4.2 La stabilisation de dommages micrométriques
4.2.3 Stabilisation de rayures sur la surface des composants de silice
É inegável que a situação socioeconômica desempenha papel fundamental na vida da população, como espécie de motor. Isso fica evidente no Maranhão do século XIX, no período em que dominou a «economia do algodão», uma das mais importantes do Brasil Império –, baseada, essencialmente, na atividade agrária e escravista. A vida econômica maranhense começou a dar sinais de crescimento ainda na segunda metade do século XVIII, ganhando vigor no século XIX, quando se verifica intensa atividade do comércio. Nesta altura, o estado do Maranhão ascende à posição de quarto mais rico do Império, projeta-se no cenário nacional e edifica as bases que permitirão o florescimento daqueles movimentos artístico-culturais que viriam a garantir a São Luís um lugar de honra na história cultural do Brasil. Gaioso (1818:xxv) afirma que «[...] do estabelecimento da companhia geral do commercio em 1756, data o principio de sua prosperidade [do Maranhão], na criação da sua riqueza territorial.» Esta visão é ainda hoje suportada pelos historiadores, como Borralho (2009:63):
Em 1755, com a Criação da 2ª Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, responsável pelos suprimentos de mão-de-obra escrava, insumos agrícolas e créditos aos produtores, intelectuais da época cognominaram o fastigioso momento como o da “idade de ouro” do Maranhão e finalmente, a entrada verdadeiramente desta região nos quadros do mercantilismo agro-exportador.
A chegada da família real portuguesa ao Brasil, no início do século XIX, foi outro fator determinante para o Maranhão atingir o apogeu no mercado mundial de algodão. Porém, o fim da Guerra de Secessão Americana (1861-1865) garantiu o retorno dos Estados Unidos ao mercado internacional, com o crescimento da produção de algodão, somada à tecnologia mais avançada, acarretando aumento da produtividade e, consequentemente, queda de preço. O «golpe de misericórdia» na economia do estado do
Maranhão deu-se com a abolição da escravatura no Brasil, em 1888, o que daria fim a esse período de abundância, já que sua economia era, essencialmente, agrária e escravocrata.
Apesar do enfraquecimento econômico, aquando da proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, o estado do Maranhão e Grão-Pará ainda guardava alguns sinais da antiga grandeza: «Entramos para o capítulo da história da República, com dezessete fábricas, das quais dez de fiação e tecelagem de algodão, sendo três em Caxias, uma em Codó e as demais em São Luís. Essa miragem, porém, cedo se desvaneceria.» (Meireles, 2001:260).
Sobre tal decadência, refere Meireles (2001:260) que a economia maranhense «[...] viu-se condenada à morte, que o mal entrou a crescer sem que se lhe encontrasse remédio pronto e adequado. A Lei Áurea deu-lhe a “extrema unção”: “A abolição do elemento servil lançara de vez a província na mais sombria miséria econômica” [...].» Além disso, e como explica Borralho:
O Maranhão passava a ser exportador de escravos a partir de 1850, invertendo a polaridade econômica da produção de algodão, arroz e açúcar, ou seja, a região que havia se notabilizado pelo escoamento da produção agrícola sofria as consequências da dependência de demanda do mercado externo – característica do modelo mercantil agroexportador – e via singrar pelo mar do Maranhão a força de trabalho que antes sustentava a economia local. Era o fim do discurso da euforia da prosperidade maranhense que, aliada aos falecimentos e partidas dos intelectuais para o Rio de Janeiro, engrossavam o caldo da melancolia. Setores ligados à agroexportação fizeram do início das exportações um fausto, como se não existisse vida antes da chegada de Marquês de Pombal. (Borralho, 2009:66).
As perdas para o Maranhão foram imensas. O historiador Jerônimo de Viveiros (apud Meireles, 2001:260) expõe os seguintes dados:
[...] cerca de 70 por cento dos engenhos de cana a 30 por cento das fazendas algodoeiras, fecharam as portas. As nossas propriedades agrícolas sofreram uma desvalorização instantânea de 90 por cento e os nossos grandes latifundiários, perdido o enorme capital empatado na escravatura, procuraram salvar o que e como possível, correndo a abrigar-se em São Luís para escapar à derrocada impetuosa; aqui, como que desvairados, atiraram-se, como única tábua de salvação antevista em meio do dilúvio destruidor, à loucura industrial com que se pretendeu, como se muda um cenário em palco de teatro, transformar o Maranhão, escravocrata e agrícola, num parque industrial de trabalho livre.
Refira-se ainda que, com o desenvolvimento da atividade cafeeira no sudeste do país, principalmente em São Paulo, e com a extração da borracha na região amazônica, muitos trabalhadores maranhenses partiram para essas regiões.
16 | DLC | Mestrado em Estudos Editoriais
Tal situação dos perfis econômicos levaram ao empobrecimento do estado, que, por certo, iriam se refletir no plano da cultura. No início do século XX, a cidade estava em completo abandono. Apesar da lentidão que parecia ter tomado conta das atividades mais importantes do estado, viam-se alguns sinais de progresso, a partir das duas últimas décadas do novecentos, depois de instalação de grandes empresas como a mineradora Vale11 e o Consórcio de Alumínio do Maranhão (Alumar).12
Segundo os últimos indicadores oficiais (IBGE, 2008), o PIB de São Luís foi de 6 mil milhões de euros, o que lhe garante boa representatividade na economia nacional, 26ª posição, entre os mais de 5.000 municípios brasileiros. Apesar da boa posição, São Luís está longe de alcançar valores iguais aos de São Paulo, primeira do ranking, com o PIB de mais de 155 mil milhões de euros, do total de 1,3 trilhão de euros de todo o país. Já a índices populacionais (IBGE, 2011) acusaram que o Maranhão, em 2010, possuía 6.569.683 habitantes, distribuídos pelos 217 municípios que compõem a Unidade Federativa; e sua capital, São Luís, com 1.011.943, é o mais populoso do estado.
São Luís se beneficia de transportes aéreo, com o Aeroporto Internacional Cunha Machado, rodoviário, ferroviário, marítimo e fluvial. Um dos meios mais utilizados é o ferroviário (Vale), trecho Carajás-São Luís, no transporte de minério de ferro e de pessoas, além de grãos do norte do estado, para escoamento nos portos da capital. O complexo portuário de São Luís, formado pelo Porto do Itaqui, Terminal da Ponta da Madeira (Vale) e Terminal da Alumar, é um dos mais importantes do Brasil, ocupando o segundo lugar em movimentação de cargas. A cidade também conta com os maiores centros comerciais e de prestação de serviço do estado. (Siebert e Siebert, 2007:106).
O setor empresarial teve grande impulso com a instalação do Distrito Industrial na Ilha de São Luís, a maior área de indústrias do Maranhão. É formado por empreendimentos que atuam em diversos setores como, por exemplo, siderúrgico, químico, alimentar e cerâmico.
Já o turismo vem crescendo significativamente graças às belezas naturais e históricas, e também à riqueza das manifestações populares. Hoje, mesmo possuindo um número razoável de atividades econômicas e o maior produto interno bruto (PIB) do estado, em São Luís, tal como ocorre com nas demais cidades da Federação, a
11 A Vale é a segunda maior mineradora do mundo.
12 A Alumar é formada pelo consórcio das grandes mineradoras Alcoa, RioTintoAlcan e BHP Billiton,
desigualdade social é muito grande, comprovada, infelizmente, pelos altos índices de analfabetismo e pelos péssimos indicadores de saúde.
Os dados apresentados referem-se somente à cidade de São Luís. O restante dos municípios maranhenses ainda amargam baixíssimos níveis de desenvolvimento humano. Segundo divulgação recente do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o Maranhão é o segundo estado mais miserável do Brasil, com cerca de 1,7 milhões de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza.13