INTRODUCTION GENERALE
1.3.3. Thermodynamique électrochimique
7.1 – Conclusões
Conforme pôde ser observado a partir das estatísticas analisadas, todas as hipóteses nulas puderam ser rejeitadas com uma significância inferior a 0,001 (1%); o que quer dizer que houve uma probabilidade de erro nas afirmativas propostas inferior a 1%.
Dessa forma, pode-se afirmar que as atitudes com relação as características e as sensações do espectador com relação aos filmes são influenciadas pela sua origem. Dessa forma, pode-se dizer que existe um viés pré-concebido entre esse público consumidor com relação a um filme exercido exclusivamente pela sua origem, que interfere na avaliação do mesmo.
Os filmes brasileiros tiveram suas avaliações para as características com respeito aos filmes elevadas no período de 1991 a 2003. todas as médias das características foram superiores em 2003 com relação a 1991.
Em 1991 o cinema brasileiro era tido pela amostra utilizada como mais realista que o cinema estrangeiro em geral e inferior em todas as outras 11 características.
Em 2003, nove itens foram avaliados de forma superior para o cinema nacional em relação ao estrangeiro. Mesmo acreditando que tal fato se deve, ao menos em parte, ao preenchimento de questionário em uma época de forte projeção do cinema nacional e, em específico, do filme Cidade de Deus, que voltou às telas em 2004 em decorrência de sua indicação ao Oscar, não se pode descartar a influência das produções lançadas ao longo da década de 90 em tais respostas.
Para as sensações com relação aos filmes, em 1991 todas as sete sensações avaliadas obtiveram médias inferiores na avaliação do cinema brasileiro. Já em 2003, o cinema nacional foi avaliado como mais envolvente, mais emocionante e mais inteligente que o cinema estrangeiros de forma geral.
As notas relativas às características dos filmes brasileiros também obtiveram uma mudança significativa entre as amostras de 1991 e de 2003. Conforme pode ser observado na tabela a seguir, em uma escala de cinco pontos, 35,7% (42,3% em 2003 contra 6,6% em 1991) a mais dos respondentes atribuíram nota máxima ao cinema brasileiro no item humor, 32,4% (43,4% em 2003 contra 11,0% em 1991) a mais dos respondentes atribuíram nota máxima ao cinema brasileiro no item atores e 18,5%
(26,2% em 2003 contra 7,7% em 1991) a mais dos respondentes atribuíram nota máxima ao cinema brasileiro no item música. O aumento do percentual de notas quatro também foi significantemente alto nos itens som - 19,5% (30,0% em 2003 contra 10,5% em 1991); produção – 21,9% (34,1% em 2003 contra 12,2% em 1991); enredo – 19,9% (34,8% em 2003 contra 14,9% em 1991) e sofisticação 17,7% (19,9% em 2003 contra 2,2% em 1991).
Nenhum dos doze itens utilizados para analisar as características dos filmes obtiveram maior votação percentual em 1991, para as notas 1 e 2, em relação a 2003, o que quer dizer que a avaliação do cinema brasileiro teve sua distribuição de notas deslocada de uma área de notas baixas para uma área de notas altas em todos os itens analisados.
A avaliação das sensações gerada pelos filmes brasileiros foi prospectada com base em uma escala de cinco pontos para classificar sete atributos dicotômicos dois a dois, a saber: simples – complexo, envolvente – dispersivo, relaxante – tenso, apático – provocante, realista – fantasioso, emocionante – entediante e inteligente – tolo. A nota 1 equivaleria a classificar os filmes brasileiros com o primeiro adjetivo, enquanto a nota 5 equivaleria a classificá-los com o segundo adjetivo.
As seguintes análises referem-se, então, às mudanças na distribuição de votação dos itens entre 1991 e 2003.
Para o primeiro atributo (simples – complexo) observou-se um deslocamento da distribuição de todas as notas para a nota 2, o que significa dizer que os filmes brasileiros tenderam a ser avaliados como um pouco mais simples dentro desse espaço de tempo. O item envolvimento/dispersão denunciou um deslocamento das notas 1 e 2
Atributo Atributo 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Som 30,4% 24,3% 30,9% 10,5% 3,9% Som 3,7% 14,6% 36,7% 30,0% 13,9% Produção 26,0% 26,0% 35,4% 12,2% 0,6% Produção 2,2% 14,6% 38,6% 34,1% 9,4% Atualidade 11,0% 14,4% 29,8% 31,5% 13,3% Atualidade 3,4% 11,2% 19,9% 34,5% 28,1% Dramaticidade 12,2% 23,8% 31,5% 21,0% 11,6% Dramaticidade 5,6% 10,1% 28,8% 33,7% 19,5% Ação 18,2% 32,6% 32,0% 12,7% 4,4% Ação 10,5% 21,0% 36,7% 18,4% 11,2% Realismo 8,3% 12,7% 27,1% 29,8% 22,1% Realismo 5,2% 6,4% 22,8% 29,6% 34,8% Humor 16,6% 23,8% 30,9% 22,1% 6,6% Humor 4,5% 7,5% 15,4% 29,2% 42,3% Sofisticação 41,4% 37,0% 18,8% 2,2% 0,6% Sofisticação 13,5% 29,2% 32,6% 19,9% 3,7% Atores 7,7% 15,5% 27,6% 38,1% 11,0% Atores 2,6% 6,4% 15,4% 31,1% 43,4% Enredo 24,9% 28,2% 27,1% 14,9% 5,0% Enredo 6,0% 12,0% 27,3% 34,8% 18,7% Direção 11,6% 21,5% 38,1% 22,7% 6,1% Direção 3,4% 6,7% 31,5% 37,5% 18,7% Música 16,6% 21,0% 32,6% 22,1% 7,7% Música 4,1% 10,5% 25,1% 33,0% 26,2% Notas - 1991 Notas - 2003 Hipótese 4
para as notas 3, 4 e 5 (mais acentuadamente para as duas últimas), o que significa dizer que os filmes brasileiros passaram a serem vistos como mais dispersivos que anteriormente. Quanto ao item relaxante/tenso, pôde-se salientar um afastamento simétrico da média central (nota 3), o que significa dizer que os respondentes de 2003 estão menos indiferentes a esse item, porém opinando diferentemente e em igual proporção pelas características relaxante ou tenso. Quanto ao item apático/provocante, um forte deslocamento de opiniões das notas mais baixas (apático) para as notas mais altas (provocante) indica que os respondentes estão claramente vendo os filmes brasileiros como mais provocantes do que o fariam em 1991. Uma forte dispersão de todas as opções de notas para a nota 1 no item realista/fantasioso atesta, indiscutivelmente que, de todas as sensações avaliadas, esta é a mais nitidamente notada para o cinema nacional pela amostra respondente. A dispersão de notas em favor, principalmente, da nota 4 para o item emocionante/entediante nos faz reconhecer que o cinema nacional está sendo visto como um pouco mais entediante que em 1991. Por fim, no item inteligente/tolo, nota-se uma forte concentração na nota 2, o que significa dizer que os filmes brasileiros estão sendo vistos como um pouco mais inteligentes.
A tabela a seguir e os gráficos fornecem os percentuais de votação para as duas amostras utilizadas e as médias dos itens avaliados.
Hipótese 5 - Dispersão de Médias
1 2 3 4 5 1991 2003 Complexo Dispersivo Tenso Provocante Fantasioso Entediante Tolo Simples Envolvente Relaxante Apático Realista Emocionant Inteligente Atributo Atributo 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 Simples/Complexo 22,1% 32,0% 29,8% 11,0% 5,0%Simples/Complexo 18,4% 39,0% 22,5% 10,9% 1,1% Envolvente/Dispersivo 17,1% 39,2% 27,6% 13,3% 2,8%Envolvente/Dispersivo 10,5% 32,2% 28,8% 15,7% 4,9% Relaxante/Tenso 10,5% 18,2% 54,1% 14,4% 2,8%Relaxante/Tenso 13,9% 22,8% 33,7% 17,6% 5,6% Apático/Provocante 26,5% 33,7% 24,9% 11,6% 3,3%Apático/Provocante 8,6% 21,3% 28,8% 22,5% 11,6% Realista/Fantasioso 21,5% 32,6% 29,3% 10,5% 6,1%Realista/Fantasioso 36,7% 27,0% 18,0% 6,7% 4,5% Emocionante/Entediante 24,3% 35,4% 24,9% 11,6% 3,9%Emocionante/Entediante 18,7% 27,3% 24,3% 17,2% 5,6% Inteligente/Tolo 19,3% 19,9% 33,1% 19,3% 7,7%Inteligente/Tolo 14,2% 33,3% 28,8% 10,5% 6,0% Notas - 1991 Notas - 2003 Hipótese 5
Hipótese 5 - Dispersão de Notas 0 5 10 15 20 25 30 35 1 2 3 4 5 Notas P e rc e n tu a l Geral - 1991 Geral - 2003
É inegável, então, face aos dados expostos, que o cinema nacional experimentou uma significativa melhora na sua avaliação na última década, desaparecendo o viés etnocêntrico inverso detectado em 1991. Não nos parece lícito, contudo, retirarmos das razões dessa melhora, a influência das mudanças na forma de incentivo estatal a este setor. Ao contrário, ela nos parece ter exercido papel central nessa mudança.
Se nos anos que seguiram a extinção da Embrafilme, CONCINE e Fundação do Cinema Nacional o número de produções nacionais caiu foi, certamente, pela falta de uma política substitutiva clara, o que inclusive abriu margem para a acumulação de poder de concessão de financiamentos de forma clientelista, ainda mais disfuncional do que a da Embrafilme, e não pelo fato dos produtores nacionais estarem desistindo de fazer filmes.
Com a edição da lei 8.313, lei Rouanet, houve uma substancial mudança na forma com que se financiava tais produções até então. A partir dessa data o número de produções nacionais cresceu, inicialmente, de forma modesta devido a adaptação não imediata dos produtores à essa nova forma de incentivo e a lenta sensibilização da iniciativa privada com relação a sua inserção em tal política e às vantagens dela advindas.
Com a entrada das empresas privadas no sistema de financiamento, e a conseqüente inserção de suas marcas nos filmes, não foi mais admitido que o grande atrativo da produção nacional fosse o apelo erótico/pornográfico que caracterizava um padrão que ficou conhecido como a pornochanchada.
Cabe ressaltar, contudo, que esse apelo constituía a forma menos custosa de diferencial da produção, uma vez que, antes da abertura das importações, todos os
equipamentos necessários a confecção das produções eram de qualidade significativamente inferior ao estrangeiro e, este, apresentava-se com custos proibitivos.
Ao que nos parece, no sistema “embrafílmico” era mais atrativo produzir um filme de baixo custo que geraria uma baixa renda, porém, uma pequena dívida em caso de fracasso, do que arcar com os custos da ousadia da boa qualidade de roteiro e produção.
A abertura das importações no início da década de 90 e, posteriormente a política cambial dos primeiros anos do Plano Real, propiciaram aos produtores acesso a equipamentos mais modernos o que implicou diretamente no aumento da qualidade das produções e na sua conseqüente repercussão junto ao público e a mídia.
Nesse contexto, a crescente percepção das empresas com relação as vantagens da nova estrutura de financiamento, implicando em alguns casos em utilização fraudulenta desse expediente, obrigou o governo a estipular cotas máximas de financiamento descontáveis no imposto de renda.
Atualmente, a lei de incentivo cultural ainda encontra-se em fase de ajustes, porém demonstrando que a expansão do volume de financiamento pelas empresas públicas e privadas é perfeitamente possível.
Apesar de ser aberta a todas as empresas, hoje as três maiores financiadoras do cinema nacional são estatais: Petrobrás, Furnas e Eletrobrás. A participação ainda tímida da iniciativa privada de grande porte nos acena para a necessidade de alguma complementação das regras hoje vigentes.
Leis para a viabilização e popularização de consórcios para empresas de médio e pequeno porte, bem como para pessoas físicas, visando financiamento da criação cinematográfica nacional ainda inexistem. Mostrar a esses empresários e cidadãos a produção nacional como um negócio lucrativo e socialmente consciente e produtivo, coisa rara no mundo globalizado que vivenciamos, é um esforço vital para a expansão da oferta de dinheiro para os produtores nacionais.
A expansão dessa oferta faz-se necessária por dois motivos. Primeiramente, não apenas para resgatar bons produtores que saíram do mercado face as dificuldades dos anos logo após a extinção da Embrafilme até os primeiros da lei Rouanet, mas também para inserir nesse mercado novos profissionais egressos das escolas de cinema, ávidos por um espaço nessa arena de exibições. Em segundo lugar porque, a julgar pelos dados apresentados, a produção nacional ainda dispõe de fôlego para expansão do número de
produções sem perda de qualidade, em um mercado em crescimento uniforme, apresentando uma rentabilidade sem nenhum paralelo nas atividades culturais do país.
Levando-se em consideração que uma das mais marcantes características das produções nacionais é a abordagem de temas tipicamente brasileiros ou a eles relacionados, a argumentação é ainda reforçada em decorrência das características regionais que ainda podem ser tematizadas. Este estilo de obra dificilmente encontrará similares estrangeiros, continuando a concorrer com os mesmos apenas pelas salas de projeção e não pelo estilo.
Tais obras prestam ainda uma importante contribuição social, levando às mais diversas partes do território características das muitas realidades nacionais, longe do foco Rio-São Paulo das principais novelas televisionadas.
Dentro do contexto de discussão do presente trabalho, é fundamental ressaltar que a decisão do governo, no ano de 2003, de cobrar dos produtores a apresentação de uma contrapartida social da obra, quando da análise do pedido de financiamento, poderia abrir uma perigosa possibilidade de reinstalação do clientelismo detectado na Embrafilme (Bloch 2003).
Devido a volatilidade das definições do que vem a ser uma contrapartida social de uma obra cinematográfica e, em decorrência da procura por verbas de produção ainda ser maior do que a oferta, não é função do governo priorizar a criação de meios de restrição e filtragem à oferta de dinheiro e sim atrair ainda mais a iniciativa privada, pequena, média e grande, de formas distintas e vantajosas para todas, para a lucratividade de um mercado crescente e que, já em fase embrionária, mostra resultados invejáveis.
Não se pode, então, acusar a nova estrutura de incentivo de ineficaz devido às perdas causadas pelo desmonte da antiga estrutura. Tais perdas foram causadas pela ausência de uma política já preparada para sua substituição do modelo “embrafílmico” de incentivo. Ruim com ela, catastrófico sem ela; contudo, a repercussão dessa catástrofe chamou a atenção do governo para o vácuo produtivo em que se transformou a indústria nacional e o induziu a solucionar o problema ao estilo brasileiro: reativamente.
Ainda há muito que se explorar na estrutura vigente de financiamento, contudo, para que o governo possa legislar de forma correta sobre o tema é necessário que sejam não somente coletados os dados relativos aos anos em que nada foi prospectado de informação sobre o setor, como também que o setor seja visto com mais seriedade e
importância sob o ponto de vista econômico. A falta de informações oficiais teria retirado parte substancial da fundamentação dos argumentos desse trabalho não fosse a presteza de entidades do setor.
Por fim, é no mínimo contraditório, o esforço público nos programas de exportação de produtos nacionais, sem o reconhecimento e a utilização (e incentivo) do cinema nacional como palco de divulgação de nossa cultura, estilo de vida, hábitos e, logicamente, produtos. Enfim, nada que o Sr. Ademar Gonzaga Leite já não soubesse na década de 20 ou o governo norte-americano já não fizesse ... há 100 anos.
7.2 - Recomendações de pesquisas futuras
O esforço de edição de leis para regulamentar setores econômicos por si só traz uma incongruência se não forem analisados os impactos no desempenho desses setores. Sendo assim, a análise contínua da imagem que o produto desse setor tem aos olhos de seus consumidores, assim como os dados oficiais do setor, são fatores primordiais para que o governo possa legislar em seu benefício.
Um lapso de doze anos entre a medição original e a refeita nesse trabalho se passou, e ainda assim, motivada pela percepção de seu autor de mudanças substanciais no mercado cinematográfico nacional. Nesse ínterim, pelo que se pesquisou, nada ou quase nada foi feito, pesquisado ou levantado sobre o setor.
Sendo assim, a primeira recomendação deixada ao final desse estudo é que a pesquisa acadêmica (de marketing ou não) e a atenção governamental passe a enxergar o setor objeto desse trabalho com mais atenção.
A presente pesquisa teve por objetivo analisar as atitudes de uma parcela dos consumidores de cinema na cidade do Rio de Janeiro. Não se pode, obviamente, generalizar tais atitudes para todo o universo de consumidores de cinema e mesmo para os consumidores com a mesma característica da amostra utilizada de outras cidades. Dessa forma, para uma compreensão mais apurada das atitudes e opiniões dos espectadores nacionais de cinema, faz-se necessário que tal pesquisa seja expandida para outros centros urbanos e que sejam analisados outros perfis de consumidores.
Dentro da amostra utilizada, contudo, ainda permanecem dados não explorados. A confecção do presente trabalho mostrou uma gama significativa de possibilidades de pesquisas que podem ser trilhadas futuramente.
Uma análise comparativa mais detalhada sobre as diferenças ocorridas no padrão do consumo de cinema entre as classes sociais e de uso (A1, A2, B1 e B2) utilizadas na pesquisa é de grande valia para compreensão do impacto das mudanças ocorridas ao longo da última década no consumo de entretenimento.
A partir dos dados obtidos em 1991 e em 2003, faz-se necessário uma análise de fatores tanto dos itens utilizados para medição das atitudes com relação aos filmes quanto dos itens utilizados para averiguar as opiniões relativas aos filmes a fim de se extrair um número menor de variáveis para tais medições.
Conforme mencionado anteriormente, não se pode tomar as opiniões e atitudes de um cinéfilo nas mesmas bases comparativas de um freqüentador esporádico das salas de projeção. Embora, na realização da pesquisa atual, tenhamos percebido que tal fato não seria um fator crítico para a amostra utilizada (o que em outras palavras significa dizer que acredita-se em uma forte uniformidade das atitudes e opiniões da amostra utilizada com relação ao objeto de estudo), a análise do envolvimento do público consumidor com o cinema serve de covariante para melhor compreensão de seu comportamento.
Com relação às políticas governamentais adotadas para este setor, faz-se necessária uma análise comparativa de modelos estrangeiros de incentivo cultural e da evolução desses mercados à luz dessas políticas, a fim de poder-se compreender melhor as demandas futuras desse setor e maximizar sua capacidade de crescimento.