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Esta pesquisa contou, em sua metodologia, com a realização de um trabalho de campo, que segundo Minayo:

[…] permite a aproximação do pesquisador da realidade sobre a qual formulou uma pergunta, mas também estabelece uma interação com os ‘atores’ que conformam a realidade e, assim, constrói um conhecimento empírico importantíssimo para quem faz a pesquisa social (MINAYO, 2007, p.61).

A autora esclarece que a riqueza dessa etapa de trabalho depende da fase exploratória, do levantamento bibliográfico e da clareza com que são colocadas as questões, de forma a não apenas repetir os dados secundários existentes.

Esta etapa considerou dois instrumentos de pesquisa: a observação, que busca tudo aquilo que pode ser visto e captado, no caso durante a realização das reuniões plenárias do CBHSF, suas Câmaras Técnicas e oficinas de trabalho e a entrevista semi-estruturada, que combina perguntas fechadas e abertas, para as quais o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre uma determinada questão sem se prender às respostas pré-estabelecidas.

A entrevista foi um instrumento essencial no trabalho de campo. Constituiu uma forma de interação social por meio da qual foi possível a coleta de informações primárias e secundárias, sendo que a primeira categoria refere-se às informações extraídas por meio da conversação, como também à própria reflexão do individuo sobre a realidade vivenciada.

A observação, por seu turno, constitui-se num processo, por meio do qual se observa uma determinada situação social, com a finalidade de se realizar uma investigação cientifica.

Após a qualificação do Projeto de Pesquisa, foi definido o roteiro da entrevista, constante do Apêndice A, onde foi selecionado o CBHSF, como o espaço, ou, o campo de pesquisa a ser trabalhado, assim como foi delimitada a amostra a ser pesquisada.

Finalizada a realização das entrevistas, os resultados foram tabulados e os dados consolidados em tabelas que constam dos Apêndices C a I desta pesquisa, onde cada pergunta correspondeu a uma categoria de análise.

A consolidação do trabalho de campo foi feita através da integração entre os resultados das entrevistas e das observações efetuadas, somadas aos dados secundários, resultantes da bibliografia pesquisada. Vale registrar que, apesar de formalmente esta pesquisa ter se iniciado em 2007, as atividades do CBHSF vêm sendo acompanhadas pela autora desde a sua criação em 2001.

A pesquisa de campo realizada no âmbito do CBHSF revelou não só os vários conflitos existentes na bacia como também a percepção diferenciada das pessoas que nele atuam, em relação à gravidade dos problemas, sua natureza e mecanismos para superação de entraves, assim como em relação à própria capacidade política e institucional do Comitê em ser o lócus para discussão e gestão desses conflitos. Ressalta-se que, em muitos casos, os dados coletados apontam para a ratificação dos conflitos identificados pelos dados secundários constantes do PBHSF.

O objetivo da pesquisa de campo foi identificar e avaliar a percepção de cada interlocutor representante das categorias/segmentos que integram a composição do CBHSF quanto aos conflitos existentes na gestão das águas da bacia.

A pesquisa foi realizada no período de julho a novembro de 2007, no âmbito do CBHSF, em sua XV e XVI Reuniões Plenárias, realizadas no período de 8 a 10 de agosto de 2007, no município de Piranhas / AL e, na seqüência, durante a Oficina de Integração ocorrida em Salvador, em 31 de Outubro de 2007. Adicionalmente, devido às dificuldades de entrevistar algumas pessoas, consideradas como chaves para o processo de gestão durante os eventos mencionados, foram marcadas entrevistas individuais para a sua consecução.

Tratou-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, onde foram associados métodos e técnicas que corroboraram para a sua execução.

A entrevista foi estruturada em dois momentos: o primeiro, buscou caracterizar o individuo e o seu papel no âmbito do CBHSF; o segundo, pretendeu identificar a percepção dos atores quanto ao conceito de conflito de uma forma genérica, à identificação dos conflitos na bacia do São Francisco, a priorização e classificação do mesmo segundo a gravidade, tipologia e mecanismos para tratamento. Finalmente, buscou-se saber entre eles se o CBHSF teria a capacidade política e institucional de equacionar o conflito indicado como de maior importância e a justificativa para tanto.

Desta forma, o campo de abrangência da pesquisa incluiu os membros integrantes do CBHSF, representantes dos três segmentos que atuam na bacia. O poder público nas esferas federal, estadual, municipal. Os usuários da água em suas respectivas categorias: indústria, geração hidrelétrica, agropecuária, abastecimento urbano, navegação e pesca, lazer e turismo. A sociedade civil organizada integrada por Ongs, entidades de ensino e de pesquisa, consórcios, associações e Comitês de bacias afluentes, e os povos indígenas.

Adicionalmente, foram entrevistados outros atores não membros do Comitê, mas que atuam diretamente no seu processo de implementação e fortalecimento.

Antônio Carlos Gil, considera que:

De modo geral, as pesquisas sociais abrangem um universo de elementos tão grande que se torna impossível considerá-los em sua totalidade. Por essa razão, [...] é muito freqüente trabalhar com uma amostra, ou seja, uma pequena parte dos elementos que compõe o universo (GIL, 2007, p. 99).

No total, foram entrevistadas 31 pessoas, (Vide Apêndice B) cuja seleção considerou os seguintes critérios:

 representatividade dos membros, em termos de uma atuação mais comprometida com o CBHSF e com maior tempo de vinculação ao mesmo;

 espacialização das representações, de forma a contemplar a bacia como um todo no âmbito das quatro regiões fisiográficas da bacia, assim como dos três segmentos que atuam o processo de gestão;

 representantes de usos que apresentaram conflitos mapeados na época da elaboração do Plano de Recursos Hídricos;

 representantes de Comitês de Bacias de rios afluentes do São Francisco em função da importância que a articulação com esses colegiados representa para o processo de gestão integrada da bacia;

 representantes dos povos indígenas;

 outros representantes com atuação expressiva na bacia