• Aucun résultat trouvé

CHAPITRE 2. Enseignement bilingue et immersion réciproque

2.2 Typologie

Desde épocas remotas, os dejetos sólidos das populações urbanas têm sido aproveitados na fertilidade dos solos agrícolas. Para alguns países, como a China, a prática de preservação da fertilização do solo assume importância vital, encontrando por isso mesmo, visceralmente ligada à tradição dos agricultores (LIMA, 1996).

Nos últimos anos, em vários países se intensificaram as correntes de opiniões favoráveis à preservação dos recursos naturais e no plano geral de suas proposições se encontra o reconhecimento da necessidade de utilização dos lodos produzidos pelas depuradoras de esgotos na fertilização dos solos (LIMA, 1996). Isto depende do tipo de cultura utilizada, mas geralmente é necessária uma etapa adicional no tratamento do lodo, a higienização, que tem como principal função a remoção dos organismos patogênicos (transmissores de doenças).

SANTOS e TSUTIYA (1997) relatam que as alternativas mais usuais para o aproveitamento e/ou disposição final do lodo de esgotos em países do primeiro mundo quando

o seu uso é para prática agrícola são as seguintes: aplicação direta no solo; aplicação em áreas de reflorestamento; produção de composto ou fertilizante organomineral; solo sintético para agricultura; aplicação da torta de lodo pré-condicionada com calcário; secagem térmica e compostagem.

No Reino Unido, a maioria do lodo é usada como fertilizante orgânico na terra agrícola, requerendo uma boa gerência para evitar o acúmulo dos poluentes no solo (LEWIS JONES e WINKLER, 1991). Na Inglaterra e no País de Gales, cerca de 40% do lodo dos esgotos é reciclado e retorna à terra como fertilizante, 20% são jogados ao mar e o remanescente vai para depósitos em terra. A utilização total do lodo como fertilizante represente apenas 4,5% das necessidades nacionais de nitrogênio e fósforo e menos de 1% das necessidades de potássio. Do mesmo modo, a matéria orgânica representa apenas pequena porcentagem das necessidades nacionais (ÉDEN et al.,1981).

Nos Estados Unidos, a prática do lançamento do lodo de esgotos ao solo vem sendo difundida rapidamente. Dados estatísticos publicados em 1977 mostram os seguintes valores, referentes ao destino dos lodos (LIMA, 1996):

i) aterros = 25%

ii) lançamento ao mar = 15% iii) incineração = 35% iv) aplicação do solo = 25%

Do lodo produzido nas depuradoras americanas, cerca de 50% voltam ao solo, em aterros ou aplicação agrícola; da aplicação agrícola, 40% é feita mediante a simples dispersão do lodo líquido (1 a 3% de sólidos) nas terras agrícolas, nas pastagens e nas florestas.

No Brasil, a reciclagem agrícola do lodo de esgoto supõe critérios seguros para sua implementação, além de fornecer micro e macro nutrientes (N e P) ao solo, que contribui para uma agricultura auto-sustentável. O lodo de esgoto só pode ser usado como insumo agrícola se apresentar níveis abaixo de certos limites de metais pesados, o que coloca em evidência a responsabilidade das indústrias em tratar seus próprios efluentes, sob a pena de inviabilizar a reciclagem agrícola do lodo. Além disso, o solo e o lodo no Brasil são bastante diferentes dos países desenvolvidos, sendo geralmente ácido, facilitando a mobilidade dos metais pesados. Da mesma forma, o perfil de saúde da nossa população e consequentemente o perfil sanitário

são distintos. Os ciclos para reciclagem agrícola do lodo de esgoto são os seguintes: condicionamento e desidratação, desinfecção (por compostagem ou tratamento com cal), controle dos parâmetros biológicos e físico-químicos, acompanhamento agronômico, monitoramento ambiental e sistema gerencial (FERNANDES, 1997).

Antes de se utilizar lodo urbano para fins agrícolas, é sempre necessário verificar se o mesmo não contém substâncias provenientes da industria metalúrgica, pois o solo pode-se tornar tóxico às plantas e que o mesmo esteja isento de patogênicos, o que provoca a necessidade da sua esterilização durante o processo de tratamento (IMHOFF e IMHOFF, 1986). Uma grande variedade de cultura tem sido desenvolvida nos solos onde houver aplicação do lodo. As características de crescimento e produção de colheita são comparavelmente favoráveis com as colheitas nos solos fertilizados quimicamente.

É necessário primeiramente resolver se o lodo deve ter aplicação agrícola em estado fresco ou digerido, e/ou líquido ou desidratado (IMHOFF e IMHOFF, 1986).

O processo mais econômico de disposição final de lodo digerido é a aplicação no solo cultivado em estado líquido, devido à eliminação das fases de condicionamento e secagem do lodo. Esta alternativa de disposição é usada onde áreas aceitáveis são localizadas dentro de certa distância da estação de tratamento. Como vantagem temos que é uma fonte de água para a irrigação do solo e ocorre um acréscimo dos nutrientes (nitrogênio e fósforo) dos esgotos. A desvantagem é o custo adicional devido ao transporte da água integrada ao lodo. O lodo digerido não é perigoso pode ser transportado ao campo em estado líquido, por meio de viaturas-tanques e aplicado em áreas agrícolas, pulverizados por meio de placa de impacto ou por meio de canalizações munidas de aspersores por canalizações. O lodo líquido deverá ser aplicado com taxas que não possibilite a contaminação das águas de subsolo e superfície (rios) (IMHOFF e IMHOFF, 1986; NEDER e PINTO, 1991).

Geralmente, a disposição de lodo digerido no solo cultivado ocorre em estado seco, sendo necessário desidrata-lo em leitos de secagem ou instalações de secagem artificial. Os sólidos no lodo são úteis como condicionantes e fertilizantes do solo. O lodo perde 40% de seu teor de nitrogênio durante a digestão. O nitrogênio albuminóide sofre modificações, sendo que aqueles 40% se dissolvem no líquido sobrenadante sob a forma amoniacal. Em oposição ao que acontece durante a cura do esterco do curral e da fabricação de composto, não há perdas de nitrogênio no digestor quando o líquido sobrenadante também encontra aplicação agrícola.

O emprego de lodo fresco há muitos inconvenientes a serem considerados. Este se aglomera em grumos gordurosos e resistentes, e leva consigo sementes de pragas vegetais ao campo. A secagem do lodo fresco não ocorre sem desprendimento de forte mau cheiro. Quando o lodo encontra aplicação agrícola em estado fresco, deverá esta prática ser regulamentada por normas análogas às exigidas para a utilização de esgotos sanitários, a fim de que seja preservada a saúde dos homens e dos animais. (HAMMER, 1979; IMHOFF e IMHOFF, 1986).

O lodo que não tem aplicação em atividades agrícolas deve ser disposto em aterros, de modo a não produzir danos ao ambiente (IMHOFF e IMHOFF, 1986).