4.6. Inspection method 4.7.1 Range of Inspection
5.1.3 Testing for surface-breaking flaws Introduction
Festival O Mundo Inteiro é Um Palco – Ano V, organizado pelo grupo Clowns de Shakespeare.
1- Falando um pouco do seu processo de escrita. Como ocorre esse processo? Como ele se constitui? O que o inspira no processo criativo para a escrita?
Bom, eu creio que o ato de escrever é um ato muito solitário. Em meu caso, é um ato em que... Onde todos os materiais que eu tenho em meu interior, que pode passam anos, anos dentro e assim começam a pressionar e quando eu me ponho a escrever, não paro, escrevo, escrevo, escrevo diariamente muitas horas e... Escrevo pela noite e durante o dia, e escrevo, sentado, parado, caminhando, escrevo de muitas maneiras e... até o término a obra. Mas o ato de escrever é um ato rápido, em meu caso, mas o ato de repensar os materiais é muito lento, pois estou há muito tempo, muitos anos com um tema na cabeça, muitos e muitos, muitos anos e de repente decido escrevê-los. Mas digo a resolução da escrita, no meu caso é relativamente rápida, mas o lento é como vai crescendo em meu interior os materiais colocados, que quero trabalhar.
2- Sei que a peça Nuestra Señora de las Nubes é o segundo exercício cênico da sua trilogia do exílio e que existem mais duas obras que são: Flores arrancadas à Nevoa e Onde o vento faz sonhos. Fale um pouco sobre elas e como essas peças dialogam entre si nessa trilogia.
Sempre no exílio se vive como etapas. A primeira etapa é a etapa em a pessoa sempre pensa que vai voltar e de alguma forma vai restituir o tempo perdido, que vai restituir o que lhe tiraram. É nesse sentido que os personagens guardam a esperança de que os que estão vivendo é transitório, que o que estão vivendo vai terminar e que vão viver e sobreviver no retorno. E que irão voltar para o mesmo lugar, no mesmo lugar em sua a vida parou e que era melhor. Isso é como uma primeira etapa do exílio. ‘Flores arrancadas à Nevoa’ são dois personagens que ainda têm esperanças. Eles são um pouco mais otimistas que os personagens de Nuestra Senhora de las Nubes. Isso, porque os personagens de Nuestra Senhora de las Nubes não são tão otimistas. Estão, como em uma situação... estão fora... estão na situação de estarem em um lugar estranho, escuro... e ai que sucedem essa segunda etapa e segundo elo com a obra. Na terceira obra, fazendo um elo, os personagens não são otimistas, já não há
104
possibilidade voltar. Eles já estão definitivamente fora de si mesmo. A única alternativa que eles tinham, era a de ficar juntos uns aos outros, porque o círculo infernal do exílio se rompe quando você descobre que tuas raízes são o nada. Quando você descobre que outra pessoa pode ser teu país, que você não tem mais para onde voltar... alcançando isso, você rompe com o exílio.
3- Você diz que o seu teatro é exilado e que o Malayerba é um grupo exilado, mas não apenas de um exílio político, que pode ser um exílio artístico, poético, cultural. Conte-me um pouco como isso se constitui e como você enxerga esses vários tipos de exílio?
Tem que se entender que o exílio não é algo que se envolve diretamente com o mundo da política, mas que o exílio é um estado existencial, é um estado da existência. Não lembro com quem falava... que se falava que Emily Dickinson era uma exilada. Emile Dickinson é uma poeta norte americana que se exilou em sua casa, ela não saia de sua casa. Isso é um exílio é... não necessitou ser castigada politicamente e sinceramente já não se sentia integrada, ela se sentia desintegrada. Isso é um sentimento quando a pessoa não se sente bem com as coisas ao redor, com sua família, em alguns casos com os amigos, então você pensa em se desintegrar quer disser, se distanciar e entra nesse território do exílio. E o universo do exílio é universo pessoal seu, no qual nasce incessantemente possibilidade de agarrar, de se pegar a algo para ferir esse sentimento, mas não necessita ser castigado por um país ou ser castigado por uma ditadura, só necessita está descentrado ou descentrada. Só necessita que você não se sinta bem no lugar em que está.
4- Vemos que em sua construção teatral a poesia se faz bastante presente. Que tipo de literatura você costuma ler? Quais autores o inspiraram durante a sua carreira?
Bom... há momentos na vida, houve um momento na vida em que eu lia muita poesia e para minha era fundamental... e lia a todos os grandes poetas e... logo li muita novela, muito conto. Nessa etapa de minha vida eu leio muito ensaio, mais que tudo, e decidi ler talvez porque necessite entender mais a pessoas e os seres humanos, então leio muito ensaio, leio muita filosofia, e... Mas nem sempre foi assim, tinha uma época em minha juventude que só lia poesia avidamente, muita poesia, muita poesia, lia grandes poetas e me nutria deles.
105
Evidentemente que quando escrevo isto está presente em mim, tanto a poesia quanto a literatura que leio sim.
5- Vi uma entrevista sua certa vez em que você falava sobre a sua escrita. Nela você discorria que sua escrita era uma espécie de tratamento para a cura da dor e do sofrimento, que retomar essas memórias e conseguir falar e recontá-las funcionava como um real tratamento. Fale-me um pouco sobre essa concepção.
Quando se escreve, se começa a falar, quando se começa a falar, começa a curar-se. As vezes se escreve porque não se pode falar e quando escreve estais falando, estais vivendo novamente o campo do trauma. Isso é muito bom, porque se pode ver o que está se passando consigo, no que pensa por dentro, sua depressão, sua tristeza, inclusive sua alegria, pode vê-la e expressa-la, está tudo impresso na escritura. É nesse sentido, um processo curativo, e nesse sentido que começasse a se encontrar internamente. Dei-me conta disso, quando escrevi Nuestra Señora de las Nubes, fundamentalmente eram coisas que haviam me acontecido a muitos anos atrás. Tinham se passado vinte anos, vinte e cinco anos para que eu pudesse falar e expressar sobre isso e fui pensando... e pensei que era um sistema também de cura para poder escrever e poder falar. De uma maneira, sempre considerei mais claro lê-me, do que escutar-me, eu não podia falar muitas coisas e... mas é.. Era intenso poder ler-me.