5.8 SMV Specification
5.8.1 Specifying data integrity at the atomic transfer level
A descrição da experiência foi analisada com base em duas questões distintas do questionário, a primeira refere-se à satisfação para com as oportunidades criadas pelo Programa e a segunda à descrição livre que foi pedida aos inquiridos para fazerem sobre as suas férias passadas no âmbito do Programa.
No que diz respeito à satisfação para com as oportunidades criadas pelo Programa, esta foi analisada com base numa escala tipo Likert de cinco pontos, em que 1 representa “não gostei nada” e 5 “gostei muito”. Assim através da tabela 6.13, verifica-se que todas as oportunidades apresentaram uma frequência de respostas superior a 50% no ponto 5 da escala (gostei muito) e apenas a oportunidade “passar tempo fora de casa”, apresentou respostas (ainda que poucas) no ponto 1 da escala (não gostei nada). Estas respostas negativas em termos de satisfação face à possibilidade de passar tempo fora de casa, justificam-se pelo facto das crianças sentirem saudades da família, como referem no motivo pelo qual não querem voltar à colónia (assunto que se irá analisar mais à frente).
Tabela 6.13 - Satisfação para com as oportunidades criadas pelo Programa
Oportunidades N
Frequências (%) Estatística Descritiva 1 – Não
Gostei nada
2 3 4 5- Gostei
muito Média Mediana
Desvio Padrão Experimentar coisas novas 131 0,0% 0,8% 3,1% 29,8% 66,4% 4,62% 5 0,588% Estar com amigos 128 0,0% 0,0% 2,3% 19,5% 78,1% 4,76% 5 0,482% Fazer novos amigos 131 0,0% 0,0% 1,5% 19,1% 79,4% 4,78% 5 0,452% Passar tempo fora de casa 131 1,5% 3,8% 9,2% 29,0% 56,5% 4,35% 5 0,911% Por outro lado, “fazer novos amigos” a par de “estar com os amigos”, apresenta a maior média de satisfação e a maior frequência de respostas no ponto 5 da escala - gostei muito (tabela 6.13). A importância da criação de novas amizades e do alargamento dos horizontes sociais foram oportunidades também salientadas no estudo de Quinn et al. (2008) sobre os benefícios retirados pelas crianças carenciadas da experiência de passar férias fora de casa. Os referidos autores, explicam que isto acontece porque estas crianças têm horizontes
sociais muito limitados, pouco convívio com outras pessoas e pouca exposição a diferentes estilos de vida.
Por sua vez, o pedido de descrição das férias passadas na Colónia da Fundação “O Século” teve como objetivo perceber se as crianças inquiridas estavam a ter uma experiência positiva ou negativa, mas também, a obtenção de informação não captada pelas questões de resposta fechada, que proporcionasse o enriquecimento da análise de resultados.
Obteve-se no total 125 descrições (apenas 6 crianças optaram por não responder à questão), que na sua maioria retratam uma experiência de férias positiva, por parte das crianças inquiridas. No entanto, existem algumas exceções que apontam determinados aspetos negativos da sua experiência, como por exemplo, “as regras são uma seca, mas adorei imenso; “umas vezes chatas outras vezes fixes”; “se fosse novo gostava ou se fosse uma colónia para mais velhos era muito melhor”.
No que diz respeito às descrições positivas, estas permitem confirmar, os resultados analisados nos dois pontos anteriores (Satisfação para com o Programa e Benefícios de participação), bem como, a importância que este tipo de programas pode ter na vida das crianças carenciadas.
A satisfação para com a participação no programa é visível em todas as descrições positivas que se iniciam quase sempre pelas expressões: “as minhas férias estão a ser maravilhosas”; “fantásticas”; “muito boas”; “muito fixes”; “espetaculares”; ou então, “estou adorar estar aqui”; “gostei muito da colónia”. Entre os motivos mais referidos para essa satisfação, destacam-se as atividades que praticaram e os monitores (componentes do programa): “gostei de ir à praia e à piscina”; “eu ia à praia, à piscina e diverti-me muito na discoteca”; “fiz atividades divertidas”; “eu gostei muito da discoteca”;” é muito fixe o meu monitor”; “eu adoro o século, esta colónia de férias é a minha preferida e gosto muito dos monitores”.
Ficaram também expressas nas descrições das crianças inquiridas, as contribuições benéficas da sua participação no programa, com maior destaque para a diversão “diverti- me muito na colónia”; “o verão mais divertido”; “imensa diversão”; “diverti-me muito este ano”; “divertidas e com muitas risadas”; “eu descrevia como umas férias divertidas e animadas”. No estudo de Hilbrecht et al. (2008) a diversão, destacou-se como um dos
temas que mais emergiram, nas entrevistas realizadas a crianças, no sentido de averiguar, em que consistia para elas a experiência de férias em família. Para os autores ficou claro que a experiência de férias em família se caracterizava essencialmente pela diversão, contudo essa diversão não pode ser analisada isoladamente, ela emerge com base na prática de atividades que satisfazem as crianças e na partilha dessas atividades com alguém.
Para além da diversão, as crianças inquiridas, referem outros benefícios nas suas descrições, como por exemplo, as novas aprendizagens, a prática de novas atividades, a criação de memórias felizes; o surgimento de emoções positivas; o facto de terem feito novas amizades e conhecido pessoas novas: “aqui sinto-me bem e aprendi a ter mais respeito”; “fiz amizades, vivi aventuras e muitas risotas”; “acho que esta colónia ajuda-nos a aprender muitas coisas novas e engraçadas”; “aprendo e ajudo imenso”; “neste ano na colónia eu diverti-me muito e tenho a certeza que para os próximos anos eu nunca me esquecerei disto tudo”; “eu sinto-me feliz de estar aqui”; “ passei momentos muito divertidos e de muita emoção”; “fiz novos amigos e tive uma namorada muito simpática”; “uma casa onde conheci muitas pessoas”.
Algumas crianças inquiridas estabeleceram ainda nas suas descrições, comparações face a outras experiências de férias, deixando evidente a importância das atuais: “foram as melhores férias”; “umas férias fantásticas e inigualáveis”; “não podiam ser melhores”; “diferentes no bom sentido”.
Foi ainda possível observar algumas manifestações referentes ao próximo ponto a ser analisado, nomeadamente à fidelização para com o programa: “este ano eu fui para a colónia para me divertir e gostava de repetir”; “muito divertido se pudesse vinha para cá outro ano”; ”passei umas boas férias e gostava de repetir”.
Como se abordará no próximo ponto o desejo de voltar está relacionado com vários motivos, mas explica-se sobretudo pelo facto do tempo passado na Colónia de Férias se distinguir de forma positiva do tempo passado em casa (Quinn et al., 2008).