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Data Validation

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CHAPTER 3: DATA PROCESSING

3.2 Data Validation

A contribuição dos estudos da biologia sobre os processos de crescimento,

maturação, adaptação e hereditariedade permitiu a construção de hipóteses sobre

a influência de vários fatores, como a hereditariedade, a desnutrição e as doenças

infantis sobre o processo de aprendizagem dos alunos. Segundo Lourenço Filho

(s/d), essas indagações levaram ao surgimento das bases para a constituição da

higiene escolar, assim como a preocupação com a preservação da saúde na

escola e por ação da escola. Em conseqüência a essas considerações, as práticas

educativas passaram a admitir estreito relacionamento com as da higiene (como forma de prevenção de doenças), puericultura e medicina (como forma de

compensar, remediar).

As considerações dos escolanovistas em relação às necessidades das

ações educativas estarem diretamente relacionadas com os conhecimentos sobre

a natureza humana implicaram, além do conhecimento biológico acerca do

desenvolvimento, um conhecimento sobre os aspectos psicológicos e suas

variações nos diferentes momentos do desenvolvimento.

As contribuições da psicologia, assim como da biologia, partiam de estudos

das patologias para a elaboração de metodologias para o desenvolvimento de

diferentes aptidões e atitudes prévias à aquisição da linguagem escrita.

Segundo Patto (1973), vários programas, e também práticas escolares,

foram desenvolvidos com o objetivo de elevar o nível de prontidão das crianças

(principalmente das provenientes de classes sociais mais baixas, consideradas deficientes culturais), de modo a capacitá-las a responder mais adequadamente

aos objetivos educacionais colocados pela escola primária. A autora acrescenta

que esses programas de educação compensatória traziam como principal objetivo

compensar as deficiências do ambiente de classe baixa e, por isso, as escolas

pré-primárias tornavam-se um antídoto às influências dos ambientes pobres de

as crianças passam a ser submetidas a um ambiente enriquecido do ponto de

vista da estimulação.

Segundo Popovic (1966), o significado da prontidão para a alfabetização

constituía-se em um nível suficiente, sob determinados aspectos intelectuais,

afetivos, sociais e físicos, e necessário às crianças para iniciar o processo da

função simbólica, que é a leitura, e sua transposição gráfica, que é a escrita. De

acordo com esta concepção, o trabalho na educação infantil centrava-se no

desenvolvimento das funções específicas para preparação para a alfabetização,

como o desenvolvimento da linguagem, a percepção, a orientação espacial e

temporal, o esquema corporal e a lateralidade.

Segundo Popovic, o amadurecimento do sistema nervoso processa-se paulatinamente integrando todas as noções adquiridas, à medida que existam

condições internas e externas, e qualquer falha nesse processo interativo pode

provocar desarmonias evolutivas, traduzindo-se como disfunções. Daí a

necessidade de os “cursos pré-primários, através de um programa e currículo

estruturado e graduado evolutivamente, preparar a criança normal e treiná-la, a

fim de que adquira os instrumentos básicos indispensáveis, que constituem a

prontidão para a alfabetização” (Popovic, 1966, p.21).

A autora tinha como proposta uma organização em etapas das atividades

de prontidão em que as crianças só passariam para uma nova etapa quando

tivessem garantido o domínio da anterior, ressaltando como finalidade dos

exercícios não a entrada no campo da alfabetização, mas uma maneira de

proporcionar às crianças condições adequadas para enfrentar esse processo.

As etapas se dividiam em exercícios, envolvendo os sentidos, as funções

específicas e o grafismo, de maneira que os exercícios de treinamento motor

incluíam-se em todos:

 Sentidos: treinamentos de percepção visual, identificação de cores e

formas, reconhecimento de semelhanças e diferenças, exercícios

identificações a partir do olfato, paladar e tato, observação de figuras

que se relacionam, exploração do esquema corporal.

 Funções específicas:

Noções quantitativas (muito, pouco; mais que e menos que; maior

que e menor que; fino e grosso, largo e estreito; alto e baixo)

 Orientação espacial (exercícios com o corpo de subir, descer; em

cima e em baixo)

 Orientação temporal (antes e depois, perceber a seqüência

temporal em fatos e histórias)

Esquema corporal (nomear as partes do corpo, andar, pular,

correr, andar de frente, de lado, de costas, noções de primeiro e último)

Metria (noções de distância)

Lateralidade (andar para a direita, para a esquerda, assinalar o

que está à direita e à esquerda e ao meio)

 Grafismo: o primeiro treinamento que a criança realiza com o lápis,

seguindo uma ordem de dificuldade. Segundo a autora, os exercícios

devem ser contínuos, iniciando-se com o dedo na direção das linhas

a serem traçadas, em atividades como: linhas retas, vertical e

horizontal, inclinadas, oblíquas, traçado das letras e números,

identificação das letras e números.

Apesar dos programas preparatórios, os resultados na alfabetização

continuavam insatisfatórios, permanecendo grandes os índices de evasão e

repetência nas séries iniciais, gerando, desta forma, questionamentos sobre a

insuficiência do trabalho de desenvolvimento das aptidões motoras e perceptuais,

presentes nos programas de prontidão, para o desenvolvimento do processo de

aquisição das técnicas de ler e escrever.

Kramer (1989, p.24-25) estabelece críticas em relação à concepção de pré-

constitui em uma tendência pedagógica, podendo ser encontrada tanto em

tendências românticas como cognitivas e ainda hoje presente em práticas em que

a criança é considerada como alguém que virá a ser um adulto:

A “preparação da prontidão”, como é chamada, não se constitui,

entretanto, em uma tendência pedagógica da educação de crianças

menores de 7 anos. Ela representa, na verdade, uma desconsideração

quanto à especificidade dessa educação e uma espécie de “prolongamento para baixo” ou antecipação da perspectiva mais

tradicional da educação de 1º grau. Baseada em treinamentos, a “preparação” visaria, assim, a “aceleração” (das crianças das classes

médias) ou a “compensação de carências” (das crianças das classes

populares).

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