INPUT/OUTPUT AND CONTROL OPERATIONS
4.18 STATUS WORDS
Os testes manuais descritos na tabela 41 são menos frequentemente requisitados pelos clínicos.
Tabela 41. Descrição e fundamento de outros testes serológicos manuais
Reação de Paul-Bunnell
Descrição Princípio do teste
Teste utilizado na deteção da infeção pelo EBV; agente etiológico da mononucleose infeciosa.
Na presença de partículas de látex revestidas com glicoproteínas provenientes da membrana celular de GV purificados de bovino (comuns a antigénios do EBV), este teste permite a deteção qualitativa e semi-quantitativa de anticorpos IgM heterofílicos associados à mononucleose infeciosa.
Antigénios febris
Descrição Princípio do teste
Teste utilizado na deteção de Ac contra os antigénios febris. Estes representam
algumas bactérias
patogénicas para a espécie
humana que são
responsáveis pelo
aparecimento de
determinadas infeções que decorrem com um quadro febril, como a brucelose, salmonelose e rickettsiose.
Este kit contém soluções com antigénios bacterianos específicos, permitindo a realização de 3 testes diferentes: - Wright: para a pesquisa de Ac contra Brucella abortus e
Brucella melitensis;
- Widal: para a pesquisa de Ac contra Salmonella paratyphi AH,
AO, BH, BO e Salmonella typhi H e O;
- Weil-Félix: para a pesquisa de Ac contra Proteus OX2 e OX19, que possuem antigénios em comum com Rickettsia spp.
Abreviaturas: Ac, anticorpos; EBV, vírus Epstein-Barr; GV, glóbulos vermelhos; Ig, imunoglobulinas.
6.5.
CONTROLO DE QUALIDADE – BIOQUÍMICA/IMUNOLOGIA
6.5.1. CALIBRAÇÕES
A periodicidade das calibrações deverá ser estabelecida pelo utilizador, de acordo com as características do equipamento, a frequência e tipo de utilização (tabela 42).
No entanto, é necessário proceder à calibração dos diferentes parâmetros, sempre que um reagente de lote diferente do anterior é introduzido de novo, e sempre que o CQI se
87 | P á g i n a
encontre fora dos limites normais; para isso utilizam-se padrões de concentração conhecida, cujos valores são previamente introduzidos no programa do autoanalisador.
Tabela 42. Periodicidade da calibração dos equipamentos utilizados no setor da Bioquímica/Imunologia
Equipamento Periodicidade
ARCHITECT® System
ci8200
Neste equipamento procede-se à calibração sempre que os valores do CQI diário se encontrem fora dos intervalos de referência, sempre que o prazo de validade da curva de calibração anterior expire e ainda quando ocorre a mudança de lote do reagente a utilizar.
Mini VIDAS®
Procede-se à calibração sempre que o prazo de validade da curva de calibração anterior expire (mensalmente) ou quando ocorre mudança do lote dos reagentes.
Abreviaturas: CQI, controlo de qualidade interno.
6.5.2. CONTROLO DE QUALIDADE INTERNO
O setor da Bioquímica/Imunologia utiliza o software MultiQC6 para a realização do CQI. Este software permite a monitorização diária dos CQI, através da representação dos diferentes CQ sob a forma de mapas controlo: Gráficos de Levey-Jennings (figura 38).
Figura 38. Gráfico de Levey-Jennings referente aos diferentes níveis de controlo de qualidade utilizados para
88 | P á g i n a
Tabela 43. Monitorização e periodicidade da realização dos controlos de qualidade diários efetuados nos
diferentes equipamentos do setor da Bioquímica/Imunologia
Equipamento Periodicidade Monitorização
ARCHITECT® System
ci8200
Contro de qualidade diário: início da manhã e durante a tarde.
Existem três níveis de controlo (baixo, normal e alto) para os parâmetros da bioquímica, imunologia e parâmetros determinados na urina.
Utiliza-se um nível de controlo para cada um, alternando os níveis utilizados.
Mini VIDAS®
Realiza-se sempre que é realizada a abertura de uma nova caixa e após uma calibração.
Utilizam-se dois níveis de controlo (normal e alto).
HYDRASYS®
Sempre que se efetuar a
realização de
proteinogramas.
Alternam-se os dois níveis de controlo existentes (normal e patológico)
6.5.3. AVALIAÇÃO EXTERNA DA QUALIDADE
O LPCMA participa no esquema de AEQ promovida pelo RIQAS. Quinzenalmente são monitorizados todos os parâmetros efetuados no equipamento ARCHITECT® System i2000/c8000.
Na figura 39 encontra-se um exemplo de parte de um dos relatórios recebidos do RIQAS para o parâmetro AST. Na figura 39 (A) pode observar-se um gráfico com os resultados obtidos anteriormente e o desvio em relação à média.
Na figura 39 (B) é possível verificar a quantidade de laboratórios que participaram e o método utilizado na determinação desse parâmetro. Verifica-se que o nosso resultado foi próximo da média dos resultados obtidos pelos laboratórios que utilizaram o mesmo método.
89 | P á g i n a Figura 39. (A) Gráfico que representa o número de amostras enviadas, os valores obtidos ao longo do tempo
e o seu desvio em relação à média. (B) Representação do número de laboratórios, tipo de metodologia utilizada e a respetiva média obtida pelos laboratórios que entraram no estudo.
(B) (A)
90 | P á g i n a
7. VALÊNCIA DA MICROBIOLOGIA
Ao setor da Microbiologia chegam diariamente vários tipos de amostras biológicas, incluindo maioritariamente urinas e fezes, mas também outros produtos, como por exemplo, vários tipos de exsudados (purulentos, uretrais, faríngeos, nasais e principalmente vaginais), expetoração e sémen.
Neste setor, efetuam-se ainda análises pertencentes à valência da Química Clínica, incluindo a análise sumária da urina e a observação do respetivo sedimento urinário. A sala da Microbiologia encontra-se dividida em diferentes partes, onde se situam os equipamentos automáticos, uma câmara de fluxo laminar, a zona de colorações e lavagens, uma estufa a 37ºC para o exame cultural, e uma bancada com microscópio ótico (Mo) para a observação de lâminas. Na tabela 44 encontram-se mencionados os equipamentos automáticos existentes neste setor.
Tabela 44. Equipamentos disponíveis no setor da Microbiologia
Equipamentos Parâmetros efetuados
Aution MAXTM AX-4280 Parâmetros químicos e físicos da urina.
MicroScan WalkAway 40SI Identificação de bactérias e respetivos TSA. Abreviaturas: TSA, testes de suscetibilidade aos antibióticos.
Durante o tempo que permaneci na Microbiologia tive a oportunidade de me integrar na rotina de trabalho, o que me permitiu realizar todas as metodologias pertencentes a este setor do laboratório, incluindo o exame microscópico e cultural dos diferentes produtos biológicos, os respetivos testes de suscetibilidade aos antibióticos (TSA), a execução e observação dos esfregaços com coloração de Gram e Ziehl-Neelsen (ZN) e o manuseamento dos diferentes equipamentos disponíveis neste setor. De seguida, vou descrever de forma mais detalhada as principais atividades realizadas diariamente no setor da Microbiologia.
7.1.
EXAME BACTERIOLÓGICO
O procedimento relativo ao diagnóstico de processos infeciosos inicia-se geralmente com o exame microscópico da amostra em estudo, para a pesquisa de um potencial microrganismo patogénico e o estudo da sua morfologia. De seguida, é efetuado o exame cultural nos meios de cultura apropriados, de forma a cultivar e isolar, se presente, o agente etológico da infeção. Se necessário, realizam-se ainda algumas provas bioquímicas rápidas adicionais e/ou uma coloração de Gram para auxiliar na identificação (ID) do agente infecioso. Por fim, efetua-se a confirmação da sua ID e os respetivos TSA, recorrendo a métodos automatizados.
91 | P á g i n a
7.1.1. EXAME DIRETO/MICROSCÓPICO
O exame direto por microscopia ótica é o método mais frequentemente utilizado, tanto na deteção dos microrganismos diretamente nas amostras biológicas, como na caracterização morfológica dos microrganismos isolados após sementeira, com recurso a corantes específicos. É considerada a primeira etapa do estudo e ID de um microrganismo na maioria das amostras que chegam ao laboratório.
EXAME “A FRESCO”
O exame microscópico “a fresco” de uma amostra permite uma avaliação semi-quantitativa dos elementos celulares (células epiteliais, leucócitos, GV) e microrganismos (bactérias, fungos e parasitas), sendo efetuado na rotina do laboratório para a análise das urinas, esperma, exsudados vaginais e uretrais, e parasitológico de fezes.
O procedimento consiste em colocar a amostra entre lâmina e lamela e proceder à observação microscópica na objetiva de 40x.
EXAME APÓS COLORAÇÃO
O exame microscópico após coloração permite perceber as características morfológicas das bactérias. As técnicas utilizadas são efetuadas sobre esfregaços secos e fixados pelo calor, sendo a observação ao Mo realizada na objetiva de imersão (100х). No LPCMA as colorações utilizadas são a coloração de Gram e a coloração de ZN.