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Monte Alegre é o terceiro município do estado Pará em número de sítios arqueológicos com arte rupestre. Até o momento, estão cadastrados 26 sítios arqueológicos em Monte Alegre. Deste total, 15 estão dentro dos limites do Parque Estadual de Monte Alegre (PEMA). Todos os sítios localizados no interior PEMA apresentam pinturas rupestres (BRASIL, 2009). Os sítios e sua localização são apresentados na tabela 2:

Tabela 2. Sítios arqueológicos do Parque Estadual Monte Alegre (PA)

Nome do sítio Localização

Serra da Lua Serra do Ererê

Serra do Sol Serra do Ererê

Pedra do Mirante Serra do Ererê

Gruta de Itatupaoca Serra do Ererê

Gruta do Pilão Serra do Paituna

Painel do Pilão Serra do Paituna

Gruta 15 de Março Serra do Paituna

Abrigo da Coruja Serra do Paituna

Pedra do Pilão Serra do Paituna

Gruta da Baixa Fria I Serra do Paituna Gruta da Baixa Fria II Serra do Paituna

Abrigo do Irapuá Serra do Paituna

Painel da Baixa Fria Serra do Paituna

Caverna do Diabo Serra do Bode

Pedra do Navio Serra do Paituna

Fonte: PEREIRA (2003).

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52 Apesar de as pinturas rupestres serem o vestígio arqueológico mais conhecido de Monte Alegre, outros tipos de materiais arqueológicos, como cerâmicas e artefatos em pedra, também ocorrem na região, mas poucas pessoas têm conhecimento e nunca foram datados. As cerâmicas encontradas no município foram caracterizadas como Cultura Santarém presente em toda a região do Baixo Amazonas.

As características estilísticas das pinturas rupestres de Monte Alegre não encontram paralelo no restante do Brasil. A arte rupestre encontrada no município é a única que utiliza determinadas formas da rocha, tais como orifícios, arestas ou protuberâncias, para compor as figuras ou dar volume a elas. Nas pinturas rupestres da região, foram identificados cinco temas: antropomorfos, mãos, zoomorfos, biomorfos e grafismos puros (BRASIL, 2009) (ver figura 10).

Figura 10. Pinturas rupestres - PEMA (PA) Autora: Izabel Ibiapina.

53 Os sítios arqueológicos de Monte Alegre foram visitados nos século XIX e XX por naturalistas, viajantes, geólogos e espeleólogos (WALLACE, 1979; HARTT, 1895; KATZER, 1933; RAUSCHERT, 1956). O primeiro registro das pinturas rupestres da região foi feito pelo naturalista inglês Alfred Wallace que, em 1845, percorreu a região e descreveu as figuras encontradas:

[No] alto penhasco [...] havia algumas das inscrições que eu há muito desejava ver. Elas foram executadas com tinta vermelha, em traços que pareciam feitos esfregando-se pedaços de outra rocha, que em alguns lugares tem aquela cor. Tais desenhos [...] não estavam em forma alguma estragados pelas intempéries. Ninguém sabia coisa alguma a respeito da antiguidade deles. Consistiam em representações de várias figuras, rudemente traçadas; algumas representavam animais, como jacarés e pássaros; outras, coisas semelhantes a utensílios domésticos; e outras, círculos e demais figuras geométricas; havia ainda algumas de formas as mais complicadas e fantásticas (WALLACE, 1979, p. 196).

Além de Wallace, o geólogo canadense Charles Frederick Hartt contribuiu significativamente aos estudos pioneiros sobre geologia e arqueologia na Amazônia. Durante sua viagem ao Baixo Amazonas, conhecida como Expedição Morgan, em 1870, Hartt fez uma minuciosa descrição das pinturas rupestres de Monte Alegre, discorrendo sobre as formas e as dimensões das figuras, seu estado de conservação, a técnica de execução e a matéria-prima utilizada para a confecção. No trabalho desenvolvido por Hartt (1895) foram publicados, pela primeira vez, os desenhos das figuras da região (PEREIRA, 1992).

Em 1933, o geólogo Frederich Katzer publicou na obra Geologia do Estado do Pará (1933) descrições de aspectos geológicos do Baixo Amazonas e informações a respeito das pinturas rupestres de Monte Alegre. Segundo Katzer, ao norte da Serra do Ererê, há “um grande bloco isolado de arenito, com a superfície lisa, [...] o qual está [...] cheio de inscrições e desenhos indígenas”. Nesse mesmo local, Katzer encontrou uma ossada humana. A descoberta o induziu a concluir que o local representava, segundo suas próprias palavras, “um monumento sepulchral” no qual deveriam estar enterrados chefes indígenas (KATZER, 1933, p. 115).

Apesar das relevantes informações levantadas pelos viajantes acima descritos, apenas no início da década de 1980, os sítios arqueológicos de Monte Alegre começaram a ser estudados de forma sistemática e científica. Em 1984, o Grupo Espeleológico do Pará (GEP) iniciou um projeto no município com objetivo de registrar e explorar as cavernas da região. Os resultados da pesquisa foram publicados em Roteiro Espeleológico da Serra do

54 GEP registrou a existência de seis sítios arqueológicos com pinturas rupestres e apresentou um mapa com a localização dos sítios e algumas fotos das pinturas.

Em 1986, o arqueólogo uruguaio Mário Consens visitou Monte Alegre e cadastrou os seis sítios anteriormente registrados pelo GEP. Assim, os sítios Pedra do Mirante, Serra da Lua, Gruta de Itatupaoca, Painel do Pilão, Gruta do Pilão e Gruta do Diabo foram cadastrados segundo critérios de registro para sítios arqueológicos localizados na Amazônia Legal brasileira (SIMÕES & COSTA, 1978). Ademais, Consens fez considerações sobre o estado de conservação das pinturas e levantou hipóteses sobre a cronologia dos sítios (CONSENS, 1988; CONSENS, 1989).

As pinturas rupestres de Monte Alegre voltaram a ser tema de estudo na década de 1990. Oito novos sítios no município foram identificados pela arqueóloga do Museu Paraense Emílio Goeldi, Edithe Pereira. No total, Pereira (2003) analisou e classificou as pinturas rupestres de catorze13 sítios arqueológicos localizados no interior do PEMA. Contudo, os poucos recursos financeiros para a pesquisa limitaram o trabalho da arqueóloga que não pode realizar escavações e detectar datações dos sítios arqueológicos (CARVALHO, 2010).

Nos anos 1991 e 1992, a arqueóloga americana Anna Roosevelt entrou no cenário montealegrense. Escavações realizadas por Roosevelt na Gruta do Pilão (ou Gruta da Pedra Pintada) apontaram uma ocupação humana na região datada de 9.800 A.P. a 11.200 A.P.14, período que corresponde ao Paleoíndio (ROOSEVELT et al., 1996). Os resultados da pesquisa permitiram estabelecer uma relação entre a ocupação humana e as pinturas rupestres. Esta relação foi realizada por meio da semelhança entre a composição química dos pigmentos encontrados nos níveis mais antigos da escavação com os das pinturas situadas nas paredes (BRASIL, 2009).