CHAPITRE IV : La naissance d’une contre culture populaire
B) Des exemples concrets de contestation
Selecionar os conteúdos a serem abordados em um curso significa tomar a decisão sobre o que ensinar, ou seja, considerar qual o escopo da matéria que se quer apresentar. Dependendo da área, o crescimento do conhecimento torna as decisões difíceis e delicadas para determinar o detalhamento, a amplitude e a profundidade de cada tópico. Entretanto, Libâneo, em consonância com um dos itens da teoria de mediação pedagógica proposta por Gutiérrez e Prieto (partir da realidade e fundamentar-se na prática do estudante), afirma que não basta a seleção e organização lógica dos conteúdos. “Os próprios conteúdos devem incluir elementos da vivência prática dos alunos para torná-los mais significativos, mais vivos, mais vitais, de modo que eles possam assimilá-los ativa e conscientemente”. (1994, p.128)
HAIDT (2004) propõe o estabelecimento dos seguintes critérios para a seleção dos conteúdos: validade, utilidade, significação, adequação ao nível de desenvolvimento do aluno e flexibilidade.
No que diz respeito à validade, deve haver uma relação clara e nítida entre os objetivos a serem atingidos com o ensino e os conteúdos trabalhados. Isto quer dizer que os conteúdos devem estar adequados e vinculados aos objetivos estabelecidos para o processo de ensino e aprendizagem. Portanto, em primeiro lugar, os conteúdos são válidos quando estão inter- relacionados com os objetivos educacionais propostos.
30 “Os referenciais educacionais do Sebrae” é um texto que “contém diretrizes básicas para os profissionais que
trabalham com educação no SEBRAE – gerentes, consultores, técnicos, prestadores de serviços e parceiros, constituindo-se em um balizamento para sua atuação.” (Sebrae, p. 2)
Em segundo lugar, os conteúdos são válidos quando há uma atualização dos conhecimentos do ponto de vista científico. O conhecimento humano amplia-se cada vez mais e a ciência revisa constantemente suas generalizações e teorias. Assim, é necessário o ajuste na programação do curso, incorporando os conhecimentos mais atualizados da ciência.
O critério de utilidade está presente quando há possibilidade de aplicar o conhecimento adquirido em situações novas. Os conteúdos são considerados úteis quando estão adequados às exigências e condições do meio em que os alunos vivem, satisfazendo suas necessidades e expectativas, e quando têm valor prático ajudando-os na vida cotidiana a solucionar seus problemas e a enfrentar as situações novas.
Um conteúdo será significativo e interessante para o aluno quando estiver relacionado às experiências por ele vivenciadas. Por isso, é importante relacionar, sempre que possível, os novos conhecimentos a serem adquiridos pelos alunos com suas experiências e conhecimento anteriores, fazendo uma ponte para ligar o já conhecido ao novo e ao desconhecido.
O conteúdo selecionado deve respeitar o grau de maturidade intelectual do aluno e estar adequado ao nível de suas estruturas cognitivas. Os conteúdos a serem assimilados devem corresponder às aprendizagens essenciais e desejáveis, contribuindo para o desenvolvimento das potencialidades do aluno, de acordo com sua fase evolutiva e com os interesses que o impelem à ação.
O critério de flexibilidade será atendido quando houver possibilidade de fazer alterações nos conteúdos selecionados, suprimindo itens ou acrescentando novos tópicos, a fim de ajustá-los ou adaptá-los às reais condições, necessidades e interesses do grupo de alunos.
Uma vez os conteúdos selecionados, é preciso adequá-los ao tempo de duração do curso. Para tanto, no “Curso de Capacitação de Tutores”, fez-se uso de um esquema que trabalha por tópicos e visa facilitar o processo.
Figura 9 – Processo de adequação conteúdo X tempo de curso*
De acordo com o proposto no esquema, uma vez definidos os assuntos (tópicos) deve- se verificar o que neles é básico ou marginal, em outras palavras, deve-se buscar resposta à seguinte questão: “quais informações são principais, mais importantes, mais relevantes?”. As respostas, automaticamente, passam a pertencer ao item básico. Do que é considerado básico, verifica-se o que é pré-requisito para o aluno saber no curso, e o que é conhecimento isolado (aquele que pode ser adquirido por outras fontes). Do que é considerado pré-requisito, separam-se as informações e conhecimentos mais atuais das mais antigas - uma vez que, talvez, o tempo do curso não seja suficiente para contextualizar o tema minuciosamente. Do conteúdo atual, seleciona-se o que realmente é interessante ao curso e aos objetivos propostos, e o que pode ser aprendido pelo aluno em um outro momento.
De acordo com Krasilchik31, o rigor a ser usado nesses cinco passos, ou seja, o quanto é necessário cortar do conteúdo definido inicialmente, tem relação direta com o tipo de curso, o tempo de duração e a modalidade escolhida para o mesmo.
Resolvido o conteúdo real do curso, apresentou-se o problema da organização dos tópicos. Ainda segundo KRASILCHIK (1998), existem alguns critérios possíveis: ir do geral
* O esquema descrito foi apresentado pela Profª Drª Myriam Krasilchik em aula ministrada na disciplina EDM
5791-3 - Metodologia do Ensino Superior, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo - FEUSP, no primeiro semestre do ano de 2006.
31 Em aula ministrada na disciplina EDM 5791-3 - Metodologia do Ensino Superior, na Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo - FEUSP, no primeiro semestre do ano de 2006.
Assunto Básico Pré-requisito Atual Interessante Marginal Isolado Antigo Desinteressante
para o particular; do simples para o complexo; do próximo para o distante; da parte para o todo.
HAIDT (2004) propõe três critérios orientadores básicos para a organização dos conteúdos: a continuidade, a seqüência e a integração. A continuidade refere-se ao tratamento de um conteúdo, repetidas vezes, em diferentes fases de um curso. A seqüência está relacionada com a continuidade, mas a transcende. Ela possibilita que os tópicos sucessivos de um conteúdo partam sempre dos anteriores, aprofundando-os e ampliando-os progressivamente. A integração, por sua vez, está ligada à ordenação horizontal e se refere ao relacionamento entre as diversas áreas do currículo, visando garantir a unidade do conhecimento.
Além desses critérios, há dois princípios básicos que necessitam ser considerados na ordenação dos conteúdos: o lógico e o psicológico.
Ordenar conteúdos, de acordo com o princípio lógico, é estabelecer relações entre seus elementos, tais como são vistas por um especialista na matéria. Por outro lado, organizar os conteúdos, segundo o princípio psicológico, é indicar as relações, tais como podem aparecer ao aluno.
Com os conteúdos selecionados e organizados para o “Curso de Capacitação de Tutores”, fez-se uso do recurso de mapeamento de conteúdos e atividades. Tal recurso objetiva facilitar a visualização dos conteúdos já estruturados e respectivas estratégias. Para tanto, o mapeamento de conteúdo é dividido em tema principal (nome do tópico), subtemas (que assuntos serão tratados neste tópico), objetivos, conteúdo, material de apoio e bibliografia a ser utilizada (anexo A). E o mapeamento das atividades dividi-se em tema principal, atividades, tipo de interação, avaliação e duração (anexo B).
Mapeamentos deste tipo oportunizam a retomar, reorganizar e esquematizar relações necessárias e fundamentais, que derivam da própria estrutura do conteúdo. Facilitam, ainda, a tarefa de encontrar um modo mais claro e funcional para apresentar os conteúdos aos alunos.
Com base nesses procedimentos, foi elaborado um currículo de curso com temas considerados fundamentais à formação de profissionais que pretendem atuar no ensino online como tutores.
Esse currículo foi submetido à aprovação do Sebrae-SP. Uma vez aprovado, o curso foi planejado e desenvolvido para ter duração total de 33 horas divididas em um módulo inicial de ambientação e seis módulos temáticos, conforme apresentado na tabela 7.
Tabela 7 - Módulos do curso
Módulos
Ambientação online
Módulo 1: Educação a Distância via Internet Módulo 2: Ambientes Virtuais de Aprendizagem Módulo 3: Ensinar e Aprender a Distância
Módulo 4: Papéis de Tutores e Alunos na EAD via Internet Módulo 5: Interação e Comunicação em EAD via Internet
Módulo 6: Feedback e Gerenciamento do Tempo de Tutoria em EAD
Com exceção do módulo inicial (Ambientação online), com duração de três horas, todos os outros foram previstos para cinco horas de dedicação. Foram planejadas atividades semanais correspondentes a cinco horas de empenho dos alunos. Cada módulo de cinco horas correspondeu a uma semana, ou seja, cada hora de curso equivalia a uma hora de dedicação do aluno. O planejamento foi realizado, portanto, idealizando que os alunos dispusessem de, pelo menos, uma hora diária de dedicação ao curso.