• Aucun résultat trouvé

Traitement et annotation des constructions subordonn´ eessubordonn´ees

Corpus et m´ ethodologie

2.3 Traitement et annotation des constructions subordonn´ eessubordonn´ees

I – Investigador LL – Louie Louie 28 de junho de 2019

I: Eu vou começar por perguntar como é que descreveria os negócios dos discos de vinil, assim em geral?

LL: É um negócio como qualquer outro. É uma loja… Compramos e nós temos

também a particularidade de trabalhar com segunda mão, ou seja, compramos também a particulares e vendemos coisas em segunda mão. De resto é uma loja de funcionamento normal.

I: Como todas as outras, então?

LL: Como todas as outras, só que vendemos discos em vez de cebolas.

I: E na sua opinião acha que a procura pelos discos de vinil tem crescido? Tem sido cada vez maior?

LL: Sim, tem crescido já por aí nos últimos 5-10 anos, notou-se um crescimento

grande.

I: E porque é que acha isso, na sua opinião?

LL: Porque as pessoas querem ter alguma coisa física. Quem quer, que isto é um

nicho. Esta é uma pequena percentagem de pessoas gasta dinheiro em música e mais pequena ainda em vinil. Mas quem gasta eu penso que é por causa de querer ter um objeto. Gostando do disco, em vez de querer ter salvo algum, quer ter um objeto em casa para o ouvir em casa e depois há a opção do CD e há a opção do vinil. E eu acho que o vinil é um objeto mais bonito, etc. Depois também há outras pessoas que gostam por causa da qualidade do som, ou gostam de fazer uma coleção que fica mais bonita a prateleira lá em casa… Não sei, os motivos são dos mais variados.

I: Então, existem pessoas que preferem mais o vinil em relação ao CD e mesmos

aos ficheiros digitais?

LL: Sim, são os nossos clientes. São por aí 1% da população, se tanto. I: E como é que descreveria então o público que consome?

nosso público preferencial seja a partir dos 30 anos para cima. Mas isso acho que é até por uma questão de que são pessoas que têm mais capacidade financeira para estar a gastar dinheiro porque os discos não são baratos. Mas temos clientes desde os 15 aos 80 e a comprar todo o tipo de música, desde Fado, Heavy Metal, vendemos de tudo.

I: E sente a diferença, por exemplo, de gerações em relação ao estilo de música que

procuram?

LL: Sim, claro. Sim, a geração mais nova - se bem que também gosta de comprar

os clássicos. Há muita gente que compra os discos dos Beatles, do Dylan, do Led Zeppelin, essas grandes bandas, mas depois em termos de discos novos nota-se alguma variedade, mas temos de tudo.

I: Tem de tudo. Não consegue definir, assim?

LL: Não, não consigo fixar só um género por idade ou uma idade por género. É

difícil.

I: E por exemplo, no caso da loja da Louie Louie, vocês têm algum tipo de estratégia que utilizam para atrair clientes, ou publicidade? O que é que vocês fazem?

LL: Não, temos a publicidade normal mas nem fazemos muita. É assim, acho que

há poucas lojas de discos. O cliente que gosta de discos, eu noto pelos estrangeiros, chegam aqui e descobrem esta loja num instante. Quem quer procurar, descobre facilmente. Não por falta de, a loja não está escondida… A publicidade... Não, nem fazemos muita publicidade, na verdade. Isto acho que é um nicho tão pequeno que o número de clientes não vai aumentar muito por fazermos mais publicidade, podemos é competir com outras lojas mas isso faz parte do funcionamento normal.

I: E na sua opinião, acha que o surgimento da Internet e da tecnologia e dos meios de comunicação digital têm ajudado o negócio dos discos de vinil, o consumo, a procura?

LL: Ajuda no sentido de que é muito mais fácil hoje em dia de estar a par do que é

que anda aí, do que é que sai, de que discos é que estão disponíveis, que tipo de lançamentos. Até também para ouvir, consegue-se ouvir a música mal ela é lançada. E em vez de comprar os discos às escuras, que era o que acontecia antes, as pessoas agora

quando compram um disco e gastam 25 euros ou 30 euros, têm que já saber o que é que estão a comprar. Já o ouviram na net, já o ouviram a música, ou duas e assim. De resto, ao início foi o contrário, o surgimento dos downloads, matou um bocadinho a indústria musical física, na altura os CDs. Mas acho que o vinil luta contra isso. Acho que por mais disponível, por mais gratuita que seja ouvir música hoje em dia, há sempre que gente que gosta de ter o objeto em casa, o disco em casa.

I: Consideraria que a nostalgia, por exemplo, os sentimentos de nostalgia, da memória, saudade… Isso tem alguma influência no consumidor?

LL: Terá a ver se calhar em certas faixas etárias, agora um miúdo de 20 anos não

vai ter nostalgia absolutamente nenhuma porque é a primeira vez que está a ouvir música neste formato, não é só a nostalgia. Mas, sim, também é um complemento importante. Há as pessoas que gostam de ter os discos antigos que se calhar o pai tinha o disco do Bob Dylan e ele quer ter também em vinil, etc. Mas isso, cada caso é um caso. Há pessoas que compram discos só para tê-los em casa pendurados na parede, não envolvem. Há pessoas que compram discos que nem têm um leitor, um gira-discos em casa… As motivações são muito variadíssimas.

I: E não nota assim algo mais comum?

LL: O mais comum é uma pessoa comprar um disco porque gosta, porque sai o

disco de uma banda que gosta e compra, acho que como eu e a maior parte das pessoas. Mas depois há uma série de motivos.

I: E tinha falado sobre o facto de estar em competição com outras lojas e assim. Como é que lida com isso?

LL: Não lido. Eu faço o meu caminho e tento ter a minha loja o melhor possível, e

não olhar para as outras e o que é que elas fazem. Esta loja já tem quase 20 anos e não andamos atrás de ninguém.

I: Nunca teve problemas em atrair pessoas? As pessoas vêm pelo gosto?

LL: Não, as pessoas vêm, escolhem o local, o preço se calhar é bom, o local

também, temos uma boa seleção, digo eu. Pronto, as pessoas depois escolhem. Há quem prefira ir à FNAC, e quem prefira ir aos shoppings, há quem prefira… Imensas coisas. Há quem prefira comprar online. Nós temos a nossa clientela fixa, temos muito pessoal

de passagem, temos muitos estrangeiros que também aparecem muito.

I: Com o turismo cresceu o consumo? LL: Sim, sim.

I: E no caso, por exemplo, da experiência? Sente que os consumidores do disco de vinil apreciam mais a experiência de ouvir música? Ou é indiferente, na sua opinião?

LL: É um bocado injusto estar a dizer isso porque se calhar há pessoas que só não

compram tantos discos porque não têm realmente dinheiro para gastar neles. Não vou dizer que essas pessoas gostam menos de ouvir música do que as outras que têm mais dinheiro para gastar num disco. Acho que é um bocado injusto estar a dizer isso. Acho que é mais não propriamente o gostar de música, é gostar de ter o objeto, de ter amor a ter uma coleção de discos em casa, de ter uma prateleira em casa com discos, ou várias no caso.

I: E então agora para terminar só, diga-me um bocadinho sobre a sua loja e como é que começou? Como é que veio a ideia? Como descreve?

LL: Então é assim, eu trabalhava na FNAC em 1999 e estava farto daquilo,

fartíssimo aliás. É horrível. E então achei que era possível abrir uma loja de discos e abri. A primeira vez que abri foi em Braga em 2000, correu bem. Logo no início, já vendi algum vinil mas uma coisa marginal, não tem nada a ver com o que se vende agora. Havia meia dúzia de malucos a comprar discos de vinil, mas eu já lá os tinha. Em 2004, abrimos no Porto, na rua do Almada. E, pronto, desde aí estamos na rua do Almada desde 2004, só que já é a quarta loja diferente na rua do Almada, pronto, mas é isso. O formato foi sempre essI: vender discos de vinil, CDs, segunda mão e novos, e tentar ter uma seleção que atraia os clientes que gostam de música. É um bocado geral dizer isto, mas é um bocado isso.

I: Ok, muito obrigada por tudo. LL: De nada.