A prova de Coombs é um teste imuno-hematológico que permite a deteção de Ac incompletos ligados à superfície dos GV, sendo que a reação Ag-Ac pode ter ocorrido in vivo ou in vitro, dependendo tratar-se de uma prova de Coombs direta ou indireta, respetivamente. Esta prova utiliza um reagente de antiglobulina humana (AGH) polivalente, que permite a deteção da aglutinação dos GV cobertos por imunoglobulinas (Ig) ou frações de complemento.
Na atividade diária do laboratório chegam maioritariamente pedidos de realização da prova de Coombs indireta.
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PROVA DE COOMBS INDIRETA
A prova de Coombs indireta permite a deteção dos Ac eritrocitários irregulares clinicamente relevantes presentes no soro do paciente, por sensibilização in vitro dos GV. A ocorrência de aglutinação indica que o soro em estudo contém Ac que revestiram os GV comerciais durante a incubação in vitro.
APLICAÇÃO CLÍNICA
A prova de Coombs indireta é particularmente importante na pesquisa de Ac irregulares na grávida, principalmente anticorpos anti-D, que se desenvolvem mais frequentemente. Assim, todas as mulheres grávidas e aquelas que pretendam engravidar, devem determinar o seu grupo sanguíneo (ABO e Rh), e devem ser testadas quanto à presença de aloanticorpos que possam estar direcionados contra Ag de origem paterna. Esta prova é realizada principalmente com o objetivo de evitar uma possível situação de DHRN. Para além desta situação, a prova de Coombs indireta é ainda utilizada como teste pré- transfusional em todos os doentes candidatos a transfusões de sangue e/ou componentes sanguíneos específicos.
PROCEDIMENTO
Durante o estágio, para a realização da prova de Coombs indireta, recorremos a um método manual através da utilização dos cards DG Gel Coombs®, que contêm nos seus 8 microtubos uma solução tampão com AGH polivalente. A amostra utilizada é o soro obtido após centrifugação do sangue total colhido sem anticoagulante e com ativador de coágulo. Após adição do soro do paciente e dos GV comerciais, os cards incubam durante 15 minutos na estufa, para que ocorra a ligação dos Ac aos Ag correspondentes presentes nos GV comerciais.
Os GV comerciais SeraScan Diana 2/2P adicionados correspondem a GV humanos com fenótipos distintos conhecidos, ambos pertencendo ao grupo sanguíneo O, para que as reações não sejam mascaradas por uma possível incompatibilidade ABO entre as células comerciais e o grupo da amostra em estudo. Estes GV apresentam à sua superfície os determinantes antigénicos mais significativos da maior parte dos sistemas dos grupos sanguíneos.
As AGH presentes nos microtubos atuam como ponte, unindo-se aos anticorpos que estão ligados à membrana eritrocitária, promovendo dessa forma a ligação entre os GV. Assim, se existirem Ac irregulares no soro materno, estes vão ligar-se aos Ag presentes na superfície dos GV comerciais adicionados, conduzindo a uma aglutinação que se torna visível graças à presença das AGH.
47 | P á g i n a INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS
A leitura e interpretação dos cards é realizada após a centrifugação dos mesmos.
- Resultado negativo: ausência de Ac no soro. Não ocorre aglutinação e os GV aparecem no fundo da coluna.
- Resultado positivo: presença de aglutinação eritrocitária. Aparecimento de uma banda de GV à superfície da coluna ou na sua extensão.
Um resultado positivo é seguido da realização de várias titulações do soro do paciente, para se verificar qual é a maior diluição a que ainda ocorre um resultado positivo; é esse valor que sai no boletim analítico do utente.
Sempre que o resultado é positivo, fica ao critério do clínico pedir a realização de uma identificação dos Ac irregulares encontrados.
5.8.
CONTROLO DE QUALIDADE
5.8.1. CONTROLO DE QUALIDADE INTERNO
No setor da Hematologia todos os equipamentos estão sujeitos a um CQI (tabela 14).
Tabela 14. Monitorização e periodicidade do controlo de qualidade interno diário efetuado nos vários
equipamentos presentes no setor da Hematologia
Equipamento CQI
Sysmex XT-1800iTM Requer um controlo diário, que é alternado de forma sucessiva entre
os diferentes níveis de controlo disponíveis: baixo, normal e alto.
Ves-Matic 20®
Requerem um controlo diário, utilizando-se simultaneamente os níveis de controlo disponíveis – normal e patológico.
STart® 4 Coagulation
Analyzer CapillarysTM 2 Flex
Piercing
Requer um controlo diário, utilizando-se de forma alternada os 2 níveis de controlo disponíveis – normal e patológico.
Abreviaturas: CQI, controlo de qualidade interno.
5.8.2. AVALIAÇÃO EXTERNA DA QUALIDADE
Em termos de AEQ, o laboratório participa no esquema de avaliação internacional de qualidade RIQAS. Estes controlos de qualidade são recebidos quinzenalmente e são efetuados nos equipamentos Sysmex XT-1800iTM, CapillarysTM 2 Flex Piercing e STart® 4 Coagulation Analyzer.
Para além disso, o laboratório participa ainda no programa UK NEQAS para avaliação de esfregaços sanguíneos. Uma vez por mês são avaliadas duas lâminas observando a morfologia e realizando a diferenciação leucocitária manual. É realizada ainda a observação de mais duas lâminas para pesquisa e identificação de parasitas sanguíneos.
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6. VALÊNCIA DA BIOQUÍMICA/IMUNOLOGIA
As valências da Bioquímica e da Imunologia vão ser descritas em simultâneo neste capítulo do relatório, já que no LPCMA estas partilham o mesmo espaço físico e até alguns equipamentos. Os diferentes equipamentos e a respetiva metodologia encontram-se sumariados na tabela 15.
Tabela 15. Equipamentos presentes na valência da Bioquímica/Imunologia e a respetiva metodologia utilizada
Equipamento Metodologia Parâmetros
ARCHITECT® System i2000
ARCHITECT® System c8000
- Quimioluminescência Parâmetros imunológicos - Fotometria
- Potenciometria Parâmetros bioquímicos
Hydrasys® - Eletroforese em gel Proteinograma
Mini Vidas® - ELFA Marcadores cardíacos
Abreviaturas: ELFA, Enzyme linked fluorescence assay.