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Cadre th´ eorique

1.5 Unit´ es th´ eoriques d’analyse

1.5.2 Les tone-units

A loja Vinyl Disc descreve-se como “um espaço de cultura na cidade do Porto: tertúlias sobre o vinil, leitura de publicações relacionadas com a música que se faz por cá e fora de portas e a oportunidade de ouvir aquela música ou o disco que quer recordar.” O conceito da loja foi inspirado numa loja espanhola – o conceito casa-loja – e a principal motivação para o início do negócio foi o gosto e o colecionismo dos discos de vinil por parte do dono do estabelecimento (Vinyl Disc, 2019).

Um dos temas recorrentes com a Vinyl Disc é a evolução do mercado dos discos de vinil, uma vez que existem há cerca de 13 anos, percebem que houve um aumento na procura e na oferta de discos de vinil:

“[…] o vinil em Portugal terminou em 1992, quando apareceu em força o CD em Portugal, embora lá fora continuasse sempre a sair vinil e tal. E o vinil, houve uma fase aí que toda a gente queria se despachar do vinil, o vinil acabou, morreu.

Mas depois, com o ressurgimento do turismo, os turistas começaram a procurar vinil em Portugal e isso despertou a curiosidade… Começaram-se a abrir lojas de vinil usado, lojas específicas […] de vinil usado. Porquê? Porque tem mercado.” (Vinyl Disc, 2019)

Uma razão que a loja acrescenta para o regresso dos discos de vinil é o turismo, ou seja, indicam que houve uma importação do fenómeno, referindo também que há uma maior produção de vinil no exterior que acaba por ter impacto no consumo em Portugal. Várias vezes é mencionado clientes do exterior, de países como o Japão, a China e a África do Sul, assim como a existência de fábricas de vinil maiores no estrangeiro,

nomeadamente no Brasil e em Espanha. E ainda atribui a responsabilidade da possibilidade de chegar a outros países à internet e à facilidade de descobrir informação através dos meios de comunicação. Inclusive, no que toca aos meios de comunicação digitais, considera que também consegue chegar aos clientes, pela facilidade de partilhar áudios e de divulgar canções e bandas que de outra forma não seriam conhecidas pelo consumidor.

Já no que toca ao público, a Vinyl Disc faz a principal diferenciação entre o comprador curioso, onde encaixa também o público mais jovem, e o comprador que é colecionador, já muito mais informado sobre os produtos raros de valor mais elevado e que não se importa de pagar mais pelo disco. Para além de conseguir traçar uma divisão geral em termos de gostos musicais procurados pelo público consumidor, na qual a faixa etária mais jovem procura hip-hop e rock alternativo e a faixa etária mais velha procura jazz. E também indica os géneros mais procurados sem uma faixa etária específica, como o Soul, Funk, Motown, para além do House e Techno cujo público consumidor é na sua maioria DJs.

A empresa consegue identificar dois principais critérios como motivação de compra dos discos de vinil, um deles é a “carga mística”, termo utilizado pelo entrevistado, que entende o disco de vinil como um objeto de culto que muitas vezes é difícil de adquirir algumas edições e volumes pela sua raridade, principalmente os originais que são vistos como tendo melhor qualidade dos que as reedições, sendo de valor simbólico superior. Outro critério que encontra para explicar a compra do vinil é a qualidade do som superior à qualidade do som do digital ou do CD:

“Porque o CD também tem boa qualidade, só que […] acho que o CD em relação ao vinil é um som frio onde sobressai os agudos, um som metálico… […] O vinil já é um som muito mais limpo. A gente ouve ali todos os sons muito bem definidos, os graves, os agudos, sem estar compactado…” (Vinyl Disc, 2019)

E associa este fator à experiência de ouvir vinil que também atrai o consumidor a comprar o disco:

“[…] estando um disco em perfeitas condições é agradável ouvir porque é um som envolvente e depois aquela coisa de estar a manusear a capa do disco, ler toda a sua

descrição referente ao disco. Porque, para mim, música é cultura […].” (Vinyl Disc, 2019)

Quando se questionou sobre o papel da nostalgia na compra do vinil, a resposta foi afirmativa, principalmente através de uma memória visual quando expõem os seus discos na rua. Ou seja, se o consumidor não tivesse esse encontro visual com a capa do disco, provavelmente, não iria comprá-lo nem iria em busca do disco com o fim de o adquirir. Nota-se também que o principal estímulo que provoca o sentimento de nostalgia ao consumidor é atribuído ao estilo de música ou a alguma banda específica, mais do que ao disco de vinil em si:

“Param, veem o disco e compram só porque viram a capa e relembraram-se. Lá está a nostalgia. É um caso curioso.” (Vinyl Disc, 2019)

Em termos de estratégias e táticas para atrair o público, a Vinyl Disc afirma que usa sobretudo a internet, usando-se de newsletter semanais e da página do Facebook na qual divulga essas mesmas newsletters. Para além disso, expõe os seus produtos na feira do Mercado Porto Belo todas as semanas, na qual distribui os cartões da loja e os seus flyers. No entanto, o entrevistado sublinha que é muito importante a aproximação ao cliente, de forma a haver uma relação amigável e bom atendimento para que o cliente encontre aquilo que procura.

No que toca à presença nos meios digitais da Vinyl Disc, o seu website permite ver o catálogo completo da loja assim como subscrever às newsletters. A sua página de Facebook apresenta maioritariamente as hiperligações para as newsletters semanais e o seu conteúdo não explora outros tipos de publicações com a exceção de poucos vídeos e imagens partilhados de outras páginas. Ou seja, não existe uma produção de conteúdos próprios e direcionados especificamente para a sua página do Facebook. Isto demonstra que a Vinyl Disc tem o seu foco voltado principalmente para a sua coleção e para a qualidade dos artigos que comercializa.

Porém, as recomendações de 13 utilizadores e opiniões de 37 utilizadores que resultam na média de 4,9/5, sendo uma parte destacada da página que dá credibilidade à loja, e é possível ver que existe uma grande interação entre o gestor da Vinyl Disc com os clientes na página, corroborando com o que foi dito anteriormente sobre a importância

de criar uma relação com os clientes. Para além disto, apesar de a página ter um total de 1117 gostos e 1138 seguidores, as publicações da mesma durante o ano de 2019 têm um número máximo de 40 gostos, sendo que a maioria delas obteve entre os 3 e os 4 gostos.