Depois de ter sido identificada e caracterizada a população em estudo nesta dissertação, procurou-se definir a técnica de amostragem a adoptar. Das diferentes técnicas de amostragem que podem ser utilizadas categorizam-se em dois grupos:
técnicas de amostragem probabilística;
técnicas de amostragem não probabilística.
As Técnicas de amostragem aleatória, probabilística ou casual, resultam de um processo em que todos os elementos da população têm igual probabilidade de vir a ser seleccionados (Reis e Moreira, 1993). No entanto, devido à dificuldade em obter uma listagem que contemple todos os elementos da população leva a que se opte, muitas vezes, por um processo de amostragem dirigido (não probabilístico), onde os respondentes são escolhidos segundo determinados critérios decididos pelo investigador. Neste processo de amostragem os indivíduos têm diferentes probabilidades de vir a ser incluídos na amostra (Reis e Moreira, 1993).
Em função da falta de uma base de dados que contemple todos os elementos da população em estudo, optou-se nesta dissertação por recorrer ao processo de amostragem não aleatório por quotas, para determinar a amostra a inquirir. Este tipo de amostragem foi escolhido pelo facto de se apresentar entre todas as técnicas de amostragem não
probabilística a mais adequada para o estudo em análise. Este tipo de amostragem visa controlar o enviesamento introduzido pelo facto de se tratar de um processo de amostragem não probabilístico, através da estratificação e da definição de uma quota para cada estrato (Reis e Moreira, 1993).
Na amostragem por quotas procura-se obter alguma representatividade estabelecendo quotas de inquiridos segundo determinadas características pré-definidas (por exemplo, idade, género, o nível de escolaridade e a área de residência). Essas quotas devem reproduzir em amostra as proporções existentes na população total relativamente às características consideradas. Neste sentido é necessário que exista informação estatística prévia sobre o universo considerado (Quivy e Campenhoudt, 2008). Esta técnica tem sido utilizada em muitos estudos de mercado e de opinião pelo seu reduzido custo, facilidade de administração e ainda por ultrapassar certo tipo de problemas, como por exemplo a falta de uma listagem completa e actualizada da população a inquirir (Reis e Moreira, 1993). Todavia, esta técnica apresenta algumas limitações. A principal desvantagem deste processo de amostragem é o possível enviesamento introduzido pelo entrevistador na selecção dos respondentes, por exemplo, o entrevistador pode escolher determinado tipo de inquiridos e evitar outros por questão de simpatia pessoal (Reis e Moreira, 1993).
A aplicação da técnica de amostragem por quotas nesta investigação consistiu na divisão da população em estudo em quotas de acordo com três critérios: concelho de residência, género e idade. Foi adoptado o método de quotas inter-relacionadas. Na verdade este método não é mais do que, o cruzamento dos vários estratos da população, resultando que cada indivíduo será controlado, simultaneamente, pelo seu género, idade e concelho de residência (Reis e Moreira, 1993).
Após a definição da técnica de amostragem a utilizar nesta dissertação, foi necessário definir a dimensão da amostra. Reis e Moreira (1993) enunciam um conjunto de factores que deverão ser contemplados quando é determinada a dimensão da amostra, nomeadamente:
i. o tipo de informação desejada;
ii. a fiabilidade e precisão dos resultados encontrados; iii. a variabilidade da população alvo;
iv. os custos totais envolvidos no processo amostral;
v. a definição do intervalo de confiança e do erro amostral a adoptar.
Procurou-se através destes apontamentos formular estatisticamente o número mínimo de elementos que deveria constar na amostra. Na construção da amostra optou-se por utilizar procedimentos estatísticos que se baseiam na definição de intervalos de confiança.
Concernente à construção dos intervalos de confiança, quaisquer que sejam os parâmetros da distribuição, sabe-se que:
- aproximadamente 68% das observações se encontram num intervalo que dista um desvio-padrão da média;
- aproximadamente 95% distam da média até dois desvios-padrão;
- mais de 99% das observações encontram-se a uma distância da média que não ultrapassa três desvios-padrão (Reis e Moreira,1993:147).
Desse modo, para determinar os limites dos intervalos anteriores, recorreu-se à função densidade de probabilidade normal standardizada (Z):
Z= X – μ σ Onde:
μ – média da população;
σ – desvio-padrão da população.
Optou-se neste estudo por utilizar o intervalo de confiança de 95%, por se tratar da dimensão mais utilizada em estudos com características similares a este. Para este nível de confiança o valor de Z será de ± 1,96. E o nível de precisão será de 7%.
Tabela 6.4 – Valores dos limites de confiança:
Nível de confiança (%) 68,27 95 95,45 97 99 99,73
Valor da Z ± 1,0 ± 1,96 ± 2,0 ± 2,17 ± 2,58 ± 3,0
Fonte: Reis e Moreira (1993).
Definido o intervalo de confiança e a amplitude do mesmo procurou-se delimitar o desvio padrão ou a estimativa da população. No entanto, desconhecendo qualquer indicação de qual será o valor dessa proporção recorreu-se a seguinte hipótese:
- Contacto dos residentes com os visitantes (hipótese 50% sim, 50% não). Portanto a dimensão da amostra será obtida recorrendo à seguinte equação:
n = Z² . p² D²
Onde:
n – dimensão da amostra;
D – amplitude do intervalo de confiança; p – hipótese do desvio padrão da população; Z – intervalo de confiança.
Com base nestas variáveis delimitou-se a dimensão da amostra para 196 residentes a serem inquiridos (Figura 6.2). Estes 196 representam aproximadamente 0,005 % da população. Por sua vez aplicou-se a mesma proporção referida para determinar a amostra existente na população para cada uma das quotas (Tabela 6.5).
n = (± 1,96)² . (0,5)² = 196
(0,07)²
Figura 6.2 – Dimensão da amostra a inquirir
Tabela 6.5 – Distribuição da População a inquirir por sexo, idade e concelho da NUT III (Serra da Estrela)
Idade Sexo Total
Masculino Feminino Concelho de Fornos de Algodres
15 – 24 2 1 3 25 – 64 6 6 12 65 ou + 3 4 7 Total do concelho de Fornos de Algodres 11 11 22 Concelho de Gouveia 15 – 24 4 4 8 25 – 64 18 18 36 65 ou + 8 12 20 Total do concelho de Gouveia 30 34 64 Concelho de Seia 15 – 24 8 7 15 25 – 64 33 36 69 65 ou + 11 15 26 Total do concelho de Seia 52 58 110 Total da amostra 93 103 196
O processo de inquirição terminou quando se obtiverem as quotas pré-estabelecidas para cada sub-grupo.