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Les typologies, la pertinence et la finalité des indicateurs

1 Les problématiques de pilotage, de cohérence, d’agrégation et de révision

1.2 Les typologies, la pertinence et la finalité des indicateurs

Há pouco menos de vinte e cinco anos Choppin (1980), um historiador francês, afirmava serem “ainda, raros os trabalhos que se dedicam à história das disciplinas escolares, procurando, nomeadamente, elucidar a sua evolução e a estabelecer a relação que mantém com o estado das ciências donde são originadas” (p. 11). De acordo com Chervel (1988), “a história dos conteúdos do ensino e, sobretudo a história das disciplinas escolares, representa a lacuna mais grave na historiografia francesa do ensino, lacuna sublinhada desde há meio século” (p. 68).

Mais recentemente parece ter havido, de facto, um certo renascimento da área que aqui nos interessa, ou seja, o estudo histórico da evolução das disciplinas científicas, em particular dos seus conteúdos programáticos e das didácticas respectivas.

Segundo Belhoste (2002), a história do ensino das disciplinas da área científica foi, na realidade, negligenciada durante muitos anos. Isto teria razões que se prendem com o facto de ser pouco interessante para os historiadores das ciências e de se situar numa perspectiva marginal face aos historiadores da educação. Actualmente, devido ao grande desenvolvimento que tomaram as investigações no campo da didáctica das ciências e ao renovado interesse com que os historiadores das ciências encaram a divulgação e socialização do conhecimento científico, a situação estará completamente alterada e, segundo este investigador, o leque de investigações no domínio da história das disciplinas tende a alargar-se cada vez mais. Em reforço disto o autor aponta que em França, e também noutras regiões, o trabalho se desenvolve a bom ritmo e que o número de pesquisas neste campo de investigação não pára de crescer. E, embora no documento de que nos estamos a socorrer não se adiantem mais pormenores, nomeadamente referências concretas, parece que pelo menos o grupo, que o autor dirige, está verdadeiramente empenhado neste campo como mostra o plano de trabalho que apresenta mais à frente.

Este mesmo autor, aliás, já há alguns anos dirigira, com outros, uma obra colectiva publicada em França (Belhoste, Gispert, & Hulin, 1996) dedicada ao tema das reformas do ensino liceal no que respeita às ciências físicas e às matemáticas, na sequência de um colóquio internacional organizado pelo Serviço de História da

Educação do INRP23, subordinado ao mesmo assunto, o que indicia um trabalho que começa a criar raízes.

O próprio Chervel (1998) numa nota acrescentada ao artigo “L‟histoire des disciplines scolaires”, quando da sua recente re-publicação, inserido em uma colectânea de diversos trabalhos do autor, indicava que havia novos desenvolvimentos e novos trabalhos em curso, pelo menos em França.

Desde a publicação deste texto em 1988, um certo número de trabalhos de história do ensino começaram a eliminar esta lacuna. Mencionar-se-ão, sobretudo, as investigações conduzidas no âmbito do Serviço de História da Educação, que culminaram em várias publicações, a respeito dos textos oficiais que regeram as diferentes disciplinas, sobre periódicos pedagógicos, conteúdos dos manuais escolares, dicionários biográficos de membros do corpo docente, etc.,. (p. 209)

Julia (1995) considera que, sem desprezar as contribuições trazidas pela “história das ideias pedagógicas”, pela “história das instituições”, e pela “história das populações escolares”, para evitar a ilusão de encarar a escola como uma instituição toda potente e neutra face às pressões externas, convém voltar à escola e ao estudo do seu funcionamento interno, já que essas diversas abordagens na história do ensino se revelaram demasiado “externalistas” (p. 355). E já nessa altura se permitia salientar:

É de facto a história das disciplinas escolares, em plena expansão actualmente, que procura eliminar esta lacuna. Ela tenta detectar e salientar, através das práticas de ensino na sala de aula e das grandes finalidades que conduziram à constituição das disciplinas, o núcleo duro que poderá originar uma história da educação renovada. (p. 356)

Relativamente aos EUA, Franklin (1991) confirma a quase ausência de estudos desta natureza ao afirmar que, embora “os investigadores americanos tenham escrito algo sobre a história das disciplinas, esses estudos . . . não foram uma preocupação central para os historiadores do currículo” (p. 55).

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Segundo parece os historiadores norte-americanos do currículo nunca tiveram muito que dizer sobre os professores e o ensino. Nos textos de Kliebard24, Seguel e Tanner fazem-se umas breves referências à implicação dos professores em uma série de projectos reformadores do currículo no século XX. Na sua dissertação sobre a reforma curricular em Minneapolis, Franklin destacou como foi condenada ao fracasso a reforma orientada pela eficácia devido à oposição dos professores à integração curricular. No entanto, os historiadores do currículo não fizeram qualquer exame sobre o desenvolvimento do ensino enquanto prática do currículo. (p. 57)

Franklin (1991) não deixa, no entanto, de referir que noutros lugares esses estudos existiriam amiudadas vezes. Na sua opinião “o que parece distinguir os historiadores do currículo norte-americanos dos seus colegas de outros países, sobretudo os do Reino Unido, é a sua falta de interesse pela evolução das disciplinas escolares”. Em nota a esta frase acrescenta que “fora dos Estados Unidos a preocupação central dos historiadores do currículo tem sido a história das disciplinas” (p. 42) e, querendo realçar a importância da história das matérias escolares na perspectiva de alguns historiadores do currículo, sugere que se consulte a obra de Ivor Goodson.

Fica-se assim sugestionado de que, sendo embora um campo de desenvolvimento recente, os estudos sobre a história das disciplinas, enquanto objecto autónomo e decisivo para a compreensão dos processos escolares e da cultura segregada pela instituição escolar, parece quererem começar a ganhar cada vez mais espaço no interior da história da educação fazendo jus à importância que já se lhes atribui.