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Conforme os estudos do texto e do discurso avançavam, verificou-se a necessidade de associar a Linguística de Texto com a Linguística do Discurso. Jean-Michel Adam (2008) apresenta a proposta de associar a Linguística Textual e a Linguística Discursiva, apresentando a Linguística Textual- Discursiva.

Um texto não deve, de forma alguma, ser visto como uma unidade gramatical, mas como uma unidade de outra espécie: uma unidade semântica. Sua unidade é uma unidade de sentido em contexto, uma textura que exprime o fato de que, ao formar um todo, ele está ligado ao meio no qual encontra-se situado. (HALLIDAY & HASAN, 1976 e ADAM J.-M., 2008, p.23)

Como proposto por BAKTHIN (2000), a metalinguística vai abranger diferentes postulados que não tratam apenas da Linguística, Filologia, História da Língua, Literatura, Psicologia, Antropologia ou qualquer outra especificação, mas que abordará e se estabelecerá nas esferas limítrofes de todas as disciplinas citadas, criando um arcabouço teórico capaz de dar conta do conhecimento no que concerne o processamento e uso dos gêneros textuais- discursos.

105 Assim, Adam (2008) apresenta uma separação e uma complementaridade das tarefas, conforme demonstra o quadro abaixo.

Análise dos discursos

Gêneros

& OPERAÇÕES DE SEGMENTAÇÃO DESCONTINUIDADE INTERDISCURSO LÍNGUA(S) em uma INTERAÇÃO PERITEXTO Plano de texto Períodos e/ou

sequências Proposições Palavras OPERAÇÕES DE LIGAÇÃO CONTINUIDADE LINGUÍSTICA TEXTUAL Formações sociodiscursivas (ADAM J. M., 2008, p.43) O esquema demonstra o complexo jogo das determinações textuais da direita para esquerda, que regem os encadeamentos das proposições no sistema que constitui o texto, bem como as situações de interação social, da esquerda para direita. Dessa forma o gênero funciona como regulador das infinitas possibilidades de enunciados.

Segundo Adam (2008), a Linguística do Texto e do Discurso foram desenvolvidas isoladamente. Na atualidade, as contribuições dadas por estas duas vertentes linguísticas indicam a necessidade de uma integração entre elas, de forma a se construir a Linguística Textual-Discursiva. Adam inicia seus estudos e pesquisas na Linguística Textual e associa-se com Maingueneau que realiza seus estudos na Análise do Discurso de linha francesa. Segundo Adam (2010), a dimensão discursiva dos textos é formada por procedimentos complexos que inter-relacionam língua, texto e discurso para a constituição dos efeitos de sentido, uma vez que habitamos nossa própria língua, seus jogos linguísticos e as formas de construção do mundo.

Adam (2010) organiza a publicação de uma obra, Análises textuais e discursivas, sendo que um dos capítulos é de Ute Heidmann. Esta concebe a noção de discurso como uma forma particular de apreender a língua; dessa forma, com seus estudos, chegou a uma focalização sobre a dimensão textual e transtextual do discurso. A textualidade é o resultado de realizações

106 discursivas, sendo, portanto, concebida como uma dinâmica de relações textuais, intertextuais e plurilíngues, e não como uma estrutura fechada e estática. Ela é estudada tanto sob ângulo das forças coesivas que conferem a um texto uma certa unidade, quanto sob o ângulo das forças da transtextualidade e da interdiscursividade que ligam dialogicamente um texto a outros textos. Como produto singular de uma interação sociodiscursiva, um texto é o traço escrito e material da atividade de uma instância enunciativa social e historicamente determinada. Em sua diversidade temporal e geográfica, os discursos refletem a pluralidade e a complexidade das práticas sociais, inscrevendo-se nas línguas, em culturas e em gêneros diferentes.

Charaudeau e Maingueneau (2008, p. 172) propõem que a noção mais geral de discurso é aquela em que afirma: “o discurso é contextualizado”, assim, fornecem campo para uma investigação interdiscursiva e intercultural, ou seja, o contexto situacional (sócio-cultural) e verbal do texto oferece novos planos de comparação formal: comparar textos, de um lado, e os contextos, do outro.

Dessa forma, ao comparar textos e contextos, pode-se estabelecer relações com, segundo Heidmann (2003), as dinâmicas discursivas. O texto é enunciado em um contexto espaço-temporal específico e é, na interação com esse contexto, que ele produz efeitos de sentidos e produz as ações de seus participantes.

Estudiosos como Adam e Heidmann abordam a problemática do gênero como repertório de categorias às quais os textos são remetidos, indo de encontro a um conceito mais dinâmico de genericidade, o que permite pensar a realização textual e sua leitura-reinterpretação como processos complexos. Assim, pode-se dizer que um texto não pertence a um gênero, mas está posto em relação, tanto na produção como na recepção, com um ou mais gêneros.

Os autores afirmam que devido à complexidade do fenômeno gênero, seria mais prudente informar que um texto pertence a uma das grandes categorias estabelecidas e pouco diferenciadas, em vez de de criar um estatuto ou uma definição.

Adam (2010), afirma que as relações intertextuais são muito mais que indicadores de uma filiação ou de uma dependência, uma vez que elas são

107 essenciais na construção de novos efeitos de sentido, já que os textos estabelecem um diálogo entre si, pois todo texto é uma resposta a outro(s) texto(s).

O autor reconhece que os índices de materialidade de um texto funcionam fundamentalmente como instruções, como sistemas de restrições destinados a orientar o leitor.

O trabalho de Adam contribui muito com uma nova teoria e metodologia para análise de texto, na medida em que inter-relaciona fundamentos da Linguística Textual com a Linguística Discursiva, de forma a propor níveis do discurso e níveis do texto. Esses níveis são ligados pelo macroato discursivo.

Adam (2008), ao integrar a análise do discurso com análise de texto, apresenta os níveis ou planos da Análise do Discurso:

 Nível 1 interação: (ação visada, objetivos);  Nível 2 a formação sócio- discursiva social;

 Nível 3 interdiscurso, língua (S), intertextos e gêneros;

É a partir do nível 3, que os níveis do texto se inter-relacionam com os níveis do discurso.

Os níveis do texto são oito:

 Nível 4 - textura (proposições, enunciados e períodos);

 Nível 5 - estrutura composicional (sequência e planos de texto);  Nível 6 - (representação discursiva);

 Nível 7- enunciação (responsabilidade enunciativa e coesão polifônica);

 Nível 8 - atos de discurso (ilocucional e orientação argumentativa).

O nível oito do texto se articula com nível um do discurso por meio da ação visada, objetivos para se produzir a interação.

108 Adam propõe o seguinte esquema de Análise Textual dos Discursos.

NÍVEIS TEXTUAL DOS DISCURSOS