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The SA-1110: An Example of ARM Architecture

Dans le document PDA Robotics (Page 30-38)

A história do jornalismo viu assim afirmar uma nova concepção de produção de notícias, onde a configuração dos conteúdos tem de obedecer a uma lógica empresarial que se alicerça nas vendas e nos anunciantes. Actualmente os jornais devem ser entendidos como uma tripla vertente em que as várias partes se interligam: a estrutura organizativa que produz as notícias, a componente económica que a suporta e o público que a consome. (Lima, 2008, p. 433).

Com a evolução da imprensa enquanto indústria as notícias começam a ser manuseadas como um negócio e as redações trabalham unicamente com o objetivo de manter audiências, lucro, credibilidade e poder face aos restantes competidores. (Castells, 2007).

Ao longo dos anos a maioria das firmas de média começam a ser adquiridas por corporações e conglomerados multinacionais. Vivemos numa “era de megafusões”, onde apenas algumas mas poucas empresas detêm o domínio global da circulação (Kucinski, 2012, p. 10) e onde a pressão para um incremento constante do lucro constitui parte do declínio da prática jornalística. Como forma de reaver audiências as empresas apostam cada vez mais em notícias atrativas ao público, reduzem os recursos disponíveis aos jornalistas, grande parte da sua autonomia na pesquisa e construção das notícias e exigem uma maior atenção dada às necessidades comerciais da empresa. (Gans, 2003). Em Portugal as empresas Cofina, Global Media, Impresa e Media Capital são as principais detentoras dos canais de comunicação social.

…as políticas públicas devem garantir uma elevada diversidade de meios de comunicação autónomos, por três razões fundamentais: o bom funcionamento dos sistemas democráticos depende de uma distribuição democrática do poder da comunicação dentro do espaço público; a dispersão do poder dos Media é uma salvaguarda importante, uma vez que reduz o risco de abuso de poder comunicacional na escolha ou controlo dos governos; a existência de diversidade de operadores garante um maior enfoque na qualidade dos conteúdos. (Baker, 2007 apud Martins, 2014, p.13)

Enquanto algumas destas corporações contribuem com capacidade económica e suportam os custos do trabalho jornalístico, não existe propriamente uma preocupação em servir o público mas em manter a reputação da própria empresa e a sua posição competitiva. O principal objetivo é o desenvolvimento de um produto massificado e homogeneizado através da criação de uma verdadeira linha de produção, regrada e eficiente que desenvolva rapidamente produtos baratos e competitivos, “a pre-packaged corporate product” (Steel, 2013, p.3). Os jornalistas, por sua vez, vêm-se cada vez mais reduzidos a profissionais/ produtores de “infotainment”. (Gans, 2003).

A matéria jornalística deixou de ser a palavra final, para ser tão somente a iniciadora de um debate. O próprio ethos do jornalista muda. Ele passou a ser emulado não pela qualidade de sua matéria e sim pelo grau de polêmica por ela suscitado, medido pelo número de intervenções na versão digital do jornal. (Kucinski, 2012, p.13)

Verificamos que, efetivamente, a informação é tratada e comercializada exatamente como qualquer outro produto. Através de novas ferramentas tecnológicas, os interesses do público são monitorizados, permitindo um direcionamento eficaz dos conteúdos. Desejos são “auscultados pelas urnas eletrônicas da internet, pelos departamentos de marketing e pelos interesses e imagens que os jornalistas fazem dos públicos (leitor/ouvinte/telespectador/internauta/anunciante) ” (Pedroso, 2001, p. 38). Enquanto este tipo de ferramentas potenciam os lucros e o crescimento da imprensa, facilitam também a possibilidade de manipulação da opinião pública e atacam o jornalismo de referência.

Os cidadãos não são clientes. Quando a responsabilidade financeira entrou na redação, trouxe consigo a linguagem comercial. Em muitas empresas foi necessário transpor a linguagem do marketing de consumo para as notícias, transformando os leitores e os espectadores em “clientes”, a compreensão dos mesmos em “marketing” e as notícias em “serviço ao cliente” (Kovach et al, 2004, p. 63)

“Nas duas últimas décadas, observa-se um crescente predomínio da utilização dos conceitos e da linguagem do modelo de Mercado, tanto nas Indústrias dos Media como noutros sectores da vida social e política.” (Martins, 2014, p.33). Nas duas últimas décadas deparamo-nos com uma imprensa que se afasta muito dos primeiros passos que tomou em função da proteção da sociedade, cujos contributos positivos não nos permitem ignorar o fácil acesso ao público e a sua manipulação e a massificação da cultura, utilizada como um simples instrumento na padronização dos modos de pensar da população (Tondo e Negrini, 2009, p.6). Integramos uma época rendida ao que Zuboff (2019) chama de “surveillance capitalism”, a nova e sem precedentes forma de capitalismo informativo, uma força guiada por imperativos económicos e que desconsidera/desrespeita qualquer norma social e direitos básicos dos indivíduos, base da nossa sociedade democrática.

…the competitive dynamics of these new markets drive surveillance capitalists to acquire ever-more-predictive sources of behavioral surplus: our voices, personalities, and emotions. Eventually, surveillance capitalists discovered that the most-predictive behavioral data come from intervening in the state of play in order to nudge, coax, tune, and herd behavior toward profitable outcomes. Competitive pressures produced this shift, in which automated machine processes not only know our behavior but also shape our behavior at scale. With this reorientation from knowledge to power, it is no longer enough to automate information flows about us; the goal now is to automate us. (Zuboff, 2019; Cap.1, III, para. 2)

A sociedade tem evoluído a muitos níveis permitindo o desenvolvimento de muitas importantes áreas da nossa sociedade e beneficiando o estilo de vida do coletivo com mais simples acesso à educação, saúde, lazer, com a redefinição de papéis tradicionais, de ideias, conceitos, inserindo a Internet e todos os seus aparatos no centro de tudo isto. No entanto, o século XXI cedo revelou profundas desigualdades económicas e sociais a nível global e este novo modelo de informação, que nos parecia numa primeira instância inspirador, revela-se agora uma ameaça da qual não nos conseguimos proteger. (Zuboff, 2019)

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