• Aucun résultat trouvé

4.5 Refonte de défauts d’aspects des réseaux de diffraction du LMJ

4.5.2 Refonte par laser CO 2

Perante a análise dos dados verifica-se um aumento quase unânime em cada parâmetro que compunha o questionário de Perfil de Auto-Percepção Corporal para Crianças e Jovens. Este aumento verificou-se em ambos os grupos, havendo diversos aumentos significativos nos parâmetros do grupo experimental. De forma generalizada, a prática dos desportos de aventura vai de encontro ao quadro lançado por Ewert (1985) ao providenciar melhorias não só de foro físico mas também psicológico.

Dentro do grupo experimental (Quadro 19), o secundário revela auto-percepções mais elevadas do que o 3º ciclo. A diferença pode advir do estado de maturação das alunas, não maioritariamente físico, porque já são todas adolescentes, mas sobretudo psicológico. Como referiu Erikson (1976) o conflito característico da adolescência começa desde a puberdade até ao estado adulto e formação da identidade. Alunas mais velhas estão, normalmente mais próximas de resolver o conflito e portanto encontram-se mais maturas e mais seguras de si e das suas capacidades.

 Relativamente ao inquérito de avaliação inicial (Quadro 5) podemos constatar que a vontade de praticar estava presente. O gosto ou pré-disposição demonstradas pelas alunas é evidente, havendo 26 em 41 alunas a responderem Bastante/totalmente à pergunta se gosta de praticar.

O gosto do risco e o estarem dispostas a corrê-lo aparecem na grande maioria das alunas (35 e 34, respectivamente), parecendo pré-dispostas e motivadas a realizar as actividades com este carácter.

Quanto à avaliação do risco e do desafio, das 41 alunas do Grupo Experimental, 33 conseguiram avaliar o risco. Dessas 33 alunas, 31 consideraram que existiram risco e 32 consideraram desafiante este programa de actividades. Como a Brainsource referiu, “o sentimento geral de medo” é a resposta a um “desafio stressante”. Estando o risco presente é sinal que os alunos vêem este programa de desportos de aventura como um grande desafio às suas habilidades e capacidades (relembrando a Brainsource (s.d.) e a Mary Spink et. al. (2005).

50

 Nas sessões que compuseram o programa de desportos de aventura, a expectativa foi sempre elevada, revelando entusiasmo e motivação. Essa motivação é positiva na medida em que torna o aluno activo, melhorando a sua aprendizagem, tal como tinha evidenciado Manuela Monteiro e Milice dos Santos (2002). Uma maior motivação acabou por definir os resultados apresentados na pergunta se “gostaste de praticar?” onde todas as modalidades tiveram resultados elevados. A elevada expectativa e gosto tornam a aprendizagem mais fácil verificando-se com isso o aumento na avaliação do parâmetro desempenho.

Dentro das 5 modalidades, de uma sessão para outra, registaram diminuições na avaliação do risco e do medo. Em contrapartida, o desempenho progrediu em todas as modalidades, sendo significativo na orientação e no tiro com arco, e muito significativo no rapel e na escalada. O risco e o medo são característicos dos DA mas, com a vivência da modalidade, as alunas perceberam os artifícios de cada modalidade, originando uma diminuição tanto do medo como do risco. O maior à vontade para desenvolver as suas capacidades acabou por surgir e, com isso, obtiveram melhores desempenhos. As técnicas das modalidades foram assimiladas rapidamente. Essa rapidez permitiu diminuir a paralisação de movimentos, que os desportos provocavam, nas alunas e melhorar a performances delas (Hohmann et al. 2002; Metz & Winterstein, 2005; Brochado, 2002; Cruz et al., s.d.; João Abrantes, s.d.; Harris & Harris, 1987).

O parâmetro desafio ficou repartido. Por um lado o desafio aumentou na orientação, rapel e canoagem, e por outro diminuiu na escalada e no tiro com arco. As diminuições verificadas vão ao encontro da Brainscource (s.d.) e Spink et al. (2005). Ao consciencializarem-se e ao experienciando as diversas técnicas, as modalidades podem deixar de representar um desafio às suas capacidades. O desafio stressante deixa de existir pois o factor medo desaparece. Porém, e por isso é que se registou um aumento na orientação, rapel e canoagem, o ser humano vive num mundo de performance e contém dentro dele uma incessante procura para ser cada vez melhor e melhor que os outros, daí registar-se aumento do desafio (Sérgio, 2007; Nakamura et al., 2004; Lavoura et al., 2008).

Examinando as médias das duas sessões de cada modalidade verifica-se que a mais elevada avaliação de desempenho registou-se na canoagem, reflexo da elevada expectativa (pré sessão) e gosto pela prática (pós sessão). A expectativa e o gosto

51

demonstram motivação e, por isso, as alunas tiveram uma maior pré-disposição para aprender, conseguindo mais rapidamente (Monteiro & Santos, 2002). Como a avaliação do risco e do medo resultou em número baixos, esses dois factores não foram impeditivos da realização do exercício (Brochado, 2002). O mesmo acontece a na orientação e no tiro com arco onde os valores médios de risco e medo são baixos e os desempenhos altos.

Apesar de altos, as avaliações de desempenho na escalada e no rapel foram os mais baixos das 5 modalidades do programa. As médias mais elevadas na avaliação do risco e medo justificam esse resultado e, nesses dois casos o risco e o medo tornaram-se, de alguma maneira, mais paralisantes (Brochado, 2002).

A elevada expectativa e gosto de prática revelam motivação e vontade de praticar resultando, no geral, em avaliações de desempenho elevadas (Monteiro & Santos, 2002). Ao avaliarem o seu desempenho de forma muito positiva e crescente, mantém o gosto e a expectativa o que está de acordo com o Paulo Oppermann que referiu que perante o fracasso muitos poderiam desmotivar-se.

Nas sessões de Orientação (Quadro 6) verificaram-se mudanças significativas, da primeira para a segunda sessão, na expectativa, no risco, medo e desempenho, como acima referido. Quanto às sensações sentidas, o destaque vai para as palpitações resultantes de uma competição entre alunos. A intensidade da prova fez com que o batimento cardíaco aumentasse. Os alunos realizaram o percurso de orientação quase sempre em corrida o que fez aumentar o batimento cardíaco. Esse facto vai de encontro á publicação da Brainsource (s.d.) e de Hackfort e Schwenknezger (1980).

Nas sessões de Rapel (Quadro 8) a expectativa, o gosto após a prática e o desempenho são as evoluções mais positivas. Apesar de pouco significativas, as avaliações de medo e risco desceram de uma sessão para a outra, o que originou o aumento da avaliação de desempenho, tal como na orientação. As sensações sentidas pelas alunas no rapel foram as maiores das 5 modalidades, onde os tremores, palpitações, as dificuldades em respirar e as sensações de sufoco foram as mais assinaladas (Brainsource, s.d. ; Hackfort & Schwenknezger, 1980). Apesar de terem o maior número de sensações sentidas, o gosto de praticar foi o segundo maior das 5 modalidades. Isto

52

vem explicar o porquê de muitas das raparigas gostam de correr riscos (35 raparigas em 41).

A escalada (Quadro 10) teve duas mudanças significativas: a diminuição da avaliação do medo e o aumento do desempenho. Essas duas alterações são facilmente explicadas. A diminuição do medo (stress), devido à familiarização com a nova modalidade, permitiu elevar a confiança e competência da aluna (indo ao encontro do estudo de Cruz et al, s.d. ; João Abrantes, s.d. ; Metz & Winterstein, 2005). As respostas positivas às palpitações e tremores revelam o risco do meio aéreo e à adrenalina derivada do medo (Pais & Romão, 2002; Pimentel, 2006). O mesmo se evidenciou no rapel. O medo das alturas acaba por influenciar o desempenho das alunas mas de uma sessão para a outra o medo é menor e o desempenho é menos limitado por esse medo.

Tanto o rapel como a escalada tiveram avaliações de risco e medo elevados. A interacção dos alunos com o meio que é totalmente diferente (um meio mais aéreo) e proporciona um estado agudo de medo (indo ao encontro de Brochado, 2002.). Já Pimentel (2006), num desporto a alta altitude evidenciou elevado batimento cardíaco, suores frios e tremores nos praticantes. Se os praticantes regulares sentem isso é perceptível o elevado número de sensações deste género nessas duas modalidades em altitude.

No tiro com arco as sensações sentidas (Quadro 13) que aparecem mais são os tremores. Esse resultado explica-se pela minuciosidade do gesto em que desvios milimétricos acabam por alterar o resultado do tiro em si. O desempenho e a expectativa tiveram um aumento significativo devido às competições que eram feitas durante as sessões (Quadro 12). Seguindo o pensamento de Paulo Oppermann o desempenho foi considerado bom o que aumentou a motivação e a expectativa.

A Canoagem (Quadro 14) teve expectativas e gostos após as sessões quase máximos. Estatisticamente significativo apresentou-se a avaliação do risco onde houve uma diminuição deste parâmetro. Os estudos acima referidos explicam essa diminuição do risco e consequentemente diminuição do medo e aumentos de desempenho, apesar de não significantes estatisticamente. O que não explica é a subida (apesar de não significativa) do desafio. Portanto, Nakamura et. al. (2004) pode explicar essa “excepção à regra” pois caracterizou a competição em canoagem como sendo um desporto muito exigente e por isso muito desafiante. Outra explicação é a incessante vontade de

53

superação sobre os outros e sobre eles próprios que as pessoas sentem no desporto (Manuel Sérgio, 2007).

O inquérito final de auto-avaliação possibilitou aferir que o programa correspondeu totalmente às expectativas de quase todas as alunas do Grupo Experimental. O programa revelou-se bastante desafiante para as alunas mas auto-avaliaram-se de maneira bastante positiva nas suas capacidades de realização da tarefa. O facto de avaliarem positivamente o desempenho traduz o acima referido parâmetro sobre as mulheres (Desporto e Saúde, 2009): as mulheres possuem diversos factores superiores/idênticos aos Homens, não havendo motivos para não realizarem as tarefas. A maior estabilidade e equilíbrio, a maior flexibilidade e mobilidade articular e coordenação de movimentos é fundamental para conseguirem uma progressão positiva tanto no rapel como na escalada. No caso do tiro com arco o maior equilíbrio e a maior eficiência mecânica permitem às alunas estabilizarem no momento de fazer pontaria no tiro com arco. A maior coordenação de movimentos e eficiência mecânica permite uma propulsão mais bem conseguida na canoagem (apesar dos Homens penderem a ter uma força maior).

Os parâmetros comparáveis entre o inquérito inicial e final (avaliação do risco e do desafio) permitiu verificar uma diminuição significativa na avaliação do risco o que demonstra que perderam o receito por esses práticas ao longo das sessões. O desafio aumentou mas é insignificante a nível estatístico o que demonstra que as alunas já não sentem tanto o risco que essas actividades representam mas que, mesmo assim consideram esses desportos desafiantes, podendo explicar-se pela competitividade (Nakamura, 2004; Manuel Sérgio, 2007).

No questionário de satisfação as palavras “divertido”, “interessante”, “muito bom” e “desafiante” foram as mais utilizadas pelas alunas. Isso vai de encontro com o referenciado pela Maria Leal (2004) e por Monteiro & Santos (2002). Essas palavras demonstram que o programa de desportos de aventura é motivador para os alunos. Nos aspectos a melhorar surge o “fazer mais vezes” e todas elas estariam dispostas a repetir o programa, deixando o sentimento que essas alunas gostam dessas práticas.

Comparando o PSPP-CY e o PIP-CY nos níveis de ensino do grupo experimental constatamos que, há diferenças significativas entre 3º Ciclo e Secundário no PSPP-AEG e PIP- DESPORTO (pré-teste) e no PSPP-AEG, PSPP-AEC e PSPP-CORPO (pós-teste).

54

Nas restantes dimensões, o secundário apresenta-se na maioria das vezes em alta comparativamente com o 3º Ciclo. Isso vem ao encontro do referido por Erikson (1976), e Schneider et. al. (2004) . As alunas do secundário estão mais avançadas na resolução do confronto “identidade versus difusão/confusão” e com isso têm uma maior maturidade física e mental. Estão portanto mais seguras das suas capacidades e de elas próprias (dimensão PSPP- CY), e têm uma maior capacidade de percepção da importância que o desporto, a condição física, o corpo e a força têm no dia-a-dia.

Os resultados que compararam o grupo experimental e controlo (Quadro 20) permitem verificar que o Grupo Controlo apresenta valores superiores na maioria dos parâmetros. Essa supremacia encontra-se presente tanto no pré como no pós-teste. Estatisticamente significativo encontra-se o PSPP-AEC (pré-teste), PSPP-DESPORTO (pré e pós-teste), PSPP-CONDIÇÃO (pré e pós-teste), PSPP-CORPO (pré-teste) E PIP-CORPO (pós-teste). Quanto aos níveis de ensino, a supremacia do grupo controlo sobre o experimental mantém-se, seja no 3º ciclo ou no secundário.

Essa supremacia do Grupo Controlo reflecte o maior à-vontade desse grupo. São alunas que, há mais de um ano praticam a sua modalidade de aventura e portanto já perderam muitos medos, sensações de risco. Relembrando Opperman (s.d.), João Abrantes (s.d..) e José cruz et. al. (s.d.) através dessas percas, a inibição que o stress e ansiedade provocavam deixou de estar presente, podendo evoluir de forma progressiva. O gráfico de Hohmann, Wick e Carl reflecte o que se passa nos dois grupos. Enquanto o Grupo Controlo está mais evoluído devido ao maior tempo de prática o Grupo Experimental está no começo.

Os resultados de satisfação e de gosto demonstrado pelas alunas do Grupo Experimental no questionário de satisfação explicam a evolução que este grupo teve. O Grupo Experimental teve uma evolução em todas as dimensões do questionário, sendo significativas as evoluções do PSPP-AEG, PSPP-AEC, PSPP-DESPORTO, PSPP-CONDIÇÃO, PSPP-FORÇA e PSPP- CORPO. Essa evolução significativa demonstra que a adaptação aos desportos de aventura é fácil permitindo num espaço de pouco tempo ter um melhor desempenho. Isso é notório também na evolução de uma sessão para outra, dentro da mesma modalidade.

A maior evolução do Grupo Experimental (Quadro 21) era esperada pois alunas com pouca ou nenhuma experiência sentem muitas mais diferenças. Antes eram alunas que se encontravam na estaca zero relativamente aos desportos de aventura e agora conseguiram

55

muitos resultados. Os resultados positivos quanto à pergunta sobre o desempenho deles no final de cada sessão demonstram e apoiam que elas se sentem bem a fazer estas modalidades e sentem que conseguem bons resultados. A evolução mais branda do Grupo Controlo relaciona- se com o nível competitivo no qual se encontram. A prática a longo prazo fê-las evoluir muito e agora estão presentes com situações muito frequentes no caso de atletas de alta competição: a diferença está nos pormenores (relembrando o Gráfico do Hohmann et al). Como a evolução não é tão grande, as adolescentes não sentem uma grande evolução daí resulta as evoluções inferiores nas dimensões.

O Grupo Controlo também evoluiu em quase todas as dimensões, salvo o PSPP-FORÇA. Comparativamente ao Grupo Experimental as evoluções foram inferiores, sendo a PSPP-AEG, PSPP-DESPORTO, PSPP-CONDIÇÃO E PIP-CORPO as evoluções significativas.

A diminuição, embora não significativa da PSPP-FORÇA, no Grupo Controlo, é explicável através do gráfico de Hohmann, Wick e Carl e do quadro do Desporto e Saúde (2009). Verifica-se que a longo prazo a melhoria das capacidades do atleta são cada vez mais difíceis de alcançar. Se juntarmos a esse facto a dificuldade acrescida que as mulheres têm em obter ganhos de força (hipertrofia) percebe-se que seja mais complicado evoluir neste parâmetro. Ao invés, o Grupo Experimental, como contactou pela primeira vez com esses desportos e conseguiu ter bom desempenho fica com maior confiança e percepção de evolução em todos os parâmetros, aumentando a auto-estima (Carvalho, 1996)..

A evolução significativa no PIP-CORPO do Grupo Controlo demonstra o conhecimento dessas atletas sobre o que elas precisam para ter a morfologia correcta em todos os segmentos corporais. A nível humano, e não desportivo, a procura do corpo esbelto mais presente nas mulheres leva-las a terem maior preocupação com a aparência (Eyre, 2008). Ter um corpo competitivo mantendo o ideal de beleza (Alves, 2009) e não de “machona” (como expôs Hillebrand et. al. em 2008 e Festle em 1996) é uma tarefa acrescida dando por isso bastante importância.

A evolução do PSPP-CORPO é significativa no Grupo Experimental indo ao encontro dos estudos que revelam a importância do corpo para as mulheres e para a respectiva auto- estima (Conti et. al., 2005; Almeida et. al, 2002; Alves, 2009; Carvalho & Carquejo, 2004; Aanders Raustorp, 2009; Derek Peters et. al., 2010). A praticamente inexistente evolução desse domínio no grupo controlo vai ao encontro do gráfico de Hohmann, Wick e Carl (2002). O nível

56

de desempenho vai aumentando cada vez mais devagar gerando sentimentos de estagnação na atleta.

A evolução significativa no PSPP-DESPORTO dos dois grupos constituintes da amostra significa que a motivação das alunas/atletas continua em alta. No caso do Grupo Experimental, a expectativa e o gosto demonstrados nas sessões originaram melhores desempenhos. Tanto Moreira (2008) como Paim & Pereira (2004) denotam o papel importante da motivação, para que a prática se desenrole optimamente, permitindo atingir os objectivos mais facilmente. Terem finalmente um papel activo – pois normalmente as raparigas eram as mais excluídas e menos participativas (Sousa et. al., 1999) – permite desenvolver competências específicas da modalidade.

A evolução na PSPP-CONDIÇÃO é significativa em ambos os grupos. Se a Condição Física é a “demonstração de características e capacidades” (Pate, 1988) o aumento de desempenho avaliado pelas alunas pressupõe que elas sintam que conseguem demonstrar as capacidades requeridas nos desportos de aventura.

As evoluções nos parâmetros acima referidos levam portanto ao aumento da auto-estima global, seguindo o pensamento de Fox & Corbin (1989).

57