A.3 Interface du m´ecanisme d’exportation de tˆaches
5.5 Verrous `a grain fin prot´egeant l’acc`es `a la biblioth`eque de communication. Les zones
Nas comunidades ribeirinhas de Lages, Paituna e Santana, a economia está assentada sobre atividades agrícolas, pecuárias e, notadamente, sobre a pesca. A unidade produtiva básica é o grupo de parentes (família) que reside em uma mesma casa, sendo esta também a unidade de consumo dos bens produzidos (agrícolas, pesqueiros, criatórios) e dos bens comprados (mercadorias). O tamanho médio dos grupos domésticos visitados é de 4,35 pessoas por família.
Na composição da renda monetária doméstica, a maior contribuição vem da pesca: 70,2% dos entrevistados afirmaram que a atividade pesqueira é a principal fonte de renda da família. A pesca é uma atividade relevante tanto para a subsistência como para o comércio. Os peixes constituem o componente mais importante da alimentação das famílias da região.
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94 Do total dos entrevistados, apenas três declaram nunca pescar. Somente um entrevistado afirmou pescar esporadicamente. Os demais (89,2%) pescam pelo menos dois dias por semana (ver tabela 9).
Tabela 11. Número de vezes que o entrevistado pesca por semana
Frequência % Nunca Pesca 3 8,1 Pesca Esporádica 1 2,7 Até 1 dia 0 0 De 2 a 3 dias 6 16,2 4 dias ou mais 27 73 Total 37 100
Fonte: Pesquisa de Campo – Izabel Ibiapina (2011)
Os materiais para pesca mais utilizados pelos moradores são: malhadeira, caniço, tarrafa, arpão e anzol. Os principais peixes encontrados nos lagos e rios próximos às comunidades são: Tucunaré, Tambaqui, Pirarucu, Surubim, Acari, Aracu, Cujuba, Traíra, Aruanã, Curimatá, Dourada e Pacu.
Como foi dito anteriormente, as terras de várzea são consideradas de alta qualidade para plantios, desde que de ciclo curto. Milho, melancia, feijão, jerimum, maxixe, entre outros, são os cultivos preferenciais. O binômio várzea/terra firme pode ser adicionado a esta equação de manejo agrícola quando o morador possui terrenos em ambos os ambientes. Neste caso, a terra firme é utilizada para os plantios de ciclo longo, em espacial a mandioca e plantios perenes, como árvores frutíferas (PANTOJA, 2005).
Nas comunidades estudadas, a agricultura está direcionada principalmente para a subsistência, exceto o feijão que é vendido por algumas poucas famílias na cidade de Monte Alegre. No período de chuva, os moradores de Lages, Paituna e Santana plantam principalmente mandioca, arroz, feijão e milho. A mandioca é um dos produtos mais plantados: 46% dos entrevistados a cultivam. A mandioca, principal fonte de carboidrato dos ribeirinhos, é utilizada para fazer farinha, tucupi, tapioca e goma (ver tabela 10).
Tabela 12. Variedades de plantios (tipos de cultivos - entrevistados) Plantio de milho/arroz Plantio de feijão Plantio de mandioca Plantio de hortaliças Plantio de frutíferas Sim 10 4 17 20 34 Não 27 32 20 15 3 NS/NR 0 1 0 2 0 Total 37 37 37 37 37
95 Os moradores destinam seus terrenos para a agricultura ou para a pecuária ou combinam as duas atividades no mesmo espaço. As áreas cultivadas devem ser cercadas para evitar destruições causadas pelo gado que circula livremente entre os estabelecimentos rurais. Mesmo moradores que apenas plantam e não criam, ou mantém criações em outros terrenos, podem ter problemas com gado invadindo seus roçados. Esta é uma fonte constante de conflitos entre vizinhos.
O manejo do gado e das pastagens obedece ao ciclo das águas: o transporte de gado entre áreas de terra firme e de várzea é comum entre os ribeirinhos. Na estação seca, os terrenos de várzea, que permaneceram submersos no período chuvoso, se enchem de capim. Assim, aproveitando-se da fertilidade dos campos naturais, os criadores de gado deslocam suas reses para a várzea. Já na estação chuvosa, os moradores costumam levar seus rebanhos para áreas de terra firme.
A presença do gado branco (de corte) nas comunidades é significativa: 54% dos entrevistados criam bovinos. Porém, trata-se de pequena criação de gado: 6,2 cabeças por família. Em geral, o gado representa uma forma de poupança para os moradores das comunidades visitadas. O rebanho é fruto de investimentos feitos a partir dos rendimentos obtidos com a pesca ou a agricultura. Boa parte das famílias visitadas também criam galinhas, porcos e patos, como demonstra a tabela 11. Essas criações são utilizadas principalmente para alimentação das famílias. No entanto, pequena parte é vendida.
Tabela 13. Criação de animais – entrevistados Criação de bovinos Criação de galinhas Criação de porcos Criação de patos Sim 20 35 16 12 Não 17 2 21 25 Total 37 37 37 37
Fonte: Pesquisa de Campo – Izabel Ibiapina (2011).
Por fim, deve-se destacar que 97,3% dos entrevistados possuem fontes de renda externas à propriedade, tais como aposentadorias e pensões, bolsa família, seguro defeso, prestação de serviço no campo, prestação de serviço na cidade e prestação de serviço para o Estado ou município (ver tabela 12). Este dado realça a importância dos programas de transferências de renda, como o Programa Bolsa Família, para a composição da renda familiar dos ribeirinhos de Lages, Paituna e Santana.
96 Tabela 14. Fonte de renda externa à propriedade – entrevistados
Frequência % Pensão ou aposentadoria 9 24,3 Prestação de serviço no campo 10 27 Prestação de serviço na cidade 1 2,7 Funcionário do estado ou município 1 2,7 Seguro Defeso 26 70,3 Bolsa Família 19 51,4
Fonte: Pesquisa de Campo – Izabel Ibiapina (2011).
Este capítulo apresentou características socioeconômicas do município e das comunidades visitadas. Buscou-se demonstrar a dependência dos entrevistados em relação ao meio físico. Este é utilizado para a produção de gêneros alimentícios, como mandioca, feijão, arroz e milho, bem como para a criação de animais, como bovinos, patos, galinhas etc. Observou-se também que moradores dependem dos recursos pesqueiros existentes nas proximidades do PEMA. Essas informações são importantes para a compreensão dos conflitos gerados pela criação do Parque. No capítulo 4, será demonstrado que as restrições impostas pela SEMA (PA) ao uso dos recursos é um dos motivos para os embates provocados pela UC.
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