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Os cuidados de saúde primários são uma das vertentes onde a presença do FH se tem revelado cada vez mais importante e onde, futuramente, este profissional poderá exercer a sua profissão de forma ainda mais próxima do utente.

Os SFH do HSMG abrangem atualmente cerca de 14 Centros de Saúde (CS). Durante a permanência neste setor, tive a oportunidade de acompanhar algumas das tarefas executadas por parte da Farmacêutica responsável por esta área. Os CS seguem uma RSN, sendo os níveis dos medicamentos, dispositivos médicos e suplementos nutricionais atualizados duas a três vezes por ano. Este ajuste é da competência dos SFH que, baseando-se em análises de consumo, ajustam o stock dos CS para os níveis que julgam mais pertinentes. Os pedidos efetuados por determinado CS chegam aos SFH através do programa Alert®, sendo que os pedidos excecionais ou de caráter urgente podem ser formalizados via telefone ou e-mail. Após verificar a solicitação, tendo em conta o tipo de pedido, o número de unidades entre outros tópicos, a Farmacêutica valida-a e a informação é encaminhada para o corpo técnico que se encarrega da sua preparação, com posterior conferência da mesma. No que toca ao transporte, o mesmo encontra-se pré-estabelecido, sendo que semanalmente é distribuída a medicação a dois CS distintos, consoante a proximidade dos mesmos (Anexo 2.23). É gerada uma guia de transporte de medicamentos para os CS e devem ser preenchidos campos como hora de entrada do transportador e hora de saída do mesmo.

Embora um dos objetivos dos SFH fosse a execução de visitas de rotina aos CS, as mesmas ainda não ocorriam aquando do meu estágio. Contudo, pretendia-se a sua implementação para breve, por forma a estabelecer relações com as equipas de enfermagem, acompanhando e orientando os profissionais de saúde nas questões relacionadas com o armazenamento dos diversos produtos farmacêuticos, salientando-lhes a necessidade de verificar a temperatura à qual se encontram, elucidando-os sobre os gastos associados ao medicamento e incentivando-os a adquirir uma política de racionalização dos recursos.

Relativamente à medicação dispensada aos CS pelos SFH do HSMG enumeram-se os soros, desinfetantes, dispositivos médicos e medicamentos no âmbito do planeamento familiar, medicação geral, vacinas e material de penso. Alguns dispositivos seguem uma vertente específica devido ao seu valor económico associado, como é o exemplo dos anéis vaginais, que necessitam de uma justificação clínica e posterior validação por parte do diretor clínico. Apenas mediante aceitação deste último é que se valida e envia o pedido ao CS. O HSMG, através dos SFH, procede ainda ao envio de suplementação entérica para determinados doentes, entre os quais espessantes alimentares, pudins e bebidas. Porém, o fornecimento destes produtos aos CS para dispensa em ambulatório e dispensa para serviços domiciliários apenas ocorre aquando da presença de três documentos obrigatórios: relatório clínico, relação de avaliação nutricional e relatório da assistente social a referir insuficiência económica.

5.1 Vacinação

Segundo a DGS, “As vacinas são produtos imunobiológicos constituídos por microrganismos, partes destes ou produtos derivados, que depois de inoculados no indivíduo saudável produzem uma resposta similar à da infeção natural induzindo imunidade sem risco para o vacinado” (20). Desta forma, sendo preparações com caráter essencialmente preventivo (21), as vacinas são um dos produtos mais enviados para os CS, segundo uma RSN, embora de uma forma ligeiramente distinta da restante medicação. O nível definido com o CS é mensalmente revisto e comparado com o número de inoculações que se sucederam através da consulta online do Sistema de Informação Nacional dos Cuidados de Saúde Primários (SINUS). Por diferença entre o stock inicialmente estipulado e as inoculações ocorridas é calculado o número de vacinas a ser enviado com a restante medicação em cada mês. Os SFH do HSMG só contemplam no seu stock as vacinas que constam do Plano Nacional de Vacinação 2017 (22), recentemente atualizado.

Na farmácia do HSMG a gestão das vacinas é efetuada por outra Farmacêutica que não a que se encontra responsável pela medicação convencional a ser enviada aos CS.

6. Farmacovigilância

A Farmacovigilância é uma atividade de inquestionável valor na área da Farmácia Hospitalar, sendo definida como o processo relacionado com a deteção, avaliação, compreensão e prevenção de efeitos adversos ou qualquer outro problema relacionado com o medicamento, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) (23). Atualmente, o Sistema

Nacional de Farmacovigilância (SNF) é constituído pelo Infarmed e por oito Unidades Regionais de Farmacovigilância (URF) (24). Compete a todos os profissionais de saúde, e até ao próprio utente, zelar pelo bom uso do medicamento e reportar qualquer acontecimento que possa ter sido despoletado pela medicação. Sendo o Farmacêutico o profissional mais habilitado e com conhecimento específico na área do medicamento, cabe-lhe ficar alerta de todas as situações que possam querer indicar uma reação adversa.

Embora não tenha participado em nenhuma notificação de Reação Adversa ao Medicamento (RAM) durante o período de estágio, foi-me entregue, por uma Farmacêutica, um caso clínico real relacionado com esta temática, cujo objetivo era perceber qual o fármaco que tinha sido responsável por desencadear determinada reação, e que informação seria útil fornecer ao doente naquele contexto. Além disso, preenchi a Folha de Notificação de Reações Adversas a Medicamentos para profissionais de saúde (Anexo 2.24 e Anexo 2.25) tendo por base a minha interpretação do caso clínico, com o objetivo de me familiarizar com o sistema de notificação em formato de papel, embora as mesmas possam ser efetuadas diretamente no Portal RAM (25), quer por profissionais de saúde, quer pelos próprios doentes.