8. TECHNICAL OFFICIALS
8.2. Technical officials
Produção de grãos em toneladas – Matopiba – 2000 – 2016
19A... 19 B
Fonte: SIDRA-IBGE – elaboração própria
Por fim, o Piauí, especificamente o sudoeste do estado, é para onde a produção também se espraiou, formando grandes produtores de grãos, como Baixa Grande do Ribeiro, Uruçuí, Ribeiro Gonçalves e Bom Jesus, entre outros, que somados respondem por 15,3% da produção do Matopiba, em 2016.
Ao comparar com o ano 2000 (Mapa 19A) é perceptível os incrementos produtivos por quase todo o Matopiba. O Piauí aumentou em 992% seu volume produzido de grãos, o maior crescimento da região, ao passo que a Bahia cresceu em 163%. Obviamente o menor aumento se deve ao fato do oeste baiano estar mais consolidado que as demais áreas, levando naturalmente a maior expansão no Piauí, que foi de 409% em termos de área plantada, e 97% na Bahia, entre os anos 2000 e 2016.
Por tipos de grãos, a produção de soja respondeu por 59,8% do volume produzido no Matopiba, em 2016, seguido do milho, com 26,2%, algodão herbáceo (6,6%), arroz (5%), sorgo (1,4%) e feijão (1%). Enquanto isso, no ano 2000 a soja
respondeu por 49% do total produzido, seguido do milho com 25,8%, algodão herbáceo (3,43%), arroz (19,5%), feijão (2%) e sorgo (0,07%). Proporcionalmente, o arroz foi o que mais reduziu produção relativa, de 945 mil toneladas para 824 mil toneladas, entre 2000 e 2016.
TABELA 5
Área plantada com os principais grãos – Matopiba – 2000 - 2016
UF Algodão
herbáceo Arroz Feijão Milho Soja Sorgo
Área plantada total 2000 TO 0,08% 47,70% 1,87% 20,41% 29,55% 0,38% 302.379 MA 0,36% 40,14% 7,00% 26,79% 25,70% 0,00% 817.570 PI 0,33% 36,99% 9,70% 17,29% 35,69% 0,00% 180.097 BA 4,46% 3,55% 4,93% 18,57% 68,41% 0,08% 1.111.411 Total 2,22% 23,99% 5,61% 21,49% 46,61% 0,08% 2.411.457 2010 TO 1,07% 20,96% 4,10% 12,86% 56,37% 4,63% 633.522 MA 1,24% 28,74% 5,98% 22,29% 41,75% 0,00% 1.147.492 PI 2,34% 10,55% 5,48% 13,43% 67,03% 1,17% 498.958 BA 17,98% 1,34% 3,57% 14,60% 61,06% 1,45% 1.645.893 Total 8,37% 13,69% 4,60% 16,42% 55,42% 1,50% 3.925.865 2016 TO 0,32% 9,68% 1,48% 15,45% 70,66% 2,40% 1.195.630 MA 1,56% 10,26% 4,34% 25,11% 55,98% 2,75% 1.384.149 PI 1,28% 2,44% 3,10% 22,35% 68,93% 1,91% 917.284 BA 11,96% 0,24% 4,14% 11,98% 69,44% 2,23% 2.191.290 Total 5,26% 5,02% 3,46% 17,58% 66,34% 2,34% 5.688.353
Fonte: SIDRA-IBGE – elaboração própria
A perda de área foi ainda maior na rizicultura, de 578 mil hectares para 285 mil hectares, para o mesmo período. Paralelamente, a soja era cultivada em 1,1 milhão de hectares, em 2000, chegando em 3,8 milhões em 2016. A tabela 5 mostra a evolução da área plantada para os anos 2000, 2010 e 2016 em termos relativos, por estado e para o Matopiba. A área plantada do Piauí foi a que mais cresceu, entre 2000 e 2016, 409%, puxada pelo avanço da soja, que em 2000 totalizava 35,7% da área plantada e em 2016 chegou a 68,9%, resultado de um aumento de área de dez vezes. Enquanto isso, a produção de arroz local, que se encontrava em 37% da área plantada, chegou a 2016 em 2,4% da área.
A Bahia foi o terceiro estado a aumentar área, 97%, entre 2000 e 2016. O curioso no oeste baiano é que esse aumento preponderantemente com a soja, porém em termos relativos, essa seguiu ocupando cerca de 70% da área plantada. Uma parte do crescimento de área da região foi com a produção de algodão herbáceo, que passou de 50 mil hectares para 260 mil hectares. Como se observa, o crescimento sempre foi gradual e intenso desde o ano 2000, principalmente no sul do Maranhão, sudoeste do Piauí e oeste baiano, fazendo com que neste período a produção na região de grande importância, consolidando grandes áreas. Como a região do Oeste Baiano, como é conhecida a porção baiana do Matopiba, é a pioneira, ela acumula a maior área plantada na região.
Em 2010 a produção por todo o Matopiba já havia crescido fortemente, tornando quase todos os municípios do Oeste Baiano grandes produtores e intensificando a produção no sul do Maranhão e Piauí. É nesse momento que se consolidam grandes áreas. O mapa 21B que apresenta a produção de 2016 mostra o chamado cinturão da soja do Matopiba, evidenciando que muito embora se fale na produção de grãos na região, essa tem um caminho certo e contínuo por ser trilhado, seguindo uma lógica de abertura de novas áreas e possivelmente segue uma rota de crescimento baseado na localização de vias de escoamento.
Nos anos 1990 havia leve produção espalhadas pelos quatro estados, porém apenas alguns municípios do oeste baiano superavam 50 mil toneladas, como Barreiras, Correntina, Formosa do Rio Preto e São Desidério. A produção de soja no Matopiba é a principal no conjunto de grãos, tanto que o mapa da produção (20B) se assemelha ao mapa da produção total de grãos (19B). A Tabela 5 confirma essa preponderância da cultura em termos de área, passando de 1,1 milhão de hectares, em 2000, para 3,8 milhões de hectares, em 2016, representando 67% da área plantada de grãos no Matopiba.
Do total cultivado atualmente com soja, 40% da área plantada está na Bahia, 22% está no Tocantins, 21% no Maranhão e 17% no Piauí. Apesar do protagonismo do oeste baiano, o Piauí é o estado que vem ampliando com maior vigor a área, 887%, para o mesmo período, seguido do Tocantins, com 848%. Possivelmente o Piauí terá limitações na expansão, dada pela reduzida área de cerrado no estado, ao menos que novas tecnologias viabilizem a expansão para dentro do estado. Por sua vez, o Tocantins possui área suficiente para expansão, visto que todo o estado é apto para cultivo de grãos.
A direção de ocupação do solo do Matopiba pela cultura da soja parece ter uma trajetória pré-definida, construindo um “eixo da soja” no Matopiba. Esse movimento mostra que não há um movimento aleatório de ocupação, muito embora a cultura esparrame para outros espaços, como Tocantins e até mesmo norte do Maranhão, porém há um eixo que domina a produção e por onde a mesma cresce com mais força. Esse eixo começa no oeste baiano, o qual iniciou nos anos 1970 (Capítulo 1) e sobe em direção ao sul do Maranhão e sudoeste do Piauí, regiões que se verá mais adiante, estão concentradas também grande parte das atividades produtivas do Matopiba.
O mapa 20A mostra a distribuição da produção em toneladas no ano 2000, que foi de 2,4 milhões de toneladas, notificadas em apenas 25% dos municípios do Matopiba. Do total, 67% era produzido no oeste baiano, com São Desidério (BA) sendo o maior produtor, 17,5% do total produzido no Matopiba. No início dos anos 2000, Pedro Afonso e Formoso do Araguaia (tradicional produtor de arroz) já despontavam como grandes produtores de soja no Tocantins, tendo essa última cidade se consolidado com maior força na produção de soja no estado, como se observa no mapa 20B, em que a produção de soja no Tocantins ganhou corpo do centro ao sul do estado.
No Maranhão o que se viu foi a consolidação de Balsas como um grande município produtor de soja, sendo o polo concentrador da produção do sul do Maranhão. Outro município que se destaca no Maranhão, por estar fora do “eixo da soja”, é Açailândia, que pertence ao polo regional de Imperatriz, com dinamismo conectado à infraestrutura e logística do escoamento da produção do Centro-Oeste e Maranhão. Açailândia no ano 2000 não possuía produção notificada de soja e uma década e meia depois contabilizou 54 mil toneladas do grão.