambiente. É preciso ter atenção, em conformidade com o defendido por Mueller
(2007), que o sistema econômico não deve ser visto como um sistema fechado em que o meio ambiente é uma variável exógena, mas sim como um sistema integrado no qual há trocas constantes entre o meio ambiente e as atividades econômicas. E, por isso, torna-se fundamental a incorporação da variável ambiental à analise econômica do espaço.
A preocupação das teorias locacionais é identificar a localização ótima para a atividade econômica considerando custos e bem estar. Dessa forma, há a tentativa de igualar custos sociais e privados com a adoção de mecanismos de internalização de externalidades (NIJKAMP, 1999). Pode-se afirmar que o reconhecimento da questão ambiental na economia locacional e urbana está presente em (i) princípio do poluidor pagador (MARKUSEN, 1999 ); (ii) internalização dos custos ambientais nos preços dos imóveis - preços hedônicos-(MEYER, 1999); e (iii) adoção de sistemas de pedágios urbanos (BANISTER, 1999), entre outros.
Avaliando o exposto anteriormente sobre as economias e deseconomias de aglomeração é possível perceber as conexões analíticas entre os fenômenos espaciais e ambientais. Tais relações podem ser feitas diretamente com a natureza e os recursos naturais, mas também pode se mostrar mais complexa com interações estruturas com efeitos no tempo e no espaço. A relação entre economias de aglomeração e meio ambiente é determinada basicamente por um fato: ambas tem como palco o espaço.
A natureza das interações depende tanto do ecossistema quanto das ações humanas e das políticas espaço- ambientais. É fato que políticas ambientais têm efeito direto sobre o desenvolvimento urbano e regional, enquanto as políticas de desenvolvimento tem efeito imediato sobre a qualidade ambiental (NIJKAMP, 1999). Nijkamp (1999) afirma que espaço e meio ambiente são como gêmeos e o que ocorre em um afeta o outro. A relação mais perceptível entre meio ambiente e espaço são as externalidades – encargos não precificados – que são transmitidas do meio ambiente para o espaço. De fato, pode-se afirmar que as externalidades são a materialização de spillovers espaciais. Esses spillovers podem se manifestar na forma de poluição do ar, da água e do solo. Por outro lado, todas as atividades relacionadas com o espaço – habitação, transporte, desenvolvimento industrial etc – estão conectadas com as mudanças ambientais.
Considerando o apresentado até este ponto, Kijkamp (1999) apresenta algumas observações sobre as relações diretas entre meio ambiente e espaço geográfico:
i. O espaço é o mercado físico das externalidades ambientais. A relação é válida tanto para questões locais – poluição do solo – quanto para globais – efeito estufa;
ii. O espaço é naturalmente heterogêneo, assim as externalidades ambientais e seus impactos sobre a ocupação são, também, distribuídos de forma irregular; e
iii. Espaço e meio ambiente são recursos escassos. O uso de um implica no consumo do outros [bens complementares] de forma que a preservação de um exige a boa gestão do outro.
Um dos maiores problemas encontrados na junção entre a economia espacial e a ambiental é o caráter de não precificação das externalidades. Na verdade, segundo BELLIA (1996), este é o grande problema das análises ambientais: grande parte do problema nessa área [ambiental] é que não estamos acostumados a
Uma questão bastante interessante e debatida anteriormente sobre os benefícios das aglomerações é a questão da indivisibilidade. Neste sentido, serviços públicos só seriam viáveis em cidades dado seu elevado custo de manutenção. Para BELLIA (1996) os serviços ambientais podem ser entendidos nessa mesma análise. Porém, diferentemente dos demais serviços públicos o meio ambiente é um bem de luxo – demandado conforme o aumento da renda – e seu pagamento é feito por toda a sociedade.
“(...) os bens ambientais tem preço e só podem ser adquiridos coletivamente, resta saber a quem caberá o ônus e o bônus da proteção ambiental (...). Neste sentido, Turow (op.cit.) afirma que temos que compartilhar um ambiente comum com um conjunto de custos também comum, as despesas com o ambiente inevitavelmente terminam elevando a renda real de classes de renda que tem o ambiente limpo como item prioritários em sua agenda de aquisições [ mais ricos] , e reduzem a renda real daqueles que tem que ajudar a pagar por um meio sadio mas que ao qual não atribuem grande valor [ mais pobres](...).”
BELLIA, 1996, p.40
Desta forma, podemos concluir que o fornecimento e a manutenção do meio ambiente estão, diretamente, relacionados com a escala de aglomeração e, assim, com o espaço que ocupa. A questão é a precificação e a distribuição dos direitos de propriedade.
No que se refere aos estudos recentes sobre o meio ambiente e economia, o que é observado é que a muitos tem por objetivo valorar o meio ambiente (para métodos de valoração ver JOHASEN, 1995; HANLEY e SPASH, 1993; MOTTA, 1997; NOGUEIRA, MEDEIROS e ARRUDA, 1998). Apesar de muitos dos estudos de valoração ambiental desconsiderarem a questão espacial – o que é um erra dado que as relações ocorrem em um local específico – Nijkamp (1999) afirma que tais estudos são o desenvolvimento da análise de políticas públicas vez que procedem uma análise custo-benefício.
Apesar dos avanços e das tentativas de se fazer um link consistente entre espaço e meio ambiente as duas óticas são, ainda, trabalhadas de formas distintas na maioria dos casos. Muito se fala sobre sustentabilidade, mas é necessário compreender que sustentabilidade urbana não é apenas fazer cidades mais eficientes em termos do uso de seus recursos naturais, mas sim cidades com maior custo-benefício. O objetivo é prover qualidade de vida oferecendo habitação confortável, oportunidades de emprego, vasta gama de serviços públicos, alta qualidade de meio ambiente, além de segurança (BANISTER, 1999).