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Atualmente, ressente-se, no Brasil, da falta de moradias para uma grande

faixa da população. Tal fato, aliado aos altos custos dos materiais de construção

e da mão de obra, faz com que todos os setores da sociedade, públicos e

privados, se mobilizem em busca de soluções apropriadas, simples, práticas e avançadas, que permitam um considerável barateamento da construção (SARMIENTO e FREIRE, 1997).

A reciclagem de resíduos pela indústria da construção civil vem se

consolidando como uma prática importante para a sustentabilidade, seja

atenuando o impacto ambiental gerado pelo setor ou reduzindo os custos. Os materiais alternativos geralmente são mais baratos e, muitas vezes, possuem características de resistência e durabilidade melhores que os materiais convencionais.

O setor siderúrgico é um grande reciclador. Boa parte do aço destinado ao

reforço de concreto armado produzido no país, é proveniente do processo de

arco elétrico, que utiliza como matéria-prima quase que exclusivamente a

sucata, dentre eles a empresa ArcelorMital. A reciclagem desta sucata permitiu

economizar, em 1997, cerca de 6 milhões de toneladas de minério de ferro,

evitou a geração de cerca de 2,3 milhões de toneladas de resíduos e de cerca

de 11 milhões de toneladas de CO2.1

Durante este processo de reciclagem da sucata em forno de arco elétrico, ocorre o surgimento de vários resíduos, entre eles a escória de aciaria, que representa o maior volume residual no processo siderúrgico. A cada tonelada de

aço produzido, gera-se de 70 a 170 kgde escória. Podem ser produzidos dois

tipos de escória: a de alto forno é gerada durante o processo de obtenção do ferro gusa. A escória de aciaria é obtida na produção do aço (MASUERO et al, 2001). No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), em 2005, a

1- Estimativa da liberação de CO2, considerando que a produção de 1 tonelada deferro gusa libera 2,2

produção de ferro gusa e de aço foi de, aproximadamente, 33,8 e 31,6 milhões de toneladas, respectivamente.

Para o aproveitamento deste resíduo, a escória, a construção civil apresenta-se como uma das melhores alternativas, pois pode utilizar estes milhões de toneladas de subprodutos siderúrgicos em diversas aplicações: Na fabricação de cimento Portland modificado, como agregado de concreto, em subleito rodoviário ou lastro de ferrovias (ALBUQUERQUE, 2004).

Há uma extensa bibliografia sobre escória de aciaria, inclusive sobre seu

uso na construção civil. Grande parte dos trabalhos pesquisados, que fazem a

reutilização deste resíduo, o tratam apenas como um agregado que irá compor com vários outros agregados o desenvolvimento de uma etapa de um produto.

Como exemplo, a incorporação de escória de aciaria em base e sub-base de

pavimentação, incorporação em concreto como um dos elementos na composição dos agregados, incorporação em blocos de concreto como um dos elementos na composição dos agregados, todos com uma abordagem voltada ao desempenho mecânico, à estabilidade e à viabilidade do novo material. Os riscos de utilização dos novos produtos, gerados a partir da reciclagem ou da reutilização de resíduos, também devem ser avaliados. É necessário efetuar-se um estudo para certificar-se de que este novo produto não oferece risco à saúde dos usuários, bem como dos trabalhadores responsáveis pela sua reciclagem. Até mesmo resíduos antes inertes podem sofrer alguma alteração físico-química durante o processo de reciclagem (ÂNGULO et al, 2001; CAVALCANTE e CHERIAF, 1997; FLESCH, 2004).

Outra razão para o desenvolvimento da presente tese deve-se ao fato de que, em alguns trabalhos, apesar do relativo sucesso na produção de blocos com escória de aciaria para substituição parcial de agregados naturais por reciclados, inúmeras propriedades físicas e mecânicas, tais como a absorção de

água e resistência à compressão, não atenderam aos requisitos normativos.

Diante disso, este trabalho pretende produzir unidades com substituição total de agregados naturais por reciclados, que atendam irrestritamente às especificações normativas e recomendações existentes na literatura. Até o presente momento, nenhum trabalho foi conclusivo no que diz respeito à utilização de escória de aciaria para a produção de unidades de alvenaria. Na grande maioria desses estudos não foram contemplados todos os ensaios

necessários para a caracterização das propriedades físicas e mecânicas das unidades, bem como o desempenho de prismas e miniparedes, fundamentais para o comportamento da alvenaria.

Após a análise de viabilidade técnica, avalie a viabilidade econômica da produção do elemento construtivo com escória de aciaria, considerando diferentes alternativas, como inserir uma linha de produção de blocos diretamente na planta das siderúrgicas geradoras do resíduo, ou transportar o resíduo até uma linha de produção em locais próximos aos grandes centros consumidores.

Outro ponto importante que fundamenta este trabalho refere-se à racionalização da construção promovida pela alvenaria estrutural. Além de ser uma tecnologia que reduz o impacto ambiental, também promove uma redução no custo final da edificação, através da eliminação de formas, cimbramentos e redução do consumo de armaduras, possibilitando sua aplicação em habitações populares, reurbanização de favelas e sistemas de mutirão.

Finalmente, diante das justificativas apresentadas, torna-se necessária

a quantificação de todos os intervenientes presentes na produção do elemento construtivo de alvenaria estrutural com o emprego de escória de aciaria, estabelecendo inúmeros ensaios que contemplem todas as propriedades físicas

e mecânicas das unidades e dos elementos produzidos. Então, deste modo,

produziremos subsídios para promover um consenso na comunidade científica, no que diz respeito ao emprego de escória de aciaria como agregado na produção de elementos construtivos para unidades de alvenaria estrutural.