Navier-Stokes Simulations of Store Separation
2 Computational Results
2.1 Store Separation from a Generic Wing- Wing-Sting-Pylon Configuration
mesmo em períodos em que se assiste a um crescimento da economia, corroboram a idéia de que o problema deve estar ligado a fatores diretamente associados ao processo de geração de renda das famílias pobres. O estudo de tais fatores se faz, portanto, necessário para que se possa compreender o fenômeno da perpetuação dos altos níveis de pobreza que afligem diversas sociedades contemporâneas (Barros e Camargo, 1994: 81). Foi com base nesse entendimento que os fatores apontados na literatura como influentes em tal capacidade de geração de renda foram abordados na seção anterior. Nesse sentido, à discussão dos indicadores diretos de pobreza – a dizer, a renda domiciliar mensal per capita, o acesso a serviços públicos e a bens duráveis – acrescentaram-se temas ligados ao chefe de família, tais como sua inserção no mercado de trabalho e suas características pessoais (sexo, idade, raça, nível educacional), à composição familiar (em que ganharam relevo as questões da taxa de
dependência econômica e das famílias monoparentais), além de se ter mencionado o aspecto contextual, referente à localização urbana ou rural do domicílio.
As discussões sobre cada um desses aspectos e suas relações com a pobreza permitiram que se detectassem algumas tendências gerais. Dentre elas, as mais evidentes são as de que a oferta de instalações e serviços públicos nas zonas rurais encontra-se aquém da existente nos cenários urbanos; os domicílios chefiados por mulheres estão mais sujeitos a vivenciarem carências e privações do que aqueles chefiados por homens; pessoas jovens, não-brancas ou com baixo nível educacional enfrentam maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho, estando mais vulneráveis ao desemprego, às ocupações precárias, a baixas remunerações e, por conseguinte, a viverem situações de privações.
As tendências delineadas na discussão teórica, contudo, não se limitaram aos aspectos ora enumerados. Em consonância com a perspectiva multidimensional acerca da pobreza, pôde-se observar que cada um dos fatores associa-se com o fenômeno não apenas diretamente, pela sua repercussão sobre a renda per capita ou sobre o acesso a serviços públicos, mas também indiretamente, por meio de outros fatores. Tal possibilidade de efeito indireto é indicada pelo fato de que a abordagem feita sobre cada um dos fatores foi permeada e influenciada por outros. Com tal amalgamação evidenciada entre os fatores, consolida-se mais uma vez a concepção de que, de fato, as inter-relações entre eles conformam um aspecto inerente ao fenômeno da pobreza.
A partir da discussão que foi desenvolvida, podem-se resgatar aqui alguns pontos principais a respeito da forma como se dão tais articulações. Há, por exemplo, indicações de que domicílios pobres chefiados por pessoas que vivem sem companhia de cônjuge apresentam menor renda per capita. A consideração desse fato, por sua vez, remete à questão das assimetrias de sexo, já que chefes do sexo feminino tendem a liderar famílias monoparentais, ao que se somam ainda suas maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Como decorrência desses fatores, domicílios chefiados por mulheres são marcados por maiores taxas de dependência econômica, o que também contribui para suas tendências a viverem em pobreza.
Com relação à idade do indivíduo, os pontos de vista teóricos apresentados afirmam que aqueles mais experientes podem obter melhores inserções no mercado de trabalho e, portanto, auferir maiores remunerações. Particularmente no que tange ao grupo dos idosos brasileiros – que, em tese, haveria de sofrer maiores carências e privações, devido a suas limitações para o trabalho – a existência de políticas públicas tendem a preservá-los de vulnerabilidades, tal como seria esperado. Ainda com relação às pessoas de mais idade, a teoria indica que, por
causa de aspectos ligados ao ciclo de vida, tais domicílios tendem a ter menor número de moradores, o que lhes diminui a taxa de dependência econômica e, portanto, a vida sob condições de privações e carências.
Deve-se lembrar também do fato de que não-brancos tendem a viver em situação de pobreza não apenas pelas discriminações diretamente sofridas no mercado de trabalho, mas também indiretamente, através da falta de acesso a uma boa formação educacional. Por simetria, tem-se que pessoas brancas tendem a ter maiores níveis educacionais do que “pretos” e “pardos” o que, teoricamente, lhes confere melhores perspectivas de inserção no mercado de trabalho.
Há que se mencionar ainda aspectos relativos aos contextos rurais ou urbanos onde se situam os domicílios. Pessoas que vivem em ambas as zonas enfrentam problemas como desemprego, padrões sociais de inserção diferenciados para pessoas de ambos os sexos, discriminações de raça, dentre outros. Contudo, note-se que as referidas dificuldades assumem especificidades próprias em cada um desses contextos. A diferença mais marcante está, como se disse, na disponibilidade de instalações e serviços públicos em cada uma dessas áreas. De todo modo, como é de se esperar, tanto em zonas rurais como urbanas, domicílios com maiores rendas per capita são aqueles que usufruem não apenas de melhor acesso a saneamento básico, mas também a bens duráveis e a condições de moradia.
Como se vê, uma situação de pobreza caracteriza-se pela ocorrência de todos esses aspectos simultaneamente, já que se trata de uma realidade social complexa, em que múltiplos processos tomam parte. Sob essa ótica, há que se considerar também a possibilidade de confluência dos fatores, que pode vir a acirrar as condições de carências em que se encontram certos grupos de pessoas. Tal perspectiva reflete justamente a proposta defendida por Bourdieu (1998:28), de se pensar o objeto social “relacionalmente”. Segundo tal enfoque, é da natureza do objeto social imbuir-se de um conjunto de relações que lhe imprimem suas propriedades essenciais. A tarefa dos cientistas sociais é, portanto, construir e analisar esse objeto, respeitando-lhe o caráter relacional.
Ainda que sejam assinaladas aqui as relações entre características dos indivíduos que se associam à problemática da pobreza, deve-se ressaltar que todas essas relações se manifestam dentro de condições da vida social. Em outras palavras, deve-se estar atento ao fato de que o contexto socioeconômico vigente condiciona o modo como se dão tais relações, que podem ser intensificadas ou atenuadas pela conjuntura social que as circunda. As análises apresentadas neste estudo são desenvolvidas de acordo com tal perspectiva.
Assim, a partir das indicações teóricas de que já se dispõe sobre a forma como se articulam os referidos fatores, interessa conhecer quais deles se mostram mais relevantes em contextos sociais específicos. Dito de outra forma, tendo em vista as variações existentes entre as distintas “síndromes de pobreza” e de posse de antecipações teóricas que indicam, de modo genérico, como se dão as inter-relações entre os fatores, deve-se investigar o peso que cada um deles adquire em realidades específicas de pobreza. Mais que isso, é desejável que se pesquisem empiricamente as configurações relacionais entre fatores, assim como os efeitos diretos, indiretos e totais que cada um deles exerce sobre as condições de vida dos indivíduos, ponderando-os uns em relação aos outros. Ao se realizar uma análise dessa natureza, abre-se a perspectiva de que se detectem quais aspectos se sobressaem em determinados contextos e que merecem, portanto, servir de alvo a ações que visem à melhoria das condições de vida daquela população.