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Anatomy of a Personal Digital

Dans le document PDA Robotics (Page 24-28)

Para termos uma ideia sobre o espaço actual do ensino da Língua Portuguesa no Senegal, é importante conhecermos dados sobre as regiões e as escolas secundárias onde se inicia o estudo da Língua Portuguesa. Começamos por apresentar as escolas frequentadas pelos estudantes universitários que escolheram continuar os Estudos Portugueses na UCAD (Universidade Cheikh Anta Diop). Trata-se do público-alvo do inquérito, cujos resultados foram já apresentados. Os estudantes universitários da UCAD, inscritos em DUEL I e DUEL II, no ano lectivo de 2004-2005, realizaram os seus estudos do Ensino Secundário nas seguintes escolas, de várias regiões do Senegal:

- Região de Dakar: Cours Sainte Marie de Hann, Lycée John F. Kennedy, Lycée Lamine Gueye, Lycée Mixte Maurice Delafosse, Lycée des Parcelles Assainies e Lycée Seydina Limamou Laye, em Dakar; Lycée Abdoulaye Sadji e Lycée Moderne em Rufisque;

- Região de Djourbel: Lycée d’Enseignement Général em Djourbel;

- Região de Fatick: Lycée Léopold Sédar Senghor em Fatick, e CEM de Palmarin;

- Região de Kolda: Lycée Alpha Molo Balde, em Kolda; Lycée Ibou Diallo, em Sédhiou;

- Região de Saint-Louis: Lycée Charles De Gaulle e Lycée Louis Faidherbe, em Saint-Louis ;

- Região de Tambacounda: Lycée Mame Cheikh Mbaye, em Tambacounda; - Região de Thiès: Lycée Léopold Sédar Senghor, em Joal; CEM Malick Sy e Lycée Malick Sy, em Thiès;

- Região de Ziguinchor: Lycée Alioune Sane, em Bignona; Lycée Aline Sitoé Diatta, em Oussouye; CEM de Thionk-Essyl; CEM Amilcar Cabral, Lycée Djignabo e Lycée Saint Charles Lwango, em Ziguinchor.

Dado o número total de alunos seleccionados para o curso de Estudos Portugueses da Faculdade de Letras da Universidade Cheikh Anta Diop, e de acordo com estes dados recolhidos junto dos alunos, poderemos depreender que estas são as escolas secundárias que apresentam geralmente maior sucesso no ensino da Língua e Cultura Portuguesas, no Senegal.

A Embaixada de Portugal em Dacar procurou também saber, com exactidão, em 2004, o panorama completo do ensino do Português no Senegal, na medida em que, até então, todos (anteriores leitores, professores senegaleses, inspectores de Academia, etc) falavam em “cerca de” 8, 9, 10 mil alunos. Considerou-se, então, que a desejável melhoria do apoio ao ensino do Português começaria por uma definição de prioridades, baseada na realidade sobre a distribuição dos efectivos de escolas, professores e alunos. Para efeito, o Embaixador pediu-nos a colaboração para conduzir este trabalho que se revelou, autentica mas inesperadamente, de morosa investigação.

Num primeiro momento, recorreu-se ao Ministério da Educação do Senegal, ao qual foram solicitados os elementos em causa. Apesar de promessas reiteradas, o facto é que nunca se recebeu uma listagem do Ministério da Educação, acabando um responsável por reconhecer, em Dezembro de 2004, que os serviços não tinham conhecimento da realidade do país, nem um sistema estatístico de rotina e operacional.

Foi então necessário recorrer a uma abordagem diferente, tendo sido pedido à autora que realizasse um trabalho metódico de contacto de todas as escolas senegalesas passíveis de oferecer aulas de Português.

Assim, começámos por solicitar aos participantes do “Colóquio sobre o Ensino Recíproco do Português e do Francês” (realizado em Dezembro de 2004), o preenchimento de uma folha, com indicação da escola em que leccionavam e dos

contactos. Infelizmente, apesar de muitas insistências, não foi possível contactá-los a todos, verificando-se que certos números de telefone estavam errados.

Numa segunda fase, procurámos contactar, uma a uma, todas as escolas indicadas pelo Ministério da Educação, pelos professores e as constantes na lista telefónica (o que, ainda assim, poderá não ter garantido a cobertura integral do espaço escolar senegalês). Infelizmente, entre números errados e ausência frequente de responsáveis, nem sempre foi possível obter respostas. Assinale-se que, devido à inexistência de viatura disponível da Embaixada e às limitações orçamentais que impossibilitavam o pagamento de deslocações a cidades distantes, não nos foi possível efectuar deslocações ao terreno.

Por outro lado, tendo presente a evidente falibilidade das informações prestadas, optou-se por repetir todas as chamadas das escolas que informaram ter alunos de Português, para confirmar os dados fornecidos, tendo por vezes sucedido que se verificaram contraditórios, obrigando a uma terceira chamada. Solicitou-se a todas as escolas que enviassem os dados por escrito, mas apenas duas o fizeram.

Os dados solicitados foram os seguintes: - nome exacto da escola;

- localidade, endereço, telefone, fax e correio electrónico; - nº de alunos de Português por ano escolar;

- n.º e nome dos professores de Português; - nome e contacto do Director da escola; - se a escola tem clube de Português.

Os dados obtidos relativos às escolas que leccionam Português estão parcialmente resumidos no quadro 32, retendo-se os seguintes elementos:

- Escolas recenseadas: 93215 - Escolas contactadas: 86

- Escolas que não têm Português: 29 - Escolas que têm Português: 57 - Nº de Professores: 92216

- Nº de total de alunos: 10966217.

215 Recordamos que o Português só é disponibilizado a partir da 4ème / 8º ano de escolaridade 216 Assinala-se que não foi possível obter os nomes dos Professores de 17 escolas que têm alunos de

Português - o que poderá ser estranho para quem não conheça a Administração senegalesa, pelo que é provável que o efectivo se aproxime dos 110 docentes

Os alunos recenseados estão repartidos pelos seguintes anos: - em 4ème: 1409 (12,8%); - em 3ème: 1071 (9,8%); - em 2nde: 3257 (29,7%); - em 1ère: 3050 (27,8%); - Em Terminale: 2282 (20,8%).

Por último, foram recenseados oito clubes de Português, mas a maioria dos Directores não estava bem informada sobre esta actividade nas escolas.

Vejamos, de seguida, a rede de escolas senegalesas em que se leccionava Português no ano lectivo de 2004-2005. Devido ao grande número de escolas, optámos por dividi-las por quadros evidenciando a repartição regional

Quadro 32a – Escolas onde se lecciona Português e alunos inscritos (2004-2005) – Norte e Centro interior do Senegal

N.º DE ALUNOS

ESCOLA LOCALIDADE

4eme 3eme 2nde 1ere Term TO- TAL

CEM André Guiaber Saint-Louis 22 42 64

CEM Mpal Saint-Louis 27 22 11 60

CEM Sancaré Saint-Louis 2 1 3

Lycée Charles de Gaulle Saint-Louis 41 64 19 124 Lycée Cheick Omar Foutya Tall Saint-Louis 16 16 15 47 Collège Privé Cheikh Assane Ndiaye Djourbel 9 7 4 20

Lycée d'Enseignement Général Djourbel 262 382 150 691 Lycée Techniq. Cheikh Ahmadou Bamba Djourbel 49 27 28 104

CEM Acapes Tambacounda 43 43

CEM Moriba Diakite Tambacounda 85 71 156

CEM Quinzambougou Tambacounda 61 14 75

CEM Thierno Souleymane Agne Tambacounda 52 42 94

Collège Waounde Ndiaye Tambacounda 18 10 1 3 32 Lycée de Tambacounda Tambacounda 267 85 83 435

Lycée Mame Cheikh Mbaye Tambacounda 149 121 45 315

TOTAL 265 191 814 748 348 2263

217 Contudo, não foi possível obter esta informação em 2 escolas, pelo que, tendo também em conta que

Quadro 32 b/c - Escolas onde se lecciona Português e alunos inscritos (2004- 2005) – Centro Oeste e Casamansa

N.º DE ALUNOS ESCOLA

LOCA-

LIDADE 4eme 3eme 2nde 1ere Term TO- TAL

CEM Abdoulaye Mathurin Diop Dacar 52 63 115 Cours Sainte-Marie de Hann Dacar 15 4 22 13 16 70

Ecole Fadilou Diop Dacar 86 80 166

Lycée Blaise Diagne Dacar 21 25 145 131 40 362

Lycée Galandou Diouf Dacar 10 20 10 20 7 67

Lycée J F Kennedy Dacar 12 7 85 120 54 278

Lycée Lamine Guèye Dacar 57 41 13 111

Lycée Mixte Maurice Delafosse Dacar 71 73 60 204 Lycée Parcelles Assainies Dacar 225 176 112 513 Lycée Seydina Limamoulaye Guediawaye – DK 136 47 46 229

Lycée de Mbao Mbao – DK 40 54 30 124

Lycée Abdoulaye Sadji Rufisque – DK 65 47 33 145 Nouveau Lycée de Rufisque Rufisque – DK 102 16 27 145

CEM Malick Sy Thiès 40 40

CEM Modeime Lat Dior Thiès 2 2

Cours Bede Yacine Thiès 10 1 2 5 18

Kocc Barna Privé Promo Educ Thiès 1 6 5 3 15

Lycée Malick Sy Thiès 145 287 122 554

Nouveau Lycée de Thiès Thiès 96 148 244

CEM Lamine Senghor Mbour – TH 22 12 34

Lycée Léopold Sedar Senghor Mbour – TH 32 45 27 104

CEM Djim Momar Gueye Kaolack 53 54 107

CEM Valdiodio Ndiaye Kaolack 42 38 80

Lycée Valdiodio Ndiaye Kaolack 216 45 44 305 CEM Collège Maounde Kande Kolda 12 10 3 12 37

CEM Kolda Kolda 62 75 137

Groupe Scolaire An Nur Kolda 5 2 7 14

Lycée Alpha Balde Kolda 29 82 34 145

CEM Amadou Maputhe Diagne Sedhiou – KOL 101 82 183

CEM Saint Jean Sedhiou - KOL 2 2

Lycée Ibou Diallo Sédhiou – KOL 73 57 232 116 81 559 Lycée Chérif Sambidine Haidara Velingara – KOL 68 10 78

CEM Kandé Ziguinchor 0

CEM Tété Diadhiou Ziguinchor 99 50 149

CEM Thionk Essyl Ziguinchor 163 139 135 121 80 638 Collège Goudomp Ziguinchor 75 120 195 Collège Lwanga Charles Ziguinchor 180 150 206 536

Collège Malick Sall Ziguinchor 130 130

Lycée Djinabo Ziguinchor 190 447 208 845

Aline Sitoé Diatta Oussouye – ZG 40 84 38 28 47 237 Lycée Ahoune Sane Bignona - ZG 45 83 618 746

CEM de Sindiane Sindiane – ZGR 20 20 40

TOTAIS 1144 880 2443 2302 1934 8703

Os alunos das principais regiões e cidades do Senegal têm a possibilidade de aprender Português no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Secundário (terminologia portuguesa), à excepção das regiões de Louga e de Fatick, bem assim como das cidades de Bakel, Matam e Podor, que ficam muito distantes da capital regional, Saint-Louis, em pleno interior Nordeste, área de fraca densidade populacional e habitada pelas etnias Peul, Toukouleur e Wolof.

Relativamente à região de Fatick, assinale-se que a Escola de Palmarin, na qual muitos alunos tradicionalmente frequentam o Português, estava, no ano da análise, sem professor, na medida em que o titular fora para Portugal como bolseiro. Ora, sucede que, devido à organização interna do sistema de ensino senegalês, esta situação pode provocar o fim do ensino da nossa Língua, na medida em que, se não houver professor, deixa de haver a oferta da disciplina que é, não raras vezes, prontamente substituída por outra218, sem possibilidade de regresso à situação inicial. No seu regresso, o professor poderá ter sido colocado noutra escola. Este tipo de consequências de uma certa inadequação da figura da concessão de bolsas anuais foi diversas vezes objecto de reparos e informações dos sucessivos leitores na UCAD ao Instituto Camões, mas sem êxito até àquela data.

No cômputo geral, a Casamansa destaca-se claramente pela oferta disponível e pelo número de alunos: 18 escolas (5 das 7 com mais alunos) e 4671 alunos (42,6%). Contudo, assinale-se que a percentagem de alunos casamansences que frequentam a disciplina de Português no Ensino Secundário é menor do que a de inscritos na UCAD. Este dado explica-se, a nosso ver, pelo aumento dos alunos inscritos na disciplina nas escolas da região de Dakar (2529 alunos - 23,9%)., de que, porventura, uma parte significativa poderá ter familiares ascendentes da Casamansa ou da Guiné-Bissau.

CONCLUSÃO

Não é muito difícil depreendermos que na África Ocidental estejam ocultos muitos vestígios da presença portuguesa. Muitos lugares, que são hoje países distintos, não tiveram sempre essa configuração, nem a tinham à chegada dos portugueses nas suas caravelas, no século XV. A presença de vários países lusófonos, relativamente próximos geograficamente, é indício óbvio da disseminação de marcas portuguesas. Principalmente a Língua Portuguesa está espalhada pelo continente africano e os africanos identificam-na há séculos. Nos nossos dias, talvez a marca linguística seja a maior evidência das Descobertas lusíadas. De facto, é aquela que vingou, como marca histórica e pela necessidade de comunicação humana, embora não pareça ter havido, desde o início desse projecto luso, um plano específico de difusão da Língua. Mais tarde, após a conferência de Berlim, os territórios africanos ficaram divididos e desenhados com régua e esquadro no mapa, de acordo com os interesses dos países que colonizaram África, a partir do século XVIII. Mas a vontade dos europeus de dividir, de separar e de ter aquelas terras não conseguiu desmembrar completamente as culturas dos povos que aí habitavam. Esses povos e as suas culturas continuaram a evoluir com as suas dinâmicas próprias, tal como em tempos anteriores. Sempre o poderio estrangeiro, em geral, assentava nas relações comerciais, perpetuando a busca de riqueza e de melhores condições de vida em proveito próprio nesses lugares. Os estrangeiros, visitantes ou invasores de África, adquiriram escassos conhecimentos sobre as particularidades culturais dos nativos. Esse interesse não fazia parte dos objectivos e das prioridades dos tratados que assinaram ao longo dos séculos. Por isso, a antiguidade da presença portuguesa e muitas marcas iam sendo preservadas, memorizadas, pelos nativos, ainda que sem intencionalidade específica, e dentro dos seus hábitos culturais. Assim, apesar da descolonização e das lutas pela independência mais recentemente, a nossa ideia-chave é que está ainda em curso a Expansão da Lusofonia.

No começo, a convicção do Infante D. Henrique foi maior na grande aventura dos Descobrimentos. O Infante manifestava uma consciência especial, de prudência e bom senso, sabendo, desde logo, que estava a expor-se a muitos perigos no espaço desconhecido, tal como demonstrámos. A Santa Sé deu um voto de confiança e acreditou que essa aventura poderia ser uma via para simultaneamente combater os

infiéis e difundir a fé cristã. Por isso, concedeu tudo o que os portugueses pediram e legitimou todas as suas Descobertas, incluindo as suas conquistas futuras em lugares desconhecidos. Apoiou os Descobrimentos portugueses e cristãos, ab initio.

A Coroa portuguesa igualmente deu sempre um grande valor às determinações da Santa Sé, para legitimar grandes conquistas portuguesas, e não só, que adquiriram grande prestígio internacional, por intermédio de relações pacíficas e respeitosas com o poder da Igreja Católica. Assim, toda a Nação se entregou a essa aventura marítima, também com grande empenho na procura do reino cristão do Preste João das Índias, porque a devoção do povo português era profunda e muito menos reservada do que actualmente. Fizeram-se múltiplos investimentos, prepararam-se intensa e continuadamente as expedições marítimas, embora não se registassem dados seguros que orientassem os navegadores de forma inequívoca. O desconhecimento da “Etiópia” era quase total, excluindo o Norte banhado pelo Mediterrâneo.

Quando os portugueses chegaram à África ocidental, os africanos foram, de facto, surpreendidos pelos visitantes, e tudo indica que mantiveram as suas dinâmicas culturais. Como sabemos, o confronto de culturas tem particularidades que nem sempre facilitam a comunicação entre os povos. Era grande a dispersão dos habitantes da África ocidental, antes e depois dos lusíadas. Vários fluxos migratórios, de proveniências diferentes, se tinham fixado nesses lugares, disputando os poderes e as riquezas naturais daqueles sítios. Apresentavam uma consistente organização na troca dos produtos destas terras. Ao longo dos séculos, vários povos chegaram, instalaram-se e dispersaram-se naquele imenso continente, onde o Islão surgiu também como uma invasão sobre as culturas de muitos grupos. O Islão árabe219 foi impondo essa religião cuja influência

219 LEWIS, Bernard, Os árabes na História, (trad) Ed. Estampa, 2ª ed, 1996, pp 158-160: o primeiro traço

que nos chama a atenção é o poder assimilativo da cultura árabe, muitas vezes indevidamente apresentado como meramente imitativo. As conquistas árabes uniram, pela primeira vez na história, os vastos territórios que se estendem desde as fronteiras da Índia e da China até às proximidades da Grécia, Itália e França. Durante algum tempo pelo seu poder militar e político, durante muito mais tempo pela sua língua e pela sua fé, os Árabes uniram numa única sociedade duas culturas inicialmente colidentes –a tradição mediterrânica milenar e diversificada, da Grécia, Roma, Israel e do Próximo Oriente antigo,e a rica civilização da Pérsia, com padrões de vida e de pensamento próprios e os seus férteis contactos com as grandes culturas do Oriente mais afastado. Da coabitação de muitos povos, fés e culturas no seio da sociedade islâmica nasceu uma civilização nova, diversa nas suas origens e nos seus criadores, e no entanto imprimindo em todas as suas manifestações o cunho característico do Islão árabe. Desta diversidade da sociedade islâmica ressalta um segundo traço característico, particularmente surpreendente para o observador europeu – a sua relativa tolerância. Contrariamente aos seus contemporâneos do Ocidente, o muçulmano medieval raramente sentiu necessidade de impor o seu credo pela força a todos aqueles que se encontravam subjugados à sua autoridade. Tal como eles, ele sabia perfeitamente que, na devida altura, aqueles que acreditavam em algo diferente sofreriam as penas do Inferno. Mas ao contrário deles, não via qualquer vantagem em se antecipar ao julgamento divino neste mundo. A maior parte das

nem sempre foi benéfica nem pacífica, sendo a causa do declínio de grandes impérios africanos (Mali, Gabú) e de conflitos duradouros na região. A sua influência permaneceu até aos nossos dias com marcas visíveis, definitivas e complexas que merecem um estudo exaustivo e específico, que nós não tínhamos como objectivo abordar. Contudo, não se pode ignorar a sua existência no Senegal.

Os árabes invadiram também a Península Ibérica, os portugueses reconquistaram o território cristão, assimilaram aspectos dessa cultura mas expulsaram os muçulmanos e, na sequência desse plano nacional, da acção e da vontade firmes dos monarcas, restabeleceram as suas raízes culturais e a posse dos territórios. No século XV, como na época da Reconquista, os portugueses voltam a unir-se para a concretização de um novo plano nacional, para o qual também contribuiu o engenho de muitos monarcas que possibilitaram os Descobrimentos, com as suas iniciativas no aperfeiçoamento continuado da marinha portuguesa, que seria a chave para resolver muitos problemas do país, no futuro. Por um lado, o desenvolvimento da marinha permitia não só uma maior eficácia no ataque aos inimigos mas também a defesa e a protecção do país. Por outro lado, serviu para combater os infiéis, o Islão, e expulsá-los do território. Portanto, a unidade do povo português em torno de grandes projectos nacionais foi, ao longo dos tempos, a maior garantia do sucesso de certas acções, incluindo aqui obviamente as Grandes Descobertas. Embora a maior riqueza que se espalhou no mundo nem sequer tenha obedecido a um plano desde o começo. Falamos da difusão da Língua Portuguesa. que até hoje permanece em tantas partes de África. Além dos países lusófonos, também no Senegal, como noutros países africanos onde os portugueses passaram, deixaram-se marcas ainda por explorar.

A aventura portuguesa, pode dizer-se, foi sendo preparada ao longo de séculos, ignorando e desconhecendo totalmente o passado africano. Quando chegaram a esses lugares, os portugueses surpreenderam-se com as paisagens e os povos que encontraram, precisaram de tempo para assimilar as práticas culturais locais e adaptar-se às novas realidades, mas conseguiram fazê-lo com êxito, de acordo com as orientações

vezes sentiu-se satisfeito por pertencer à fé dominante numa sociedade de muitas fés. Impôs aos restantes algumas discriminações sociais e legais, em sinal da supremacia, e a advertência não se fazia esperar se alguma vez parecessem dispostos a esquecê-lo. De outro modo, concedia-lhes a sua liberdade religiosa, económica e intelectual, e dava-lhes a oportunidade de contribuírem de forma notável para a própria civilização árabe.

recebidas no reino e não à maneira dos africanos, cada povo agiu dentro das suas características culturais. Devemos considerar que as Descobertas tiveram início com o desconhecimento completo da existência dos povos e das culturas ao Sul do rio Senegal. Não se podem atribuir intenções aos portugueses que eles nunca poderiam ter antes de lá chegarem, como por exemplo a exploração do homem preto pelo homem branco; o racismo não existia, por desconhecimento de uns e de outros. O que aconteceu depois é consequência de novas realidades em que todos participaram, e em que ninguém foi sempre inocente.

Pelo contrário, no continente africano, os povos apresentavam-se muito divididos e dispersos, além de disputarem entre si as mesmas riquezas e os mesmos poderes, o que reforçava a conflitualidade, com todas as consequências dela decorrentes. Por outro lado, havia um confronto entre as diversas culturas originais destes povos, de diversas proveniências e a intromissão da religião islâmica que veio alterar profundamente a organização social e subverter hierarquias instituídas, constituindo um factor adicional de desordem, com grande impacto, além dos conflitos que já existiam entre os muitos reinos.

Quando os portugueses chegaram à África ocidental, depararam já com os traços predominantes da diferença de civilizações ainda hoje verificável. Com efeito, a influência islâmica, já bem presente, mesclada com as tradições animistas, criou um subtipo cultural e civilizacional específico e distinto, quer das sociedadade tribais “puras” da África negra, quer das magrebinas e, obviamente, muito diferente da portuguesa.

Por outro lado, após a chegada dos europeus, além da escassez de documentos em certos períodos de tempo, África surge sempre ligada às culturas e às acções dos colonizadores, o que lhe retira conteúdos, substância e objectividade; pois, os africanos estão, geralmente, ocultos pelos acontecimentos mais recentes da colonização europeia,

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