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A América Latina é o principal influenciador para o enredo da peça de Arístides Vargas, pois este se baseia na ditadura argentina para compor sua história. A partir dessa prerrogativa, entende-se a necessidade de se adentrar a essas questões que permeiam a realidade de vários países latinos. Em uma entrevista ao canal de televisão peruano ‘Presencia Cultural’7, o autor citado expõe que quando criou essa obra não pensou que iria representá-la

tanto, mas entende o fato de haver bastante identificação com sua obra em território latino, pelo fato de vários países do continente vivenciaram a traumática experiência do exílio. Ele afirma que, por mais que a história seja escrita a partir de memórias dos fatos ocorridas na Argentina, seus traumas e experiências ditatoriais são bastante semelhantes aos dos demais países latinos, cujas feridas ainda permanecem abertas. Esse fato decorre do fato de que, cada vez mais, existem releituras das obras de Arístides Vargas pelo continente e, principalmente, das peças que têm traços bastante marcados de resquícios da ditadura. No Brasil, sua obra também vem se tornando bastante adaptada, reforçando a discussão sobre os fatos da nossa história recente.

Desse modo, não se pode adentrar às questões sobre a América Latina, sem realizar recortes sobre os regimes totalitários. Entende-se que as ditaduras que ocorreram no continente latinoamericano nos meados do século XX marcaram toda uma geração. O cientista político Franz Neumann (1969), define ditadura da seguinte forma: “o governo de uma pessoa ou de um grupo de pessoas que se arrogam no poder e o monopolizam, exercendo-o sem restrições.” Em suas análises, ele expõe três vertentes de tipos ditatoriais:

A simples, na qual o governo – quer se militar, monárquico etc. – detém o controle dos instrumentos clássicos do domínio: o exército, a polícia, a burocracia e o judiciário; a cesarista, cujas características são a necessidade do apoio popular e a personalização do governo em torno líder; e a totalitária, que apresenta características cesarista, por meio da forte presença de um líder e das massas populares. No entanto, esses pontos podem não ser fortes o suficiente para garantia do poder e acabam por obrigar o estado a lançar mão de outras estratégias, tais como o controle da educação, dos meios de comunicação e das instituições econômicas (NEUMANN, 1969, p.38)

O continente latinoamericano possui, em sua história, uma verdadeira combinação dessas vertentes ditatoriais. De acordo com a obra ‘A Construção Social dos Regimes Autoritários – Brasil e América Latina’ (2010), “o continente latinoamericano sempre enfrentou – enfrenta – dificuldades em seu território. Desse modo, a democracia deixou de ser

7 TV Peruana – Site Presencia Cultural: <https://www.youtube.com/watch? v=yW4JoQbH4OM &list=PLGo

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vista por setores importantes da sociedade como a melhor maneira de combate ao comunismo” (QUADRAT; ROLLEMBERG, 2010). Havia a presença de um autoritarismo vigente na cultura política de muitos países latinos. Nas décadas de 1960 e 1970, as ditaduras latinoamericanas, mesmo em suas preparações para o golpe e se estendendo para a duração dos regimes totalitários, se utilizavam dos discursos de “salvação dos valores ocidentais e cristãos e do perigo do comunismo” algo que era bastante disseminado na época. Tudo isso, envolvia o momento vivido no mundo, com o fim da Segunda Guerra Mundial 8e a imersão

na Guerra Fria.9

Sendo assim, gradativamente, Paraguai (1954), Brasil (1964), Uruguai (1971), Chile (1973) e Argentina (1976), todos esses países passaram por processos ditatoriais em seus territórios. Desse modo, os governos legítimos e legais foram depostos, sendo acusados de irresponsáveis e incapazes de governar. E nesse ínterim, os novos governos montados por militares, mas não compostos exclusivamente por eles, se apresentavam como a salvação da nação, enquanto os governos anteriores eram a representação do caos e do atraso, perante as formulações dos discursos ditatoriais. Havia, no Brasil, por exemplo, o discurso de que a esquerda desejava entregar o país para Moscou. Ainda no discurso anticomunista, destaca-se o General paraguaio Alberto Stroessner10 que, mesmo o seu governo ditador se iniciando em

1954, utilizou o discurso de anticomunismo e salvador da nação para se perpetuar no governo até 1989 (QUADRAT; ROLLEMBERG, 2010).

Esses ditadores, de maneira geral, se preocupavam com construir um governo forte capaz de impedir aquilo que acreditavam ser um avanço comunista, ainda mais depois da vitória da Revolução Cubana (1959).11 Essa tática se transformou na melhor e única possível

8A Segunda Guerra Mundial, iniciada em setembro de 1939, foi a maior catástrofe provocada pelo homem em

toda a sua longa história. Envolveu setenta e duas nações e foi travada em todos os continentes, de forma direta ou indiretamente. O número de mortos superou os cinquenta milhões havendo ainda uns vinte e oito milhões de mutilados. Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/ef2/segundaguerra/> Acesso no dia 01 de outubro de 2016.

9A Guerra Fria foi uma disputa pela superioridade mundial entre Estados Unidos e União Soviética após a

Segunda Guerra Mundial (1939-1945). É chamada de Guerra Fria por ser uma intensa guerra econômica, diplomática e ideológica travada pela conquista de zonas de influência. Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/resumos/guerrafria.php>. Acesso no dia 01 de outubro de 2016.

10 O dia 15 de agosto de 1954 marca o início de um período de três décadas e meia marcado por fraudes

eleitorais, forte repressão a opositores e crimes contra a humanidade – assassinatos, prisões ilegais, torturas, deportações e desaparecimentos estavam entre os principais delitos. Calcula-se que, durante seu regime, teriam morrido entre três a quatro mil dissidentes (QUADRAT; ROLLEMBERG, 2010, p. 24).

11A Revolução Cubana foi um processo de guerrilha que durou vários anos, foi uma revolução democrática que

visava a liberdade e autonomia da nação, que foi em seus instantes iniciais anti-imperialista e somente depois tornou-se socialista. Foi, como já mencionado um dos acontecimentos políticos mais marcantes e importantes da América Latina durante os anos de Guerra Fria. Disponível em: <https://historiandonanet07. wordpress.com/2011/08/16/a-revolucao-cubana/>. Acesso no dia 01 de outubro de 2016.

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para esses governos autoritários. É notório que, a partir da grande ascensão do governo comunista de Fidel Castro, haveria um contra-ataque vindo de terras estadunidenses por meio da vigilância intensificada sobre a região da América Latina. Os Estados Unidos, como principal porta voz desse discurso anticomunista pelo mundo, surgem no cenário latinoamericano como crucial incentivador desses golpes e das ditaduras que se construíam, especialmente nos casos do Brasil e do Chile.

E como efeito dessa conjuntura política, vários grupos de esquerda e de simpatizantes da ideia comunista começaram a surgir. E em combate, do mesmo modo, e com auxílio estadunidense, também houve uma crescente onda no contingente da ala conservadora, como demanda de vários setores da sociedade civil que apoiavam a instituição de governos militares.

No entanto, deve-se observar que, se por um lado é bastante clara a relação construída entre os presentes golpes no território latino e os interesses do capital estadunidense, por outro lado, não se pode negar o apoio forte de uma parte significativa da população latinoamericana, que ansiava a chegada desses governos. Essa parcela da população, que tinha em seu contingente setores da classe média, do empresariado, das oligarquias locais e da Igreja Católica, os quais temiam que a realidade Cubana viesse a se instaurar por outros países do continente Latino. No Brasil, por exemplo, houve, em várias capitais, as ‘Marchas da Família com Deus pela Liberdade’.12 Consideravam que, por meio desses governos fortes,

liderados pelo autoritarismo militar, estariam protegidos contra a ameaça comunista (QUADRAT; ROLLEMBERG, 2010).

A conjuntura do golpe militar no Brasil contém suas peculiaridades, mas não se configura de maneira muito distante da realidade do contexto latinoamericano. De acordo, com o artigo da ‘Revista Literatura e Autoritarismo’, de autoria da pesquisadora Seleste Michels (2009) a ditadura foram anos que ficaram evidenciados na história pela sua presente falta de democracia, pela supressão de direitos constitucionais, pela dura censura, pela perseguição política e pela repressão aos que eram contra o regime militar.

No Brasil, o golpe foi implantado no ano de 1964, perfazendo, atualmente, cinquenta e cinco anos que os militares tomaram o poder no Brasil. A partir da crise política instaurada no governo desde a ocorrência da renuncia de presidente Jânio Quadros em 1961, um clima

12As Marchas inserem-se em um momento em diversificados setores da população saíram às ruas em repúdio ao

governo nacionalista de João Goulart, que segundo acreditavam, tinha aspirações comunizantes e caminhava para a destruição dos valores religiosos, patrióticos e morais da sociedade. Tais passeatas surgiram como uma espécie de pedido às forças Armadas por uma intervenção salvadora (PRESOT, 2010, p. 74).

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bastante sombrio se encontrava em relação à posse de seu vice João Goulart (Jango), que deveria entrar em cena para governar o país.

O governo de Jango como era conhecido, foi marcado por uma legitimação das organizações populares de trabalhadores, das organizações sociais e de estudantes criando o repúdio às classes conservadoras como banqueiros, militares, igreja católica e empresários. O seu estilo populista e direcionado a uma perspectiva política enfocada mais no socialismo, botou em cheque até a preocupação do EUA, que se reunindo com as classes conservadoras do país, temiam um golpe comunista, o suposto ‘perigo vermelho’. Como o País possui uma vasta extensão e acaba por fazer uma ligação direta com vários países da América do Sul, havia um medo coletivo germinado na população de que esses países se reuniriam em uma república socialista e juntos implantariam o comunismo na América Latina.

Desse modo, com o clima e as tensões sociais crescentes no país, no dia 31 de março de 1964 os militares tomam o poder destituindo, assim, o atual governo de João Goulart. Em um primeiro momento, o regime militar foi firmado para ser um governo provisório utilizando o discurso de que iriam cessar o avanço do comunismo e acabar com a corrupção, e se perpetuaram no poder por mais de duas décadas.

O golpe militar no Brasil não só contou com o apoio político e ideológico dos EUA, mas também com o seu apoio militar, chegando ao ponto de disponibilizar armamentos, esquadrilhas de caça aéreas, navios e porta aviões. Desse modo, podemos perceber a manipulação e influência americana diretamente envolvida no golpe político do Brasil. Em virtude de seus interesses na América Latina e ao proeminente enfrentamento com a URSS por territórios de atuação pelo mundo, acabaram por fomentar na América Latina a concepção de que as democracias eram incapazes de sustar o comunismo.

Alguns anos depois, em 1968, após breve período de manifestações estudantis radicais contra a ditadura militar, o governo decreta o AI-5 que altera significativamente a relação do Estado com a vida cultural, apertando ainda mais o cerco com relação às expressões artísticas e de intelectuais que eram contra o regime militar. O Ato Institucional número 5 (AI-5), foi o quinto decreto sancionado pelo regime militar brasileiro, considerado o mais terrível golpe sobre a democracia, porque conferia poder quase absoluto ao governo militar. As manifestações culturais e artísticas que se colocavam no lugar de questionadoras ante a ordem vigente foram duramente impedidas de se manifestarem, ou foram duramente violentadas ao fazê-lo, pelo poder que os militares exerciam em sua categoria, e aos seus pares, no âmbito da censura. Todo e qualquer indivíduo que viesse a ameaçar a ordem econômica, política e social vigente se configurava como um subversivo e inimigo nacional (MICHELS, 2009).

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A ditadura sofrida pela Argentina também apresenta suas paridades com outras ditaduras existentes na América Latina, assim como a ocorrida no Brasil. Apontaremos alguns breves fatos que se destacaram na conjuntura ditatorial argentina. Isso por se tratar do país de origem de Arístides Vargas e por estes fatos estarem diretamente relacionados à obra teatral analisada nesta pesquisa. Durante a virulenta história do chamado Processo de Reorganização Nacional na Argentina, estabeleceu-se a raiz do golpe militar contra o governo de Isabel Perón, em 1976, que se estendeu até 1983. Estima-se que nesse período, entre mortos e desaparecidos exista uma média de trinta mil pessoas, enquanto os que abandonaram o país por motivos políticos perfaziam um total aproximado de sessenta a oitenta mil.

De acordo com o Historiador Ângelo Priori, 13 em seu artigo ‘Golpe Militar na

Argentina: apontamentos históricos’, o golpe militar ocorrido em 24 de março de 1976, em território argentino é o ápice de fatos que já vinham se desenvolvendo durante algum tempo. fatos como a repressão a esquerda peronista e a esquerda tradicional. O que ocorria era que desde 1955, com a derrubada do General Domingos Perón, vinha acontecendo um significativo incentivo à institucionalização do poder militar na cena política. As forças armadas se tornaram instituições de alto poder e autonomia dentro da cena política e a presença dos militares nesse contexto desencadeou o clímax dos conflitos sobre a continuidade do modelo peronista (PRIORI, 2008). O historiador Daniel James14, em seu

artigo ‘Os Antecedentes: o peronismo e a classe trabalhadora, 1943-1955’, expõe um pouco da estruturação do pensamento peronista.

O atrativo fundamental do peronismo reside em sua capacidade de redefinir a noção de cidadania dentro de um contexto mais amplo, essencialmente social. A questão da cidadania em si e do acesso a plenitude dos direitos políticos foram aspectos poderosos do discurso peronista, constituindo parte de uma linguagem de protesto, de grande ressonância popular, diante da exclusão política. [...] O peronismo significou uma presença social e política muito maior da classe trabalhadora na sociedade argentina. O impacto disso pode ser medido, em termos institucionais, a partir de fatores tais como a relação íntima entre governo e sindicalismo durante a era Perón, e o grande crescimento do sindicalismo. (JAMES, 2010, p. 318,)

Dessa forma, houve um cerceamento no modelo industrial, fundamentado fortemente na participação do estado e no setor trabalhista, passando para um padrão liberal-conservador, ancorado nas elites agrárias do país e associada ao capital estrangeiro, tendo como foco os Estados Unidos. Em 1966, esse modelo militar se intensificou ainda mais com o golpe militar do general Carlos Ongania. A partir desse momento, eles passaram a se afirmar predestinados

13Ângelo Priori - Professor do Departamento de História da UEM; Doutor em História (UNESP) e Reitor da

Universidade Estadual de Maringá. Artigo: Golpe Militar na Argentina: Apontamentos Históricos.

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na ‘missão de salvar a pátria’, ou seja, ‘salvar a pátria’ seria o desenvolvimento da economia e da indústria através do capital estrangeiro. Seria reformular a estabilidade política do país eliminando o pensamento peronista e substituindo-o por um padrão julgado mais adequado para o desenvolvimento harmônico da nação, segundo os critérios militares, dentro de um contexto ocidental e cristão (PRIORI, 2008).

A repressão se deu, principalmente, para os grupos e movimentos operários e organizações políticas de esquerda (peronistas ou não), levando esses movimentos a assumirem uma clara posição de confronto com o Estado e o regime militar. O resumo disso tudo se deu na eclosão da rebelião popular de Córdoba em 1969 – El Cordobazo, que irá deixar os militares perplexos diante dos acontecimentos e da resistência operário-estudantil. Desse modo, no ano de 1970 os partidos passaram a ter atitudes mais drásticas de combate como sequestros, chantagens e assaltos. Um dos principais grupos da esquerda era oExército Revolucionário (ERP), que promoveu vários atos políticos nas fábricas e universidades. Do mesmo modo, havia aAliança Anticomunista Argentina (Triple A)que se apresentava como o grupo mais importante da direita conservadora.

Desse modo, com base em documentos, depoimentos e análises historiográficas no pós-ditadura, pode-se observar a intensidade da repressão produzida pelo terrorismo de Estado, que foi infinitamente maior que a ação da oposição. A denominada ‘guerra sucia’, promoveu através da máquina estatal um verdadeiro genocídio entre 1976 e 1979, cujos dados são indicados pela Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas,mostrando que cerca de nove mil pessoas foram dadas como desaparecidas nessa época. Mas outras fontes defendem um número de 30 mil desaparecidos, como é o caso de líderes das organizações de direitos humanos e movimentos como o das ‘Mães e das Avós da Praça de

Maio’.

Afirmar-se que a ditadura argentina foi a mais violenta do continente e, do mesmo modo que o regime nazista fez uso de campos de concentração, utilizou os ‘voos da morte’ para poder sumir com os corpos das vítimas, depois de terem sido submetidos a torturas. Sendo assim, os dados estatísticos se aproximam de cerca de cinco mil opositores do regime que foram lançados vivos de aviões durante sobrevoos ao Rio de Prata e Oceano Atlântico,

isso segundo dados da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) (PRIORI,

2008).

Outros dados adquiridos através de depoimentos de oficiais da marinha foram sobre os sequestros e mortes de bebês durante a ditadura Argentina, quando na La Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA) funcionou uma maternidade clandestina. A maioria das

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crianças foram entregues às famílias de militares e colaboradores. Na ESMA passaram cinco mil detidos, dos quais somente cerca de 40 sobreviveram.

Em resposta a esse tipo de brutalidade surgiram grupos de resistência contra o governo militar. Na Argentina, as ‘Mães e Avós da Praça de Maio’ foi, originalmente, um movimento de protesto das mães e Avós que tiveram seus filhos e netos desaparecidos durante o regime militar. Desde então, o movimento tem confrontado as autoridades para responsabilizar os culpados pelos desaparecimentos dos seus filhos e netos. Estes movimentos se tornaram grupos internacionalmente reconhecidos pela coragem de enfrentar o governo repressivo através de manifestações pacíficas, e que ainda atualmente continuam descobrindo filhos e netos sumidos durante o regime (PRIORI, 2008).

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II CAPÍTULO

UM TEATRO MEMORIALISTA

O exílio, a migração e o cruzamento de fronteiras podem, portanto, nos proporcionar novas f ormas narrativas, ou, outras formas de contar .

Eward Said

O exílio sempre foi, para ditadura uma arma. O homem transplantado perde as suas raízes, perde o poder de fogo, perde a combatividade. Por iss o as ditaduras gostam de duas coisas: matar! Matar enterrando e matar exilando.

Augusto Boal

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II CAPÍTULO: UM TEATRO MEMORIALISTA