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CHAPITRE IV : La naissance d’une contre culture populaire

A) Une remise en cause de l’influence de l’Eglise

Segundo Libâneo, o processo didático é movido pela contradição existente entre “as exigências de domínio do saber sistematizado e o nível de conhecimentos, experiências, atitudes e características sócio-culturais e individuais dos alunos” (1994, p.94). Por isso, “passar conteúdos” não é suficiente. É preciso instigar o aluno, aguçar a sua curiosidade apresentando tais conteúdos como problemas e desafios que suscitem e mobilizem a atividade.

Seguindo essa linha de pensamento, Menegolla e Sant´Anna afirmam que

planejar o processo educativo é planejar o indefinido, porque a educação não é um processo, cujos resultados podem ser totalmente pré-definidos, determinados ou pré- escolhidos, como se fossem produtos decorrentes de uma ação puramente mecânica e impensável. Devemos, pois, planejar a ação educativa para o homem, não lhe impondo diretrizes que o alheiem. Permitindo, com isso, que a educação ajude o homem a ser criador de sua história. (2003, p.25)

Esses mesmos autores colocam que objetividade e realismo, utilidade, flexibilidade, simplicidade e funcionalidade são características de um plano de disciplina, ou plano de curso, centrado no aluno. Conforme mostra a Figura a seguir:

Figura 8 - Características de um plano de disciplina

Fonte: Menegolla e Sant´Anna, 2003, p.67

Conforme mostra a figura, o plano deve expressar objetividade no que pretende atingir, a partir da realidade objetiva e concreta dos alunos, dos professores, da instituição, da comunidade e dos meios tecnológicos a serem utilizados. Isto significa que ele deve ser claro, simples, objetivo e viável para que, efetivamente, seja funcional para o professor e para os alunos. Todo plano que não possa ser mudado ou reestruturado, quando necessário, está fadado ao fracasso, portanto, ele também deve ser flexível. Os conteúdos necessitam de organização e integração de conceitos, conhecimentos e experiências em relação aos objetivos e interesses dos alunos. O que foi planejado só será válido se for algo importante e útil para o aluno.

Sobre a questão de flexibilidade do plano em curso online, Harasim afirma que, uma aula dada inteiramente on-line demanda planejamento adicional, porque todo o conjunto de atividades precisa ser previsto antes do primeiro dia de aula. [...] Por outro lado, a natureza interativa da educação on-line proporciona uma flexibilidade que em muitos casos lembra as aulas presenciais. Informações e visões novas ou mudanças no projeto do curso podem ser introduzidas e acomodadas on-line. O currículo existente pode ser ampliado ou modificado pela incorporação de referências ou pela inclusão de informações novas. (Harasim et alli , 2005, p.223)

Planejar Plano Aluno Utilidade Flexibilidade Simplicidade Funcionalidade Objetividade e realismo

Assim como no planejamento de cursos presenciais, estabelecer objetivos, selecionar conteúdos e recursos também faz parte do planejamento de cursos online. No entanto, neste último estão presentes elementos próprios da modalidade a distância como, por exemplo: escolher o tipo de mídia para a realização do curso. Além disso, os processos de seleção de conteúdos, elaboração das atividades e da avaliação devem ser ligados aos pressupostos da EAD online e da abordagem colaborativa em ambientes virtuais de aprendizagem.

São muitas as mídias utilizadas em atividades educativas. Elas exigem tratamentos diferenciados para um mesmo conteúdo e diferentes situações (públicos, objetivos, tempo de duração do curso, etc.). Além desses, nos cursos realizados a distância cada suporte midiático tem cuidados e formas de tratamento específicas. Conforme Kenski,

cada tipo de mídia requer planejamento cuidadoso e que vai além da disponibilidade dos equipamentos e da definição de seu uso em determinada aula, ou não.

Planejar atividades de ensino que envolva o uso de mídias impressas (jornais e revistas, principalmente) é diferente, por exemplo, de pensá-las prevendo o uso do rádio, de programas televisivos, de vídeos e das mídias digitais mais avançadas como a Internet e as tele e videoconferências. (2005)

Uma das especificidades do planejamento de cursos a distância online é, portanto, a escolha e gestão das mídias. Este é um dos primeiros movimentos para a efetivação de um projeto de curso a distância, pois envolve uma série de reflexões e tomada de decisões que orientarão o projeto. “Articulado ao planejamento pedagógico, deve-se criar um plano para a definição e administração das mídias que serão utilizadas. Quanto maior for a articulação entre o plano de mídias e o planejamento pedagógico melhor será a fluidez para o desenvolvimento da proposta.” (id., ibid.)

Ainda segundo Kenski,

na definição dos equipamentos mediáticos para EAD online, uma das primeiras preocupações deve ser com o tipo de comunicabilidade que deverá ocorrer entre os usuários (professores, alunos e equipes técnicas e administrativas) durante os cursos. Os parâmetros básicos que importam para a escolha de mídias para a realização de projetos em EAD envolvem, de maneira geral, os aspectos ligados à qualidade do processo pedagógico que será implementado, o custo e as condições de acesso tecnológico de todos os participantes do processo. Visando facilitar à análise de todas essas condições, é recomendável que as instituições realizem - junto com o projeto pedagógico dos cursos em EAD - um plano de mídias ou plano de comunicação. A formulação deste plano torna possível a compreensão, com maior nível de aprofundamento, de todo o escopo de ações que envolvem a inclusão das mídias na educação, de acordo com as especificidades dos cursos e os limites e disponibilidades da instituição (2005).

No caso do “Curso de Capacitação de Tutores”, a escolha das mídias principais - Internet e textos - foi definida na primeira reunião. A partir da apresentação de projetos de cursos a distância já realizados pela SITE Educacional, definiu-se também que o curso seria online, totalmente a distância e baseado na abordagem de ensino colaborativa. Como o Sebrae-SP não tinha nenhuma experiência anterior em Educação a Distância online, e não possuía LMS próprio, ficou a cargo da empresa contratada tanto a escolha do ambiente virtual de aprendizagem quanto os recursos internos (ferramentas/dispositivo) a serem utilizados no curso. No entanto, as escolhas eram apresentadas e justificadas ao cliente, passando pela aprovação deste.

A escolha do ambiente virtual é um fator que contribui de maneira fundamental para um resultado eficiente, pois alguns aplicativos permitem que o professor seja flexível e criativo, e outros impõem limites.

Segundo Palloff e Pratt,

[...] os participantes devem ser capazes de navegar facilmente pelo curso, baseando- se na apresentação visual do site. O site do curso e a possibilidade de navegar por ele com pouca ou nenhuma dificuldade devem diminuir a ansiedade do participante que, além de ser aluno do curso, está aprendendo a utilizar a tecnologia. Por isso, qualquer limitação presente no software deve ser considerada no momento em que o curso estiver sendo organizado.

[...] Quanto mais bem organizado o site do curso, mais fácil será a utilização da tecnologia por parte dos alunos. Se não encontrarem dificuldades com o uso das tecnologias, os alunos terão uma participação mais ativa no curso. (2002, p.133) Com essas questões resolvidas, partiu-se para aquela que é considerada pela Didática a primeira etapa do planejamento de um curso: o conhecimento e análise das características da clientela (aspirações, necessidades e possibilidades dos alunos). E a partir das necessidades do Sebrae-SP e do perfil do público-alvo, definiu-se, também em conjunto, o objetivo principal do curso: “ser um espaço teórico-prático para formação de tutores de cursos online”29. Conforme Palloff e Pratt,

assim como em qualquer curso, o professor precisa começar com o fim em mente. O que queremos que nossos alunos aprendam quando interagem com o material desse curso? Que experiência os alunos levarão com eles ao concluí-lo? No curso online, o plano de ensino é deliberadamente mais aberto a fim de permitir que os alunos desenvolvam novas idéias, exercitem sua capacidade de pensar criticamente e saibam pesquisar. Os objetivos podem ser mais amplos, para que os alunos desfrutem de um curso sem direcionamentos predefinidos e com base em seus interesses e necessidades. Ao planejar um curso online, contudo, é ainda importante considerar os resultados esperados conforme o curso progride.

Elaborar os objetivos de um curso online, não é muito diferente de desenvolver os objetivos de um curso presencial. A diferença está na maneira como estruturamos o curso e o apresentamos no plano de ensino. (2002, p.116)

Decididas as questões de modalidade (curso online), tipo (totalmente a distância) e objetivo principal, tomaram-se como base para o planejamento das outras etapas do curso, os referenciais educacionais do Sebrae30, a pesquisa bibliográfica na área da EAD online, a vivência e experiência da equipe SITE Educacional e o princípio de “que formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas” (Freire, 1996, p.14, grifos do autor).