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Topological Sorting

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CHAPTER 5: PROCESSING WORDS

7.3 Topological Sorting

A uma produção racionalizada, expansionista, além de centralizada, barulhenta e espetacular, corresponde outra produção, qualificada de “consumo”: esta é astuciosa, é dispersa, mas ao mesmo tempo ela se insinua ubiquamente, silenciosa e quase invisível, pois não se faz notar com produtos próprios, mas nas maneiras de empregar os produtos impostos por uma ordem econômica (Certeau, 1994, p.39).

Foi através da tese de doutorado de minha orientadora e das aulas que ela

ministrou no Mestrado que, pela primeira vez, entrei em contato com as idéias de

Michel de Certeau. Duran (1995), ao discutir os caminhos e descaminhos do Ciclo Básico em São Paulo, apoiou-se na teoria de Certeau, defendendo que a uma

produção institucionalizada, centralizada, que cria o Ciclo Básico, corresponde

outra produção – há uma invenção no cotidiano que estabelece as formas como

os professores nas escolas e os demais agentes do sistema vão se ajustando e

reorganizando esse discurso –, uma produção mais escondida, aquela dos “consumidores”, e que “marca o que fazem com os produtos” (cf. p.29).

Em seu artigo “Apresentando Certeau, através de alguns fragmentos”,

Duran (1999) considera que

A originalidade da obra de Certeau está justamente na forma como ele

inverte o modo de se interpretar as práticas culturais contemporâneas,

recuperando o que chama de “astúcias anônimas das artes de fazer” –

esta arte de viver a sociedade de consumo. Na perspectiva da racionalidade técnica, o melhor modo possível de se organizar pessoas e

coisas é atribuir-lhes um lugar, um papel e produtos a consumir. Certeau,

ao contrário, nos mostra que “o homem ordinário” inventa o cotidiano com

mil maneiras de “caça não autorizada”, escapando silenciosamente a

essa conformação. Essa invenção de cotidiano se dá graças ao que

Certeau chama de “artes de fazer”, “astúcias sutis”, “táticas de

resistência”, que vão alterando os objetos e os códigos, e estabelecendo

uma (re) apropriação do espaço e do seu uso ao jeito de cada um. Ele

acredita nas possibilidades de a multidão anônima abrir o próprio

caminho no uso dos produtos impostos pelas políticas culturais, numa

liberdade em que cada um procura viver do melhor modo possível, a

ordem social e a violência das coisas. (p.3)

Ao atribuir às práticas o estatuto de objeto teórico, Certeau busca encontrar

os meios para ‘distinguir maneiras de fazer’, de pensar ‘estilos de ação’, ou seja,

fazer a teoria das práticas cotidianas dos consumidores, supondo no ponto de

partida que elas são do tipo tático’ (cf. Duran, 1999, p.3).

Para dar sentido e compor o cenário em que tais práticas se expressaram,

desenvolvi um pequeno histórico da introdução das teorias pedagógicas junto à

gradativa expansão da rede de educação infantil no município de São Bernardo do

que evidencia as influências teóricas que compuseram a gradativa expansão da

rede em suas relações político-ideológicas. É nítida a preocupação com a

orientação educativa da rede municipal de educação infantil, presente no período,

ainda que fossem utilizadas diferentes denominações: “Jardim da infância”, “Pré-

primário”, “Parque infantil”, “EMEI”, “EMEB”. Tais denominações já significavam de

certa forma adesão a algum teórico: Froebel, Montessori, Poppovic, Piaget,

Vygotsky, Wallon, Ferreiro, entre outros, que influenciavam as orientações

pedagógicas.

Nesse meu trabalho de pesquisa, busquei uma análise das mudanças que

ocorreram nas práticas das professoras, na educação infantil, em São Bernardo

do Campo, durante um período histórico determinado – entre 1960 e 1990, e seus

reflexos nas práticas atuais (início da década de 2000).

Nessa reflexão final, optei por desenvolver uma reflexão sobre tal processo

de transformação das práticas, com a contribuição de Michel de Certerau.

Problematizando: se as práticas são fugidias, é possível considerar

algumas maneiras de pensar as práticas cotidianas dos professores de educação

infantil da rede Municipal de São Bernardo do Campo, supondo, no ponto de

partida, que elas são do tipo tático? É o que proponho desenvolver para concluir

esta pesquisa.

Para dar conta das práticas das professoras, para dar conta das práticas de

consumo de que nos fala Certeau, não estarei dialogando com o material utilizado

e imposto pela “produção”, seja pelas Secretarias de Educação, seja por outros órgãos instituídos, mas sim com a formalidade própria dessas práticas, com seu “movimento” astucioso, com a atividade de “fazer com”, com as maneiras de os

professores utilizar tais produtos.

Para tal análise, utilizo-me do par “estratégias e táticas” cotidianas, na

perspectiva certeauniana. Duran (1999) organizou uma análise desses conceitos,

nos seguintes termos:

Certeau chama de estratégia “o cálculo (ou a manipulação) das relações

de forças que se torna possível a partir de um momento em que um

sujeito de querer e poder (uma empresa, um exército, uma cidade, uma

instituição científica) pode ser isolado”. Nesse sentido, a estratégia

postula um “lugar”, um “próprio”, “um lugar do poder e do querer

próprios”, de onde se podem “gerir as relações com uma exterioridade de

alvos ou ameaças (os clientes ou os concorrentes, os inimigos, o campo

em torno da cidade, os objetivos e objetos de pesquisa, etc.)” (1994,

p.99).

Certeau reconhece nas estratégias um tipo específico de saber – aquele

que sustenta e determina o poder de conquistar para si um “lugar próprio”. De

outra parte, Certeau também reconhece o domínio dos lugares pelo olhar, o qual

transforma as forças estranhas em objetos que se podem observar e medir,

controlar e incluir na sua visão, prever e antecipar-se ao tempo pela leitura de um

espaço. Ou seja: “um poder é a preliminar deste saber, e não apenas seu efeito ou

seu atributo” (Certeau, p.100).

Por tática, Certeau (1994) entende a “ação calculada que é determinada

(p.100). Este não-lugar lhe permite mobilidade, movimento, operando “golpe por

golpe”, “lance por lance”, captando “no vôo, as possibilidades oferecidas por um

instante”, “as falhas que as conjunturas particulares vão abrindo na vigilância do

poder proprietário”, vai “caçar”, criar “surpresas”, consegue estar onde ninguém

espera. É astúcia. Em suma, a tática é a arte do fraco” (p.101); são procedimentos

que valem pela pertinência que dão ao tempo (p.102).

Considerando o par: estratégias e táticas – da forma como foi proposto por

Certeau e sumariado aqui –, quero compreender o processo de construção, pelos

professores, das práticas em educação infantil. Certeau (1994) interpreta as

práticas culturais cotidianas resgatando as astúcias e táticas anônimas das artes

de fazer dos “consumidores” e que acontecem quase que de maneira invisível,

mas que representam uma reapropriação do cotidiano da vida numa sociedade de

consumo. E essas “maneiras de fazer”, quase invisíveis, “constituem as mil

práticas pelas quais os usuários se apropriam do espaço organizado pelas

técnicas da produção cultural” (p.41).

A professora, como ser histórico, em constante mudança, vive em um

tempo e em um espaço também em mudança. No desenrolar desta pesquisa, as

mudanças de tempo – histórico, político, econômico; as mudanças de espaço

pedagógico em que as práticas se desenvolvem, puderam ser problematizadas

considerando tais transformações, considerando suas continuidades e

descontinuidades, o vivido e o praticado por sujeitos também em construção e em

transformação.

Sintetizando, na perspectiva de trazer uma contribuição para esse tema tão

fugidio – as práticas dos professores de educação infantil e suas transformações –

fui buscar, em Certeau, a referência teórica para compreender o processo de

construção das práticas em educação infantil, considerando as invenções dos

sujeitos que as realizam e as suas táticas.

A inquietação que me conduziu nessa direção, ou seja, na busca dos “porquês” e “como” ocorrem mudanças nas práticas da educação infantil, na rede

municipal de São Bernardo do Campo, encontram, na perspectiva certeauniana

das “invenções cotidianas”, a representação de diferentes formas de os

professores se ajustarem às políticas, as diferentes formas de “caça não

autorizada” que vai reorganizando o cotidiano de suas práticas e se expressam

nos trabalhos dos alunos. Como já analisado por Duran (1995), em relação a

proposta do ciclo básico de alfabetização, tais invenções cotidianas, de um lado,

foram institucionais, perpassando todo o percurso de uma gestão política, todo um

processo de formação de professores. Mas, de outro lado, foram invenções

pessoais, individuais, do professor, e ocorreram no interior das unidades escolares (p.32).

A transformação das práticas na educação infantil de São Bernardo do

Campo não ocorreu de forma linear e autônoma: as mudanças apontadas nas “tendências pedagógicas”, ou seja, nas teorias que se apresentam hegemônicas

num determinado momento histórico, não se expressaram nas práticas da

educação infantil no mesmo período e num mesmo ritmo. A documentação

levantada, no período estudado, considerando tanto os trabalhos dos alunos como

a rememoração, pelas professoras, de suas práticas, evidencia diferentes

de base às orientações então veiculadas, transformando suas práticas. As

professoras, de fato, pensam sobre suas práticas, atribuem a elas um sentido,

reagem diante das questões que ora as desestabilizam, ora as incomodam, pois

são elas as autoras de seu fazer docente.

Na década de 1980, por exemplo, professoras expressavam sua

perplexidade sobre antigas práticas que vinham realizando, algumas até

buscavam alternativas para o seu fazer, como se observa num trecho do relato da professora “D”:

(...) eu era uma professora incomodada, porque às vezes não sabia o porquê que de estar fazendo aquilo. No início eu me sentia assim, um pouco aquela coisa de babá, eu não me sentia professora, vinha tudo pronto, era brincadeira, cantar, eu não sentia uma integração com a criança. Parecia que eu estava ali no dia-a-dia com as crianças, mas eu fazia aquelas brincadeiras e não tinha um objetivo. Essa brincadeira vai levar a quê? (Trecho do relato da Profª “D”)

Refletindo sobre o seu papel como professora e sobre suas perplexidades diante das normas instituídas, a professora buscava novos caminhos para dar

sentido à sua prática. Mesmo com a padronização das folhas de propostas de

atividades, com carimbos determinando o que deveria se feito, como por exemplo,

“dobradura”, “desenho livre”, “prontidão”, desenvolvendo uma rotina dessas

propostas, ela também, a partir da reflexão de sua própria prática, buscava novas “maneiras de fazer”, perguntando aos alunos: “O que você desenhou?”, e anotava,

a lápis ao lado do desenho, os comentários das crianças.

Essa não era uma prática “proposta” ou mesmo “permitida” pela

coordenação, mas a professora naquele momento buscava algumas estratégias

para dar sentido ao que estava realizando.

Segundo Certeau (1994), a ordem instituída não indica o que ela é para os

que a executam, ou seja:

A presença e a circulação de uma representação (ensinada como o

código da promoção sócio-econômica por pregadores, por educadores ou

por vulgarizadores) não indicam de modo algum o que ela é para seus

usuários. É ainda necessário analisar a sua manipulação pelos

praticantes que não a fabricam. Só então é que se pode apreciar a

diferença ou a semelhança entre a produção da imagem e a produção

secundária que se esconde nos processos de sua utilização. (p.40)

Nota-se na fala da professora “D” uma inquietação, que pode ser também

das outras professoras suas colegas, em relação às orientações curriculares

vigentes até o final da década de 1980, como é o caso do chamado “caderno de

coordenação motora”. Embora as professoras desenvolvessem tais exercícios

com seus alunos – o que pode ser observado nas pastas e, nos cadernos

analisados, elas questionavam tais práticas, como o caso da Professora “E”. Diz

ela: “(...) entre nós, professoras, comentava-se: por que este caderno de coordenação, se isto eles fazem no desenho?”

Mesmo que intuitivamente, as professoras acabavam por buscar outras maneiras de desenvolver o que era proposto, de forma a tornar mais interessante e desafiadora a atividade que tinha o objetivo de desenvolver a coordenação

motora, com lápis e papel, como lembra a professora “B”. Essa professora

rememora os momentos de “pinturas em telas” que ocorriam em manhãs

ensolaradas, nos idos da década de 1960, quando, de maneira prazerosa, as

crianças acabavam por realizar os mesmos exercícios, antes considerados

exaustivos!

Se em alguns momentos, as práticas das professoras podem, de certa

forma, corresponder a uma determinação do poder instituído, a uma solicitação do

discurso oficial, existe uma “sabedoria da prática” que, muitas vezes, está na

contramão desse discurso. Existe uma sabedoria das professoras que as

resguarda - resguardando também os alunos – de se deixarem levar pelo discurso

da moda, do discurso “politicamente correto” de uma administração.

Algumas atividades desenvolvidas na década de 1990 e início da década

de 2000 deixam claro, para um observador experiente, que as orientações

curriculares apontavam novos caminhos para as práticas da educação infantil.

Ainda que o discurso de algumas professoras revelasse a cooptação pelo discurso

oficial, as atividades por elas desenvolvidas enveredavam por outros caminhos. As orientações curriculares, naquele momento, apontavam para uma

determinada concepção de alfabetização, ou seja:

Acreditamos que ser alfabetizado é muito mais do que conseguir decifrar

letras ou mesmo registrar a palavra do outro. Envolve ‘produzir’ e ’fazer’

língua escrita, ou seja, instrumentalizar-se para a elaboração de uma

leitura mais objetiva do mundo, reescrevendo-o sob sua ótica e

ampliando sua condição de agente transformador, autor de seu próprio

pensamento. (Educação infantil em São Bernardo do Campo: uma

proposta integrada para o trabalho em creches e EMEI’s, 1992 p.77)

Os quadros de atividades que organizei, a partir do levantamento da documentação pertinente (anexo II), mostram as marcas de uma concepção de

alfabetização enquanto “aquisição de uma técnica”. Isso porque o discurso oficial,

considerado pertinente naquele momento histórico, fora construído a partir de um

pequeno grupo de professoras, em articulação com a Equipe Técnica. Era esse o

discurso que devia ser “consumido”, ou seja, aceito e expresso nas práticas das

professoras com seus alunos. Porém, como já pudemos observar, considerando

os quadros de atividades da década de 1990 (anexo II), a transformação da

prática não ocorre de forma repentina. Isto porque as práticas não podem ser

interpretadas como um campo de aplicações de teorias, como um campo de

aplicação do discurso do outro. Por trás das práticas das professoras há uma

teoria embutida. Os professores não são consumidores de teorias; as teorias

ganham sentido e são marcadas pela atividade dos sujeitos que as realizam.

Enquanto as orientações curriculares, nesse período, tecem críticas sobre a

concepção de que a aprendizagem da leitura e da escrita se dá a partir do treino

de técnicas perceptivo-motoras, as atividades de prontidão acontecem em

escrita, que pouco aparecem através das produções espontâneas, do contato com

os textos e das reflexões sobre o letramento.

São as atividades de alinhavo, dobradura, perfuração e desenho dirigido

que se fazem presentes em grande quantidade, contrariando, assim, as orientações curriculares que defendem a produção espontânea da criança,

alimentada pela apreciação, por dados da história da arte e pela arte como se

apresenta socialmente no cotidiano. Através dos trabalhos dos alunos nesta

década pode-se observar claramente um conflito instalado em relação às

mudanças curriculares.

Duas concepções contrárias se expressavam nas atividades dos alunos:

embora a maioria ainda preservasse concepções anteriores, algumas atividades já

expressavam produções espontâneas, textos coletivos e reflexões sobre a escrita.

Isso demonstra o quanto as professoras se resguardam, buscando elementos que lhes dê segurança em suas práticas.

Dessa maneira observa-se que, para que as transformações se efetivem

nas práticas, é preciso um processo de apropriação docente de novos

conhecimentos e de novas concepções, que vão se incorporando aos anteriores

marcos conceituais, transformando-os. As professoras buscam, em suas antigas práticas, um sentido, vão estabelecendo relações com os novos conhecimentos,

reinventando a prática sem deixar de lado sua história como professora, sua

própria história de vida.

Como diz Certeau (1995) “para que haja verdadeiramente cultura, não

basta ser autor de práticas sociais: é preciso que essas práticas sociais tenham

significado para aqueles que as realiza” (p. 141). Assim, as professoras não vão

realizar algo que lhes é imposto; elas atribuem significado às suas práticas. Os

consumidores não recebem os “produtos” de forma passiva, como meros

expectadores, mas realizam o que Certeau chama de “maneira própria de fazer”.

Eles vão transformando tais produtos impostos a partir da própria experiência e

própria história, revestida de inventividade, de criatividade, definida como a

capacidade de reempregar e associar materiais heterogêneos. Como diz Certeau

(1995):

A criatividade é o ato de reempregar e associar materiais heterogêneos.

O sentido prende-se à significação que esse reemprego lhe confere.

Esse sentido nada diz por si mesmo: ele elimina todo valor sagrado que seria dotado de um signo em particular; implica a rejeição de todo objeto

tido como “nobre” (...). O que se torna crucial é o ato cultural próprio à “colagem”, a invenção de formas e de combinações e os procedimentos

que se tornam capaz de multiplicar as composições. (p.114)

Com a reflexão sobre a prática e sobre o próprio processo de mudança,

pode-se observar em muitos dos depoimentos que as professoras se colocavam contra aquilo que lhes era imposto pela coordenação. Algumas até afirmavam que

o processo de mudança não significava aplicar o que lhes era imposto pela equipe

técnica, mas sim na reflexão sobre as próprias práticas que realizavam, que se

Para mim, a grande questão é a tematização da prática, é olhar para a atividade e pensar se aquilo vai estar ajudando a quem? A mudança na prática não depende só do curso de formação (...). (Trecho do relato da Profª “G”) (...) questionamentos sobre algumas coisas que não faziam sentido e estavam sendo realizadas nas práticas apareciam como elementos para a reflexão.

(Trecho do relato da Profª “G”, referindo-se aos incômodos no final

da década de 1980).

As professoras reagem diante das diretrizes curriculares, pensam sobre o seu fazer docente e buscam dar sentido à sua prática; não descartam suas

concepções construídas ao longo de sua história. Elas respondem a um poder,

que é instituído, mas se resguardam; elas têm um saber que foi construído

historicamente ao longo de sua trajetória como professora. As resistências diante

do novo surgem muito mais para a preservação de sua integridade pessoal, para a

preservação de seus saberes, como pode ser observado no relato da Profª “C”:

Eu peguei o “boom” da Emília Ferreiro, foi logo que eu estava para me aposentar, mas eu tenho algumas críticas. Quando eu trabalhei na pré-escola, as crianças eram livres sim, mas tinha um limite, nada do que você fez ontem não pode não ter nada positivo hoje. Liberdade de criar e de se desenvolverem, as crianças já tinham. Voz ativa no processo educacional, elas sempre tiveram, porque a gente procurou partir do interesse delas, a gente nunca colocou o professor como o centro do saber e a criança como ignorante (...).

Ao analisar a construção de conhecimento pelas crianças, parto da

concepção de que essa construção se dá num processo em que as crianças vão

criando hipóteses a respeito do objeto a ser compreendido, a partir de suas

vivências e experiências. Essas hipóteses vão se transformando à medida que

novas informações vão sendo incorporadas aos saberes anteriores, que, por sua

vez, também vão se transformando. Nesse sentido, considero que os saberes já

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