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Spectroscopie de nanotubes de carbone uniques

3.7 Expérience de micro-photoluminescence

3.7.3 Spectroscopie de nanotubes de carbone uniques

Quando pensamos em sustentabilidade ou políticas de desenvolvimento local em regiões com potencial turístico, cultural e ambiental, em especial no contexto insular, associamos, com facilidade, iniciativas baseadas na potenciação do turismo sócio-cultural e ambiental em alternativa à saturação do turismo tradicional ou ao impacto negativo que este pode trazer a estas regiões.

Neste sentido, o turismo entendido como factor de desenvolvimento local deve ser: integrado e integrador, tendo em conta o conjunto das actividades que compreendem a vida de uma comunidade; endógeno, uma vez que é o único meio de garantir o equilíbrio das actividades assentes no desenvolvimento sócio-económico dessa comunidade; e local, porque é a este nível que se baseia a capacidade de acção dos actores sociais reunidos à volta de um sentimento de identidade e de pertença a uma comunidade (Jacq, 1997).

A importância do turismo para qualquer região do Mundo, em geral, e para as regiões insulares, em particular, merece uma atenção especial por parte dos agentes polí- ticos, socioeconómicos, culturais e da sociedade civil, quando se trata de ter em conta a fragilidade dos ecossistemas, a instabilidade política ou a debilidade social e económica da população local. Neste sentido, podemos dizer que o turismo em contexto insular e enquadrados por comunidades com índices de pobreza elevados, pode trazer aspectos claramente positivos para o desenvolvimento das zonas onde se implanta. No entanto, teremos de ter, também em conta que, para chegar a esse factor realmente determinante de desenvolvimento socioeconómico das comunidades locais, deve verifi car-se uma série de condições.

Neste contexto, e de acordo com Calatrava (1993) referenciado por Jacq (1997: 32), para que o turismo seja um factor de desenvolvimento local, para além de se oferecer um produto turístico atractivo, diferente e de qualidade, deve considerar alguns requisitos, tais como:

– Manter um equilíbrio entre os sistemas ecológicos, sócio-económicos e culturais – Contribuir para que a população local possa obter uma fonte de recursos

económicos complementares, de forma a poder fazer frente a problemas como o desemprego ou a crise dos sistemas agrários das sociedades rurais; isto implica a existência de um organismo público que controle localmente as decisões sobre os investimentos;

– Contribuir para a diversifi cação das actividades económicas; – Promover o intercâmbio entre as culturas e os povos;

– Intervir positivamente na articulação de uma política coordenada de ordena- mento do território, melhorando a competitividade das actividades económicas das zonas menos desenvolvidas.

E, ainda, de acordo com Barquero (1993) referenciado por Jacq (1997: 32), para que se cumpram estas condições é necessário contar com: infra-estruturas sufi cientes (hardware do desenvolvimento local); boa formação dos recursos humanos, fomento da capacidade empresarial e difusão da tecnologia (soft ware do desenvolvimento local); organização da comunidade local em redes (orgware do desenvolvimento local); uso adequado dos recursos naturais existentes (ecoware do desenvolvimento local)

Um outro estudo realizado por Meira & Ramos-Pinto (2008: 62) evoca-nos a impor- tância da participação social nas políticas de desenvolvimento local e que, no nosso entender, deverá estar, igualmente, associada a qualquer plano estratégico de turismo. Assim, para que uma política de desenvolvimento local sustentável seja estável e conti- nuada terá de existir um acordo de compromisso que assuma todos os sectores da política e da sociedade civil, o que aponta à necessidade de novas formas de governo no exercício do poder local. Deve caminhar-se para uma cultura da participação social renovada, na qual a intervenção da cidadania tenha uma nova forma de estar, mais unida a iniciativas de apoio à gestão e à tomada de decisões, do que centrada unicamente em fórmulas reivindi- cativas. Simetricamente, os grupos políticos institucionalizados terão que integrar novos conceitos e práticas na sua actuação política, tendentes ao envolvimento directo dos cida- dãos, através da articulação de diferentes técnicas, instrumentos e espaços de participação.

Quadro 35 – Participação comunitária nas decisões sobre as opções turísticas da região, em %

Cabo Verde São Tomé

Sim 44,0 18,5

Não 43,0 79,3

NS/ NR 13,0 2,2

No estudo levado a cabo no âmbito do projecto de investigação “O impacto do turismo no desenvolvimento comunitário em África: análise de experiências insulares”, podemos constatar que os inquiridos quando questionados acerca da participação comunitária nas decisões sobre as opções turísticas da região (Quadro 35), em Cabo Verde, 44% refere que sim e 43% refere que não; enquanto que em São Tomé e Príncipe apenas 18,5% afi rma que

sim contra 79,3% que responde negativamente.

Por sua vez é reconhecida a importância da participação nos projectos turísticos embora não se verifi que uma efectiva participação por desconhecimento das iniciativas, ou porque não são recebidos convites ou, ainda, por falta de tempo, como podemos cons- tatar pela leitura do Quadro 36a) e b).

Quadro 36 – Razões para não participar nas reuniões, em %

a) Cabo Verde

Razão de não participação Sto. Antão Fogo Maio Total

Desconhecimento 5,9 0,0 0,0 2,2

Falta de convite 23,5 33,3 0,0 28,3

Motivos de Trabalho 23,5 22,2 100,0 26,1

Não faz parte do projecto 17,6 22,2 0,0 19,6

Não gosta de participar 5,9 11,1 0,0 8,7

Outras 23,5 11,1 0,0 15,2

NS/NR 0,0 0,0 0,0 0,0

b) São Tomé e Príncipe

Razão de não participação Porto Alegre São João Bombaim Diogo

Vaz Cidade Neves

Monte Café Ilhéu Rolas Total Desconhecimento 0,0 0,0 0,0 0,0 25,0 33,3 20,0 0,0 22,2 Falta de convite 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 60,0 100,0 14,8 Motivos de Trabalho 100,0 0,0 0,0 0,0 18,8 33,3 20,0 0,0 22,2

Não faz parte do

projecto 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0

Não gosta de participar 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0

Outras 0,0 0,0 0,0 0,0 25,0 0,0 0,0 0,0 14,8

NS/NR 0,0 0,0 100,0 0,0 31,2 33,3 0,0 0,0 25,9

Partilhando Fernández (2009), consideramos que a actividade turística é uma poten- cialidade endógena das políticas de desenvolvimento local, pelo que deverá haver um esforço na compatibilização do crescimento económico associado ao desenvolvimento do sector turístico tendo em conta a conservação do património sócio-cultural e o necessário esforço pelo equilíbrio dos recursos naturais.

Esta ideia é, também, partilhada pelos diferentes actores locais de São Tomé e de Cabo Verde quando referem:

1) Cabo Verde - “… a verdade é que nós consideramos que o turismo pode vir a contribuir de forma signifi cativa para o desenvolvimento socioeconómico deste país e todos estamos conscientes disso… mas o turismo está intrinsecamente

inter-relacionado com diferentes sectores, fundamentalmente com o ambiente. Falamos por exemplo da questão do saneamento básico do meio, da questão da preservação do ambiente,…”

2) São Tomé e Príncipe - “…ouve-se falar que, aqui em São Tomé, o turismo é uma alternativa económica bastante boa para o país, mas só que ao longo destes anos as coisas não evoluíram muito, isto em função das expectativas das pessoas que acre- ditam neste sector, mas seja como for muitos passos foram dados ao longo de alguns anos, … e a nível da Associação Monte Pico nós levamos os turistas a zonas ecoló- gicas para darmos a conhecer um pouco as nossas plantas, os animais, os pássaros… e assim ajudar-nos a preservar essas espécies.”

Por outro lado, Fernández (2008) refere que o desenvolvimento local deve ser pensado mais para além da lógica economicista predominante nos dias de hoje, devendo ter um enfoque e uma prática que permita potenciar o desenvolvimento endógeno, a auto-organi- zação e o bem-estar social. Assim, o turismo numa perspectiva de desenvolvimento local implica uma visão multidimensional do desenvolvimento que compreende: economia; sociedade; cultura; ambiente; e política; e deve expressar-se no desenvolvimento de identi- dade e no sentido de pertença local, assim como no reconhecimento e exercício de direitos e responsabilidades, e na participação em assuntos públicos e no governo local.

Ainda, de acordo com Abellán (2008), o turismo deve ser entendido como uma área transversal que pode e deve ser capaz de repensar o futuro e introduzir novas actividades que deverão contribuir para a defi nição de estratégias de desenvolvimento local tanto pela sua capacidade de gerar fl uxos de emprego, como pela capacidade de fomentar a respon- sabilidade social e a preservação ambiental em benefício das comunidades locais.

A reforçar esta ideia podemos, igualmente, constatar que os inquiridos no estudo levado a cabo em Cabo Verde e São Tomé e Príncipe valorizam as áreas do emprego e das novas oportunidades, do património cultural e da preservação ambiental ao nível dos impactos positivos do turismo no desenvolvimento local.

3.2. As políticas de Ambiente e Educação Ambiental: uma oportuni-