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Fronti` eres verbales

3.1 Mesure des fronti` eres verbales

3.2.1 Relatives d´ eterminatives

I – Investigador TT – Tubitek 2 de Julho de 2019

I: Primeiro eu gostava de perguntar-lhe como é que começou a Tubitek? Como é que é a loja, o conceito?

TT: Historicamente, a Tubitek começou nos finais de 70 e inícios de 80, num

projeto liderado por um senhor que o manteve até 2000. Por várias vicissitudes teve de encerrar o estabelecimento nessa altura. Nesse espaço de tempo, a loja foi icónica porque conseguiu granjear perante os seus clientes uma simpatia enorme por ter coisas que quase ninguém tinha, devido a um canal de importação que era efetuado, chegavam cá os discos, principalmente na área alternativa, que as outras lojas não conseguiam obter, e portanto criou-se uma rede de clientes muito interessante e uma imagem de marca muito forte. Portanto, encerrou em 2000.

O novo projeto andava a ser preparado, não para ser exatamente aqui, e não para se chamar exatamente Tubitek, mas já andava a ser preparado. Há uma série de coincidências interessantes que é o facto desta loja ficar livre, há o facto de, ao sabermos e por termos relações excelentes com o antigo dono, o processo despoletou e em 2014 e daqui a três dias, a entrevista é hoje dia 2… No dia 5 fazemos 5 anos. Portanto, o projeto engloba-se numa área em que nós trabalhamos há muitos anos, portanto, estamos dentro da música há muitos anos. Já no tempo ainda da Tubitek antiga mas como fornecedores e não como loja de retalho e aproveitamos esta nova área que estamos a explorar para ficarmos com a Tubitek, mantendo o nome que é registado agora nosso, e mantendo, aos tempos modernos, aos tempos de hoje, uma filosofia que o projeto tinha na época de 80. Basicamente a importação continua a ser forte, ter um bocadinho de tudo, ser generalista e encontrar aqui um certo saudosismo em clientes que renovam as suas vindas à loja de discos, lembrando a anterior gerência, enfim. Portanto, é um projeto interessantíssimo e a história básica da Tubitek é esta.

I: E como é que descreve os negócios dos discos de vinil em geral?

momento há exatamente um ciclo que está a contrariar esse tipo de tendência. O CD, não é que venda menos, vende, diminuiu. Mas em termos de unidades continua a ser muito superior em relação ao vinil. Agora, o peso de faturação do vinil é totalmente diferente em relação ao CD. Porquê? Porque os CDs, e como deve reparar, temos CDs promocionais muito muito baratos. Um vinil tem um preço sempre médio na ordem dos vinte euros, novo, e portanto essa diferença faz com que a faturação seja diferente.

O revivalismo do vinil prende-se essencialmente, não tenho uma explicação lógica, o que é certo é que a determinada altura as empresas discográficas juntamente com alguns fatores, sentiram que o vinil poderia, até porque se houver a discussão do melhor som isso é eterno: é o digital, é o analógico…

O vinil indiscutivelmente é um som superior em termos, pelo menos, de dinâmica e amplitude, pelo que, se os equipamentos forem bons, o cliente usufrui de fatores positivos em relação ao CD. O facto de o vinil ter essa amplitude de som, o facto de ter uma capa que não tem nada a ver com a do CD, o aspecto gráfico é totalmente diferente e obedece a alguns rituais que os clientes gostam. Portanto, fisicamente, tendo um produto na mão, e não um streaming ou um CD digital, o vinil tem um carinho diferente em relação aos outros suportes.

A geração mais nova descobriu porque entretanto os pais dizem que têm no sótão um gira-discos que já não usam e têm lá alguns discos que não sabiam o que eram e tudo isto veio a dar uma volta e faz com que o vinil hoje em dia tenha uma procura fantástica: colecionadores, audiófilos, consumidores normais de música… O vinil veio efetivamente trazer pessoas à loja, o que é importante. O desfolhar o vinil é fantástico, há muito cliente que chega aí para desfolhar, só o facto de ver as fotos é muito mais apelativo do que propriamente o CD, tem essa vantagem. Agora em termos comerciais as coisas ainda não estão 100% em relação ao CD. Não se podem comparar. Em termos de unidades, não se podem comparar.

I: E como é que descreveria então este público que consome discos de vinil e que vem à loja?

TT: A maioria deles são uma geração que já consumiu vinil na altura em que o vinil

avançadas. A maioria deles nem deixou de comprar vinil, continuaram a comprar por outros canais e o vinil nunca morreu, adormeceu ligeiramente, mas há muito cliente que continua a comprar fora do país, por outros canais como disse.

A população que agora me dá um certo gozo, é ver o pai e o filho a entrarem e o filho a comprar discos de bandas do tempo do pai: os Pink Floyd, ou Led Zeppelin, ou os The Cure, ou algo do género dos primeiros tempos, enquanto que o pai já vem buscar um disco de jazz ou algo do género. Portanto, já começa a haver aqui uma transição de gerações que o pai transmitiu e que o filho…

Portanto, eu não lhe posso dizer qual é o tipo de público, é generalista, é de todos os quadrantes. Aparecem aqui as pessoas a comprarem, com o seu gosto, muitos com um cuidado especial porque sentem que estão a levar uma preciosidade, porque o manuseamento tem que ser muito cuidado, e portanto todas as pessoas que compram vinil, os quadrantes são: é a média, a classe média, de todas as idades, mais os avançados, mas há uma transferência agora para a geração seguinte, portanto penso que o vinil tem ainda uma margem de progressão engraçada porque nessa idade ainda há um consumo plausível (segmento de texto incompreensível).

I: No caso da Tubitek, vocês procuram alguma forma para atrair os públicos? Quer das idades mais avançadas, os mais jovens? Publicidade?

TT: É assim, nós temos uma página no Facebook que usamos para algumas coisas

e para algumas campanhas, mas muito soft, sem massacre. Temos uma newsletter que fazemos questão de não encharcar as caixas de correio e portanto fazemos oito ou nove por ano. Aí sim, por vezes aí, embora não sendo um catálogo discográfico, nós vamos promovendo ou vamos pondo quando é o dia mundial da música uma promoção esporádica nos vinis e não nos CDs ou ao contrário. É lógico que esse tipo de argumentos comerciais, o intuito é chamar as pessoas à loja, mas não são para chamar propriamente ao vinil. É lógico que se eu quiser fazer uma coisa muito simples é fazer um desconto especial só em vinil. Isso resulta ou não resulta, depende. Nós como temos várias ações durante o ano, não sentimos necessidade de efetuar esse tipo de, neste momento, de direcionar a publicidade para esse tipo de artigo. Mais, há um dia no ano que normalmente é feito ao terceiro sábado do mês de abril que se chama Record Store Day. Já ouviu falar?

I: Sim.

TT: Isso é a maior publicidade que existe para o vinil. Em primeiro lugar, porque

é uma celebração de lojas independentes e não das grandes lojas. Depois, porque os lançamentos que são feitos, são feitos para essas lojas exclusivamente. Depois à posteriori, passado uns tempos algumas dessas lojas acabam por ter esses discos por outras vias que não deveriam ter, mas pronto, esse é outro assunto - a parte comercial depois começa a pesar mais.

Nesse dia, mais dias seguintes, existe uma procura de discos incrível de vinil, portanto é sinal que não é preciso fazer uma campanha muito forte porque as pessoas sabem. Quem compra vinil está informado e sabe o que vem comprar, não vem comprar por impulso. Antigamente sim, hoje não. Sabem que edição é que devem comprar, se existe uma edição anterior porque não sei quantos, porque tem um tema extra, ou porque foi feita de outro modo, ou a capa tem uma ligeira diferença: isso todos os consumidores sabem. E esse tipo de publicidade, do Record Store Day por exemplo, que nós aí apostamos imenso e fizemos uma campanha fortíssima este ano, por exemplo, aí sim nota- se que o vinil tem uma força incrível. As edições são numeradas e são poucas, saem 300 cópias de um disco, saem 4000 de outro, normalmente são numeradas portanto é um objeto colecionável também.

Portanto, esse tipo de publicidade, sim, não podemos deixar adormecer obviamente, temos que lembrar, mas ao lembrar com outras campanhas há sempre um disco que nos salta mais que nós podemos de certo modo publicitar, mas não acho que seja por catálogo. As pessoas já sabem, hoje em dia a internet fornece as informações todas. Sempre que saem discos, o cliente sabe que disco é que vai sair, alguns pedem atempadamente, um pré-compra… Portanto, tudo isto está num trilho relativamente direcionado para essa situação. Portanto o cliente sabe, encomenda ou compra porque aquele tipo de publicidade em que se faz um: “esta semana saem 5 discos, para a semana saem mais 5”, as pessoas cansam-se e nem gostam, portanto esse tipo de publicidade não funciona, daí não acharmos muito necessário ainda uma campanha fortíssima.

As nossas montras basicamente só veem vinil, portanto até por aí.

TT: Param pelo menos para ver e fotografar também.

I: E há bocado falou da página do Facebook e das newsletters nos e-mails… Acha que o digital ou os meios online influenciaram as compras dos discos?

TT: Isto se começa a falar e o bolo começa a aumentar, tudo isto vai alargando e as

pessoas vão tendo essa informação e eu acho que isso possa influenciar. Mais, se nós usamos a newsletter ou o e-mail ou até o Facebook e o Twitter, mal ainda, se usamos porque há uma situação, é lógico que isso vai despoletando uma curiosidade e vai abrindo o leque. Sim, sem dúvida.

O vinil tem sempre- até porque também é uma questão de moda, sabe? É que há uma coisa aqui que as pessoas ainda não entenderam. Na minha opinião, o vinil tem que ser ouvido em condições mínimas de qualidade para se usufruir e tirar partido daquilo que ele nos possa transmitir. Existem uma série de equipamentos que por acaso são muito bonitos, mas que em termos de qualidade são muito fracos, os discos hoje são prensados com qualidade de audiófilo, têm 180 gramas, muitos deles. Existem aparelhos desses que nem sequer conseguem arrancar com o disco lá em cima, portanto, isto é apenas uma questão de moda, digo eu. Porquê? Porque há muita gente que compra, que acha bonito o aparelho, coloca lá um disco, mas não está ainda muito dentro da filosofia do vinil, percebe?

Há outra coisa muito importante, enquanto que nestes tipos de suportes digitais, nós colocamos o suporte, podemos escolher a música que queremos, podemos repeti-la, podemos fazer um repeat do disco todo e estarmos a tarde inteira a ouvirmos o disco, e sem me levantar. Isso é uma questão: é que muitas das vezes a mensagem que está acolá não passa, digo eu, porque vamo-nos entreter a fazer outras coisas.

No vinil não, de quarto de hora em quarto de hora tenho que levantar para ir lá mudar o disco. Muitas das vezes ouve mesmo, não está a fazer algo e não está com a atenção devida. No vinil, quase sempre, e quem o tem, essa mensagem passa muito mais depressa via vinil do que suportes digitais. É a minha opinião, desde que o equipamento também seja mínimo. E portanto não estamos a falar de gira-discos de topo de gama, mas pelo menos um gira-discos médio com uma capacidade sonora simpática, nós vamos usufruir de um tipo de som muito agradável. E portanto, estou a ressalvar um bocado isto

porque existe um bocado este tipo de situação.

I: E agora a última pergunta, considera que a nostalgia, a memória, desempenha um papel na compra do vinil?

TT: Numa geração mais antiga, sim. Mas nos jovens, não. Aliás eles nem têm a

nostalgia porque se eles são novos, nem sequer sabiam o que é que era o vinil. Agora é que vão aprendendo e sabendo como é que o formato surge e porquê, etc.

Sim, alguma geração mais antiga até repete discos, porque está estragado e querem novamente tê-lo por uma questão de saudosismo: “namorei a ouvir isto” e “eu fiz ao ouvir aquilo”. Esse tipo de nostalgia acontece na compra do vinil. Por isso é que se vendem muitos dos discos dos anos 60 e 70, quer dizer, continua-se a vender bandas que editaram nessa altura e que os discos foram agora reeditados e que as pessoas vêm adquirir: os Creedence Clearwater Revival ou coisas do género. São bandas que estão ou estavam praticamente esquecidas e que o vinil veio trazê-las novamente e que esta geração mais quarentas para cima vêm recordar.

Portanto, sim, o vinil nesse campo tem um poder muito maior do que o poder do CD, sem dúvida. Até pelo próprio formato, pela própria forma de pegar no disco. Há clientes que estão a pegar no disco e que para eles estão a pegar numa preciosidade. É mesmo uma preciosidade.